Mostrando postagens com marcador Marina Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marina Silva. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Marina e o 2º turno

A candidata do PV tem melhores condições de enfrentar Dilma Roussef (PT) num segundo turno do que José Serra (PSDB). De acordo com as últimas pesquisas realizadas pelo Ibope, a candidata do PV vem melhorando seu desempenho contra Dilma, enquanto Serra está caindo.
Em março, Serra estava à frente até mesmo da candidata do governo com 44% das intenções de voto, numa projeção de segundo turno contra Dilma Rousseff. Marina tinha apenas 17%. Em junho, Serra tinha caído para 38%. Marina, num eventual segundo turno contra Dilma, obteria 19% dos votos. A última pesquisa mostra que o crescimento de Marina vem se acentuando, assim como a queda de Serra. Na pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29), tanto Marina quanto Serra já teriam o mesmo desempenho contra Dilma: 32% para Serra e 29% para Marina.
É um empate técnico, portanto, já que a diferença é de menos de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Marina, porém, ao contrário de Serra, só tem crescido desde o início da campanha, conforme sua candidatura vem se tornando mais conhecida e apoiada no Brasil todo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Na mídia

19/09/2010 - 18:10:00 | Merval Pereira | O Globo

A última que morre

Na expectativa de que as próximas pesquisas eleitorais registrem alterações na definição do eleitorado que permitam a esperança de um segundo turno, os principais líderes do PSDB vivem uma situação paradoxal. Gostariam de ir para o segundo turno para manter a polarização com o PT, mas não acreditam que seja possível vencer.

Até porque, admitem, Serra teria que mudar totalmente os rumos da campanha, e não acreditam que ele se disporá a isso.

Ao contrário, se convencerá de que a estratégia do marqueteiro Luiz Gonzales estava correta.

Caso a hipótese de um segundo turno se concretize, duas ações práticas estão sendo preparadas: é previsível que haja no PSDB um movimento para uma comissão partidária assumir o comando da campanha.

Há também um manifesto sendo negociado, para ser assinado por grandes nomes da cidadania nacional, chamando a atenção para a atuação antirrepublicana do presidente Lula na eleição.

Querem com isso constranger suas ações em favor de Dilma num eventual segundo turno. 

Serra terá, porém, que enfrentar um problema factual: se chegar ao segundo turno mais devido à subida de Marina Silva do que por sua própria força, Serra estará fadado a perder para Dilma a maior parte do eleitorado que escolheu a candidata do Partido Verde no primeiro turno.

Do ponto de vista do militante tucano, chegar ao segundo turno é o objetivo estratégico para manter-se uma referência da oposição.

Mas para ganhar a eleição da candidata de Lula, a maior chance estaria com Marina Silva, desde que ela mostrasse nessa reta final da eleição capacidade de crescer tirando votos tanto de Dilma quanto de Serra, superando o tucano.

A mais recente pesquisa Datafolha mostra Marina subindo tirando votos de Serra e dos indecisos, mas sem alterar a posição de Dilma, o que não levaria ao segundo turno.

A campanha de Serra pode se deparar com um problema a mais: nas condições políticas atuais, o voto útil em Marina pode vir a se transformar em uma arma mais efetiva para derrotar o lulismo do que o voto em Serra.

Hoje, nas grandes cidades, há um movimento pró-Marina que pode provocar uma “onda verde” na reta final da eleição.

A estratégia que Serra tentou no início da campanha, de não encarnar o candidato anti-Lula, na esperança de que o eleitorado lulista o considerasse uma alternativa, Marina utiliza com mais naturalidade.

Tendo uma história de vida inteira dentro do PT e tendo sido ministra do Meio-Ambiente na maior parte do governo Lula, a candidata “verde” tem legitimidade para criticar o governo Lula sem se colocar como dissidente.

Por isso ela evitou durante toda a campanha fazer críticas diretas ao presidente Lula ou à candidata Dilma Rousseff, sem culpá-los pela sua saída do ministério.

O que parece a muitos uma fragilidade de sua campanha, pode ser o justo equilíbrio para levá-la a se tornar a opção do eleitor petista que esteja eventualmente desgostoso com os rumos que o governo vem tomando.

A situação de Serra, por outro lado, continuará bastante difícil mesmo que vá para o segundo turno.

Se não houver mudanças significativas difíceis de se enxergar no momento, ele chegará lá, pelo que as pesquisas estão mostrando, com menos votos do que o candidato tucano Geraldo Alckmin teve em 2006.

Dificilmente atingirá os 42% de votos válidos que o candidato do PSDB obteve naquela eleição, o que o enfraquece como candidato e também dentro do próprio partido.

O presidente Lula, em entrevista ao site IG, comparou mais uma vez a situação de Serra à dele em 1994 e 1998, quando disputou a eleição e perdeu no primeiro turno para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

“Eu lembro o que era dificuldade em fazer discurso em 1994. Sabe, o Real bombando e eu tentando me esgoelar contra o Real. Eu fiquei muito tempo com a imagem de uma propaganda de um pãozinho que aparecia caído num prato assim, que o preço era nove centavos. Era mortal aquela propaganda”, lembrou.

Na reeleição, Lula também se defrontou com a vontade do eleitorado de manter a continuidade do Plano Real, e mais uma vez perdeu a eleição no primeiro turno, mesmo com a economia já dando sinais de que não ia bem e que o Real teria que ser desvalorizado.

“Bem, eu acho que o Serra está vivendo esse drama. Ou seja, nós temos de nos conformar e esperar outra oportunidade. Eu tive paciência de esperar. Eu tinha menos idade do que o Serra tem hoje. Então, é duro”, comentou Lula.

Esse aliás, é um assunto que já está sendo tratado nos bastidores tucanos do pós-eleição. Mantendo-se as condições atuais, o ex-governador de Minas Aécio Neves emergirá dessa eleição como a principal força política do PSDB, e será em torno dele que se organizarão as ações do partido para enfrentar mais quatro anos de oposição preparando uma campanha eleitoral para 2014 que pode ter ou Dilma se candidatando à reeleição ou Lula querendo voltar ao poder.

O futuro de Serra é uma incógnita. Esta eleição era tida como sua última chance de tentar a presidência da República, pois terá 73 anos em 2014, mais velho do que Fernando Henrique terminou seu segundo mandato.

Na história recente, somente Tancredo Neves, com 74 anos, se candidatou à presidência com essa idade. Mas Serra surpreendeu na sabatina do Globo, quando disse que poderia ter disputado a reeleição para o governo de São Paulo “e ficar esperando por 2014”. Demonstrando assim que não considera que naquela ocasião estará muito velho para disputar uma eleição presidencial.

Já se fala que disputará a Prefeitura de São Paulo se não vencer a eleição, o que o colocaria novamente em condição de tentar a indicação do partido.

Para isso, no entanto, terá antes que melhorar a votação no seu Estado e na capital, onde atualmente perde para Dilma. Se conseguir reverter essa situação, pode até mesmo ir para o segundo turno

sábado, 18 de setembro de 2010

A opção do primeiro mundo

Creio que a melhor contribuição que Lula e sua turma deram para o nosso país, foi mostrar que é possível fazer diferente e melhor. Mais ainda, é possível Governar e pensar em desenvolvimento, pensando nos mais pobres.

Porém, o seu exemplo de ética maquiavélica, da pior espécie, especialmente o de poder fazer qualquer coisa para se manter no poder, é chocante.

Serra é um grande homem público, com inúmeros feitos, dignos do reconhecimento de todos. Porém, ele representa um modelo cansado, fracassado e que privilegia o capital em detrimento ao trabalho, de forma absolutamente desproporcional.

Representa o passado, tal qual o comunismo ao seu tempo se consumiu por si mesmo.

Poderia não ter nenhuma outra saída mais para o eleitor brasileiro. Porém, pela primeira vez, em décadas e décadas, descontando o período sem eleições, o país tem uma verdadeira candidata, que representa o que há de melhor no mundo, em todos os sentidos: ético, moral, sustentável, moderno, estratégico e com uma visão sistêmica do país, do mundo e do planeta absolutamente invejável.

Marina é a única candidata respeitada nos países de primeiro mundo. Diria que os paises desenvolvidos, a consideram, a melhor candidata que um país emergente já produziu em toda sua história. Porém, duvidam da capacidade do povo em sensibilizar-se com suas propostas.

Por isso tudo, comigo não tem essa de voto útil, pois qualquer outra opção, antes de mais nada é inútil.

Com muito orgulho, feliz por existir a opção, serei MARINA SILVA para Presidente do Brasil!

Carlos Roberto Sabbi
Editor do Blog Ética Global

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Marina já ultrapassa Serra em Salvador e no Distrito Federal

Uma das novidades da pesquisa Datafolha divulgada no último dia 10 foi a ascensão de Marina Silva em algumas cidades e unidades da federação.
No Distrito Federal, a candidata do PV atingiu 24% e ultrapassou José Serra (PSDB), que tem 16%. No levantamento divulgado em 25 de agosto, a vantagem do tucano era de 6 pontos percentuais (Serra tinha 18% contra 12% de Marina).
Em Salvador, Marina tem 15% contra 14% de Serra (na pesquisa anterior, o tucano tinha 7% contra 5% da candidata do PV).
Na cidade do Rio de Janeiro, já alcançou 18%. Com esse percentual está empatada tecnicamente com o candidato do PSDB, que tem 21%. Os levantamentos acima têm todos margem de erro de dois pontos percentuais.
Há também empate técnico no Ceará, onde a presidenciável do PV tem 8%, contra 13% de Serra, de acordo com pesquisa feita pelo Datafolha e divulgada pelo jornal “O Povo”, com margem de erro de três pontos percentuais.
Original no site:

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Marina é "o Lula melhorado"

Ex-petista, teólogo será estrela de festa do PV
Leonardo Boff diz que Marina é "o Lula melhorado" e seria eleita no 1º turno pelo PT

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Artigo do Jornal A Folha de 09/06/2010

Aliado de Lula em suas cinco campanhas presidenciais, o teólogo Leonardo Boff será a estrela da festa de lançamento da candidatura de Marina Silva (PV) ao Planalto, amanhã, em Brasília.

Ele subirá ao palanque com uma mensagem incômoda ao PT: defenderá que a senadora, e não a petista Dilma Rousseff, é a sucessora natural do presidente.

"A Marina é o Lula melhorado. Tem a mesma origem popular, mas soube pôr o foco na questão ambiental junto com a social", disse à Folha de Petrópolis (RJ), onde vive, por telefone.

Símbolo da Teologia da Libertação, uma das raízes do PT, Boff defenderá o voto na senadora como opção de continuidade ao petismo.

"Não me sinto distanciado do Lula, porque acho que a sucessora natural dele seria a Marina. Acho triste que ela tenha deixado o PT. Se fosse candidata do partido, venceria no primeiro turno", disse.

"Dilma é ligada a projetos importantes, mas não existe nela a dimensão de um conhecimento que seja ligado a questões tão diversas como as que temos hoje. Apoio Marina por imperativo ético."

Ligado à causa ecológica, ele admitiu que a senadora tem pouca chance de vitória. "De qualquer maneira ela ganhará, por impor a ecologia como tema importante na eleição", afirmou.

O reforço do pensador católico é visto no PV como antídoto às críticas que Marina vem sofrendo pela aproximação com líderes evangélicos de perfil conservador.

Os verdes temem perder espaço com o eleitorado progressista de classe média, que reagiu mal às suas declarações contra a legalização do aborto e o casamento gay.

A campanha convidou cerca de 200 "personalidades" para a convenção, entre artistas e intelectuais, mas enfrenta dificuldades para confirmar presenças.

Ontem, o clima era de apreensão com a lista. Um dos VIPs mais esperados, o cantor Caetano Veloso deu pouca esperança de aparecer. "Levar artista para Brasília não é fácil", desabafou um dirigente verde.

A festa será no mesmo local usado pelo PSDB para lançar a pré-candidatura de José Serra. O PV quer reunir entre 1.500 e 2.000 pessoas.

domingo, 21 de março de 2010

Marina Silva como celebridade internacional

MALU DELGADO - DA FOLHA DE S.PAULO

Pré-candidata do PV à Presidência, a senadora Marina Silva (AC) terá seu momento de celebridade internacional no dia 25 de abril, quando participará como oradora, em Washington, do 40º aniversário do Dia da Terra (The Earth Day). O coordenador nacional da pré-campanha de Marina, o vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ), confirmou ontem a presença da senadora no evento.

O badalado encontro internacional, organizado pela Earth Day Network, colocará a senadora ao lado de figuras como o ator Leonardo DiCaprio, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o diretor Martin Scorsese, a cantora Barbra Streisand e o fundador da rede de TV americana CNN, Ted Turner, além de uma infinidade de artistas, músicos, cineastas, atletas e ambientalistas, todos membros do comitê consultivo da Earth Day.

A Earth Day Network é uma rede global de proteção ao meio ambiente, pró desenvolvimento sustentável, que reúne parceiros e entidades ambientalistas de 174 países. A estimativa da rede é que até 1 bilhão de pessoas participem das atividades comemorativas do Dia da Terra, em abril, para promover a conscientização mundial sobre questões ambientais.

O evento deverá ser transmitido ao vivo pela CNN e contará, ainda, com a presença de representantes do alto escalão do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A direção do PV espera que Marina tenha a oportunidade de manter contatos com membros do governo norte-americano e também com o democrata Al Gore. O comando da pré-campanha do PV estuda a viabilidade de um encontro da senadora com o democrata no Brasil, no próximo final de semana, mas há problemas de compatibilidade de agenda.

Al Gore estará em Manaus nos dias 26 e 27 deste mês, ao lado do diretor de cinema James Cameron, do filme "Avatar". Ambos participarão do 1º Fórum Internacional de Sustentabilidade. Trata-se de evento privado, para o qual Marina não foi convidada.

Segundo o ex-deputado Luciano Zica (PV-SP), que cuida da agenda pré-eleitoral de Marina, a senadora, nestes dias, estará em Serra Negra, Atibaia e Araraquara. Além de encontro com prefeitos e com militantes do PV, Marina conversará com mulheres trabalhadoras rurais de São Paulo. Até o momento, o PV ainda não conseguiu viabilizar um encontro de Marina com Al Gore no Brasil.

O convite para Marina discursar no mais importante evento do 40º aniversário do Dia da Terra, que será celebrado em simultaneamente em várias cidades dos EUA, partiu da presidente do Earth Day Network, Kathleen Rogers. A pré-candidata é convidada a falar sobre "sua conexão pessoal com o meio ambiente e seu trabalho para protegê-lo".

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A questão ambiental


Por Ana Valéria Araújo

SÃO PAULO - Os resultados da recente pesquisa indicando que a senadora Marina Silva tem boas chances de figurar entre os principais candidatos na eleição presidencial em 2010 surpreenderam e acenderam o debate sobre o grau de importância da questão ambiental na agenda do País. Até então, prevalecia a impressão de que o político que propusesse incluir o meio ambiente em sua plataforma de campanha perderia votos. Geração de empregos, melhoria das condições de saúde, construção de escolas e a destinação de mais verbas para a segurança pública dominam a pauta dos candidatos aos cargos majoritários. Quando muito, propostas na área ambiental são relegadas a notas de rodapé dos já desacreditados programas de governo.
A verdade é que a questão ambiental sempre foi entendida como uma pedra a ser removida do caminho, visto que os administradores públicos querem ver seus nomes inscritos no marco inaugural de uma obra, sem se importar se ela agrida a natureza ou não. Em meio ao tradicional cenário da falta de planejamento das ações dos governos, discutir as consequências dos projetos de desenvolvimento permitiria ao País ponderar a real dimensão dos custos socioambientais de seu crescimento econômico e questionar algumas das escolhas a serem feitas.
Embora o Brasil, a partir de 1981, tenha passado a contar com leis ambientais que exigem, por exemplo, a realização de estudos para avaliar os impactos de grandes obras, essas leis pouco inspiraram a prática de governantes, que teimam em afirmar que o meio ambiente constitui entrave ao desenvolvimento. Esse embate fortalece setores interessados em colocar aqueles que defendem a proteção ambiental no papel do vilão a ser derrotado, o que se traduz em uma enxurrada de iniciativas para desmontar os avanços da legislação e intimidar a ação de órgãos encarregados do cumprimento das políticas públicas.
A população, por sua vez, é levada a enxergar o assunto como obstáculo ao crescimento econômico e à geração de empregos, a partir de informações contraditórias e habilmente veiculadas por aqueles que se opõem à preservação. Com isso, tem dificuldade de perceber que, ao contrário, um meio ambiente ecologicamente equilibrado é garantia para toda a sociedade e para as gerações futuras, projetando inclusive, como afirma o sociólogo Marcos Nobre, "um modelo de desenvolvimento subordinado a controles democráticos".
Para um país que sempre afirmou que a destruição da natureza era condição necessária ao desenvolvimento, conciliar o crescimento econômico com o uso sustentável do meio ambiente nunca fez parte do breviário de conduta dos seus homens públicos. A própria história de como domamos o território brasileiro, espalhando as sementes que fizeram brotar os núcleos de povoamento e as bases para os ciclos econômicos que impulsionaram o desenvolvimento do País foi escrita a partir de golpes do machado que destruiu florestas e deu origem ao acervo de conflitos sociais e ambientais que perduram até os dias de hoje.
Não faltaram advertências em sentido contrário, como a de José Bonifácio, o patriarca da Independência, que, ainda em 1821, recomendava preservar uma parte das matas existentes nas propriedades, que não deveria "ser derrubada e queimada sem que se façam novas plantações de bosques, para que nunca faltem as lenhas e madeiras necessárias". Apesar disso, seguimos com práticas de desmatamento que acabaram por quase extinguir a mata atlântica, por consumir metade do cerrado e por avançar em níveis alarmantes sobre a Amazônia.
No início da década de 70, auge da ditadura militar, quando o mundo começa a se preocupar com a questão ambiental em razão da realização da primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, em Estocolmo, Suécia, o discurso de nossos governantes informava que o Brasil não pretendia abrir mão de usar seu estoque de recursos naturais para alavancar o desenvolvimento e superar as assimetrias de renda que separavam o brasileiro dos americanos e europeus. Foi o tempo de obras faraônicas que rasgaram a floresta amazônica sob a concepção de que sua ocupação era vital do ponto de vista geopolítico e precisava ser estimulada a qualquer custo.
De lá para cá, com a redemocratização do País e a aprovação de uma Constituição cidadã, que estabelece a defesa do meio ambiente como um dos princípios gerais da atividade econômica, ficou difícil aos governantes ignorar o assunto. Infelizmente, suas preocupações na maior parte das vezes ficaram restritas aos pronunciamentos oficiais, não conseguindo gerar padrões permanentes de ação que incorporassem a proteção ambiental à formulação das políticas de desenvolvimento nacional.
Enquanto isso, o tema é alçado a lugar de imenso destaque no cenário internacional em razão do aquecimento global, causador do fenômeno das mudanças climáticas. O Brasil assume papel relevante na discussão do problema, já que a preservação da floresta amazônica é fundamental para a manutenção do equilíbrio climático do planeta. Com isso, passamos a integrar o seleto time de países que podem fazer a diferença na definição de uma nova ordem mundial.
A emergência do debate contaminou a sociedade, que em doses crescentes incorpora o assunto ao seu rol de preocupações, dando mostras de que pode incluí-lo em seus critérios de avaliação política. Os resultados de 2010 vão determinar em que grau isso passará realmente a influenciar a escolha dos eleitores. O grande desafio é garantir que o verde vá lançar um olhar sobre todos os demais temas de interesse da sociedade, estabelecendo pontes de diálogo que tornem seu ideário uma agenda real e inovadora para a solução dos problemas do país.
Assim como o presidente Obama galvaniza a esperança dos EUA na renovação de ideias e formas de conduzir a política americana, no Brasil, a eleição de um candidato com uma plataforma socioambiental em 2010, que não veja no meio ambiente mero objeto de retórica, abre as portas para que o Brasil dê um passo adiante. A eleição do presidente Lula foi, sem dúvida, uma demonstração de amadurecimento da democracia brasileira, que pode agora assumir o protagonismo em temas que estarão no centro da agenda política mundial.

*Advogada, mestre em Direito Internacional pelo Washington College of Law, fundadora do Instituto Socioambiental e coordenadora executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos

Seguidores

Visualizações nos últimos 30 dias

Visitas (clicks) desde o início do blog (31/3/2007) e; usuários Online:

Visitas (diárias) por locais do planeta, desde 13/5/2007:

Estatísticas