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sábado, 12 de dezembro de 2009

Projeto de profissionalização dos benefícios sociais


PROJETO DE PROFISSIONALIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS SOCIAIS

1 OBJETO

O Bolsa Família, o Seguro Desemprego e o Benefício de Reclusão.

2 OBJETIVO

Profissionalizar o pagamento desses benefícios sociais, deixando de ser mero auxílio para se tornar uma contra-partida de mão-de-obra, além de diminuir expressivamente a quantidade de fraudes.

3 JUSTIFICATIVAS

3.1 Primeiramente, é importante destacar o admirável papel de redistribuição da riqueza que esses programas realizam.

3.1.1 Além deste aspecto, sob a ótica econômica, é um método formidável de aquecê-la de forma homogênea, num autêntico feedback financeiro.

3.1.2 Portanto, acreditamos na sua importância, notadamente quanto ao auxílio das pessoas mais necessitadas, entre as quais encontram-se aquelas que efetivamente não conseguirão jamais gerir sua vida financeira, por razões culturais, sociais e de limitação de discernimento.

3.1.2.1 A maioria absoluta desses problemas e dessas limitações foram causadas pela pobreza e a sociedade é responsável por isso, também.

3.2 Porém, o simples fato do benefício ser doado, sem nada em troca acaba acarretando uma considerável distorção dos principais objetivos do Estado, que antes de mais nada é dar dignidade ao cidadão.

3.2.1 A alegação de que eles não tem nada em dar em troca, não tem lógica, senão vejamos:

3.2.1.1 Descartando-se as limitações impostas pela saúde, todas as demais não se justificam.

3.2.1.2 Toda pessoa tem alguma condição de desempenhar uma atividade laboral.

3.2.1.3 A questão principal deste tópico, possivelmente seja o enquadramento das habilidades dos beneficiados com o programa com as possibilidades de trabalho existentes ou a serem criadas.

3.3 Outrossim o fato de criarmos pessoas dependentes do Estado, pura e simplesmente recebedoras de benefícios, sem nada em contrapartida, provoca:

3.3.2 a criação de um mau hábito da própria dependência;

3.3.3 um desestímulo à cultura da liberdade - social, política, financeira, etc.;

3.3.4 estímulos para a criação de meios para burlar a legislação, no sentido de enquadrar-se nos parâmetros estabelecidos para a sua concessão;

3.4 A quantidade de irregularidades, por parte principalmente dos beneficiados dos programas, é grande, como pode-se verificar:

3.4.1 no horário de procura para recebimento do seguro-desemprego, onde a maioria absoluta concentra-se no horário do meio dia às 13 horas, casualmente horário de almoço das empresas;

3.4.1.1 Esta é uma situação inegável e que pode ser comprovada em qualquer agência da Caixa Econômica Federal ou em sua rede de Lotéricos;

3.4.1.2 Além do recebimento indevido dos recursos do programa, há um aumento da informalidade, por conta da espera do prazo de recebimento das parcelas do seguro desemprego, para só depois voltar a registrar-se como empregado, provocando outro dano ao Estado.

3.4.2 na Bolsa Família os maiores problemas residem na qualidade do enquadramento por parte das Prefeituras Municipais, onde nem sempre predomina a seriedade.

4 SUGESTÃO

4.1 Criação de uma Lei especial e específica para os trabalhadores que estiverem recebendo algum dos seguintes benefícios sociais:
4.1.1 Bolsa-Família;
4.1.2 Seguro-Desemprego;
4.1.3 Auxílio Reclusão.

4.2 Esta Lei disciplinaria a obrigatoriedade do recebimento desses benefícios sociais vinculados com a participação num grande programa nacional de desenvolvimento profissional PNDP.

4.2.1 Este programa consistiria na participação dos beneficiários, de qualquer um desses benefícios sociais, num estágio de aprimoramento e desenvolvimento profissional.

4.2.2 Os Municípios ficariam encarregados de criar, organizar e manter o PNDP, realizando parcerias com empresas locais.

4.2.2.1 Os custos das Prefeituras Municipais seriam compensados com a administração do PNPD, o qual cobraria uma tarifa das empresas conveniadas, que como contrapartida receberiam os estagiários pelo tempo de duração do benefício ou até quando do início de algum trabalho remunerado por parte do beneficiário.

4.2.2.2 O único custo das empresas conveniadas com o PNDP seriam as tarifas de manutenção da administração/coordenação por parte da Prefeitura Municipal.

4.2.2.3 Os beneficiários e consequentemente estagiários, receberiam como contrapartida desse estágio exatamente o valor devido por algum dos três benefícios relacionados no subitem 4.1.1, 4.1.2 e 4.1.3.

4.2.2.4 O estágio deverá ter um caráter de desenvolvimento e aprimoramento profissional e será devidamente regulamentado em conjunto pelo Ministério do Trabalho e da Educação.

4.2.2.5 Na regulamentação desse estágio os Ministérios deverão observar tanto a questão do efetivo aprimoramento e desenvolvimento profissional que o estágio deverá proporcionar ao beneficiário, bem como a viabilidade da aplicabilidade pelas empresas.

4.2.2.6 Também será observado pelos Ministérios, que essa aplicabilidade do estágio de aprimoramento e desenvolvimento, no saldo final, represente vantagens para s empresa, de forma que haja naturalmente atratividade de empresas para com o PNDP.

4.3 Fica estabelecido que para recebimento de qualquer um dos benefícios relacionados no subitem 4.1 será obrigatória a participação no PNDP.

4.4 O recebimento dos benefícios é facultativo e de livre iniciativa do trabalhador.

4.5 O tempo de participação no PNDP será exatamente igual, em quantidade de dias, ao do inclusão para recebimento em qualquer um dos três programas.

4.6 No caso do Auxílio Reclusão, na impossibilidade da participação do apenado, que será definida pelo Poder Judiciário, a cada sentença proferida, facultativamente será oferecida a um dos membros familiares, considerando-se neste caso, esposa ou filhos maiores de 16 anos, cabendo a esses decidirem se desejam participar.

4.6.1 No caso de haver mais de um interessado, entre esposa e filhos, prevalecerá o mais idoso.

4.7 A partir do momento que o beneficiário estiver empregado, cessará imediatamente o recebimento do benefício.

4.8 O valor da Bolsa Família e do Auxílio Reclusão, jamais poderão ultrapassar a 70% do Salário Mínimo.

4.9 Será descontado o percentual de 5% do Benefício em prol da Prefeitura Municipal, administradora do FNDP.

4.10 Carga horária dos estágios

4.10.1 O estágio para os beneficiário do seguro-desemprego será de 5 horas diárias, de segunda a sexta-feira.

4.10.2 Para os beneficiários do Bolsa Família e Auxílio Reclusão, será de 6 horas diárias, de segunda a sexta-feira.

4.11 Faltas

4.11.1 Todas faltas não autorizadas serão integralmente descontadas.

5. CONCLUSÃO

Conforme pode ser visto, este projeto profissionaliza esses benefícios sociais, na medida que os vincula parcialmente, mas efetivamente a projetos, aqui denominados de PNPD, onde o trabalhador deverá prestar serviços .

Com a aplicabilidade do estágio de aprimoramento e desenvolvimento passar-se-á a uma melhor capacitação do trabalhador, eliminar-se-á boa parte das principais fraudes nos programas, far-se-á maior justiça social e ainda gerará novos recursos que poderão ser reinvestidos nos programas ampliando os próprios benefícios.
 
Sugestão de projeto - Carlos Roberto Sabbi -  crsabbi@gmail.com

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Argumentos Emocionais - A resposta

Em resposta ao excelente artigo do Luciano Pires, publicado aqui no Blog Ética global no dia de ontem, escrevi ao autor, tecendo algumas considerações. Abaixo está o e-mail completo que encaminhei ao Luciano.
Caro Luciano!
Tudo bem contigo? Espero que sim!
Evidentemente que você não lembra de mim, mas além de Professor Universitário, também sou funcionário da Caixa Econômica Federal, aqui em Caxias do Sul/RS, quando tive oportunidade de assistir a uma brilhante palestra tua.
No ano passado te escrevi pedindo autorização para republicar teus artigos em meu blog - eticaglobal.blogspot.com - que é um ponto de apoio para meus alunos de ética e que, por sinal, fui prontamente atendido por você.
Bem, feita a apresentação, gostaria de te parabenizar pelo artigo de hoje, sobre o Bolsa Família.
Olha, você tem toda razão e realmente essa situação é um absurdo. Por outro lado, a situação de absoluta pobreza sempre será um problema para o Estado e, por decorrência, uma preocupação que necessita algumas atitudes da parte dele para ao menos amenizá-la.
Porém, como você bem exemplificou e argumentou, assim como está é uma imbecilidade. Aliás, o próprio seguro desemprego como é aplicado em nosso país, também o é.
Há 25 anos escrevi para os órgãos competentes, sugerindo que o Seguro Desemprego fosse atrelado a alguma atividade produtiva, em parte do dia, através de convênios com os Estados e Municípios. Se o desempregado tivesse que trabalhar, primeiramente aumentaríamos nossa produtividade e, além disso, eliminaria a farsa de uma parte considerável dos valores pagos para trabalhadores informais, enquanto na clandestinidade ficam assim para terem direito de receber o seguro. Também poder-se-ia aumentar o valor do próprio seguro, considerando-se a economia e a produção dessa mão-de-obra.
Pois bem, quanto à Bolsa Família, parece-me que ela está exatamente na contra-mão do aspecto educativo, também. Se atende, por um lado, o social, destrói o futuro da própria nação, em parte, na medida que educa mal e dá o pior exemplo possível.
Porém, se a Bolsa Família somente fosse paga para quem estivesse trabalhando, exatamente ao contrário do que hoje está estabelecido, aí sim teríamos um processo educativo e exemplar. Para aqueles que não conseguissem emprego, público ou privado, o Governo Federal, através de convênios com Estados e Prefeituras, poderia oferecer um programa de frentes de trabalho, as quais com uma remuneração proporcional ao que fosse possível e adequado economicamente, poderia proporcionar uma outra fonte de renda para o bolsista.
Por outro lado se esses dois programas sociais fossem bem arquitetados, contribuiria também para a economia nacional, pois uma distribuição da riqueza dessa forma, ajuda muito ao desenvolvimento econômico. Um exemplo do que me refiro é o Seguro Desemprego nas nações desenvolvidas, onde o padrão de vida praticamente não muda com o desemprego. Por conseguinte o desemprego num país desenvolvido não tem os mesmos efeitos devastadores na economia nacional do que em países que não o possuem ou o seu valor é significativamente menor do que o salário percebido.
Enfim, só estou exemplificando duas situações, uma do Seguro Desemprego e outra do Bolsa Família, para demonstrar que existe caminhos-do-meio que contemplariam "Gregos e Troianos", otimizando o processo de redistribuição da riqueza e qualificando sobremaneira os programas sociais.
Poderíamos com medidas assim, dar um salto gigantesco de qualidade.
Mas, será que faltam idéias assim? Se fosse seria simplesmente repassar minha sugestão.
Ou será que falta mesmo é vontade política para esse crescimento do desassistido como cidadão?
Será que falta vontade política para desenvolvermos essa nação?
Enfim, como você, meu caro Luciano, também me sinto um imbecil!
Grande Abraço!
Carlos Roberto Sabbi (54) 9974.8735
http://eticaglobal.blogspot.com/
Sent from Caxias Do Sul, RS, Brazil

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Argumentos Emocionais

Sou um dos imbecis que julgam o Bolsa Família um programa assistencialista criado para comprar votos. Vamos ao caso.
No Ceará, o Sindicato da Indústria Textil fechou um acordo com o governo para coordenar um curso de formação de costureiras. O governo exigiu que o curso atendesse exclusivamente um grupo de 500 mulheres cadastradas no Bolsa Família. O Senai formaria as costureiras e o Sinditextil enviaria o cadastro das formandas às inúmeras indústrias do setor. Pois bem. O curso, com 120 horas/aula, foi concluído e os cadastros enviados às empresas, que começaram as contratações. Sabe quantas costureiras foram contratadas?
Nenhuma. Zero. Nada.
Por estarem incluídas no Bolsa Família, todas se negaram a trabalhar com carteira assinada, pois perderiam direito ao subsídio. Para elas, o Bolsa Família é um beneficio que não pode ser perdido. É para sempre. Entre o emprego e o Bolsa Família, escolheram o Bolsa.
Tem alguma coisa errada, não é? No entanto, qualquer argumento racional que conteste o Bolsa Família é desqualificado pelos argumentos emocionais dos que o defendem.
Deixe-me esclarecer os tais argumentos emocionais. Quem procura um apartamento para comprar, examina as evidências racionais sobre a localização, o tamanho, valor do condomínio, trânsito, preço, acabamento e ao final decide se está diante de um bom negócio. Das evidências, tira a conclusão. Enquanto isso o corretor de imóveis utiliza argumentação emocional para convencer o interessado a comprar o apartamento que ele (o corretor) quer vender. Aliás, não apenas comprar, mas comprar já! As conclusões que para o interessado vêm da análise das evidências, para o corretor são o ponto de partida da argumentação. Da conclusão (a compra do apartamento que ele está vendendo) ele monta aargumentação e apresenta as evidências. Achou o apartamento pequeno? Ele mostra outros menores e mais caros. É longe? É, mas o trânsito é tranquilo. O valor do condomínio é alto? É, mas a garagem é grande. Quer um tempo para pensar? Hummm... tem uma lista de gente querendo comprar exatamente aquele que ele mostrou. E assim por diante. O poder persuasivo do argumento emocional leva o comprador à conclusão que o vendedor quer. E quanto mais emocionais forem os argumentos, mais difícil fica escapar deles. Principalmente se o comprador é ingênuo.
Políticos são campeões na utilização de argumentos emocionais. E Lula é o campeão dos campeões. Ele coloca no palanque uma menininha que foi salva de morrer de fome pelo programa Bolsa Família, levando a platéia às lágrimas. O argumento emocional é imbatível. E qualquer um que se atrever a criticar o programa imediatamente assume o custo de ter que explicar que não é a favor da fome.
Diante da menininha salva da morte, o caso das 500 costureiras do Ceará é nada.
Essa é a mesma técnica dos que transformam religião em negócio cegos pelos argumentos emocionais, os "fiéis" não usam a razão e passam a acreditar em milagres no atacado.
Argumentos emocionais são eficientes pos serem rapidamente compreendidos pelos que não conseguem ir mais fundo que a análise rasa dos fatos. Pelos que tem certeza.
E eu que não tenho certeza de nada, sou só um imbecil.
Luciano Pires
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