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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Comportamento


 Circula um e-mail por aí com essa análise:

O brasileiro reclama do que?

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. - Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno...) - assim o amigo não gasta nada.
7. - Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
8. - Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
9. - Viola a lei do silêncio.
10. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
11. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
12. - Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
13. - Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
14. - Faz "gato” de luz, de água e de tv a cabo.
15. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
16. - Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
17. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
18. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
19. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
20. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
21. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
22. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.
23. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
24. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
25. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
26. - Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
27. - Leva das empresas onde trabalha,  pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
28. - Comercializa  vale-transporte e vale-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
29. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
30. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
31. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
32. - Coloca nome em trabalho que não fez.
33. - Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
34. - Paga para alguém fazer seus trabalhos.

E quer que os políticos sejam honestos....
Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dadeus prepara saída

O Jornal ZH do dia 13/2/2011 apresenta uma entrevista com o arcebispo de Porto Alegre.


“Recebi mais apoio que críticas”

ENTREVISTA:

ZH – Uma marca do seu período foram as críticas recebidas por suas manifestações O senhor busava provocar polêmica?

Dadeus – A gente tem a função de pastor, de orientar o rebanho, de denunciar os males. Os profetas sempre foram assim, incompreendidos. A repercussão é boa, por um lado, porque mostra que estamos atingindo a ferida. Algum ponto nevrálgico foi atingido, porque há uma reação contra.

ZH – Em que situações a repercussão foi maior?

Dadeus – Houve várias. Em uma entrevista, eu comentei: “Não foram só os judeus que morreram. E os ciganos? Os homossexuais? Os deficientes físicos? Por que os judeus não falam disso?” A reação dos judeus foi veemente. Queria vir o embaixador de Israel falar comigo, dizendo que neguei o Holocausto. Mas não neguei, só estava dizendo que não eram só judeus. Foram mais cristãos do que judeus que morreram no Holocausto.

ZH – E a questão da pedofilia?

Dadeus – Eu disse: “Isso não é só o clero, isso é uma questão da sociedade”. A pesquisa que se tem é que só 0,2% dos casos são dos padres. Há muito mais médicos e professores pedófilos. Mas isso não se noticia. A repercussão veio porque sentiram que atingimos o nó da questão.

ZH – O senhor não se arrependeu de nenhuma opinião?

Dadeus – Pelo contrário. Mais do que críticas, recebi apoios. Houve um caso sobre o homossexualismo, em que fizeram um protesto diante da catedral. Veio meia dúzia de gente. Quando a gente diz que não é esse o caminho, que é uma anomalia, então é homofobia. Não é assim. Tenho um pai, tenho irmãos muito queridos. Então não tenho homofobia, claro.

ZH – A acusação foi injusta?

Dadeus – Perguntaram se a pedofilia tinha relação com o homossexualismo. Eu disse: “Tem uma ligação, claro”. Então disseram que sou homofóbico. O que significa homofobia? Quer dizer ter uma aversão a homem. Não tenho. Tenho pai, tenho irmãos.

ZH – O termo é usado no sentido de aversão aos homossexuais.

Dadeus – Pejorativo. Contra os homossexuais.

ZH – Em um desentendimento com o Judiciário, o senhor foi condenado a pagar uma indenização.

Dadeus – O Poder Judiciário não é confiável. Esse é o problema. A gente nunca sabe o que passa na cabeça de juiz. Aquela juíza de Viamão deu uma liminar obrigando o padre a casar um homem que já estava casado no civil com outra. Publiquei um artigo veemente. Ela entrou com danos morais. Mas não tinha razão nenhuma. Fui reclamar com o juiz Tedesco (José Eugênio Tedesco, ex-presidente do Tribunal de Justiça). Ele teve de defender a juíza, pelo corporativismo. Na segunda chamada, fizemos um acordo. Eu paguei.

ZH – Quanto o senhor pagou?

Dadeus – Não foi muito.

ZH – O senhor tem a prerrogativa de indicar três nomes para a sua sucessão. Já pensou neles?

Dadeus – Sim, tenho vários nomes. Estou amadurecendo. A indicação do arcebispo tem peso, mas às vezes as circunstâncias não permitem que o pedido dele seja atendido. Muitos são consultados. Na medida do possível, será alguém daqui, do clero da diocese e que virou bispo em outro lugar. Como é uma categoria de responsabilidade, dificilmente terá menos de 50. Normalmente tem de ter algum curso no Exterior, para ter visão de mundo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A dupla Dentuço e Assis

As questões ligadas ao comportamento, e as emoções que o determinam, sempre me instigaram. A ausência de compromisso técnico ou profissional dá a liberdade para cometer desatinos de avaliação. Mas o momento requer que se faça. 

Não posso deixar de concordar que sempre tive o Dentuço como autista. A extrema habilidade física, o domínio precário de um vocabulário de cinqüenta e poucas palavras, o olhar bovino com que contempla o mundo, o mesmo sorriso idiota quando faz um golaço ou erra um pênalti, são sintomas evidentes de que algo não vai bem naquela mente alheia ao mundo exterior. 

Assim, como os autistas, o Dentuço – fora o séquito de seguidores da sua fortuna - não tem amigos. Dos tantos colegas de profissão com que teve contato, não há notícia de um jogador que se refira a ele com carinho: a ausência de afeto é o traço marcante, e triste, desta síndrome.

E as namoradas, e a grande paixão, alguém já ouviu falar que o Ronaldinho esta pegando alguém, ou esta namorando. Vimos que de repente apareceu um filho ao qual ele jamais se refere. 

A dupla Dentuço e Assis trazem à lembrança o excelente filme Rainman, em que o vigarista interpretado por Tom Cruise, em meio a uma importação fraudulenta de carros esportivos italianos, se vê como tutor do seu irmão mais velho – Raimond – interpretado por Dustin Hofman. Ao perceber que o irmão autista havia decorado parte do catálogo telefônico no quarto do hotel, decide explorar essa habilidade para apostas no Black-Jack. 

Ambos – Tom e Roberto – exploram as habilidades de seus irmãos. As inquietações de Rainman foram atenuadas por exercícios mnemônicos; as do Dentuço são resolvidas com cerveja, pagode e mulheres de aluguel. O dinheiro fica para quem sabe guardá-lo. 

As semelhanças entre as mesas de Las Vegas e os gramados da Europa param por ai. O personagem de Tom Cruise era movido apenas por dinheiro. Assis, apesar de também vigarista, não tem o dinheiro como móvel do seu comportamento; senão o Dentuço já estaria empregado no Grêmio, ou no Palmeiras, ou no Flamengo, e duas torcidas estariam pesarosas pela incapacidade financeira dos seus clubes, mas não indignadas. 

Ocorre que a alma de Assis é acometida de dois males, já bastante sérios quando se apresentam de forma isolada, que ganham contornos inacreditáveis e imprevisíveis quando somados. 

Assis é amoral! Diferente do imoral, que tem sua moralidade própria, o amoral não tem moral alguma. Não lhe faz a menor diferença o apreço que os outros tem por ele; tampouco lhe incomoda o desprezo que provoca no convívio com os humanos. Não se incomoda em sequer buscar justificativa para os seus atos, apenas os pratica, em nome de nada, ou pior, em nome da outra mazela que o aflige. 

Assis é megalômano! Acredita – com a sinceridade que lhe falta em todas as outras instâncias da vida – que é maior e melhor em tudo o que tem e faz. Em parte tem razão: o Dentuço, quando joga, é único neste futebol de muita imposição e pouco talento. Por isso não tem o menor pudor em submeter homens sérios, negociadores competentes, empresários de sucesso, líderes de multidões, às suas artimanhas primárias. 

A megalomania não o deixa entender em qual o contexto a destreza do seu tutelado está inserida. Por isso reduz a números, em relação aos quais não tem convicção, eis que os números jamais darão a medida exata da grandeza que está em jogo. Dinheiro é energia, dizem os cabalistas, e não há mal em querer acumular energia, nem em estabelecer as regras para compartilhá-la. 

No futebol, bem antes do dinheiro, um pouco antes da paixão, estão em jogo as emoções. A beleza de uma jogada perfeita não está na plasticidade do lance, mas na emoção que desperta em quem joga e em quem assiste. 

Sem emoção, uma partida de futebol é menos que um jogo de videogame no modo “iniciante”. A emoção é a matriz da paixão dos torcedores; que direciona a energia coletiva no mesmo sentido. Quem associa emoção sua marca vende mais pelo maior preço. A Nike é o que é hoje graças à emoção de Mickel Jordan. 

É exatamente ai que o Assis-Moreira Group se atrapalha: não sabem lidar com a emoção; talvez nem saibam o que emoção venha a ser. 

Triste! Estão condenados a nunca ficarem satisfeitos, por maior que seja o contrato, a bebedeira, o pagode, o plantel de mundanas... 

Que o vazio lhes seja leve!

O que vocês acham?

Por Fausto Diefenbach - Conselheiro do Grêmio

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Aprender a reclamar

"Curtir": aos poucos, redes sociais ajudam na resolução de problemas de consumo

SÃO PAULO – Quem nunca desabafou no Twitter que a operadora de celular tem um péssimo atendimento, que a empresa de internet não resolveu os problemas de conexão ou que um produto é ruim? Ou mesmo escreveu no Facebook ou Orkut que o voo estava atrasado, que recebeu a fatura errada e que o banco não para de mandar cartões de crédito sem qualquer permissão?

Os usuários de internet estão aprendendo aos poucos: reclamar sobre produtos e serviços nas redes sociais, de alguma forma, os ajuda a resolver seus problemas de consumo. “O crescimento das redes sociais é fato e o consumidor vem descobrindo que elas podem ser mais um caminho nesse sentido”, afirma a especialista em marketing digital e e-commerce e diretora de Marketing da Boa Vista Serviços – SCPC, Sandra Turchi.

E não foi só os consumidores que perceberam as possibilidades que têm quando soltam o verbo nas web. As empresas perceberam que além de uma ferramenta de marketing e promoção, as redes sociais também podem ser instrumentos efetivos de aproximação com os consumidores. Mais que isso, perceberam o risco que uma reclamação no Twitter, por exemplo, pode gerar para a imagem da marca.

RT @empresa

Para Sandra, a partir do momento que os consumidores passam a ver nas redes sociais mais uma opção de conseguir resolver pendências com as empresas, as instituições começaram a acordar a respeito da necessidade de implantar melhorias nos canais digitais de relacionamento com os consumidores.

Para eles, a reclamação pode resultar em um atendimento mais rápido que se a queixa fosse feita em algum canal tradicional. Contudo, nem todas as instituições têm condições de fazer isso. E o resultado, é uma imagem cada vez pior na rede. “A grande maioria das empresas não está preparada para esse tipo de atendimento, para os meios digitais”, constata Sandra.

“O ideal é que elas tenham a preocupação de entender esse novo modelo de relacionamento”, ressalta a especialista. Afinal, na internet não dá para prever as consequências de um “RT” ou um “curtir” em alguma reclamação de um consumidor. As perdas para as instituições no fim das contas podem ser grandes.

Aquelas instituições que já entenderam o peso das redes na sua imagem e mesmo no seu faturamento, agem de forma rápida. Não são raros casos de consumidores que fizeram queixas na web e foram contatados pela empresa por meio do mesmo canal para que o problema fosse resolvido. Essas estão na frente, na avaliação da especialista.

Conscientização (curtir)

Embora seja cada vez maior o número de consumidores que utilizam as redes para reclamar, essa ação ainda ocorre de maneira inconsciente. No fim, o que eles querem mesmo é desabafar. “É uma evolução”, diz Sandra. “O consumidor começa usando mais como uma forma de diversão, para relacionamentos. Mais tarde ele vai aprendendo a ver outras utilizações”, afirma.

Esse processo de educação já está em fase avançada e a tendência é que as redes sociais sirvam como mais um canal para os consumidores resolverem seus problemas, deixando os canais tradicionais, como call centers, para trás. “As redes sociais não vão substituir os canais de relacionamento tradicionais, mas o consumidor já está percebendo que é mais uma opção”.

Original no site http://goo.gl/Zzdmz

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

As origens e o destino da inteligência

Brasileiro conta como estudo sobre autismo levou ao das origens da inteligência


O que aconteceria com um macaco que recebesse o implante de genes humanos supostamente relacionados à inteligência? Se o animal ganhasse algum grau de consciência, ele passaria a ter, ao menos em parte, os direitos legais de uma pessoa?

Perguntas que parecem coisa de ficção científica podem agora forçar um debate na comunidade científica, graças ao trabalho do biólogo paulista Alysson Muotri.

Divulgação
O biólogo e pesquisador Alysson Renato Muotri no laboratório de genética humana do Instituto Salk, em La Jolla, EUA
O biólogo e pesquisador Alysson Renato Muotri no laboratório de genética humana do Instituto Salk, em La Jolla, EUA
"Isso vai ter de passar por comitês de ética em pesquisa, porque a gente quer realmente partir por aí", afirma o cientista, professor da UCSD (Universidade da Califórnia em San Diego).

Muotri ganhou notoriedade recentemente ao publicar trabalhos sobre autismo, nos quais conseguiu reproduzir o comportamento dos neurônios de crianças portadoras de uma forma da doença.

A técnica usada por ele --a das células iPS, que permite transformar amostras de pele em neurônios-- abriu também uma avenida para enfrentar uma questão mais conceitual. Em entrevista à Folha, o cientista conta como investigar o autismo desembocou no estudo das origens da inteligência.

Folha - A sua pesquisa indica que a genética praticamente determina o futuro das células das crianças autistas. Essa evidência não vai desagradar os que propõem causas ambientais para a doença?


Alysson Muotri - É uma forte evidência, mas ela não exclui fatores ambientais. Agora, isso vem confirmar o que a maioria dos cientistas diz hoje: as doenças do espectro do autismo são praticamente 90% de origem genética.


Já existem mais de 300 genes relacionados com o autismo, e até a gente entender como esses genes contribuem para um mesmo fenótipo [característica], vai ser complicado. O genoma é complexo, e não vai ser uma ou outra alteração sozinha que vai provocar a doença.

Mas, trabalhando com a célula iPS, a gente consegue capturar o genoma inteiro da célula do paciente nesse estado pluripotente [primitivo] e aí diferenciá-la em neurônio. Então, não importa muito qual é o gene ou quais são os genes envolvidos. A gente tem o produto final, que é o neurônio com problemas.

O sr. levou seis cientistas brasileiros com carreiras promissoras para trabalhar nos EUA e hoje diz que a fuga de cérebros é uma "ilusão patriótica". A saída de bons cientistas do país não pode prejudicar a pesquisa nacional?

Para algumas pessoas, o real patriotismo é abandonar as melhores condições de trabalho que você tem no exterior e voltar ao Brasil. Alguns dizem "vem aqui sofrer com a gente, vamos juntos tentar melhorar este país".


Quando chegou um momento na minha carreira aqui em San Diego em que eu tive que tomar uma decisão, o que veio na minha cabeça foi uma pergunta: o que eu sei fazer de melhor? Se a minha resposta fosse "formação de pessoal", talvez eu tivesse decidido voltar. Mas não me vejo nisso.

Como brasileiro, eu achei que a melhor coisa seria tirar vantagem do sistema americano e fazer com que a coisa funcionasse aqui. Uma coisa que eu faço para estar sempre em comunicação com o Brasil é justamente trazer estudantes brasileiros para o meu grupo. Eu tento manter no laboratório 50% de estudantes brasileiros e 50% de outros países.

Pesquisadores que trabalham com células-tronco reclamam muito das grandes revistas científicas e até já fizeram um manifesto contra a formação de "panelinhas" -revisores que dificultam a publicação de estudos dos que não pertencem ao grupo. Você acha que o sistema precisa mudar?

Eu acho que existe hoje, sim, um pouco de viés nessas publicações. Algumas revistas, principalmente as de alto impacto, acabam se baseando muito só na opinião de alguns pesquisadores. O que eu acho ideal seria alguma coisa parecida com o que se faz hoje na matemática e na física. A ideia é a de colocar o seu trabalho aberto na internet assim que ele estiver pronto. Dessa forma, pesquisadores do mundo todo terão acesso à sua pesquisa e poderão avaliá-la.


*Fora dos trabalhos em biomedicina, o que vão fazer no campo da ciência básica? Ainda estão pensando em trabalhar com macacos?

Um interesse bem básico que eu tenho é o de entender como e por que o cérebro humano é diferente dos outros. A gente tem a capacidade que nenhum outro animal tem, que é a da teoria da mente. A teoria da mente, explicando de uma forma bem leiga, é o fato de você conseguir se colocar na mente de uma outra pessoa e entender que tipo de coisa ela pode estar sentindo ou pensando em determinada situação.


Nenhum outro animal demonstrou ter essa capacidade. Isso deve ter surgido como um fator-chave para a nossa organização social. Bem, tudo isso surge, em última instância, das células embrionárias que acabam se desenvolvendo e formando um sistema nervoso. Dentro disso, tem duas áreas básicas que eu busco entender.

Uma área é o desenvolvimento neural do cérebro, comparando os humanos com o cérebro dos nossos "primos", como o chimpanzé e o bonobo. A gente derivou células iPS de humanos e de macacos, e a gente está instruindo essas células a formar um sistema nervoso em cultura, para acompanhar passo a passo quais são as similaridades e quais são as diferenças entre humanos e outros primatas.

O que a gente tem visto são coisas bem inesperadas, que devem revelar bastante coisa e até render ideias novas sobre aspectos do autismo e de algumas outras doenças.

A outra linha tem a ver com os retroelementos, os "genes saltadores" [que fazem cópias de si mesmos ao longo do DNA]. Ninguém questiona que nosso genoma tem toda a informação capaz de gerar um cérebro, da mesma forma que os outros primatas também conseguem gerar o cérebro a partir do genoma que eles têm. A questão é: como formar um cérebro inteligente e criativo?


Deve ter algum outro fator ali no cérebro humano que contribui para essa criatividade. O que a gente acabou postulando é que esse DNA-lixo, que aparentemente não tem nenhuma função, mas que abriga os genes saltadores, poderia estar envolvido na geração dessa diversidade neural, ao modificar o genoma original das células.

A gente não entende esse processo como sendo uma coisa essencial para a formação do cérebro, mas ele seria um "tempero" nessa criatividade que a gente tem, essa individualidade humana.


Será possível realizar um experimento com macacos que os faça adquirir esses genes saltadores dos humanos?

A gente pensa nisso, e isso é uma coisa que vai ter que ser discutida com a sociedade. Isso vai ter que passar por comitês de ética em pesquisa, porque a gente quer realmente partir por aí.


Pode ser que você comece a criar essas redes neurais mais sofisticadas no cérebro de macaco. E aí ele poderia começar a ter consciência. A partir desse momento, será que ele não se torna um ser "humanizado"? E, caso se torne, ele passaria a ter os mesmos direitos que as pessoas? Se a resposta for sim, ele não poderia ser cobaia.

Eu não tenho as respostas para isso, mas em algum momento a ciência vai começar a chegar a esse ponto e isso vai ter que ser discutido. Eu antecipo esse tipo de discussão, mas não tenho uma resposta para isso. Não sei se é certo ou errado.

Original no site da Folha.com http://goo.gl/IuM46

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O início da vida artificial

Casa Branca dá sinal verde à pesquisa de vida artificial


DA FRANCE PRESSE

A Casa Branca anunciou nesta quinta-feira que o campo controverso da biologia sintética ou da manipulação de DNA de organismos para criar novas formas de vida traz riscos limitados e seu avanço deveria ser permitido.

Um painel de especialistas reunido pelo presidente americano, Barack Obama, recomendou vigilância e autorregulação enquanto os cientistas procuram formas de criar novos organismos que pudessem resultar em inovações úteis em energia limpa, controle da poluição e medicina.

A Comissão Presidencial para o Estudo de Questões Bioéticas concluiu: "A biologia sintética é capaz de feitos significativos, mas limitados, com riscos limitados."

"Os desenvolvimentos futuros podem despertar novas objeções, mas a comissão não encontrou razões para endossar regulações federais adicionais ou uma moratória no trabalho neste campo por enquanto", acrescentou o relatório.

O painel com 13 cientistas, especialistas em ética e em políticas públicas foi criado por Obama no ano passado. Sua primeira missão foi considerar a questão da biologia sintética, depois que o Instituto J. Craig Venter anunciou, em maio, ter desenvolvido a primeira bactéria autorreplicável controlada por um genoma sintético.

Para os críticos, a descoberta era o equivalente a "brincar de Deus", criando organismos sem o entendimento adequado sobre as consequências, perturbando a ordem natural.

Ao anunciar a criação da "primeira célula sintética", o chefe das pesquisas Craig Venter disse na época: "Certamente mudou minha visão sobre as definições da vida e de como ela funciona."

Mas a comissão informou que a equipe de Venter não criou vida realmente, já que o trabalho envolveu, sobretudo, a alteração de uma forma de vida já existente.

Fonte: Folha.com - http://goo.gl/U9Li3

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma ética do cuidado

Uma ética do cuidado
20/10/2010
Leia a entrevista exclusiva com o consultor em Sustentabilidade, Marcelo Abrantes Linguitte

Uma sociedade planeta sustentável é aquele que valoriza o ser humano e o ambiente onde ele vive. A afirmação é do consultor em sustentabilidade, Marcelo Abrantes Linguitte. Em entrevista exclusiva para a Revista FUNCEF, ele fala sobre o papel dos fundos de pensão com o desenvolvimento verdadeiramente sustentável, elenca os valores indispensáveis a uma organização socialmente responsável e cita o economista chileno Manfred Max-Neef: "Nenhum processo ou interesse econômico, sob nenhuma circunstância, pode estar acima da referência à vida".

Revista FUNCEF - Qual deve ser o papel dos fundos de pensão na sustentabilidade?
Marcelo Abrantes - Na minha avaliação, os fundos de pensão possuem três papéis importantes com relação ao tema de sustentabilidade: incorporar de forma consistente o tema de sustentabilidade na gestão de suas atividade cotidianas; utilizar o tema de sustentabilidade para escolher investimentos com menores riscos, principalmente no segmento de renda variável; utilizar sua capacidade de investimento para influenciar de forma positiva as empresas para que elas incorporem o tema em sua gestão.

Revista FUNCEF - Quais os valores indispensáveis às práticas socialmente responsáveis de uma organização?
Marcelo - Na medida em que sustentabilidade é uma forma contemporânea de gestão, alguns valores a diferenciam de outras formas de se gerir uma empresa. São eles: ética; transparência; visão multi stakeholder, que leva em conta que a organização deve considerar a contribuição de todas as partes envolvidas no negócio; metas empresariais alinhadas ao desenvolvimento sustentável e percepção sistêmica, ou seja, a compreensão de que o todo afeta as partes e as partes afetam o todo, que afeta uns aos outros.
A ética da sustentabilidade não é uma ética de regras, que impõe padrões de comportamento e não se preocupa com a essência de cada um. É uma ética do cuidado, como diria Boff, uma ética que busca o desenvolvimento do outro, uma ética feita a partir do outro e não para oprimir o outro.

Revista FUNCEF - E os demais valores?
Marcelo - A transparência consiste em mostrar, de forma clara, o que fazem e quais são os resultados de suas operações. A visão multi stakeholder parte da noção de que uma empresa é parte de uma rede, apenas um nó, e não o centro do universo, e se constrói a partir da contribuição de todos.
Metas empresariais alinhadas com o desenvolvimento sustentável partem da visão de que o mercado não é um fim, mas um meio de promoção do desenvolvimento humano e da preservação da vida no planeta.
Gosto muito do pensamento do economista chileno Manfred Max-Neef, que diz: "Nenhum processo ou interesse econômico, sob nenhuma circunstância, pode estar acima da referência à vida". Este é nosso grande desafio como civilização, e como modelo econômico também.
A percepção sistêmica é a visão que os gestores devem ter de que, em um sistema, o todo afeta as partes e as partes afetam o todo, que afeta uns aos outros. Por isso, não podemos falar em sustentabilidade do ponto de vista de uma empresa apenas, mas desde a perspectiva do sistema econômico no qual a empresa se insere.

Revista FUNCEF - Responsabilidade Social dá lucro?
Marcelo - Diria que sim. Nas atividades de consultoria da Terra Mater, junto a nossos clientes, temos podido observar muitos resultados positivos, como aumento nas vendas e maiores margens, redução de custos - principalmente quando o tema é diminuição do uso de recursos naturais - redução de capital empregado em projetos, acesso a novas fontes de financiamento com custos mais baixos, menores riscos de operação, melhoria de imagem da empresa, melhoria no capital humano e aprendizado organizacional e melhoria em processos de gestão.
Tudo isso gera maiores lucros e maior competitividade. Em 2009, a consultoria de imagem Interbrand fez um estudo que mostrou que 13% do valor de mercado de uma empresa de capital aberto varia em função do conhecimento que as pessoas têm sobre as práticas de sustentabilidade dessa empresa. Ou seja, quanto mais a empresa se envolve - de forma verdadeira - com esse tema, maior a possibilidade de retorno financeiro.

Revista FUNCEF - O tema sustentabilidade já começa a fazer parte da agenda de muitas organizações. O mundo está vivendo, de fato, um momento de transição para uma sociedade mais justa e sustentável?
Marcelo - Quero crer que sim. Mas para onde nos leva essa mudança? A sustentabilidade traz a proposta de reflexão sobre qual seria o padrão de vida mais adequado para que possamos viver bem, impactando minimamente a natureza. Mas, na nos enganemos: iremos sempre impactar a natureza.
Precisamos de calcário para produzir cimento que é usado em nossas casas.
Precisamos de água, que é retirada de rios e lagos. Precisamos de alimentação. Precisamos de madeira que vem das florestas. A pergunta é: será que conseguimos nos aproximar nossa produção econômica aos ciclos da natureza, de forma a impactá-la o menos possível "Se diminuirmos o consumo e organizarmos nossa economia para que dependa menos do consumo exagerado, creio que estaremos caminhando no sentido de uma maior harmonia, que é sempre tensa, instável, nunca estática".
Outra coisa importante é que a onda de sustentabilidade tem dado muita importância ao meio ambiente, mas tem deixado de fora o ser humano que aí vive. Então, a questão é como devemos cuidar da vida humana cuidando também do planeta. Não existe meio ambiente equilibrado com pessoas desequilibradas. Essa é a primeira e a principal lição de casa para cada um de nós. O restante virá como consequência.

Revista FUNCEF - De que forma o meio ambiente impacta no desenvolvimento econômico e social?
Marcelo - Uma das premissas da sustentabilidade é que economia, questões sociais e meio ambiente andam de mãos dadas. Como vimos, vivemos em um sistema e, em sistemas, não há uma desconexão entre os seus membros. Não há "separatividade", que é algo fruto da nossa forma cartesiana, tradicional de olhar o mundo. Nós nos acostumamos a ver e compreender os fenômenos da vida como isolados, sem que haja impactos uns sobre os outros. No entanto, não é assim que os sistemas operam.
Tomemos, por exemplo, o caso da exploração de madeira ilegal na Amazônia. O desmatamento não ocorre porque as pessoas gostam de cortar árvores, mas porque existe um mercado consumidor desse produto, que é uma questão econômica. Para atender a esse mercado, madeireiros ilegais contratam trabalhadores da região amazônica para executar o desmate. Ora, esses trabalhadores " muitas vezes submetidos a trabalho forçado " aceitam essa atividade por não haver muitas possibilidades de remuneração na região, ou seja, não existem outras formas de manutenção de sua vida e de sua família. Isto é uma questão social.
Enfim, em nossa visão sistêmica, aspectos econômicos, sociais e ambientais caminham juntos. Acho que vivemos sociedades esquizofrênicas que não percebem que não existe economia sem cuidado com o meio ambiente e com as pessoas que vivem nesse ambiente.

Revista FUNCEF - Qual a importância dos relatórios sociais elaborados pelos fundos de pensão? O que isso significa para os participantes?
Marcelo - A grande importância dos relatórios sociais dos fundos de pensão, que, infelizmente, ainda não são muitos, é que eles permitem avaliar o impacto das entidades em várias dimensões, além da questão da provisão de aposentadoria complementar. Este aspecto, que é básico e o mais prontamente exigido dos Fundos, é melhorado através da incorporação da sustentabilidade na gestão dos fundos, e os relatórios permitem o diagnóstico e o estabelecimento de melhorias importantes.
Através da incorporação do tema da sustentabilidade no "radar" dos Fundos de Pensão, eles poderão administrar com mais profissionalismo os recursos colocados sob sua responsabilidade, obtendo os melhores resultados dos investimentos que gerenciam, na medida em que esse tema permite diminuir os riscos de investimentos e, portanto, contribuir para resultados de longo prazo.
Os relatórios, além disso, têm sido de grande valor para induzir as Entidades a observar de forma estratégica e cuidadosa a questão da Sustentabilidade, principalmente nas empresas nas quais investem ou desejam investir. Isso porque os Fundos de Pensão têm se conscientizado de forma consistente que seus investimentos podem ser seriamente impactados por formas de gestão não sustentáveis.
Agora, é importante conduzir a produção de relatórios sociais com o foco em aprendizado organizacional, ou seja, vou levantar dados para ver como estou e como posso melhorar. Levantar dados apenas para colocá-los em uma publicação
definitivamente não contribui para mudanças sustentáveis nas empresas. Se não forem acompanhados de reflexão e ações concretas, os dados levantados tornam-se um fardo para a equipe interna e uma falácia para o leitor.

Revista FUNCEF - A escola, a família e a sociedade estão preparando crianças e jovens mais conscientes para a temática do meio ambiente?
Marcelo - Não sou especialista em educação de crianças e jovens, mas me parece que todos (escolas, família e sociedade) estamos tentando educar nossos filhos e filhas para que sejam mais conscientes com relação ao meio ambiente. Há muitas ações bem interessantes em escolas que mostram que algo está sendo feito, como semanas de meio ambiente, trabalhos em grupo, visitas a comunidades indígenas e a eco vilas. Na sociedade, o crescimento de ONGs ambientalistas e a própria ação das empresas é uma prova de que estamos nos movimentando.
Muitas famílias já separam seu lixo, têm minhocários, fazem passeios mais "ecológicos". Acho que estamos avançando muito nesse sentido. As crianças e adolescentes de hoje já têm uma consciência mais conectada com a natureza que as gerações anteriores. Eles criticam os pais quando estes jogam lixo na rua ou deixam a torneira ligada quando escovam os dentes. É muito bom ver isso. No entanto, creio que estamos apenas no começo desse processo; estamos na "casca", caminhando para a essência, que é uma consciência maior sobre si mesmo, sobre a vida e sobre seu papel nela.
Como disse, não vamos criar um meio ambiente equilibrado com pessoas desequilibradas, mas o que vemos, infelizmente, é que cada vez mais crianças e jovens saem de famílias desequilibradas. É preciso resgatar o "sagrado" da vida para trazer equilíbrio a ela. E esse desequilíbrio começa desde cedo, quando ensinamos nossos filhos e filhas a tomar decisões apenas baseados na razão, esquecendo que somos também emoção, intuição e sensação. Nossa sociedade ainda baseia-se muito na violência e na opressão e isso não é "sustentável". É preciso criar novos modelos mentais, baseados na ética do cuidado, na compaixão, em uma maior cooperação. Mas, acho que estamos caminhando para isso, ainda que a uma velocidade baixa.

Revista FUNCEF - Quais os grandes desafios que o tema "sustentabilidade" impõe às gerações presentes e futuras?
Marcelo - Creio que seja o desafio de uma nova consciência que entenda o mundo como um todo, como uma conexão única. Não um mundo igual e sem diferenças, que é impossível ' e indesejável, mas um mundo onde as diferenças sejam aceitas e valorizadas. Um mundo que saiba esperar os ciclos naturais da vida e não queira acelerá-los. São muitos os desafios. No entanto, creio que se focarmos no maior desafio de todos, que é a ampliação de nossa consciência, já estaremos fazendo um grande trabalho, para nós e para o mundo.
Ampliar nossa consciência significa, acima de tudo, voltar-se a si mesmo e ao outro. Para isso, é necessário que as gerações futuras percebam que o homem é um ser abrangente. Uma visão abrangente e integral do homem sugere que ele seja composto por diferentes dimensões: a física, onde são satisfeitas suas necessidades básicas de subsistência, como alimentação, manutenção da integridade do corpo etc.; a mental, onde se apresenta suas necessidades por conhecimento, educação, espírito crítico; a emocional, espaço de suas experiências subjetivas; e a espiritual, onde se dão suas relações com aquilo que cada um entende como sendo transcendente.
Nesse sentido, devido à conectividade inerente ao ser humano, o bem de cada pessoa e de todas as pessoas depende não apenas de suas próprias potencialidades, mas também de quão saudáveis são os sistemas em que elas se encontram, tanto em termos culturais, econômicos, políticos, sociais como espirituais. As gerações futuras devem trabalhar também no sentido de tornar esses sistemas mais saudáveis. Enfim, os desafios são muitos. Mas, vamos começar por nós mesmos. Afinal, como dizia Gandhi, nós somos a mudança que queremos ver no mundo.

sábado, 6 de novembro de 2010

A ética dos filhos

Quando você era bem pequeno...
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...eles gastavam horas lhe ensinando a usar talheres nas refeições...
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... ensinando você a se vestir, amarrar os cadarços dos sapatos, fechar os botões da camisa..
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Limpando-o quando você sujava suas fraldas, lhe ensinando a lavar o rosto, a se banhar a pentear seus cabelos...
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...lhe ensinando valores humanos...
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Por isso...
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...quando eles ficarem velhos um dia...e seria bom que todos pudessem chegar até aí
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...quando eles começarem a ficar mais esquecidos e demorarem a responder...
cid:2AEE9B344B9649C98BBDC7C13CC83804@CHUNGPC 
...não se chateie com eles...
 cid:02D02D429F2B4C14B741BF7E9CFF2B3F@CHUNGPC 
...quando eles começarem a esquecer de fechar botões da camisa, de amarrar cadarços de sapato...
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 ...quando eles começarem a se sujar nas refeições...
 cid:8AB80FFA70574199B3B5193B7A94FC3F@CHUNGPC 
...quando as mãos deles começarem a tremer enquanto penteiam os cabelos...
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...por favor, não os apresse...porque você está crescendo aos poucos, e eles envelhecendo... 
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...basta sua presença... sua paciência... sua generosidade... sua retribuição...
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 ...para que os corações deles fiquem aquecidos...
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...se um dia eles não conseguirem se equilibrar ou caminhar direito...
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...segure firme as mãos deles e os acompanhe bem devagar
respeitando o ritmo deles durante a caminhada...
da mesma forma como eles respeitaram o seu ritmo
quando lhe ensinaram a andar...
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fique perto dêles...assim como...
cid:D76545AD356A41CABC2D3219877F88C5@CHUNGPC 
 ...eles sempre estiveram presentes em sua vida,
sofrendo por você...
torcendo por você...
e vivendo "POR VOCÊ"
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