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terça-feira, 27 de outubro de 2009

As 4 Virtudes Cardeais


Virtude = tendência para o bem, que deve ser ensinada, vigilantemente, desde os primeiros anos de vida.

O número 4, segundo Pitágoras, representa a justiça pois 4 corresponde a soma de dois números pares e iguais (2 + 2), o quadrado também cumpre a mesma função. Justiça: idéia de proporcionalidade, medida, adequação. A virtude das virtudes, já que sua completa realização corresponde ao bem comum. O bem que não é só meu, nem teu, mas que inclui a comunidade, beneficiando a cada um e a todos, simultaneamente.

A justiça aponta para a finalidade da ação e a prudência é a mestra do como fazer: "Para bem agir, é necessário não apenas fazer algo, mas fazer como se deve, ou seja, é necessário agir de acordo com uma opção bem regrada e não apenas por impulso ou paixão." Esta frase de São Tomas de Aquino resume aquilo que é o agir virtuoso: a prudência.

Todavia, a vida nos coloca situações onde o exercício da prudência torna-se difícil. É necessário seguir em frente, sem titubear, mesmo não sentindo a força suficiente para tanto. Nestes momentos, se faz presente a coragem. Coragem virtude de iniciar, de buscar novos caminhos, de não nos imobilizarmos. Afrontar o perigo, mas com prudência (não em excesso), sem se deixar levar pela covardia, nem seduzir pela temeridade.

Justiça, prudência, coragem já temos um triângulo. Falta uma última para fecharmos o quadrado.

A virtude restante fala do contentamento com o uso de nossos prazeres sensuais (comer, beber, cheirar, transar, olhar...) virtude busca do bem. O bem a forma justa, adequada, harmoniosa. Como temperar uma salada: o azeite, o sal, o limão, a mostarda, o gergelim. Todos os temperos devem estar proporcionais, nem mais, nem menos. A medida certa, saborosa. A quarta virtude é a temperança.

Temperança, que para mim, tempera as outras três virtudes (justiça, prudência, coragem) todas vivenciadas na justa medida. Deste modo, o quadrado circula e as quatro virtudes transformam-se numa só. Qual?

Para ela não temos um conceito definido, é só uma idéia. As quatro virtudes cardeais são uma só, formam um quadrado mutante que circula para o bem do planeta.

Capturado em;
http://www.mundodosfilosofos.com.br/guilherme.htm

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A educação

“ A Educação não se limita a desenvolver o Eu individual do homem; ela cria, no homem, um ser novo: suscita e desenvolve, não apenas desenvolve.
A virtude criadora é própria da Educação. Nos animais, mediante treinamento específico, pode-se apressar o desenvolvimento de certas capacidades, mas não se pode iniciá-lo numa vida inteiramente diversa: pouco aprende o animal além do que poderia aprender sozinho. Quando muito, através do condicionamento, podemos treiná-lo em algo que nada acrescente à essência de sua natureza.
No homem, a educação cria um ser novo – o Ser Social. Afinal .... o homem só se torna humano em sociedade.”
Fonte: Della Torre; M.B . O Homem e a Sociedade, 1997, cap. 12 p. 229.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Um homem sem sorte


Vivia perto de uma aldeia um homem, um homem que era completamente sem sorte. Nada do que ele fazia dava certo. Muitas vezes ele plantava sementes e o vento vinha e as levava, outras vezes, era a chuva, que vinha tão violenta e carregava as sementes. Outras vezes ainda, as sementes permaneciam sob a terra, mas o sol, era tão quente, que as cozinhava. E ele se queixava com as pessoas e as pessoas escutavam suas queixas, da primeira vez com simpatia, depois com um certo desconforto e enfim quando o viam mudavam de caminho, ou entravam para dentro de suas casas fechando portas e janelas, evitando-o.
Então além de sem sorte, o homem se tornou chato e muito só. Ele começou a querer achar um culpado para o que acontecia com ele. Analisando a situação de sua família percebeu que seu pai era um homem de sorte, sua mãe, esta tinha sorte por ter se casado com seu pai, e seus irmãos eram muito bem sucedidos, pois então, se não era um caso genético, só poderia ser coisa do Criador. E depois de muito pensar resolveu tomar uma atitude e ir até o fim do mundo falar com o Criador, que como Criador de tudo, deveria ter uma resposta.
Arrumou sua malinha, algum alimento e partiu rumo ao fim do mundo. Andou um dia, um mês, um ano e um dia, e pouco antes de entrar numa grande floresta ouviu uma voz: - Moço, me ajude. Ele então olhou para os lados procurando alguém. Até que se deparou com um lobo, magro, quase sem pelos, era pele e osso o infeliz. Dava para contar suas costelas.
Ele falou: - Há três meses estou nesta situação. Não sei o que está acontecendo comigo. Não tenho forças para me levantar daqui.
O homem refeito do susto respondeu: - Você está se queixando a toa... Eu tive azar a vida inteira. O que são três meses? Mas faça como eu. Procure uma resposta. Eu estou indo procurar o Criador para resolver o meu problema. - Se eu não tenho forças nem para ir ao rio beber água... Faça este favor para mim. Você está indo vê-lo, pergunte o que está acontecendo comigo.
O homem fez um sinal de insatisfação e disse que estava muito preocupado com seu problema, mas se lembrasse, perguntaria. Virando as costas, continuou seu caminho. Andou um dia, um mês, um ano e um dia e de repente, ao tropeçar numa raiz, ouviu:
- Moço, cuidado.
E quando olhou, viu uma folhinha que vinha caindo, caindo; Olhando para cima, viu a árvore com apenas duas folhinhas. Levantou-se e observando suas raízes desenterradas, seus galhos retorcidos, sua casca soltando-se do tronco, falou:
- Você não se envergonha? Olhe as outras árvores a sua volta e diga se você pode ser chamada de árvore? Conserte sua postura.
A árvore, com uma voz de muita dor, disse:
- Não sei o que está acontecendo comigo. Estou me sentindo tão doente. Há seis meses que minhas folhas estão caindo, e agora, como vês, só restam duas...
E, no fim de uma conversa, pediu ao homem que procurasse uma solução com o Criador. Contrariado, o homem virou as costas com mais uma incumbência.
Andou um dia, um mês, um ano e um dia e chegou a um vale muito florido, com flores de todas as cores e perfumes. Mas o homem não reparou nisto. Chegou até uma casa e na frente da casa estava uma moça muito bonita que o convidou a entrar. Eles conversaram longamente e quando o homem deu por si já era madrugada. Ele se levantou dizendo que não podia perder tempo e quando já estava saindo ela lhe pediu um favor:
- Você que vai procurar o Criador, podia perguntar uma coisa para mim? É que de vez em quando sinto um vazio no peito, que não tem motivo, nem explicação. Gostaria de saber o que é e o que posso fazer por isto.
O homem prometeu que perguntaria e virou as costas e andou um dia, um mês, um ano e um dia e chegou por fim ao fim do mundo. Sentou-se e ficou esperando até que ouviu uma voz. E uma voz no fim do mundo, só podia ser a voz do criador...
- Tenho muitos nomes. Chamam-me também de Criador...
E o homem contou então toda a sua triste vida. Conversou longamente com a voz até que se levantou e virando as costas foi saindo, quando a voz lhe perguntou:
- Você não está se esquecendo de nada? Não ficou de saber respostas para uma árvore, para um lobo e para uma jovem?
- Tem razão...
E voltou-se para ouvir o que tinha que ser dito. Depois de um tempinho virou-se e correu... mais rápido que o vento até que chegou na casa da jovem. Como ela estava em frente à casa, vendo-o passar chamou:
- Ei!!! Você conseguiu encontrar o Criador? Teve as respostas que queria?
- Sim!!! Claro! O Criador disse que minha sorte está há muito no mundo. Basta ficar alerta para perceber a hora de apanhá-la!
- E quanto a mim, você teve a chance de fazer a minha pergunta?
- Ah! O Criador disse que o que você sente é solidão. Assim que encontrar um companheiro vai ser completamente feliz, e mais feliz ainda vai ser o seu companheiro.
A jovem então abriu um sorriso e perguntou ao homem se ele queria ser este companheiro.
- Claro que não... Já trouxe a sua resposta... Não posso ficar aqui perdendo tempo com você. Não foi para ficar aqui que fiz toda esta jornada. Adeus!!!
Virando as costas, correu mais rápido do que a água, até a floresta onde estava a árvore. Ele nem se lembrava dela. Mas quando novamente tropeçou em sua raiz, viu caindo uma última folhinha. Ela perguntou se ele tinha uma resposta, ao que o homem respondeu:
- Tenho muita pressa e vou ser breve, pois estou indo em busca de minha sorte, e ela está no mundo. O Criador disse que você tem embaixo de suas raízes uma caixa de ferro cheia de moedas de ouro. O ferro desta caixa está corroendo suas raízes. Se você cavar e tirar este tesouro daí vai terminar todo o seu sofrimento e você vai poder virar uma árvore saudável novamente.
- Por favor!!! Faça isto por mim!!! Você pode ficar com o tesouro. Ele não serve para mim. Eu só quero de novo minha força e energia.
O homem deu um pulo e falou indignado: - Você está me achando com cara de quê? Já trouxe a resposta para você. Agora resolva o seu problema. O Criador falou que minha sorte está no mundo e eu não posso perder tempo aqui conversando com você, muito menos sujando minhas mãos na terra.
Virando as costas correu, mais rápido do que a luz, atravessou a floresta, e chegou onde estava o lobo, mais magro ainda e mais fraco. O homem se dirigiu a ele apressadamente e disse:
- O Criador mandou lhe falar que você não está doente. O que você tem é fome. Está a morrer de inanição, e como não tem forças mais para sair e caçar, vai morrer aí mesmo. A não ser, que passe por aqui uma criatura bastante estúpida, e você consiga comê-la.
Nesse momento, os olhos do lobo se encheram de um brilho estranho, e reunindo o restante de suas forças, o lobo deu um pulo e comeu o homem "sem sorte".
"SOMOS O QUE FAZEMOS, MAS SOMOS PRINCIPALMENTE O QUE FAZEMOS PARA MUDAR O QUE SOMOS".
Texto recebido por email, sem a citação da autoria.

sábado, 13 de setembro de 2008

Platão

Platão: importante filósofo grego da antiguidade
Este importante filósofo grego nasceu em Atenas, provavelmente em 427 a.C. e morreu em 347 a.C. É considerado um dos principais pensadores gregos, pois influenciou profundamente a filosofia ocidental. Suas idéias baseiam-se na diferenciação do mundo entre as coisas sensíveis (mundo das idéias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e a matéria).
Filho de uma família de aristocratas, começou seus trabalhos filosóficos após estabelecer contato com outro importante pensador grego: Sócrates. Platão torna-se seguidor e discípulo de Sócrates. Em 387 a.C, fundou a Academia, uma escola de filosofia com o propósito de recuperar e desenvolver as idéias e pensamentos socráticos. Convidado pelo rei Dionísio, passa um bom tempo em Siracusa, ensinando filosofia na corte. Ao voltar para Atenas, passa a administrar e comandar a Academia, destinando mais energia no estudo e na pesquisa em diversas áreas do conhecimento: ciências, matemática, retórica (arte de falar em público), além da filosofia. Suas obras mais importantes e conhecidas são: Apologia de Sócrates, em que valoriza os pensamentos do mestre; O Banquete, fala sobre o amor de uma forma dialética; e A República, em que analisa a política grega, a ética, o funcionamento das cidades, a cidadania e questões sobre a imortalidade da alma.
Idéias de Platão para a educação:
Platão valorizava os métodos de debate e conversação como formas de alcançar o conhecimento. De acordo com Platão, os alunos deveriam descobrir as coisas superando os problemas impostos pela vida. A educação deveria funcionar como forma de desenvolver o homem moral. A educação deveria dedicar esforços para o desenvolvimento intelectual e físico dos alunos. Aulas de retórica, debates, educação musical, geometria, astronomia e educação militar. Para os alunos de classes menos favorecidas, Platão dizia que deveriam buscar em trabalho a partir dos 13 anos de idade. Afirmava também que a educação da mulher deveria ser a mesma educação aplicada aos homens.
Frases de Platão:
"O belo é o esplendor da verdade".
"O que mais vale não é viver, mas viver bem".
"Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".
"O amor é uma perigosa doença mental".
"Praticar injustiças é pior que sofrê-las".
"A harmonia se consegue através da virtude".
"Teme a velhice, pois ela nunca vem só".
"A educação deve possibitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter".
Fonte:
http://www.suapesquisa.com/platao/

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Altruísmo é do bem. Generosidade é do mal

Flávio Gikovate

Penso cada vez mais na importância capital das definições rigorosas. Palavras usadas com duplo sentido, expressões que não são muito bem explicadas, tudo pode prestar enorme desserviço, contribuindo para aumentar a confusão que naturalmente existe quando tratamos de temas complexos e que têm a ver conosco mesmos. Isso sem falar daqueles que, de má-fé, gostam das palavras que têm mais de um sentido, pois elas se prestam muito bem a enganar os interlocutores.

Muitas vezes me perguntam o seguinte: quando uma pessoa age de forma egoísta nas relações domésticas, mas é muito generosa com os amigos e colegas de trabalho, como ela deve ser vista? Como essencialmente egoísta ou generosa? Respondo sempre que o que vale mesmo é a conduta íntima, dentro de casa. O generoso é o mais tolerante, mais dedicado e amoroso nas relações conjugais, com os pais e filhos, como as pessoas que moram ou trabalham com ele. Nem sempre é tão dedicado aos estranhos e, como regra, tem poucos amigos.

O egoísta é agressivo, cobrador e exigente nas suas relações íntimas, especialmente naquelas de caráter conjugal; espera receber mais do que dá e se revolta muito quando não é correspondido em suas expectativas. Em situações sociais, gosta muito de se comportar de forma generosa: é dedicado aos amigos (em geral muitos, com os quais o trato é um tanto superficial) e costuma ser muito prestativo quando alguém está doente e precisando de ajuda (talvez nestas condições possa exercer o papel generoso que tanto admira, além de não padecer de inveja daquele que está precisando tanto de ajuda).

Quando, há décadas, afirmava que a generosidade não é virtude e que ela está a serviço da vaidade, da dominação e de vitória no jogo de poder típico das relações íntimas, encontrava sempre grande oposição e revolta. A indignação era grande, já que crescemos dominados pela crença de que se trata de grande qualidade moral, sinal de força e desprendimento. Acho que só comecei a ser melhor entendido quando, tratando das relações afetivas mais íntimas, pude demonstrar que a generosidade e o egoísmo formam uma dupla em que um não é melhor do que o outro a não ser pelo fato do generoso ter como dar mais.

Se o egoísmo é do mal, então a generosidade também o é. Sim, porque um alimenta e reforça o outro: não pode existir o egoísta sem o generoso disposto a lhe prover. Se a generosidade acabasse, acabaria imediatamente o egoísmo! Ao mesmo tempo, o generoso precisa do egoísta, porque senão não terá sobre quem exercer sua superioridade. Não é possível pensar em uma virtude (que seria a generosidade) capaz de alimentar um vício (o egoísmo). Assim, só podemos pensar que ambos fazem parte da mesma categoria, os do mal.

Neste ponto da minha argumentação, ouço o comentário certeiro: mas toda ação dedicada ao outro é do mal? Não existem atitudes realmente desinteressadas, que não têm nada a ver com o desejo de dominar, diminuir a própria insegurança e alimentar a vaidade? Existem sim. Acho essencial afirmar que elas devem ser imediatamente distinguidas da “generosidade” social dos egoístas, pois estes aproveitam uma eventual condição de superioridade para exercer sua vaidade, ganhar admiradores indevidos e fazer propaganda enganosa de si mesmos.

Um ato genuíno de dedicação a terceiros deve, a meu ver, ser conhecido por outro nome que não aquele que usamos para a dedicação sincera e duvidosa dos generosos a seus entes queridos. Penso que o melhor aqui é chamar esta ação, genuinamente do bem, de altruísmo, que passaria a ser definido como a dedicação realmente desinteressada a pessoas, grupos ou instituições. O altruísmo implica, como regra, em atividades exercidas de forma anônima, direcionadas para pessoas que não conhecemos (ou com quem não temos contato social regular e nem segundas intenções) e que receberão nossa colaboração de uma maneira que não as humilha e que certamente será de grande valia para o seu cotidiano.

Altruísmo é o nome que define nossa participação em ações sociais de todo o tipo. Pode ser exercido por meio de doações de uma parcela dos nossos rendimentos, pode se dar por meio de trabalho voluntário em hospitais, comunidades carentes etc. Pode se exercer por meio da ação política realmente desinteressada e despojada de vaidade (como é raro!).

Na generosidade, muitas vezes a intenção é boa, mas os efeitos são nefastos: quando o pai, pretendendo agradar seu filho, dedica-se demais a ele, o protege para além do essencial, poderá causar um grande dano, enfraquecendo-o e tornando-o despreparado para enfrentar as adversidades da vida. A verdade é que temos de abandonar de vez a idéia de que as intenções valem alguma coisa. O que interessa mesmo é o efeito que elas irão provocar sobre os “beneficiários” de uma dada ação.

Quando pensamos no altruísmo, a intenção é boa e os efeitos são sempre positivos, já que não existe o risco do benefício determinar o enfraquecimento daquele que recebe (excluído, é claro, o caso de esmolas dadas a esmo e que, como regra, estão mesmo é a serviço de aplacar os sentimentos de culpa de quem dá). No altruísmo, aquele que recebe se beneficia e o uso positivo daquilo que recebe pode lhe ajudar a recuperar a saúde, a aprender mais ou recuperar uma vida digna de trabalho. Aquele que ajuda pode experimentar um grande prazer por ter dado algo de si, por ter sido realmente útil. Pode, com propriedade, experimentar o genuíno prazer de dar, já que não existe o risco de prejudicar aquele que recebe. Neste caso, e só nesse, cabe a máxima franciscana de que “é dando que se recebe”.

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