segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Só uma faxina
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Guerreiras e heróis
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Pessoas que machucam sem bater
É fácil deixar uma pessoa emocionalmente em frangalhos. É só mirar no peito e atirar com palavras.
Martha Medeiros
domingo, 20 de setembro de 2009
Sacanagem

sábado, 12 de setembro de 2009
Vergonha na cara
Oi! Tava relendo o post anterior, em que foi publicada a minha crônica de quarta-feira em Zero Hora, e me dei conta de como é delicado julgar os outros - e no entanto é o que mais fazemos, o tempo todo. Quando eu escrevo (ou qualquer pessoa escreve) que o consumismo anda desmedido, está passando a informação de que é uma pessoa diferente, que o seu próprio consumismo é controlado. Cada vez que criticamos alguém, estamos nos auto-elogiando. Isso é uma sinuca... Mas uma sinuca inevitável, e isso me veio à cabeça porque estava lendo sobre dois acontecimentos recentes e pensei: e se fosse comigo? É com essa pergunta que a gente testa se estamos sendo realmente honestos na nossa crítica ou se estamos apenas jogando pra torcida.Um desses acontecimentos foi a eleição do ex-presidente e atual senador Fernando Collor como o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras. Como se sabe, todo pretendente se candidata à vaga, e trabalha por ela, faz campanha. De campanha o Collor entende, mas de literatura? Recebeu 22 votos a favor e oito em branco - nenhum contra. Eu considero isso uma piada, mas o que mais me surpreende é a cara-de-pau. Suponhamos que não tenha sido ideia dele, e sim de um baba-ovo que tenha sugerido: "Fernando, candidate-se a uma vaga na Academia de Letras, seus artigos e discursos são literatura da maior qualidade, e será mais um momento de holofote em sua carreira, você ficará ainda mais prestigiado aqui na nossa terra, vamos lá, honre seu sobrenome". Collor vem de uma linhagem de políticos reconhecidos, mas Academia de Letras é local de escritor, até onde sei - o que não impede que Sarney e Marco Maciel sejam imortais da ABL. Mas voltando à cena imaginária: como um homem ou mulher sensata responderia à sugestão? "Meu caro, obrigada pela gentileza da lembrança, mas meu negócio é política, nunca publiquei um livro, nunca colaborei para a vida intelectual do país, vamos deixar isso para poetas e romancistas, eu já tenho visibilidade suficiente no que faço". E encerrava a questão. Mas isso é o que eu faria, e provavelmente o que você faria. Collor nem pestanejou. Outro assunto que me incomodou: a confirmação de que Nelsinho Piquet realmente provocou um acidente de propósito no GP de Cingapura de 2008, uma palhaçada planejada pela Renault para facilitar a vitória de Fernando Alonso. Foi todo mundo pego com as calças na mão: a Renault por desrespeitar os princípios do esporte, o Piquet por não ter a grandeza de se negar ao papelão (ok, ele disse amém pros chefes para garantir a renovação do seu contrato, mas onde fica aquela palavrinha chamada honra, caráter?) e Fernando Alonso por ter aceitado levantar o troféu (no caso de saber antecipadamente da farsa - não sei se sabia). Posso estar parecendo ingênua, já que estamos falando de uma escuderia com muita bala na agulha, ou seja, assunto de gente grande. Mas honradez e caráter não são negociáveis, ao menos não pra mim, e acredito que pra você também não. Até mesmo as facilitações de ultrapassagem entre parceiros de escuderia, razoavelmente explicáveis com o argumento de "trabalho de equipe", me irritam, acho que ferem o espírito esportivo, imagine então provocar um acidente na pista como estratégia. É de uma cafajestada ímpar, sem falar no risco que algumas pessoas correram de sairem feridas, o próprio Nelsinho, inclusive. Vergonha na cara. Como a gente vê pouco.
domingo, 6 de setembro de 2009
Vende-se tudo

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou: - Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes.. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.
No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros. Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apegueia nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo porcoisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida... Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.
Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.
.... só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir
É melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ !
sábado, 15 de agosto de 2009
Crônica do amor

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Autoria de Martha Medeiros ou Arnaldo Jabor?
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Juventude Eterna

Diz ela:
'Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades..
E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível...
A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: ' pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho?
Onde é que nós estamos?'
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se mudança.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu. Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
(Martha Medeiros)
terça-feira, 23 de junho de 2009
Atalhos

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Gente Fina

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
A prisão de cada um
Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados.
*Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal para o sítio Almas Gêmeas e colabora com a revista Época. Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo, foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas.
...

