sábado, 23 de abril de 2011
Dia internacional do livro
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Que vencedor, que nada
É preciso revelar dentro de nós os valores induzidos pelos meios de comunicação de massa, pelo massacre publicitário, pela propaganda ideológica, psicológica, inconsciente, sub-liminar ou não. Pela pressão social daqueles que aderem aos valores artificiais e, na falta de convicção, precisam impor aos demais, compor grupos e discriminar os que não lhes apóiam valores que, por si, não se sustentam. Temos em nós estes condicionamentos, em maior ou menor grau. São valores-causas do desequilíbrio social - a cultura da competição, em que todos são adversários potenciais, e a do consumo, em que o objetivo principal da vida é consumir, possuir, desfrutar, alcançar o máximo da fartura material, entre a ostentação e o desperdício. São enormes e estratégicas mentiras.
Não há competição onde há desigualdade de condições. Há covardia.
A massa dos "derrotados" aumenta, os "vencedores" se empilham em pirâmides de poder e privilégios ascendentes. No topo, o pequeno grupo. Os donos das mega-empresas transnacionais, dos grandes bancos e corporações financeiras, interferindo e controlando as políticas públicas e a mídia para os favorecer e encher, mais ainda, de poder e privilégios, em prejuízo dos direitos básicos da população e das obrigações principais do Estado.
Não espero colher os frutos das árvores que planto. E isso não diminui minha necessidade de seguir plantando, de trabalhar em direção contrária às correntes, aos valores vigentes, nocivos à grande maioria, embora - e por isso mesmo - a submetendo.
A discriminação, a perseguição dos organismos repressivos da administração pública, o desprezo dos convencionais são, por outro lado, elogios a quem não se submete. Eu teria vergonha de aderir aos valores dessa sociedade perversa. De ostentar riqueza como falso símbolo de vitória. Não estou aqui pra competir. Privilégios me constrangem, desperdícios me dão repulsa e entristecem. Superioridade social é uma encenação ridícula, subalternidade humana é uma ilusão triste.
Não compartilho dos valores vigentes. Não tenho como andar com as correntes. Sigo somente minha própria consciência. Minha "pobreza" é minha riqueza, minha "derrota" é minha vitória. Teria vergonha, neste mundo, de ser um "vencedor".
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Mexendo no bolso

COMENTE ESTE TEXTO:
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Mitos
A figura trata-se do Apoteose de Homero – Jean Auguste Dominique Ingres (1897): O poeta a quem creditamos a autoria de “Ilíada” e “Odisséia” aparece como uma importante fonte para o estudo da história grega bem como para a divulgação de sua mitologia.
De fato, ao contrário das grandes religiões monoteístas, os gregos jamais tiveram um livro sagrado. A cosmogonia (teorias e narrativas que explicam a origem do universo) e os mitos desta civilização chegaram até nós por intermédio de textos literários, históricos e filosóficos. Neste sentido, o mito era, dentro desta cultura, uma linguagem usada para fornecer explicações acerca de um passado remoto sobre o qual é impossível estabelecer provas de sua autenticidade. Deste modo, o mito é muitas vezes encontrado na busca pelas origens seja do universo, dos deuses, da existência humana, das mulheres, das guerras ou das instituições políticas.
Mito e História
Uma vez que apontamos a importância do mito para a busca das origens entre os gregos, surge a necessidade de discutir sua relação com a história na maneira como era percebida por eles. Segundo sabemos durante os primeiros tempos da história grega a palavra mythos não se opunha à palavra logos, ambas designavam uma espécie de relato que não era diferenciado por seu conteúdo. Teria sido apenas no apogeu das cidades-estados que uma tentativa de separação teria sido feita.
Vernant nos mostra a preocupação de certos autores gregos do século V em exigir a administração da prova daquilo que seria tratado como verdade, ou no mínimo como confiável. Um grande exemplo desta preocupação está no historiador ateniense Tucídides, autor de “A Guerra do Peloponeso”, veja o seu comentário sobre o que se pensava sobre a Guerra de Tróia:
“(...). a expedição a Tróia haja sido maior do que qualquer das anteriores, apesar de menor que as do presente, (...) sendo natural supor que ele1, como poeta, tenha adornado e amplificado a expedição, é evidente que ela foi comparativamente pequena.”
“Segundo as minhas pesquisas, foram assim os tempos passados, embora seja difícil dar crédito a todos os testemunhos nesta matéria. Os homens, na verdade, aceitam uns dos outros relatos de segunda mão dos eventos passados, negligenciando pô-los à prova (...)”.
TUCÍDIDES. “História da Guerra do Peloponeso”. Brasília: Editora UNB. 2001. p. 7-8,13.
Podemos dizer, com o devido cuidado, que o mito está sendo percebido como algo afastado devendo ser objeto das fantasias dos poetas e dos logógrafos que visam os deleites e a aprovação dos ouvintes em certo momento, um passado remoto que não cabe ao historiador apresentar. A história deveria ser feita com regras e campos delimitados para que seu conteúdo pudesse ser útil para as gerações posteriores.
Fonte: www.portalimpacto.com.br
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Declaração de Ética Mundial - parte V

Inúmeras pessoas, em todas as regiões e religiões, esforçam-se por praticar solidariedade umas com as outras, e por viver uma vida de trabalho e cumprimento leal de uma profissão. Ainda assim, no mundo de hoje há muita fome, pobreza e miséria. O indivíduo não é o único culpado por isso. Freqüentemente, a culpa é de estruturas sociais injustas: milhões de pessoas não têm trabalho, milhões são explorados através de um trabalho mal remunerado, são postos à margem da sociedade e privados de chances em suas vidas. Em muitos países, as diferenças entre ricos e pobres e entre poderosos e desvalidos são assustadoras. Neste mundo em que tanto um capitalismo desenfreado quanto um socialismo estatal totalitário esvaziaram e destruíram muitos valores espirituais, puderam difundir-se uma ânsia desenfreada por lucro e uma avidez sem limites, mas também uma mentalidade reivindicatória materialista, que sempre exige mais e mais do Estado, sem assumir maior compromisso recíproco. Não apenas nos países em desenvolvimento, mas também nos países industrializados a corrupção desenvolveu-se na sociedade como uma chaga cancerosa.
A. Das grandes tradições éticas e religiosas antigas, porém, acolhemos o preceito: Não roubarás! Ou, formulado positivamente:
Aje de maneira justa e honesta! Ora, recordemos uma vez mais as conseqüências desse antigo preceito: pessoa alguma tem o direito de roubar outra – seja de que forma for –, nem tampouco de violar sua propriedade ou os bens comunitários. Ao inverso, no entanto, pessoa alguma tem o direito de fazer uso de suas posses sem respeitar as carências da sociedade e da Terra.
B. Quando a pobreza extrema predomina, o desamparo e o desespero ganham espaço, e aí sempre se roubará, por força da sobrevivência. Quando se acumulam poder e riqueza indiscriminados, é inevitável que se despertem nos pobres e marginalizados sentimentos de inveja e ressentimento, de ódio mortal e de rebelião. Isso conduz, no entanto, a um círculo vicioso de violência e de reações violentas. Que ninguém se engane: não há paz mundial sem justiça mundial!
C. Por isso, os jovens já deveriam aprender na família e na escola que a propriedade, por menor que seja, cria obrigações. Seu uso deve, ao mesmo tempo, servir ao bem comum. Só assim é possível construir uma ordem econômica justa.
D. Contudo, quando se quer alterar decisivamente a situação dos bilhões de seres humanos mais pobres que vivem neste planeta, é preciso remodelar de forma mais justa as estruturas da economia mundial. A beneficência individual e projetos isolados de ajuda, por mais imprescindíveis que sejam, não são suficientes. É preciso haver participação de todos os Estados e a autoridade das organizações internacionais, para que se chegue a um equilíbrio justo.
A crise de endividamento e a pobreza do Segundo Mundo, ora em dissolução, e tanto mais do Terceiro Mundo, precisam ser conduzidas a uma solução sustentável por todas as partes.
Certamente, os conflitos de interesse serão inevitáveis também no futuro. Nos países desenvolvidos, de qualquer modo, deve-se distinguir entre consumo necessário e desenfreado, entre um uso social e associal da propriedade, entre um uso justificado e injustificado dos recursos naturais, entre uma sociedade de mercado puramente capitalista e outra, orientada tanto social quanto ecologicamente. Os países em desenvolvimento também necessitam de um exame de consciência em nível nacional.
Isso vale em toda parte: sempre que os dominadores oprimem os dominados, as instituições oprimem as pessoas, e o poder oprime o direito, é adequado haver resistência – pacífica, sempre que possível.
E. Ser verdadeiramente humano, no espírito de nossas grandes tradições religiosas e éticas, significa o seguinte:
• Ao invés de se usurpar o poder econômico e político, em meio a uma luta irrespeitosa pelo domínio, deve-se utilizá-lo para o serviço ao ser humano. Precisamos desenvolver um espírito de compaixão com os que sofrem e ter uma preocupação especial com os pobres, deficientes, idosos, fugitivos e solitários.
• Ao invés de um pensamento unicamente voltado ao poder e ao invés de uma política de poder desenfreada, é preciso fazer prevalecer o respeito mútuo em meio à inevitável concorrência que surge na disputa pelo poder, um equilíbrio razoável dos interesses, e uma predisposição para o respeito e a conciliação.
• Ao invés de um desejo insaciável por dinheiro, prestígio e consumo, é preciso reencontrar um novo senso de comedimento e humildade! Pois o ser humano entregue ao desejo perde sua “alma”, sua liberdade, seu desprendimento, sua paz interior e perde, com isso, o que o torna humano.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Do mundo virtual ao espiritual


