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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Você quer Seguir seu Sonho mas Falta Coragem?

Você quer subir até o ponto da montanha quer imaginou para você mas falta coragem? Existem milhares de pessoas com você neste ponto. Pois bem, saiba que existem vários caminhos. Um deles é você escrever as etapas da escalada. Ao escrever todas as etapas, você terá mais clareza e sentirá, de uma forma ou de outra, a alegria de que está avançando e a paixão para ter mais coragem e agir. 

Antes de falarmos de algumas dicas, saiba que coragem não é ausência de medo. Coragem é enfrentar o medo. Tudo bem, o pressuposto principal desta jornada é que você saiba qual é a sua montanha, qual o seu sonho. Ouvindo isso dentro de você, escreva as razões e as emoções que fazem você querer caminhar até o cume. Colocar estes sentimentos no papel te farão sentir o significado e a causa para atingir o topo da montanha. Sentir o significado é a sua alimentação para o sonho, gera motivação para você enfrentar frio e tempestades. 

Muito bem, depois de se alimentar, veja as rotas que existem na montanha para você subir até o cume. É a fase das opções. Fale com você mesmo sobre os ganhos, perdas e riscos de cada caminho. Escreva pelo menos 3 rotas alternativas. Quanto mais opções você tiver, maiores as suas chances de sucesso, e maior o calor de coragem que você sentirá. 

Depois que você anotar os ganhos, perdas e riscos de cada caminho, a melhor opção vai gritar para você. Aí, faça planos de ação para minimizar os riscos do melhor caminho. Por exemplo, se o caminho for escorregadio, compre botas com travas maiores, contrate um guia, aumente o material de proteção, leia a previsão do tempo para caminhar em dias de sol etc. 

Quando você concluir a escolha do caminho, planeje como você vai atravessar esta rota que te leva até o cume da montanha, seu sonho. Visualize antecipadamente cada etapa, como se fossem marcos na estrada. Outra dica é escreva todas as atividades que precisam ser feitas para você subir até o topo da montanha. Não precisa escrever na ordem exata. Vá escrevendo aleatoriamente e depois você ordena numa seqüência. 

Aí, depois de fazer tudo isso, é dar o primeiro passo. É como fala o provérbio chinês: uma grande caminhada começa com o primeiro passo. Você notou que falamos o tempo todo em escrever? Pois bem, acredite nesta dica. Pensar no papel faz uma diferença incrível. 

E como estas etapas te ajudam a ter mais coragem? Elas te ajudam pois você vai enxergando os caminhos, as alternativas, faz planos de ação, se previne, identifica os recursos que precisa, apoio, tempo necessário, provisões etc. Quanto mais você escreve e imagina tudo o que vai acontecer, mais você sente a segurança de que é possível e que você pode. Você vai sentir, de um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde, a sua coragem aumentar no seu peito e no seu estômago. 

Planejar não garante o sucesso, mas aumenta muito as probabilidades. Escreva a viagem como fizemos acima e você sentirá a coragem aumentar. A coragem vai falar muito mais alto que o medo. Depois é com você dar o primeiro passo. Vá em frente e siga o caminho do seu sonho. 

Frederico Graef – Coach e Palestrante 
Membro da Sociedade Brasileira de Coaching 
www.fredgraef.com.br – fred@fredgraef.com.br 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ganhei coragem

por Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas.

Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre...“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. 

No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a 
sociedade imoral observa que os indivíduos, 
isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. 

Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo... Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia - são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.

O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o VolkswagenVolk, em alemão, quer dizer “povo“...

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol...). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: 

“Caminhando e cantando e seguindo a canção...“

Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

(Folha de S. Paulo, 05/05/2002)

domingo, 28 de outubro de 2007

Se ligue em você


Existe uma luzinha no seu peito. Uma luz que os olhos não vêem.
Mas quando ela está acesa, a gente sente. Pois é ela que causa os nossos sentimentos.

Quando você a acende, aparecem sentimentos bons em seu peito. Tudo fica mais bonito e gostoso. Ela faz você se sentir alegre.

Quando você a apaga, aparecem sentimentos maus. Tudo fica mais feio e dolorido. Sem ela, você se sente triste.

Quando está acesa e brilhante, ela sai pela boca, fazendo-nos sorrir. Ela também sai pelos olhos, fazendo-os brilhar.

Ela sai pelo peito, fazendo-nos amar, e pelos braços, fazendo-nos abraçar.
Sai também pelas mãos, fazendo-nos caprichar em tudo.
Sai, finalmente, pelo corpo inteiro, fazendo-nos dançar.

NÓS SÓ SOMOS FELIZES QUANDO ELA ESTÁ ACESA!

Ela se acende quando você pensa positivo. E você pensa positivo quando ela se acende. Ela brilha quando você faz carinho nas plantas, nos animais e nas pessoas. Também quando sua mãe lhe dá um presente ou quando você come um doce gostoso.

Ela brilha mais ainda quando você dá um pedaço do seu doce para seu amigo.

Mas, muitas vezes nós deixamos nossa luzinha se apagar.
Quando ela se apaga, você sente medo.
O medo aparece quando você pensa que uma coisa ruim pode acontecer com você ou com alguém de quem você gosta.
Quando você tem coragem, a luzinha volta a se acender.

Coragem é o nome do sentimento que acontece quando você acredita que só coisas boas podem ocorrer com você e com os outros.

Este é parte do livro "Se ligue em você" do Tio Gaspa;
Projeto e coordenação: Luiz Antonio Gasparetto;
Revisão: Ana Maia Littiéri;
Capa e produção visual: Kátia Cabello;Publicação e distribuição: Espaço Vida e Consciência


Recomendo em especial para todos os adultos!!! A obra é simplesmente divina!

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