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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Que vencedor, que nada

Diante de uma sociedade que me obriga a coexistir com situações de extrema fragilidade e sofrimento, em que se aceita como "naturais" ou "inevitáveis" realidades como a fome, a miséria e a ignorância, se aponta como valores principais a propriedade, o consumo, a ostentação e se impõe a competição como forma de relacionamento vivencial entre as pessoas, só posso colocar minha vida em contraposição às correntes dominantes. Tanto em valores, quanto em comportamento e em objetivos de vida.

É preciso revelar dentro de nós os valores induzidos pelos meios de comunicação de massa, pelo massacre publicitário, pela propaganda ideológica, psicológica, inconsciente, sub-liminar ou não. Pela pressão social daqueles que aderem aos valores artificiais e, na falta de convicção, precisam impor aos demais, compor grupos e discriminar os que não lhes apóiam valores que, por si, não se sustentam. Temos em nós estes condicionamentos, em maior ou menor grau. São valores-causas do desequilíbrio social - a cultura da competição, em que todos são adversários potenciais, e a do consumo, em que o objetivo principal da vida é consumir, possuir, desfrutar, alcançar o máximo da fartura material, entre a ostentação e o desperdício. São enormes e estratégicas mentiras.
Não há competição onde há desigualdade de condições. Há covardia.

A massa dos "derrotados" aumenta, os "vencedores" se empilham em pirâmides de poder e privilégios ascendentes. No topo, o pequeno grupo. Os donos das mega-empresas transnacionais, dos grandes bancos e corporações financeiras, interferindo e controlando as políticas públicas e a mídia para os favorecer e encher, mais ainda, de poder e privilégios, em prejuízo dos direitos básicos da população e das obrigações principais do Estado.

Este é o sentido das minhas ações, do meu trabalho, da minha vida. Não tenho a ingenuidade de esperar ver o mundo conforme eu gostaria. Também não me é possível aderir a esses valores planejados e implantados como "a realidade", que fazem de irmãos, adversários e do objetivo da vida, o consumo excessivo, a posse, o conforto físico. Perdemos o contato direto com as necessidades abstratas, as principais do ser, o sentimento de integração, a sensação de utilidade ao coletivo, o equilíbrio emocional, as relações afetivas, a solidariedade, o senso de justiça, o desenvolvimento da consciência.

Existe em mim a necessidade incontrolável de plantar idéias, valores, questões, sentimentos. Denunciar as mentiras em que tantos acreditam, os valores falsos, as necessidades artificiais, a mediocridade da vida e a mesquinharia dos objetivos oferecidos. Apregoar os valores do espírito, solidariedade, integração, consciência. Denunciar o egoísmo da mentalidade competitiva, a crueldade - ou indiferença - das minorias dominantes.

Não espero colher os frutos das árvores que planto. E isso não diminui minha necessidade de seguir plantando, de trabalhar em direção contrária às correntes, aos valores vigentes, nocivos à grande maioria, embora - e por isso mesmo - a submetendo.

A discriminação, a perseguição dos organismos repressivos da administração pública, o desprezo dos convencionais são, por outro lado, elogios a quem não se submete. Eu teria vergonha de aderir aos valores dessa sociedade perversa. De ostentar riqueza como falso símbolo de vitória. Não estou aqui pra competir. Privilégios me constrangem, desperdícios me dão repulsa e entristecem. Superioridade social é uma encenação ridícula, subalternidade humana é uma ilusão triste.
Não compartilho dos valores vigentes. Não tenho como andar com as correntes. Sigo somente minha própria consciência. Minha "pobreza" é minha riqueza, minha "derrota" é minha vitória. Teria vergonha, neste mundo, de ser um "vencedor".


Eduardo

terça-feira, 7 de abril de 2009

Fim do mundo


Por mais que o mundo procure, parece que a solução mágica que todos esperavam para a tal crise financeira não surge de canto algum. Alguns jornalistas procuram garimpar no sub-texto da fala e promessas dos políticos alguma dica de prazo ou data para o momento da redenção.
Sairemos da crise em 2010? Ou 2012? Mas o calendário dos Maias acaba em 2012, segundo me contaram. Então, será o final do mundo? De qual dos mundos? Do mundo como um todo? Da esfera azul cheia de água, terra e gente ou do mundo celestial, macrocosmo povoado por energias que nem de longe conhecemos ainda? Ou será que é o fim do mundo em que vivemos até hoje... Este mundo onde o modelo econômico estava baseado em provocar endividamento para movimentar as massas? Ou será que o fim do mundo virá abalar as relações da forma como estavam estruturadas onde a hierarquia se fazia consoante o valor da conta bancária de cada membro participante da mesma?
De que final de mundo estão todos comentando?
Vamos por partes para ver se conseguimos chegar a algum entendimento.
Pensando sobre o planeta Terra, seus recursos, seus movimentos e equilíbrio, já chegamos ao fim do mundo há algum tempo. Tem ouvido falar sobre o degelo que vai lançando milhões de litros de água nos oceanos? Água esta que não vai sair voando pelo espaço sideral. Terá que se acomodar roubando espaço onde antes era solo, fértil ou não, área onde populações construíram suas casas e seus campos.
Tem lido ou visto o desmatamento das florestas, onde o destaque de campeã parece ficar com nossa Amazônia?
Bem, as raízes das árvores destas florestas servem, entre outras coisas, para frear a força das águas que vem do alto. As copas ajudam na formação do oxigênio, na moradia dos pássaros, na sustentação dos frutos que alimentam também estes animais e assim por diante.
Pensou no impacto que a devastação destas áreas causa na outra ponta do planeta? (Se puder assista o filme "Uma Verdade Inconveniente" de Al Gore, para aumentar sua consciência a respeito do tema).
Algumas imagens desta devastação não deixam dúvida que o fim do mundo já está lá.
Colchões, sofás, pneus, embalagens, descem os leitos dos rios jogados pelas nossas mãos, afundando numa certa altura, entupindo o curso das águas, deformando o desenho do sulco, atravancando a passagem da vida.
Em São Paulo, durante o Carnaval, um lago secou em uma hora revelando seu fundo enlameado, onde carrinhos de feira, sapatos, restos de tudo que se pode imaginar disputavam espaço com peixes agonizantes, cisnes atolados, lágrimas dos frequentadores aturdidos pelo acontecido.
Apocalipse aqui e agora, em plena capital de um estado!Frente a tudo isso, nosso mundo interno rui também. Vamos perdendo a fé, a vontade de mudar, a determinação de pôr um basta e reverter.
É preciso imediatamente iniciar uma marcha internacional de educação, de saneamento, de seriedade, responsabilidade, moral.Todos precisamos nos unir para limpar o Planeta. Começando pelo Planeta Mente.
É neste campo que tudo começa. Nossas ações são projeções do que temos em nosso hard disc pessoal e coletivo.Temos que parar de assistir e compartilhar tanto lixo.Temos que ter forças para sair do sofá e desligar a TV, mudar o canal, deixar de ver e ouvir tanta porcaria, tanta falta de cultura e desinformação. Temos que parar de dar audiência para o entorpecimento. A solução não vem da passividade, do conformismo, do "deixa que o Universo resolve". Sim, o Universo resolve, mas talvez isso possa custar a casa que construímos, os filhos que geramos, a vida que tanto queremos preservar.
Minha proposta é que a gente se una ao Universo e numa só linguagem e expressão possamos contribuir para que o início de um novo mundo nos traga orgulho de pertencermos à raça humana!

Izabel Telles é terapeuta holística e sensitiva formada pelo American Institute for Mental Imagery de Nova Iorque. Tem três livros publicados: “O outro lado da alma”, pela Axis Mundi, “Feche os olhos e veja” e “O livro das transformações” pela Editora Agora.

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