sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Um dia com o mínimo possível de água


Um dia com o mínimo possível de água: você conseguiria?
O balde cheio d'água dançava em minhas mãos. Levantei com dificuldade e despejei uma boa parte sobre a cabeça. Dever cumprido, um banho digno. E ainda restava um fiozinho de água para terminar o dia.

O sacrifício de tomar banho a baldes de água fria foi movido por um desafio: passar um dia completo com apenas 20 litros de água.

A quantidade, definida por normas internacionais da Organização Mundial de Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), é o mínimo de que o ser humano precisa para preservar seu bem-estar físico e dignidade referente à higiene pessoal. Na prática, porém, a história é outra.

Enquanto eu controlava um dos últimos baldes da minha cota diária, um norte-americano acionava mais uma vez o botão da descarga, em seu apartamento em Manhattan. Ao final do dia, ele terá gasto 50 litros gastos só com descarga - dois dias e meio do meu desafio indo ralo abaixo!

O gasto do cidadão norte-americano médio é de incríveis 575 litros de água por dia, segundo informa o Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), de 2006, que trata da escassez de água. A média européia fica entre 200 e 300 litros e, aqui no Brasil, gastamos, em média, 180 litros.

A situação na África Subsariana, claro, é bem diferente. Em Moçambique, a população tem acesso a menos de 10 litros diariamente. No Quênia, as pessoas precisam andar quilômetros para conseguir de 12 a 14 litros ao dia. Em época de seca, quando os rios encolhem, esse número cai bastante.

A falta de água é problema sério em um planeta sedento e desigual. Ao fim do dia do meu desafio, 4.900 crianças menores de 5 anos morreram de diarreia no Quênia. A doença, segunda maior assassina de crianças em todo mundo, tira a vida de 112 bebês quenianos a cada mil que nascem.

A relação acesso à água e doenças é bastante clara. "Com o aumento da oferta de água no Nordeste brasileiro, a mortalidade infantil caiu drasticamente na região", confirmou o coordenador de Ciências Naturais da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco/Brasil), Celso Schenkel. Segundo ele, 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo ainda não contam com o fornecimento de água potável e estão sujeitas a enfrentar doenças mortais ou viver sem a dignidade de um banho.

Pensei nisso ao enfrentar 24 horas com meros 20 litros de água. Separei minha cota em um engradado, para ter o controle exato. Reservei em uma garrafa pet dois litros exclusivos para minha hidratação e fui à luta.
(Fonte: Murilo Alves Pereira/ UOL Notícias)

Fonte: Ambiente Brasil, Brasília, DF - 08 01 2009
Site: www.ambientebrasil.com.br
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dê o melhor de si - sempre alguém irá notar


Tenho recebido inúmeras mensagens de pessoas que me escrevem comentando sobre meus textos e meus artigos. Uma dessas mensagens me chamou muito a atenção e eu a transcrevo abaixo, pois sempre que ministro uma palestra sobre o significado do trabalho e sobre a atitude no trabalho falo sobre esse tema.
Há funcionários que por acharem que ganham mal, trabalham mal. Eu ganho pouco e vou fazer pouco. Mas há outros que mesmo ganhando pouco fazem muito, fazem bem feito. Não fazem pelo salário que ganham, mas fazem pelo prazer, pela alegria de servir e porque querem crescer, e para esses sempre aparecem às oportunidades, pois sempre alguém lhes observa. QUEM GANHA POUCO, DEVE SE ESFORÇAR MAIS AINDA, pois alguém irá notar o seu esforço.
É sobre isso que trata a história abaixo. Leia e passe para seus colegas. Vale a pena.
Numa noite tempestuosa, há muitos anos atrás, um senhor idoso e sua esposa entraram no saguão de um pequeno hotel em Filadélfia. O homem levou a esposa até uma poltrona, e depois se dirigiu à recepção. Por favor, vocês teriam um lugar para nós?
Todos os grandes hotéis da cidade estão cheios. O funcionário explicou que, como se realizavam três convenções na cidade, não havia nenhum quarto disponível em nenhum lugar. Todos os nossos quartos também estão cheios - disse ele. Todavia, não posso deixar um casal simpático como vocês sair na chuva a uma da manhã. Estariam dispostos a dormir no meu quarto? O homem replicou que não gostaria de privá-lo de seu quarto, mas o recepcionista insistiu: Não se preocupe, eu me arranjo.
Na manhã seguinte, ao pagar a conta, o velho disse ao rapaz: Você é o tipo de pessoa que deveria gerenciar o melhor hotel do país. Talvez um dia eu construa um para você. O rapaz olhou para o casal, e sorriu. Os três acabaram rindo e muito. A seguir, ele os ajudou a levar as malas até a rua.
Dois anos se passaram, e o recepcionista já se esquecera do incidente, quando recebeu uma carta daquele senhor. Nela ele relembrava a noite de tempestade, e incluía uma passagem de ida e volta à Nova Iorque. Quando o moço chegou à Nova Iorque, o homem levou-o à esquina da Quinta Avenida com a rua Trinta e Quatro, e apontou para um enorme prédio, um verdadeiro palácio de pedras avermelhadas com torres e vigias, como um castelo de fadas elevando-se até o céu. Esse - disse o homem - é o hotel que acabei de construir para você tomar conta. - O senhor deve estar brincando - falou o jovem, sem saber se devia ou não acreditar nas palavras do outro.
- Não estou brincando não - respondeu o outro com um sorriso travesso. - Afinal de contas, quem é o senhor?
Meu nome é William Waldorf Astor. Estamos dando ao hotel o nome de Waldorf Astoria, e você vai ser seu primeiro gerente. O nome do rapaz era George C. Boldt, e essa é a história de como ele saiu de um pequeno e medíocre hotel em Filadélfia, para tornar-se gerente do que era então o hotel mais fino do mundo. Astor sabia que a bondade demonstrada por Boldt fora espontânea, sem pensar em tirar qualquer proveito dela, e por isso teve início uma amizade que superou todas as barreiras de status social e financeiro.
O recepcionista – que certamente recebia apenas um modesto ordenado – decidiu ajudar um estranho por perceber a sua real necessidade. Mal sabia ele que estava cedendo seu quarto ao homem mais rico dos Estados Unidos. Ele poderia muito bem ser apenas mais um homem de negócios, à procura de um quarto naquela noite tempestuosa e fria. Por outro lado, aquela semente de amizade, uma vez plantada, germinou para o recepcionista na forma de um cargo muito superior e de maior prosperidade financeira.
Se você prezado amigo fosse o recepcionista desse hotel, como teria atendido esse Senhor? De cem funcionários quantos fariam como ele fez?
Pense nisso e dê sempre o melhor de si em qualquer trabalho que você fizer. Alguém com certeza irá notar.

Um abraço.

Adroaldo Lamaison
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ocorrido num vôo da British Airways(rn)


Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo. 'Qual o problema, senhora'? Perguntou a comissária. 'Não está vendo? - respondeu a senhora - 'Vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. 'Você precisa me dar outra cadeira'. 'Por favor, acalme-se' - disse a aeromoça - 'Infelizmente, todos os lugares estão ocupados, porém vou ver se ainda temos algum disponível'.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.. 'Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar, mesmo. Temos apenas um lugar na primeira classe'.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua: 'Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável'.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu: 'Portanto, senhor, caso queira, por favor pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...'
E todos os passageiros próximos, que, estupefatos, assistiam à cena começaram a aplaudir, alguns de pé.
Texto recebido via email, sem a citação de autoria.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A opinião que falta


A extradição de Cesare Battisti transformou-se em mais uma daquelas comédias macunaímicas tão brasileiras. Para quem não acompanhou, um resumo.
Cesare Battisti é um italiano que durante os anos setenta participou de um grupo de esquerda (Proletários Armados pelo Comunismo) praticando atos terroristas na Itália. Cesare foi preso, mas escapou da cadeia e foi para a França onde durante alguns anos recebeu refúgio de François Mitterrand, presidente de orientação socialista que protegeu ativistas de esquerda em território francês. Na Itália - mesmo sem sua presença - foi julgado e condenado a prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas. Quando o regime francês mudou, Cesare fugiu para o Brasil. Em 2007 foi preso no Rio de Janeiro. A Itália pediu sua extradição e nosso Comitê Nacional para os Refugiados rejeitou por três votos a dois o pedido de refúgio político do italiano, que recorreu ao Ministro da Justiça Tarso Genro. Tarso concedeu-lhe refúgio dizendo que estudou o caso e viu vestígios de perseguição política. A Itália ficou indignada e chamou de volta seu embaixador, caracterizando uma crise diplomática. O caso será examinado pelo Supremo Tribunal Federal que ratificará ou não a decisão do ministro.
Em meio ao tiroteio, toneladas de informações - acusando ou defendendo o italiano - circulam pela internet tornando praticamente impossível estabelecer uma idéia clara do caso. Foram ouvidos amigos, inimigos, intelectuais, políticos, testemunhas e centenas de pessoas. E não se chega a uma conclusão.
Afinal, o Brasil deve extraditar Battisti ou não?
Sugiro que sejam ouvidas as opiniões de alguns italianos que conhecem bem o caso: um policial chamado Andrea Campagna, um joalheiro chamado Pierluigi Torregiani, um comerciante chamado Lino Sabbadin e Antonio Santoro, um agente penitenciário. Que seja perguntado a eles se um assassinato por motivações políticas deve ser tratado de forma diferente de um assassinato comum. Aposto que eles seriam unânimes em dizer que sob seu ponto de vista não faz nenhuma diferença a motivação para o assassinato.
De todas as opiniões, as desses quatro são as mais importantes. São as opiniões que faltam. Os juristas enrolam-se nos meandros das leis, os políticos em interesses de poder, os intelectuais em confusões ideológicas, os jornalistas na ignorância e sede pela audiência. Mas esses quatro italianos usariam um recurso que só eles têm: a experiência própria.
Andrea, Pierluigi, Lino e Santoro são os quatro que Battisti matou ou mandou matar. Para quem está enterrado - assim como para seus familiares - não faz diferença a motivação. A vida foi tirada, acabou, não tem volta.
Podemos argumentar sobre crimes políticos ou comuns que nos privam de objetos, bens, oportunidades ou direitos. Podemos argumentar sobre crimes que nos atacam a honra e a dignidade. Mas crimes que privam a vida - exceto em casos de legítima defesa - não permitem argumentação. São assassinatos, a maior indignidade que se pode cometer contra um ser humano.
Crimes políticos devem ser tratados de forma diferente dos crimes comuns, sim senhor.
Mas só até o primeiro cadáver.
Autor: Luciano Pires
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