Artigos, estórias, histórias, parábolas, fábulas, mitologia, lendas e algumas poesias.
Temas: Amor, Ciência, Compaixão, Comportamento, Cultura, Enquetes, Ética, Fraternidade, Gestão, Mudanças, Paixão e Paz.
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Considere que a sobrevivência de uma nação e de toda sua população esteja em jogo. Neste caso os fins justificam os meios?

Editorial

Começamos o mês de julho com a publicação em quatro partes (em quatro dias seguidos) a partir de hoje do trabalho "A Doença como Caminho de Cura " de autoria de Humbertho Oliveira, Mauricio Tatar, Susana Hertelendy e Vania Didier.

Trata-se de um trabalho apresentado no II Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia, em 28 de abril de 1996, em Salvador, Bahia, Brasil.

Ele discute questões filosóficas e teóricas relacionadas à prática do acompanhamento terapêutico a pessoas com doenças físicas graves e/ou terminais dentro de uma perspectiva não-mecanicista dos novos paradigmas. Ele é resultado das atividades de um grupo de estudo e pesquisa, baseado na troca de experiências em torno dos atendimentos que os autores fazem, e numa ampla discussão que eles tem tido com profissionais ligados à área de saúde e áreas afins.

E o que um trabalho desses tem a ver com a ética, ou com o próprio título do blog, Ética Global? A resposta é simples, pois uma conduta ética mantém a pessoa equilibrada energeticamente o que obviamente será um pressuposto básico de uma boa saúde. Um método de saúde preventivo, poder-se-ia afirmar.

Agora, no próximo dia 4/7/2009 estarei me submetendo a uma cirurgia corretiva dos olhos. Nada muito preocupante, apenas uma correção, ou do tempo, ou da falta de equilíbrio energético em outros tempos.

Porém, os artigos continuarão sendo publicados normalmente, pois o Google proporciona nas suas ferramentas do blog, uma programação de publicações, o que já deixei feito.

Outra informação importante é que tive que temporariamente retirar o quadro dos acompanhantes do blog, visto que em alguns navegadores ele estava impedindo sua abertura. Assim que o problema for sanado ou pelo Google ou pela Microsoft eu retornarei com ele, pois é uma alegria imensa contar com cada um de vocês.

Obrigado pela participação, pela presença, pelos comentários de crítica e de incentivo.

Bom proveito, amigas e amigos!

Carlos Roberto Sabbi
Julho de 2009

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Câncer: A doença recidiva



No dia 27/06/2009 publiquei um artigo com o título "Câncer: A doença" de autoria de Cláudia Botí, a própria doente. Hoje apresento outro artigo seu, uma continuidade do anterior...
Nos períodos em que estive com o câncer e que este estava sendo tratado através de Radioterapia na primeira vez e Quimioterapia na segunda vez, não pensei muito na doença. Só agora, após passar pelas fases de tratamento, é que estou tomando par da situação.
O médico fala da cura mas eu tenho que fazer exame de controle de 4 em 4 meses para verificação. Então, o que seria a cura já que paira sobre mim a cada exame o medo do retorno?
Na verdade então o que existe? Se é a cura até que o câncer retorne não aparecendo mais nos exames, isso é muito vago.
Tento comportar-me diante dessa situação da melhor maneira possível, principalmente com o apoio terapêutico.
Não vivemos em um país onde possamos ter tranqüilidade para cuidar de uma doença como esta, principalmente quando somos de classe assalariada, de nível baixo e temos que ficar pelo INSS até não sei quando; até mesmo porque se sair desta condição em que tenho uma empresa ligada a mim, eu perderei o mínimo que um ser humano neste país necessita para cuidar de um câncer de maneira decente.
O que falo do perder: Assistência médica, salário digno, apoio no pagamento de terapia ... Caso eu saia desta condição não terei nada. Sei que existem hospitais públicos (já passei por eles), pago para tê-los, mas é muito difícil.
O que sinto hoje é medo de um retorno de uma doença: medo de sair do INSS e, caso retorne para a empresa na qual trabalhava, medo de ser demitida; medo de aposentar-me, caso isso seja possível, e acabar perdendo toda a condição que tenho ligada a uma empresa. Em suma, o que sinto muito forte é MEDO.
Uma Assistência médica não aceita pessoas com doenças preexistentes, outra empresa não empregaria uma pessoa com meu perfil. Sinto-me perdida para erguer a cabeça e sobreviver com todas as preocupações que tenho.
O que podem dizer-me? Que não sou a única nesta situação? Eu só posso dizer que estou lutando por mim e, quem sabe, por outras pessoas.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Caçando passarinhos


"Vou caçar passarinho!". Quando eu era garoto lá em Bauru, quarenta anos atrás, todo garoto andava com seu estilingue ou sonhava com uma espingardinha de chumbo pra matar passarinhos. Não é um absurdo?
Nossa consciência sobre a proteção ao meio ambiente é cada vez mais forte e isso é bom, muito bom. Quem agride o meio ambiente está cada vez mais isolado e exposto à identificação e punição. O cerco vai apertando. E isso também é bom, muito bom. Essa consciência vem do madurecimento da sociedade, alimentado pela pregação dos ambientalistas que começou lá com o "salvem as baleias" e hoje está presente em todos os momentos de nossas vidas. É verdade que falta muito, mas a nova geração que vem aí é muito mais responsável que a anterior.
Duvida? Experimente dizer a uma criança que você vai matar um passarinho...
Muito bem. Pregar para as crianças, abraçar árvores, fazer filmes, dar a entrevistas, escrever artigos, tudo isso é muito bom e necessário. Mas quem é que realmente tem o poder - e a responsabilidade - de sair da pregação para realizar ações concretas para mudar a realidade?
Veja um exemplo simplório: há muitos anos as equipes da Fórmula Um distribuem seus "press releases" compostos de seis folhas A4, para cerca de 300 jornalistas a cada final de semana. Recentemente os assessores de imprensa da equipe McLaren concluíram que num mundo onde os arquivos eletrônicos são lidos por todos, não há sentido em usar folhas de papel. E decidiram distribuir seus releases eletronicamente. Que legal, né? Todos gostaram da idéia, menos um jornalista, o veterano Dan Knutson, que insistiu em receber a versão impressa. Como ninguém gosta de atritos com jornalistas, a McLaren passou a entregar-lhe o material impresso com o seguinte título: "Versão análogapara Dan Knutson". No final do release está impresso: "Nós derrubamos uma árvore para poder entregar esta versão impressa para o jornalista mencionado anteriormente". Os executivos da McLaren fizeram mais que a pregação, usando seu poder para realizar uma ação efetiva, simples e direta. Economizaram cercade 20 mil folhas de papel por ano e deixaram Mr. Knutson sujo na área...
Uma ação efetiva, transformando a pregação em resultados.
Antes que venham as pedradas: uma coisa não elimina a outra. A pregação é necessária. Mas me parece que temos pregadores demais. Todos querem salvar as baleias, mas não conseguem praticar pequenas ações táticas como a da McLaren. Sabe o que é? É que essas pequenas ações não rendem mídia. Não são violentas. Não tem sangue. Não assustam as pessoas com a possibilidade de um dia serem cozidas pelo sol. Não têm o charme de um "abraço à represa".
A pregação é muito mais legal que a ação.
Pois reflita sobre o seu poder de implementar ações simples, calcadas em atitudes, usando o conhecimento que está ao alcance de todos para provocar pequenas mudanças. São elas que - juntas - podem mudar a realidade.
Luciano Pires
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Sábado, 4 de Julho de 2009

Conceitos de Saúde


Conceitos de Saúde numa Visão Energética
A grande maioria das pessoas procura o consultório do profissional da área de saúde por não se sentir bem com aqueles sinais e/ou sintomas que estão apresentando há muito ou pouco tempo. O mal-estar, a sensação do desconforto, a dor mobilizam o indivíduo a fazer algo para recuperar a harmonia, o bem-estar, o ficar curado; cura esta que, tanto para o terapeuta quanto para o cliente, seria não apresentar mais aqueles sinais ou sintomas de ordem física, mental ou emocional; isto significa, simplesmente, voltar ao estado anterior à doença: ficar assintomático.
De uma maneira geral, a saúde é encarada como se fosse um estado de não-doença, de não mal-estar ou dor, quando o indivíduo pode continuar a levar a sua vida sem grandes alterações ou questionamentos. É muito mais fácil tomar um medicamento para aliviar uma dor de cabeça, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos muito imediatistas, tratamos apenas das aparências, não buscamos a origem ou as causas de nossas doenças.
Será que saúde é algo estático? É simplesmente não apresentar qualquer sintoma? Se o homem fosse uma máquina e todas as suas engrenagens funcionassem perfeitamente, independente de fatores externos ou internos, provavelmente, a resposta a essas perguntas seria sim. Se assim fosse, uma mesma doença apresentaria sempre os mesmos sinais e sintomas, o tratamento seria sempre o mesmo, independente do indivíduo, e, rapidamente, teríamos o restabelecimento das funções normais.
Como podemos analisar saúde-doença, essas duas polaridades, numa perspectiva energética?
O universo, segundo a visão da medicina chinesa, encontra-se em um estado de equilíbrio dinâmico, com todos os seus elementos oscilando entre duas forças opostas, interdependentes e complementares, conhecidas como yin e yang. Dentro dessa abordagem, o corpo humano é um microcosmo do universo, uma célula é um microcosmo do organismo, portanto, funcionam segundo o mesmo princípio.
No jogo das forças, o yin só existe porque existe o yang e vice-versa; dentro do aspecto yin encontram-se aspectos yang e não há comover um sem o outro. Melhor dizendo, não existe nada absoluto, nada que não esteja em interação - em troca. O bom exemplo disso se refere ao fato de que, embora o homem demonstre a força yang e a mulher a yin, ambos apresentam correspondentemente seus aspectos femininos e masculinos.

O corpo humano possui uma inteligência fisiológica cuja função básica é manter a homeostase do organismo diante de todos os estímulos do mundo exterior e interior. O equilíbrio é conseguido através da livre circulação de energia no organismo, assim como através das trocas contínuas entre o corpo e o meio ambiente. Esse fluxo contínuo de energia nos mantém vivos. Quando a circulação de energia não ocorre de uma maneira adequada surgem as doenças.

Nosso corpo vai sinalizando, com muita antecedência, o desequilíbrio através de pequenas alterações funcionais sem substrato físico; isto é, não há nada a nível orgânico que justifique aqueles sinais ou sintomas. Com a não valorização desses sinais e a manuntenção do mesmo padrão de vida, as alterações físico-químicas vão-se cronificando, se solidificando até atingirem o segmento físico; a doença passa a se expressar em algum tecido, órgão ou víscera, acompanhada de padrões mentais e emocionais bem determinados. Saúde e doença são aspectos de um mesmo movimento. Através do desequilíbrio atingimos novo equilíbrio, uma nova freqüência, um novo patamar energético. No período de transição para esse novo padrão, vivencia-se a doença. Ela não é considerada como algo estranho mas, sim, a conseqüência de um conjunto de fatores que culminam em desarmonia e desequilíbrio.
É através da doença que alcançamos saúde. Verifica-se, com uma certa freqüência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos acerca de estarem vivendo melhor ou mais saudavelmente, a partir do momento em que se conscientizaram de sua doença.
Para vivermos em harmonia, precisamos ter flexibilidade e disposição para um grande número de opções de interação para com o meio ambiente. Sem flexibilidade não há equilíbrio. Períodos de saúde precária são estágios naturais na interação contínua entre o indivíduo e o meio onde ele está inserido. Estar em desequilíbrio significa passar por fases temporárias de doença, nas quais se pode aprender a crescer.
A doença é uma oportunidade para a introspecção, de modo que o problema original e as razões para a escolha de uma certa via de fuga possam ser levadas a um nível consciente onde o problema possa ser resolvido.
A função básica do terapeuta está em espelhar a verdade para o paciente, ajudá-lo a desenvolver uma consciência do processo de vida e dos mecanismos (obstáculos e ilusões) que se criam para gerar a doença; e, também, poder ajudá-lo a entrar em sintonia com seus próprios recursos de cura, possibilitando o resgate da auto-estima, da aceitação e do perdão.
Como diz a música de Milton Nascimento e Fernando Brandt, "o quei mporta é ouvir a voz que vem do coração", curar-se é abrir o canal de comunicação, é fazer-se entrar em contato com a própria essência, é despertar para a capacidade de ser, estar, criar e descriar, sonhar e realizar. Essa auto-descoberta é o caminho da auto-cura, que nada mais é do que resgatar o amor próprio.
Referências Bibliográficas
1 - REICH, W. - "A função do Orgasmo" - Editora Brasiliense, 11a edição, São Paulo, 1985.
2 - NAVARRO, F. - "Somatopsicodinâmica das Biopatias" - EditoraRelume Dumará, 1a edição, Rio de Janeiro, 1991.
3 - BOADELLA, D. - "Correntes da Vida - Uma introdução à Biossíntese"Summus Editorial, São Paulo, 1992.
4 - SONTAG, S. - "A Doença como Metáfora" - Edições Graal, Rio de Janeiro, 1984.
5 - LEVINE, S. - "Healing into Life and Death" - Doubleday, New York, 1987.
6 - KUBLER-ROSS, E. - "Friends of Shanti Nilaya" (magazine) - Londres, 1990.

Resumo do currículo dos autores:
Humbertho Oliveira - Médico, Psicoterapeuta Somático, Fundador e Coordenador do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, Psicoterapeuta da Associação de Apoio à Criança com Câncer.
Mauricio Tatar - Médico, com formação em Medicina Chinesa e Homeopatia, participação em cursos, palestras e grupos de estudo em Terapia Floral, Cromoterapia, Fitoterapia, Dietoterapia e Oligoelementos. Ministra cursos desde 1989 sobre estes temas.

Susana Hertelendy - Psicóloga formada pela Columbia University, New York, EUA em 1975; Revalidação pela UFRJ, Rio de Janeiro, 1980; Psicoterapeuta Somática; Guest Trainer internacional do grupo Transformational Energetics, New York, EUA; Fundadora e Membro do Quiron-Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, RJ.

Vania Didier - Psicóloga, Psicoterapeuta Somática, Fundadora e Coordenadora do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas.

Original: em: http://www.fw2.com.br/clientes/artesdecura/REVISTA/psico/doenca_como_caminho.htm

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Psicoterapia Corporal e Psicossomática


A doença não é um acontecimento que atinge um indivíduo, o qual passa, então, a estar a ela submetido. O organismo doente está envolvido no aparecimento, no desenvolvimento e na cura de sua doença. O ser humano pode-se instalar na doença, pode obter com ela benefícios, mas pode, principalmente, pela doença, exprimir tendências profundas.
Existe, então, um fenômeno psique-soma no processo de adoecimento físico do ser humano, e seu estudo, dentro de uma perspectiva moderna, a psicossomática, foi iniciado por Freud, a partir de seus estudos sobre a"histeria de conversão". No acontecimento histérico, o corpo relata, fala, descarrega e protesta através do seu próprio adoecimento. É sempre, uma forma de o organismo expressar conflitos profundos. Como os distúrbios digestivos, por exemplo, que são, muitas vezes, expressão de conflitos entre o reter e o expelir, entre o desejo e a necessidade.
A doença, portanto, não é algo que vem de fora ou já está lá antecipada, é, sim, um modo peculiar de a pessoa se comunicar em circunstâncias adversas. É, pois, em suas várias formas, um modo de ser no mundo, um modo de se relacionar com as pessoas em volta. O conhecimento atual sobre o sistema imunológico, visto como um sistema intermediário entre o indivíduo, seus outros sistemas e o meio exterior e, também, como mantenedor da integridade corporal - portanto, um sistema auto-regulável, adaptativo e da vida de relação, estando, pois, em íntima interação com o sistema nervoso e com o sistema endócrino -, tem sido uma enorme contribuição na compreensão do tênue limite existente entre o que é propriamente somático e o que é propriamente psíquico.
Isto nos leva a ter que encarar o limite do conhecimento técnico na comprensão dos mecanismos de formação das doenças; e, em função desses princípios, colocamo-nos a refletir sobre a importância de se mudar o foco da ação terapêutica da doença para a interação com alguém doente, de quem, na verdade, podem advir os recursos realmente curadores de uma doença.
Uma das mais importantes fórmulas acerca do encontro entre o psíquico e o somático é a fórmula da energia. No conceito de "Unidade Funcional" ou "Identidade Básica", criado por William Reich, considera-se que a fonte de todos os acontecimentos humanos é a bionergia, ou orgon, o que significa que as atitudes corporais e as atitudes mentais-emocionais se correspondem, podendo substituir-se e influenciar-se mutuamente. (1) Cada região do corpo, além de prestar-se a uma determinada função vivente, pode emprestar-se para representar uma zona específica de conflito, conflito energético entre o psíquico e o somático. Esses conflitos são cargas emocionais relacionadas a acontecimentos vitais do passado, os quais, mal "metabolizados", permanecem e atualizam-se, criando obstáculos diversos à vida. Quando mobilizados, podem liberar ou distribuir energia, facilitando a consciência das circunstâncias vividas, a expressão emocional, antes contida, e a organização de um novo modus vivendi psico/corporal.
Todo o stress ocorrido durante as fases primitivas do desenvolvimento somato-emocional do indivíduo geram, em cada organismo humano, reações energéticas específicas, que servem de base para o desenvolvimento de doenças, no futuro, desse organismo. É Federico Navarro quem diz que as biopatias primárias, que correspondem às bases energéticas das doenças graves e geralmente "incuráveis", estariam relacionadas ao stress vivido em períodos mais tenros da vida humana (uterinos). As biopatias secundárias, bases de doenças graves e geralmente "curáveis", estariam também ligadas ao stress ocorrido em períodos iniciais (uterinos) e em torno do nascimento. As doenças somato-psicológicas conhecidas como "subclínicas" (ex.: gastrites, úlceras não instaladas, etc) corresponderiam ao stress ocorrido no período da infância. As somatizações ligadas a fortes acontecimentos emocionais (como paralisias histéricasdiversas), corresponderiam ao stress advindo da puberdade em diante. (2)
Diante dessa concepção de interação mente/corpo/energia, podemos criar relações entre as diversas regiões do corpo afetado e a expressão de conteúdos subjetivos. E assim, podemos observar que, mobilizando o movimento respiratório irregular, o silêncio peristáltico, a contração ocular e as diversas disfunções organísmicas, possibilitaremos o encontro com os sentidos mais profundos da gênese da doença de uma pessoa. E restabelecendoo ritmo respiratório espontâneo, os sons peristálticos rítmicos, o contato ocular descontraído, em síntese, o estado natural do organismo humano estaria a pessoa ambientando um novo campo energético onde basear a sua saúde.
Um acompanhamento terapêutico baseado numa visão da integração do organismo pode, pois, propiciar uma busca mais profunda do sentido da cura.
Outra maneira de olhar para o acontecimento doença/grave e a possibilidade/da/morte é a que pretende integrar o somático, o psíquico e o espiritual. Nessas visões, como na de David Boadella, dá-se uma grande ênfase ao grounding espiritual e aos estados transpessoais, reconhecendo-se que o trabalho psicossomático abre conexões para além do físico. O trabalho terapêutico, dentro de perspectivas que consideram a questão "espiritual", requer uma profunda reflexão sobre a relação entre o terapeuta e seu cliente. Ressonância, empatia, amor de transferência, tele são conceitos diversos para falar da mesma e necessária humanidade dessa relação. Conceitos como o de inner-ground, self, eu superior e outros fazem referência a uma realidade essencial, relacionada à presença e ao ser mais profundo em cada um de nós. (3)
Haveria, pois, na experiência de estar doente e/ou de morrer, um sentido espiritual de contínuo aprendizado. Nesse sentido, poderia haver um grande amparo no processo de adoecimento e de morte de uma pessoa se ela experimentasse a presença de um outro corpo/espelho/apoio/contato a estimular-lhe a vida. Como terapeutas precisamos encontrar vias em nós mesmos e nos prepararmos para exercer essa forma de ajuda. Segundo Susan Sontag, "a doença é o lado sombrio da vida, uma espécie de cidadania mais onerosa. Todas as pessoas vivas têm dupla cidadania, uma no reino da saúde e outra no reino da doença. Embora todos prefiramos usar somente o bom passaporte, mais cedo ou mais tarde, cada um de nós será obrigado, pelo menos por um curto período, a identificar-se como cidadão do outro país. (...) Meu ponto de vista é que a doença não é uma metáfora e que a maneira mais honesta de encará-la - e a mais saudável de ficar doente - é aquela que esteja mais depurada de pensamentos metafóricos..." (4)
Atendendo Alice, muito refletimos sobre essa questão. Alice teve que fazer uma cirurgia cardíaca para instalar uma válvula-prótese. Era a consequência de anos de um longo curso de uma febre reumática, que tinha sido bem tratada. Evidentemente, passara uma infância limitada em seus movimentos e possibilidades, já que quaisquer esforços agudizavam a sua doença. A família, estóica, ensinou-a a lidar, bastante naturalmente, com as suas condições de saúde, mas "esqueceu-se" de valorizar os aspectos emocionais vividos por uma criança diante de experiência tão limitadora. E, provavelmente, também, não pôde valorizar os aspectos emocionais ligados às suas próprias vivências diante de tarefa tão árdua como a de cuidar, ininterruptamente, de uma criança com febre reumática.
Tudo bem "contidinho", Alice construiu-se, sempre, objetivamente natural. Perto da cirurgia, sentiu medo - mas tranqüilizou-se e cuidou-se muito bem: fisicamente. Teve uma boa cirurgia, excelente recuperação, exímios cuidados médicos e familiares.
E agora, passado o pós-operatório, sozinha, sem a proximidade de sua família, sente-se machucada no seu peito: deprime-se. Luta consigo própria:"que é isso?, eu, sentindo essas coisas incontroláveis...?" É preciso "convencê-la" a emocionar-se. Permitir-se sofrer por suas próprias dores. É verdade, é "natural" a sua doença; é "apenas uma doença", que "dói aqui, dói ali..." -Mas chore, Alice! Seu peito foi aberto. Lamente-se. É só ser humana! Alice "atende". Transforma-se, agora, em lágrimas e estoicismo. -Bravo, Alice! Bravo!
Haveria como aplicar essa visão não-preconceituosa da naturalidade da doença para com as concepções acerca da morte?
Referências Bibliográficas
1 - REICH, W. - "A função do Orgasmo" - Editora Brasiliense, 11a edição, São Paulo, 1985.
2 - NAVARRO, F. - "Somatopsicodinâmica das Biopatias" - EditoraRelume Dumará, 1a edição, Rio de Janeiro, 1991.
3 - BOADELLA, D. - "Correntes da Vida - Uma introdução à Biossíntese"Summus Editorial, São Paulo, 1992.
4 - SONTAG, S. - "A Doença como Metáfora" - Edições Graal, Rio de Janeiro, 1984.
5 - LEVINE, S. - "Healing into Life and Death" - Doubleday, New York, 1987.
6 - KUBLER-ROSS, E. - "Friends of Shanti Nilaya" (magazine) - Londres, 1990.
Resumo do currículo dos autores:
Humbertho Oliveira - Médico, Psicoterapeuta Somático, Fundador e Coordenador do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, Psicoterapeuta da Associação de Apoio à Criança com Câncer.
Mauricio Tatar - Médico, com formação em Medicina Chinesa e Homeopatia, participação em cursos, palestras e grupos de estudo em Terapia Floral, Cromoterapia, Fitoterapia, Dietoterapia e Oligoelementos. Ministra cursos desde 1989 sobre estes temas.
Susana Hertelendy - Psicóloga formada pela Columbia University, New York, EUA em 1975; Revalidação pela UFRJ, Rio de Janeiro, 1980; Psicoterapeuta Somática; Guest Trainer internacional do grupo Transformational Energetics, New York, EUA; Fundadora e Membro do Quiron-Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, RJ.
Vania Didier - Psicóloga, Psicoterapeuta Somática, Fundadora e Coordenadora do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas.
Original em:

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

A Doença como Significado


A Doença como Significado (claro ou oculto) - As contingências da linguagem na transição para o terceiro milênio

Nossa proposta é de re-significar. Em muitos casos, os significadostornaram-se obsoletos e inapropriados. A mudança de paradigmas se reflete profundamente na linguagem. Só é possível mudar comportamentos e atitudes, se os conceitos em que se baseiam estão claramente expressos nas palavras que representam uma língua. Mas os significados da época em que vivemos são ambíguos e, freqüentemente, não nos ajudam no confronto com as questões contemporâneas.
A doença, por exemplo, exceto quando hereditária, é vista, em nossa sociedade, como algo que é o resultado de uma interferência externa: um vírus, uma bactéria, má nutrição, etc..., algo que nos atinge e que, portanto também deve ser erradicado através de uma interferência externa. Freqüentemente, este seria efetivamente um lado da questão. Mas, se somos organismos com aspectos que vão além do físico e fisiológico, e se somos criaturas inseridas num contexto mais amplo e que dependemos de tudo o que nos cerca, então o que nos acontece é algo pelo qual podemos ser responsáveis por um lado, enquanto que por outro, é tão vasto o mundo que habitamos e tão imprevisíveis e insondáveis as interações e influências, que, no mínimo, o que poderíamos dizer é que a doença - como a suposta cura- constituem-se em mistérios. Como misteriosa é a própria vida.
Poderíamos, entre outras coisas, dizer que a doença é passagem, é comunicação, é transformação. E, acima de tudo, poderíamos dizer que ela tem um sentido muito pessoal para cada um, a cada momento de indagação. A doença seria, então, uma entrada em outra realidade. Como o sonho, ela pode ter inúmeras leituras para cada pessoa.
A doença, assim como a dificuldade emocional - e elas podem ser complementares -, freqüentemente, proporcionam um contato com outras dimensões do ser talvez negligenciadas, trazendo um confronto com a "sombra" do indivíduo em questão. E só o conhecimento em si dessas dimensões, o estreitamento da relação entre aspectos conhecidos e desconhecidos pode trazer a integração com a essência, que é a fusão harmoniosa do ser como um todo. (3)
Nesse sentido, poderíamos argumentar que a doença é um instrumento introduzido por outro aspecto de nosso ser que quer nos dizer algo a respeito de nossas relações conosco mesmos, com a natureza e com os seres animados e inanimados, com a vida, com o divino, em última análise.
Com freqüência, nos revoltamos com as doenças ou, então, nos acomodamos e seguimos passivos, entregues a algum tratamento ou alguma direção imposta, deprimidos e sem mais indagar ou buscar formas próprias de entender ou conviver com o que nos acontece. Passivamente, aceitamos o que nos dizem os meios médicos, terapêuticos, religiosos e espirituais, familiares e de amigos.
Mas, enquanto nossos limites assim se manifestam, alguma reflexão sobre o que se passa conosco poderá estar se realizando em níveis menos conscientes.
Nesse contexto, é importante também registrar que o atual momento de transição planetária traz, à luz, outras vias antes ocultas, restritas a meios específicos, ou simplesmente, mais lentas e difíceis de contactar.
Hoje, o acesso a outros planos ou aspectos nossos e/ou da realidade em que vivemos se torna possível, às vezes, sem grande esforço da nossa parte. Exemplo disso são os debates e eventos públicos como esse, onde temos a oportunidade de trocar idéias, sonhos e desejos, e também confirmar trajetórias escolhidas, reforçando, assim, a auto-confiança existente em cada um de nós.
Essa troca faz parte da busca do "caminho do meio", do equilíbrio e da harmonia. E ela abre o caminho para o conhecimento de outras escolhas possíveis.
Em uma transição de vida, por exemplo, podemos harmonizar o tratamento tradicional com o alternativo, a visão médica com a terapêutica e a espiritual para obter uma visão mais ampla e mais integrada do nosso processo individual, e para poder assumir com mais serenidade uma administração mais própria dos caminhos a seguir nas decisões exigidas por tal transição.
Assim, enquanto nos tratamos através da medicina tradicional, podemos também suavizar nossa atitude para com a doença, permitir-lhe o espaço para que sua mensagem se expresse com clareza, nos comunicando as necessidades do nosso organismo que antes não podiam ser acolhidas. E podemos, também, expressar conscientemente a nossa intenção com referência aos medicamentos que tomamos e aos tratamentos aos quais nos submetemos. Essas atitudes, que imprimem de nossa parte uma qualidade positiva em um tratamento prescrito, fazem parte de práticas meditativas comumenteutilizadas em certas tradições espiritualistas. (5)
A meditação e a oração são práticas que podem nos ajudar nesse processo. Como também podem ser úteis os trabalhos energéticos, as visualizações, os relaxamentos, e, em certos casos, as massagens. Tais práticas e técnicas abrem o caminho para uma outra relação com a doença. Uma relação em que não nos apegamos a ela e nem a rejeitamos. Apenas permitimos a sua presença e ouvimos o que tem a dizer, já que pode nos ensinar a ter uma nova relação com tudo o que nos cerca e com a vida. (6)
Essa linha de pensamento faz parte do trabalho de re-significação. Refletir sobre os sentidos da linguagem, buscar a coerência entre estes e os conceitos, valores e comportamentos que representam um momento cultural, mas que atravessam também um processo de revisão, é buscar ser consciente na linguagem e no comportamento, e inteiro quanto à nossa manifestação na vida. A mudança de paradigmas que está acontecendo também na expressão linguística, continuará se fazendo ao longo do tempo, quer através de uma profunda transformação nas línguas existentes - acompanhada, é claro, do surgimento de novas palavras e expressões -, quer através da permanência de palavras com novos sentidos e novas cargas energéticas.
Acima de tudo é possível compreender que nem sempre conseguiremos explicar o que nos acontece. Há muitas coisas misteriosas na vida e o decifrar delas permanecerá além do nosso alcance a despeito de qualquer esforço de nossa parte. Entretanto, se formos humildes e confiantes, a nossa essência sempre nos mostrará o que é possível, e com referência ao que permanecer além disso, nos guiará e ajudará a acolher e reverenciar o desígnio divino.
Referências Bibliográficas
1 - REICH, W. - "A função do Orgasmo" - Editora Brasiliense, 11a edição, São Paulo, 1985.
2 - NAVARRO, F. - "Somatopsicodinâmica das Biopatias" - EditoraRelume Dumará, 1a edição, Rio de Janeiro, 1991.
3 - BOADELLA, D. - "Correntes da Vida - Uma introdução à Biossíntese"Summus Editorial, São Paulo, 1992.
4 - SONTAG, S. - "A Doença como Metáfora" - Edições Graal, Rio de Janeiro, 1984.
5 - LEVINE, S. - "Healing into Life and Death" - Doubleday, New York, 1987.
6 - KUBLER-ROSS, E. - "Friends of Shanti Nilaya" (magazine) - Londres, 1990.
Resumo do currículo dos autores:
Humbertho Oliveira - Médico, Psicoterapeuta Somático, Fundador e Coordenador do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, Psicoterapeuta da Associação de Apoio à Criança com Câncer.
Mauricio Tatar - Médico, com formação em Medicina Chinesa e Homeopatia, participação em cursos, palestras e grupos de estudo em Terapia Floral, Cromoterapia, Fitoterapia, Dietoterapia e Oligoelementos. Ministra cursos desde 1989 sobre estes temas.
Susana Hertelendy - Psicóloga formada pela Columbia University, New York, EUA em 1975; Revalidação pela UFRJ, Rio de Janeiro, 1980; Psicoterapeuta Somática; Guest Trainer internacional do grupo Transformational Energetics, New York, EUA; Fundadora e Membro do Quiron-Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, RJ.
Vania Didier - Psicóloga, Psicoterapeuta Somática, Fundadora e Coordenadora do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas.
Original em:
http://www.fw2.com.br/clientes/artesdecura/REVISTA/psico/doenca_como_caminho.htm

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Impermanência e Consciência


Impermanência e Consciência "Morte na Primeira Pessoa"
"Sou aluna de enfermagem. Estou morrendo. Escrevo para vocês, que são ou serão enfermeiras, na esperança de que o ato de compartilhar meus sentimentos, faça com que algum dia sejam mais capazes de ajudar àqueles que partilham da minha experiência.
No momento, não estou internada. Estou fora talvez por um mês, por seis meses, talvez por um ano. Mas ninguém gosta de falar dessas coisas. Na verdade, ninguém gosta de falar muito sobre coisa alguma. A enfermagem deve estar evoluindo, mas eu gostaria que se apressasse. Ensinam-nos, atualmente, a não exagerar na alegria, a omitir a rotina do "está tudo bem", e temos cumprido bem a nossa tarefa. Mas acabamos ficando num vazio silencioso e solitário. Uma vez retirada a rotina do "está tudo bem", à equipe só resta a sua própria vulnerabilidade e seu próprio medo. O paciente que está morrendo ainda não é visto como pessoa e, assim sendo, não se pode comunicar com ele como tal. Ele é o símbolo do que cada ser humano teme e do que cada um de nós sabe, pelo menos academicamente, que terá que enfrentar algum dia. O que é que diziam na enfermagem psiquiátrica do confronto da patologia com a patologia em detrimento tanto do paciente como do enfermeiro? E também se falava muito sobre o fato de que antes de poder ajudar a alguém em relação a seus sentimentos, era necessário conhecer os próprios. Quão verdadeiro é esse ensinamento.
Mas, no meu caso, o medo é hoje e morrer é agora. Vocês entram e saem rapidinho do meu quarto, me dão os remédios e tiram a minha pressão. Será que é por eu mesma ser estudante de enfermagem, ou, simplesmente, porque sou um ser humano que percebo o seu temor? Mas seus medos aumentam o meu. Por que vocês estão com medo? Sou eu que estou morrendo!
Eu sei que vocês se sentem inseguros, não sabem o que dizer, não sabem o que fazer. Mas, por favor, creiam em mim, se têm afeto, não há erro possível. Apenas assumam o afeto. É isso que buscamos. Pode ser que perguntemos sobre os porquês e os quandos, mas na realidade não esperamos respostas. Não fujam - esperem - só quero saber se haverá alguém segurando a minha mão quando eu precisar. Tenho medo. Talvez a morte se transforme em rotina para vocês, mas ela é nova para mim. Talvez para vocês eu não seja especial, mas eu nunca morri antes. Para mim uma vez é muito especial!
Vocês sussurram sobre a minha juventude, mas quando alguém está morrendo será que ainda é tão jovem? Tenho muitas coisas sobre as quais gostaria de conversar. Mas isso não tomaria muito mais do seu tempo, porque,afinal, vocês já passam um tempão aqui dentro.
Se pelo menos pudéssemos ser francos, de ambos os lados assumir nossos medos, tocar-nos uns aos outros. Se realmente se preocupam, será que perderiam tanto do seu profissionalismo se chorassem comigo? Apenas de pessoa para pessoa? Se assim fosse, não seria tão difícil morrer - num hospital - tendo amigos do lado."
(carta anônima datada de fevereiro de 1970 no livro Death: The Final Stage of Growth de Elizabeth Kübler-Ross)
Na carta da jovem enfermeira, prestes a morrer, há um depoimento tocante de alguém que, ao defrontar-se com essa experiência crucial, levanta um questionamento tão importante quanto inquietante sobre como os profissionais que estão em contato direto com os processos do adoecimento e do morrer mostram-se despreparados para lidar com os sentimentos e emoções evocados, não só nos que estão vivendo essa experiência, como em si próprios.
Podemos nos indagar se a sujeição à rotina a que ela se refere, a infantilização do paciente, que o priva dos sinais e símbolos de sua condição autônoma de adulta, não se destinam à conveniência e conforto moral da equipe, mantendo-os numa preservada redoma onde o desespero, o pânico, a revolta e a dor são excluídas da percepção e conseqüentementei gnorados.
Ainda como herança da tradição cartesiana, temos um modelobio-médico que opera com a crença básica de que as pessoas doentes são como máquinas avariadas: em caso de mau funcionamento de suas partes constituintes, devem ser consertadas - por um mecânico, certamente! Naturalmente, espera-se da máquina que ela fique totalmente passiva, enquanto o mecânico faz o trabalho, e que não apresente reações indesejáveis. Obviamente estamos, talvez, incorrendo numa simplificação e, talvez mesmo, numa injustiça com relação aos treinamentos dos profissionais da área de saúde, mas é muito freqüente encontrarmos profissionais que parecem perfeitamente aptos a tratarem de doenças, mas não com doentes que são pessoas singulares, únicas e que podem ser reduzidas a categorias e quadros clínicos.
Diferentemente de nossos modelos de assistência terapêutica, temos informações de procedimentos de outras culturas em que xamãs, "healers", curandeiros, médicos levavam em consideração o meio ambiente social/espiritual do doente bem como suas necessidades emocionais, em que corpo e alma não estão dissociadas e que a forma de dar suporte, conforto e interferências que facilitem a cura não se resumem a intervenções cirúrgicas/químicas/fisiológicas.
Além dos pressupostos cartesianos que norteiam nossa percepção do ser humano, temos ainda, de quebra, uma orientação narcisista que determina que vivamos voltados para a criação de uma auto-imagem em que status econômico, perfil de uma personalidade bem sucedida socialmente, beleza e tentativa de prorrogar a juventude indefinidamente são imperativo a que dificilmente nos esquivamos... Envelhecer, morrer... ah!, pecado narcísico que derrota nossa onipotência e nossa tentativa de impor à natureza nossas aspirações de poder e imortalidade!
Mas as leis que regem nossa realidade física são inexoráveis. Todos os elementos que um dia se agregam para compor a forma um dia, nunca se sabe quando, se desagregam. É a entropia, a tendência universal para o rompimento da ordem coexistindo com a sintropia, a criação.
Nossa insegurança básica faz com que evitemos, neguemos a finitudede nossa existência física e, assim, nos furtemos a preparar-nos tanto emocionalmente quanto espiritualmente para a mais certa entre todas as incertezas que permeiam a nossa existência.
Na ilusão de um "eu" isolado nos envoltórios da experiência física, confinados nas dimensões do tempo e espaço, não nos damos conta de que nossa consciência não tem os mesmos limites. Deepak Chopra, falando da experiência de se perceber como um ser que se experimenta além das dimensões físicas, na não-física, dá-nos um depoimento que, talvez, nos auxilie a re-significar nossa percepção de nós mesmos. "Meu espírito experimenta o mundo material através das lentes da percepção, mas mesmo que nada consiga ver e ouvir, ainda assim sou eu, uma eterna presença de consciência. Em termos práticos, esta realização torna-se genuína quando nenhum evento externo pode abalar o sentido do self. Uma pessoa que se conhece como espírito nunca perde a visão de experimentador no meio da experiência. Sua verdade interior afirma 'carrego comigo a consciência da imortalidade em meio mortalidade".
Quando essa mudança de paradigma, essa re-significação do sentido de ser permear nossa visão científica/filosófica/social do indivíduo - mudança essa que já está seguramente em curso - certamente criaremos práticas mais compassivas, mais confortadoras para assistir, acompanhar, cuidar de todos nós que estivermos vivendo nossos ritos de passagem, nossos trânsitos no continuum vida/morte.
Não nos esqueçamos do que diz a jovem enfermeira: antes de poder ajudar alguém em relação aos seus sentimentos, é necessário conhecer os próprios..."
Referências Bibliográficas
1 - REICH, W. - "A função do Orgasmo" - Editora Brasiliense, 11a edição, São Paulo, 1985.
2 - NAVARRO, F. - "Somatopsicodinâmica das Biopatias" - EditoraRelume Dumará, 1a edição, Rio de Janeiro, 1991.
3 - BOADELLA, D. - "Correntes da Vida - Uma introdução à Biossíntese"Summus Editorial, São Paulo, 1992.
4 - SONTAG, S. - "A Doença como Metáfora" - Edições Graal, Rio de Janeiro, 1984.
5 - LEVINE, S. - "Healing into Life and Death" - Doubleday, New York, 1987.
6 - KUBLER-ROSS, E. - "Friends of Shanti Nilaya" (magazine) - Londres, 1990.
Resumo do currículo dos autores:
Humbertho Oliveira - Médico, Psicoterapeuta Somático, Fundador e Coordenador do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, Psicoterapeuta da Associação de Apoio à Criança com Câncer.
Mauricio Tatar - Médico, com formação em Medicina Chinesa e Homeopatia, participação em cursos, palestras e grupos de estudo em Terapia Floral, Cromoterapia, Fitoterapia, Dietoterapia e Oligoelementos. Ministra cursos desde 1989 sobre estes temas.
Susana Hertelendy - Psicóloga formada pela Columbia University, New York, EUA em 1975; Revalidação pela UFRJ, Rio de Janeiro, 1980; Psicoterapeuta Somática; Guest Trainer internacional do grupo Transformational Energetics, New York, EUA; Fundadora e Membro do Quiron-Centro de Estudos e Práticas Transomáticas, RJ.
Vania Didier - Psicóloga, Psicoterapeuta Somática, Fundadora e Coordenadora do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas.
Original em:

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

A conclusão


Conhecemos os medos em todas as dimensões do nosso desenvolvimento e a experiência destes medos constituem-se a vivência de nossas mortes diárias, tenhamos consciência disto ou não. Assim, morremos a cada respiração, a cada apego, a cada fuga, a cada perda, a cada dia quando dormimos, a cada crença que abrimos mão... Na dimensão física percebemos e reagimos instintivamente a estas perdas; na dimensão emocional sentimos rejeitamos ou aceitamos nestas mesas perdas e na dimensão intelectual alcançamos o conhecimento destas mortes diárias. E não conseguimos transformá-las. A transformação só é possível com o desenvolvimento espiritual, quando transcendemos o conhecimento, apliando nossa consciência e alcançando a sabedoria. Quanto mais conscientes estivemos de nossas mortes diárias, mais nos preparamos para o momento da grande perda de tudo que colecionamos e nutrimos nesta vida, de toda a nossa bagagem intelectual, todos os nossos relacionamentos afetivos e do nosso corpo física. Lembrando que o grande medo da dimensão espiritual é o de submeter-se, podemos afirmar que só com muita fé poderemos nos submeter ao momento da morte de forma suave e menos dolorosa. É bom lembrar que não precisamos aguardar a proximidade da morte física para entrarmos em contato com estes medos, muito pelo contrário, se fizermos antes este contato através de nossas pequenas mortes diárias, alcançaremos uma melhor qualidade de vida, enquanto nos preparamos para a grande perda, a do corpo física. Morte e vida são opostos na nossa realidade dualista e apenas nela. Morte e vida são um único aspecto quando nos tornamos um Ser Inteiro, integrando e vivenciando todas as dimensões do Ser.
NUREKR I e ITAI
Por acreditar na origem do medo da morte em suas quatro dimensões, fundamos a ITAI como a filosofia de promover a dignidade na vida e na morte a todas as pessoas que assim o quiserem, entendendo dignidade como o respeito a si mesmo, ao outro e a todas as formas de vida; e adotamos o "HOSPICE" como modelo assistencial a nível domiciliar, ambulatorial e hospitalar. O NUREKR I, imbuído desta filosofia e inserido em um contexto acadêmico, desenvolveu um programa de capacitação visando uma mudança de atitude frente a morte e ao processo de morrer, permitindo assim que seus profissionais, ao receberem uma assistência na elaboração de suas perdas pessoais sejam capazes de assistir ao processo de morrer e a morte de seus clientes com menos transferências, aumentando assim a qualidade de seus atendimentos. Neste processo de capacitação temos a oportunidade de trabalhar as cinco fases que antecedem a morte, descritas pela Dra. Elisabeth Kübler-Ross: NEGAÇÃO, RAIVA, BARGANHA, DEPRESSÃO E ACEITAÇÃO (KÜBLER-ROSS, 1969), nas quatro dimensões do ser humano: física, emocional, mental e espiritual.
Referências Bibliográficas
ACHTERBERG, Jeanne. "A Imaginação na Cura". São Paulo, Summus Editorial, 1985. 236p.
ALMEIDA, Celso Fortes de. "Journey to Enlightenment". USA, Private Press, 1995. 30p.
ASSAGIOLI, Roberto. "Psicossíntese". 2.ed. São Paulo, Cultrix, 1970. 325p.
BROMBERG, Maria Helena P.F. "A psicoterapia em situações de perdas e luto". São Paulo, Editorial Psy II, 1994. 160p.
BRENNAN, Barbara Ann. "Mãos de Luz". São Paulo, Pensamento, 1987. 384p.
BRENNAN, Barbara Ann. "Luz emergente". São Paulo, Cultrix, 1993. 521p.
CASARJIAN, Robin. "O Livro do Perdão". Rio de Janeiro, Rocco, 1992. 255P.
CREMA, Roberto. "Análise transacional centrada na pessoa... e mais além". 2.ed, São Paulo, 1984. 308p.
DAMÁSIO, Antônio R. "O Erro de Descartes". São Paulo, Companhia das Letras, 1994. 330p.
DONOVAN, Thesenga. "Não temas o mal". São Paulo, Cultrix, 1995. 245p.
ESBÉRARD, Charles A. "Neurofisiologia". Rio de Janeiro, Campus, 1980. 370p.
GAIARSA, José A. "A Couraça Muscular do Caráter". São Paulo, Ágora, 1984. 279p.
GROF, Stanislav. "Além do Cérebro". São Paulo, McGraw-Hill, 1988. 326p.
JOHNSON, Robert. "Magis interior: como dominar o lado sombrio da psique". São Paulo, 1996. 95p.
JOHNSON, Robert. "Inner Work, a Chave do Reino Interior". São Paulo, Mercuryo, 1989. 244p.
JUNG, Carl G. "O Homem e seus Símbolos". 8.ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1964. 316p.
MAY, Rollo. "O Homem a Procura de Si Mesmo". 8.ed. Rio de Janeiro, Vozes, 1980, 230p.
MAY, Rollo. "A Descoberta do Ser". Rio de Janeiro, Rocco, 1988. 199p.
PIERRAKOS, Eva. "O Caminho da Auto-Transformação". São Paulo, Cultrix, 1990. 256p.
PIERRAKOS, John C. "Energética da Essência". São Paulo, Pensamento, 1990. 293p.
RINPOCHE, Sogyyyal. "The Tibetan Book of Living and Dying". New York, Harper, San Francisco, 1994. 425p.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. "Sobre a Morte e o Morrer". São Paulo, Martins Fontes, 1991.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. "To Live Until We Say Good-bye". USA, Prentice-Hall Press, 1978. 160p.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. "On Children and Death". USA, Macmillan Publishing Company, 1983. 279p.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. "Death is of Vital Importance". USA, Station Hill Press, 1995. 163p.
WALSH, Roger N. "Além do Ego". São Paulo, Cultrix/Pensamento, 1980. 305p.
WILBER, Ken. "O espectro da consciência". São Paulo, Cultrix, 1976.
WILBER, Ken. "A Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Edições Paulinas, 1973.
Autores: Celso Fortes de Almeida Médico Psicoterapeuta, Presidente e fundador da ITAI e da Rainbow Tribe Institution Foundation. Maria Fernanda C. Nascimento Médica Psicoterapeuta, Counselor do Pathwork.
Original:

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

A evolução

A Evolução do Desenvolvimento Humano nas Quatro Dimensões
A morte se revela a nós a todo instante e em todas as circunstâncias, pois o seu registro está em nossas células, em nossas emoções, em nosso racional. "Nós podemos até retardá-la, mas não podemos escapar dela". (KÜBLER-ROSS, 1975) As quatro dimensões da totalidade do ser humano se desenvolverão na seguinte ordem: física, emocional, mental e espiritual. Estas dimensões estão interligadas no processo contínuo de nosso desenvolvimento e, claro, consideremos didática a rigidez de sua cronologia. Quanto mais abrangente for o nosso auto-conhecimento, mais ampliaremos nossa consciência (WILBER, 1977), tendendo a permanecer em nosso centro: único lugar de onde teremos a chance de responder de forma inteira às solicitações que o viver nos traz no nosso dia a dia. (WALSH, 1980). Este ponto, além do cérebro e além do ego, nos dá a oportunidade de cruzar o medo da morte, alcançando a sua aceitação e vivendo em plenitude a vida.
A Dimensão Física
A dimensão física começa na concepção e vai até os 6 meses de idade, período em que todo o registro é sensorial. Qualquer sensação que ameace a vida física é percebida como uma ameaça de morte, (GROF, 1988) e como neste estágio o desenvolvimento do nosso sistema nervoso não está de todo formado (ESBÉRARD, 1980) esse medo é registrado na memória celular e não elaborável intelectualmente. É o medo visceral e irracional da morte escrito em nós. O propósito básico ou seja o objetivo principal desta fase é crescer com saúde e segurança. Esta segurança é necessária para que a criança possa contatar, conhecer e se expressar neste plano dual. A necessidade básica desta fase é a sobrevivência. É nesta fase que iremos observar os reflexos instintivos e automáticos de auto-preservação como a reação do choro quando sentimos fome. O medo básico desta fase é o de danos que causem ameaça à vida física. Toda experiência sensorial que seja percebida como ameaçadora é registrada como uma experiência de morte. Fechando esta fase do desenvolvimento e inseridos em uma dimensão dual, temos duas maneiras de concluí-la: positivamente, quando integramos as experiências traumáticas peri-natais e ameaçadoras da vida física, adequando-as à realidade subsequente, tornamo-nos seguros; negativamente, quando congelamos estas experiências, transformando-as em imagens que se repetirão num continuum na realidade subsequente, tornamo-nos inseguros e instáveis. (PIERRAKOS, 1990) As experiências peri-natais são, em geral, traumáticas, ameaçam todo sistema de vida do bebê e, por si só, bastam para registrar a nível celular o medo da morte e suas implicações no inconsciente. O bebê vem de um sistema ideal de sobrevida e nutrição e, já ao nascer, é necessário que lute pelo ar inspirado para sobreviver. (GROF, 1988). Somando-se a isto as experiências físicas que ameaçam sua sobrevivência, o bebê experimentará grandes traumas a partir da unidade simbiótica original com o organismo materno e a partir de suas próprias experimentações.
A Dimensão Emocional
A dimensão emocional, segundo estágio do nosso desenvolvimento, vai dos 6 meses aos 6 anos de idade. A vivência básica desta fase é a experimentação dos sentimentos e das emoções. A criança passa a reconhecer pai e mãe, a responder de forma emocional dos estímulos externos, e passa a aceitar ou rejeitar, circunstâncias em função do princípio do prazer e da dor. (FREUD, 1976). O propósito desta fase é relacionar-se. É nesta fase que a criança amplia o processo de relacionamento, tão importante para o desenvolvimento do Ser, tornando-nos capazes de partilhar informações, sentimentos e sensações. A necessidade básica da criança é de ser amada e, aos poucos, com este aprendizado, surge a necessidade de também amar. As experiências de amor, distorcidas ou não, que experimentamos nesta fase serão determinantes para nossa crença do que é o amor. (PIERRAKOS, 1990). A depender da crença que formamos, reconheceremos o amor ou não. Habitualmente crescemos aprendendo um amor totalmente condicional, amo você se..., amo você se você se comportar, não chorar, não fizer malcriação; e desta forma ficamos todo o tempo tentando comprar, vender, trocar ou barganhar amor. O medo básica desta fase é do abandono e da rejeição. Por melhor, mais atenciosos e carinhosos que tenham sido nossos pais, todos nós, em algum momento desta fase, conhecemos a rejeição e o abandono. Dependendo do grau de abandono, rejeição e suas circunstâncias, temos duas formas de concluir esta fase: em uma conclusão positiva, quando da integração, permissão e expressão dos sentimentos, o resultado será o amor próprio, auto-estima, a habilidade de dizer não e de suportar a frustração; caso contrário, ocorre a auto-desqualificação. São registrados vários mecanismos de defesa para suportar a "morte emocional", tais como repressão, negação, introjeção e projeção, entre outros. (CREMA, 1985). Registram-se, então, congelamentos responsáveis pelos bloqueios emocionais, que irão gerar nas estratégias de caráter as questões duais que representarão nosso maior impedimento e, paradoxalmente, a ponte para a nossa realização pessoal. (BRENNAN, 1987).
A Dimensão Intelectual ou Mental
A dimensão intelectual ou mental vai dos 6 anos à adolescência; sua vivência básica é o desenvolvimento do pensamento e da racionalidade. O sistema nervoso humano só conclui seu desenvolvimento completo por volta dos 7 anos de idade. Todos os medos sentidos até esta fase estarão registrados de forma visceral na memória celular, e na forma de crenças na dimensão emocional, ambas anteriores a este desenvolvimento. Daí falarmos em congelamentos, não acessíveis pela simples elaboração intelectual, e sim através de vivências regressivas, métodos nativos de resgate de alma, hipnose, sessões de cura e outros. (BRENNAN, 1987 e ACHTERBERG, 1985). O propósito desta fase é compreender a si mesmo e ao mundo. O homem é o único ser vivente capaz de ser sujeito e objeto de uma ação. A racionalidade, diferente da racionalização, esta um mecanismo psicológico de defesa, é a capacidade do ser humano de analisar, situar, classificar, julgar, decidir e discernir sobre fatos seus e do mundo. A necessidade básica é conhecer e organizar a realidade para lidar com as questões que a vida nos impõe. Neste momento da nossa evolução é onde aprenderemos a estabelecer relações entre nossas sensações, nossos sentimentos e nossas crenças com a realidade das nossas circunstâncias. O medo básico desta fase é o medo do desconhecido, do insondável e do inquestionável, o medo da entrega. A integração das experiências vividas nesta fase, a valorização da estrutura racional do discernimento, do reconhecimento da nossa própria capacidade intelectual nos leva a ser agentes transformadores da realidade. A não integração das experiências desta fase leva a inadequação na realidade, à inabilidade de escolhas pertinentes e ao congelamento em falsas auto-imagens, mantendo padrões de negatividade. (DONOVAN, 1993). Levamos muito tempo da nossa vida para integrar estes três níveis: físico, emocional e mental - o nível da personalidade humana. Apesar do desenvolvimento da dimensão espiritual se dar à partir da adolescência, só será possível nos dar conta desta dimensão e continuar a desenvolvê-la conscientemente se tivermos integrado as três dimensões anteriores. (WALSH e VAUGHAN, 1980).
A Dimensão Espiritual
A última dimensão nesta cronologia, a espiritual, tem início na adolescência e continua até momentos antes da morte física. Uma vez integrados os três primeiros níveis do ser humano e avançando no processo de individuação, alcançamos uma dimensão além do ego e do inconsciente pessoal e entramos no campo do Self ou Eu Real. Nesta direção, damos o enfoque da espiritualidade e das necessidades transcendentais inerentes a todo ser humano e diferentes do seu nível de religiosidade. (GROF, 1988). A vivência básica desta fase é a vontade de saber ouvir a voz interior, ainda que muitas vezes nos vários níveis de inconsciente, com a propósito de alcançar a unidade. Como viemos da unidade temos uma pulsão de buscar a unidade: buscamos a nossa integração física cuidando da nossa alimentação, do nosso ambiente, do nosso conforto; a nossa integração emocional vivenciando e aceitando nossos sentimentos, as nossas rejeições e abandonos; e nossa integração mental rescrevendo a nossa própria história e transformando as nossas realidades. A necessidade básica de retornar à unidade somente se realiza quando nos tornamos co-criadores dos nossos próprios processos e assumimos a responsabilidade pelas nossas próprias circunstâncias. O medo desta dimensão é o de submeter-se. Entendemos submissão, no contexto do nosso ego, como humilhação e sinais de fraqueza e perda. Paradoxalmente quando somos donos do nosso ego é que podemos abrir mão dele e submetê-lo ao nosso Eu Real. "Somente quando você perder a sua vida, e ganhará...". (Lc 17,33 1973). Então nosso maior impedimento - as realidades cotidianas e dramáticas do nosso ego e personalidade - se transforma na maior potencialidade para nos introduzir numa realidade maior, aqui e agora. Integrando as experiências da dimensão espiritual à ampliação da consciência, alcançamos a paz interior, o conhecimento do propósito da vida. Ao contrário, quando não conseguimos integrar as três dimensões interiores: física, emocional e mental, não alcançamos nosso desenvolvimento na espiritual e ficamos desorientados e sem propósito.
Original no site:
http://www.fw2.com.br/clientes/artesdecura/REVISTA/psico/origens_do_medo.htm
Autores: Celso Fortes de Almeida Médico Psicoterapeuta, Presidente e fundador da ITAI e da Rainbow Tribe Institution Foundation. Maria Fernanda C. Nascimento Médica Psicoterapeuta, Counselor do Pathwork.