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terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Antiga Religião Egípcia


A primeira característica que lembramos ao pensar na religião egípcia é a crença em vários deuses. Contudo, o pensamento religioso egípcio era muito mais complexo, pois as suas explicações, religiosas, filosóficas ou científicas, estavam baseadas no mito no qual os deuses eram os protagonistas. Os mitos buscavam fornecer a base do pensamento moral egípcio. Eles englobam a cosmogonia (gênese) e a cosmologia (funcionamento do universo). Assim, por exemplo, os ciclos da natureza, o poder faraônico e a concepção filosófica em relação à morte eram explicados pela mitologia.


Havia três escolas de pensamento que buscaram explicar a criação do mundo realizada pelos deuses. A escola de Hermópolis afirmava que no oceano cósmico (o Num) estavam oito divindades, organizadas em quatro casais, que representavam as potencialidades latentes nessas águas caóticas. O segundo mito, o de Heliópolis, foi o mais difundido ao longo do território egípcio. Neste, o deus Atum surgiu do oceano cósmico, criando outras divindades responsáveis pela ordenação das coisas, como os deuses: Shu (ar) e Tefnut (umidade), Geb (terra) e Nut (céu), que deram origem aos primeiros deuses que vieram habitar a terra (Egito). Por fim, há o mito da cidade de Mênfis, no qual o deus criador é Ptah (divindade padroeira do local), que através do verbo criou os outros deuses e as coisas.

Os deuses eram representados pelos egípcios de três maneiras: antropomórfica (forma humana), antropozoomórfica (forma humana e animal) e zoomorfa (forma de animal). A forma do deus estava relacionada ao modo como os egípcios associavam o significado da divindade. Eles acreditavam que não tinham acesso à real forma dos deuses, assim como não sabiam o verdadeiro nome da divindade. Para eles os deuses possuíam vários nomes, para ocultar o seu verdadeiro, pois aquele que soubesse o exato nome divino poderia ter acesso aos poderes do deus.

O culto oficial e diário às divindades deveria ser dirigido pelo faraó. Mas, como havia templos dedicados às divindades locais em cada cidade egípcia, o governante elegia sacerdotes que, representando o Estado egípcio, conduziam o rito.

O ritual que era realizado todos os dias, próximo ao horário do nascer do sol, servia para manter a ordem do mundo criado pelos deuses. Esse rito estava relacionado aos cuidados junto à estátua do deus a que o templo era dedicado. Eram oferecidos alimentos à divindade, incensos eram queimados, além de cuidados físicos com a estátua divina.

A população em geral não tinha acesso ao interior do templo. Apenas o faraó, os sacerdotes e outras autoridades podiam ter acesso ao seu interior. A sala mais escura do local, chamada de “santo dos santos”, onde ficava o tabernáculo com a imagem do deus, era acessada apenas por um único sacerdote, no momento do rito diário, sendo que o deus não era perturbado no restante do dia.

No Antigo Egito, além do culto religioso oficial praticado nos templos, havia diversas manifestações religiosas populares, que variavam conforme o deus de cada localidade. A exemplo dos festejos populares realizados no Antigo Egito, podemos destacar a Festa de Opet, uma cerimônia realizada anualmente pelos antigos egípcios. Esta festa consistia em levar em uma barca a imagem do deus Amon, do templo de Karnak até o templo vizinho de Luxor, acompanhada com muita música e dança. Eram em procissões como esta que o povo poderia manter contato com a imagem do deus festejado.

A partir do Reino Novo tornou-se comum a prática de dedicar a uma divindade a múmia de um animal que fosse relacionado a ela. Assim, durante as festas religiosas inúmeros animais eram mortos e embalsamados, como as íbis, que eram dedicadas ao deus Toth, gatos, dedicados à deusa Bastet, falcões, dedicados ao deus Hórus, entre outros.
Pouco se sabe como a religião era sentida e conduzida pelas camadas populares, pois a maior parte dos registros provém dos documentos produzidos pela elite. Contudo, sabe-se que havia pequenas capelas ou santuários nas casas dos egípcios. Geralmente, as divindades representadas nestas capelas variavam de acordo com o deus padroeiro de cada região do Egito.

A compreensão da religião egípcia nos ajuda a refletir sobre como os antigos habitantes da terra dos faraós pensavam o seu mundo. Não há como estudá-los sem conhecer a sua religião, visto que sua crença estava presente em todos os momentos de suas vidas. 

Original no site da AMORC: http://www.amorc.org.br/destaque_cca.html

sábado, 1 de maio de 2010

Os donos da verdade

Por João Montenegro em 03/03/2010

Em entrevista coletiva realizada durante a FLIP – 2009 (Festa Literária Internacional de Paraty – RJ), Richard Dawkins, o polêmico biólogo autor de “Deus, um delírio”, fez uma declaração que, em outros tempos, poderia render-lhe uma execução por blasfêmia:

“Não existem crianças católicas. Existem crianças com pais católicos”.

A frase proferida pelo cientista concluía o argumento de que crianças não têm o discernimento necessário para decidir ou optar por seguir determinada religião ou doutrina. Para complementar, Dawkins ainda afirmou que jamais diria para seus filhos não acreditarem em Deus – o que, no mínimo, iria de encontro a suas próprias ideias.

Trata-se de um argumento pertinente, muito embora tal linha de raciocínio o tenha levado, na mesma entrevista, a cair, de certa maneira, no dogmatismo que ele mesmo combate em sua crítica às religiões. Pois, logo em seguida, o cientista afirmou que, se fosse ensinar algo a seus filhos, lhes diria que “a evidência é a única boa razão para se acreditar em algo”. Ora, o conceito de evidência remete à verdade científica; àquilo que é comprovado cientificamente. Portanto, ainda que seja compreensível o fato de Dawkins procurar tomar uma posição perante seus filhos, ele não deixa de estar doutrinando-os de acordo com o que acredita, segundo um padrão determinado de apreensão da realidade.

A ciência também doutrina

Pode parecer estranho dizer isso em pleno século 21, quando grande parte do “desenvolvimento” da humanidade se deve à evolução da ciência e tecnologia, mas é preciso ter em mente que a Ciência (sic) é também uma espécie de doutrina. Ela não escapa ao âmbito da linguagem e está, portanto, inserida na cultura, sendo produto das idéias de homens e mulheres com base em conceitos e princípios construídos dentro de seus próprios limites disciplinares.

Está certo que o método científico foi capaz de provar diversas teorias e, por meio de experimentos controlados, permitir à humanidade compreender fenômenos naturais e desapegar-se, desse modo, das visões míticas a respeito das misteriosas dinâmicas do planeta. No entanto, ainda assim, tais comprovações não partem de um princípio ulterior, isto é, de uma verdade absoluta e indiscutível que vem de cima ou de caráter ahistórico, mas de princípios baseados nos próprios conceitos e metodologias científicas.

Dito isso, vale fazer dois comentários acerca da Ciência: primeiro, é preciso dizer que a Ciência não é mais que um paradigma; um modo específico de compreensão da realidade que gera modelos analíticos para apreendê-la, procurando reduzir seus enunciados à linguagem matemática, como fazem a física e mesmo a biologia. Sendo assim, a Ciência consiste numa ordem discursiva específica, na qual há momentos, lugares, contextos e formas determinadas para se falar ou discutir a respeito de certos assuntos. Michel Foucault possivelmente concordaria com o fato de que Ciência é um grande “sistema de exclusão”, assim como o são as disciplinas, que não aceitam uma ou outra premissa e fazem uso de certas expressões e princípios, recusando outros que não se enquadram em seu modus operandi.

O segundo comentário ressalta um aspecto positivo da Ciência e é um tanto crítico à Religião: embora possa ser tachada de doutrina, a Ciência, ao contrário das religiões, costuma estar aberta a discutir aquilo mesmo que já foi provado no passado, situando-se, por isso, num patamar mais “democrático” que as religiões. A Ciência procura fugir dos dogmas e da própria verdade absoluta, embora seu objetivo seja sempre chegar a essa verdade. Sua virtude, portanto, reside na capacidade de contestar suas próprias afirmações.

Religiões são menos flexíveis

Já as religiões, embora tenham também certo grau de abertura para discutir certas questões – chegando a reformular, por vezes, algumas de suas visões –, são mais engessadas do que Ciência, pois buscam a verdade pela revelação e fé, ao passo que a filosofia, o faz pela razão e argumentação, e a ciência, pelo método científico (ou “racionalidade compactada”). É impossível prosseguir com qualquer discussão quando um padre ou seguidor qualquer argumentam que “isso é verdade e deve ser respeitado porque Deus assim determinou”. E é exatamente esse aspecto que motivou a fala de Dawkins no que se refere ao trato com as crianças, uma vez que a Religião doutrina com muito menos flexibilidade e abertura do que a Ciência.

O remédio para esse impasse – “Religião ou Ciência como detentores da verdade?” – não é necessariamente recorrer ao fundamento iluminista, que associa a primeira à escuridão e, a última, à luz. Ambos os paradigmas podem levar a concepções equivocadas e limitadoras, bem como a revelações úteis e salutares à humanidade. O que se mostra fundamental é que tanto a Ciência quanto a Religião devem ser entendidas como produto da intervenção humana no mundo e não como recintos da verdade universal, advinda de um princípio apriorístico, metalingüístico ou metafísico.

O argumento de Dawkins é, sem dúvida, válido e digno de reflexão. No entanto, além de tê-lo conduzido para o mesmo buraco de onde pretende tirar boa parte da humanidade (a porção não-ateia, pelo menos), sua fala parece desconsiderar que qualquer um de nós, desde o nascimento, já é impregnado cultural e socialmente. E nem por isso deixamos de ter nossa própria singularidade. Tampouco somos impedidos de fazer nossas próprias escolhas e, muito menos, vemos mitigado nosso potencial subjetivo.
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Original no blog: http://www.consciencia.net/?p=4487
Capturado em 05/03/2010

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O diálogo


Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama.
Leonardo Boff explica: "No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s the best religion?)
Esperava que ele dissesse: "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo." O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou:
- "A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito". É aquela que te faz melhor."
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
- "O que me faz melhor?"
Respondeu ele:
-"Aquilo que te faz mais compassivo" (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético...A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável...
Recebi por e-mail tal qual...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Amit Goswami


Amit Goswami é um físico nuclear indiano que tem buscado - por meios acadêmicos - traçar uma ponte entre a ciência (mais especificamente a física quântica) e a espiritualidade. É PHD em física quântica e professor titular de física da Universidade de Oregon. Já foi rotulado de místico, pela comunidade científica, e acabou acalmando os críticos através de várias publicações técnicas a respeito de suas idéias. No seu livro O universo autoconsciente - publicado no Brasil - ele procura demonstrar que o Universo é matematicamente inconsistente sem a existência de um conjunto superior - no caso, Deus. E diz que, se esses estudos se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio Deus será objeto de ciência, e não mais de religião.
Sua clássica entrevista no programa Roda vida (que pode ser lida na íntegra aqui) é de deixar qualquer fã de esoterismo babando, e qualquer cético abalado em seus fundamentos. Em um trecho ele narra alguma experiências que mostram a possibilidade de comunicação direta entre mentes, monitoradas por cientistas, de pessoas que costuma meditar juntas. Em outro mostra o poder da mente influindo na matéria, que é algo que a física quântica já leva em conta em suas "teorias malucas". Vamos ao trecho:
"Considere o caso de geradores de números aleatórios. Eles são realmente aparelhos quânticos, pois eles pegam eventos radiativos, que são aleatórios, e os convertem em seqüências de números, seqüências de zeros e uns. Em uma longa cadeia, deve haver número igual de zeros e uns (é o que se espera da sequência aleatória). O físico Helmut Schmidt tenta há quase 20 anos fazer com que médiuns influenciem os geradores de números aleatórios para gerarem sequências não-aleatórias, mais zeros que uns. E ao longo dos anos ele conseguiu boas evidências de que, até certo ponto, os médiuns conseguem fazer isso. Um resultado com um grande desvio. Recentemente, em um trabalho publicado em 1993, Schmidt retratou uma modificação revolucionária desses dados. Os dados do gerador de números aleatório (a sequência numérica), é armazenada num computador. Ela é impressa, mas ninguém olha. Os dados impressos são fechados num envelope e enviados para um observador independente. Três meses depois, o observador, sem abrir o envelope, escolhe o que quer ver, mais zeros ou mais uns. Tudo segue um critério. Então ele liga para o pesquisador, o pesquisador diz ao médium para olhar os dados, e pede a ele para mudar os resultados, influenciá-los, se puder. E o médium tenta produzir mais zeros, se esse for o desejo do observador. E então, o observador abre o envelope e verifica se o médium conseguiu. E a incrível conclusão é (é um resultado sério, não é fácil contestá-lo) que o médium, em 4 de cada 5 tentativas, consegue mudar os números aleatórios gerados pelo aparelho, mesmo após três meses. Este mito de que o pensamento causa o colapso de si mesmo, que o colapso é objetivo, sem que o observador consciente as veja, é apenas um mito. Nada acontece, tudo é uma possibilidade até que o observador consciente veja.
Mas, e se alguém tivesse visto os números antes? Numa experiência controlada, as pessoas intervieram. Elas viram - sem contar a ninguém - os dados, a impressão. Nesses casos, o médium não influenciou os dados. Está claro que a consciência exerce um efeito, exatamente como Bohr suspeitava, como Newman suspeitava. Isso é revolucionário, é novo e pode mudar, como já discutimos, as dificuldades com valores que a sociedade vem enfrentando. Não vamos nos preocupar em como pode ser, mas vamos olhar os dados, olhar a teoria e perguntar: pode ser? Se pode, que oportunidade fantástica temos para integrar todos esses movimentos díspares de consciência que nos separaram por tanto tempo."

sábado, 31 de janeiro de 2009

Declaração de Ética Mundial - parte III


II. O desafio básico: todo ser humano tem que ser tratado de forma humana
Somos todos pessoas falíveis e incompletas, com limitações e defeitos. Estamos cientes da realidade do mal. Justamente por isso,e em virtude do bem da humanidade, sentimo-nos comprometidos a expressar o que deveriam ser os elementos básicos de uma ética comum à humanidade – tanto para os indivíduos quanto para as comunidades e organizações, tanto para os Estados quanto para as religiões. Pois temos confiança: nossas tradições éticas e religiosas contêm elementos éticos o bastante, claros e vivíveis para todas as pessoas de boa vontade, religiosas ou não-religiosas.
Assim, estamos cientes de que nossas várias tradições religiosas e éticas fundamentam de forma muitas vezes diversa o que é benéfico ou prejudicial ao homem, o que é certo e errado, o que é bom e mau.
Não queremos obscurecer ou ignorar as diferenças profundas existentes entre cada uma das religiões. Mas tais diferenças não nos devem impedir de proclamar publicamente o que já temos em comum, nem as coisas com que já nos sentimos coletivamente comprometidos, com base nos respectivos fundamentos religiosos e éticos.
Estamos cientes de que as religiões não podem resolver os problemas ecológicos, econômicos, políticos e sociais desta Terra. É provável, porém, que elas possam alcançar o que planos econômicos, programas políticos ou regramentos jurídicos não podem alcançar por si sós: a atitude interior, a mentalidade como um todo, modificar justamente o “coração” da pessoa e mobilizá-la à “conversão”, ao abandono de um caminho errado para uma nova postura diante da vida. A humanidade certamente carece de reformas sociais e ecológicas, mas carece igualmente de renovação espiritual. Nós, como pessoas de orientação religiosa ou espiritual, queremos comprometer-nos de maneira especial com essa renovação – cientes de que as forças espirituais das religiões são capazes de proporcionar às pessoas, ao longo de suas vidas, uma confiança fundamental, um horizonte de sentido, parâmetros últimos e uma pátria espiritual. Por certo, as religiões só têm credibilidade para fazer tal coisa quando elas próprias suplantam os conflitos a que dão origem, quando superam reciprocamente a superioridade, a desconfiança, os preconceitos e imagens de hostilidade, e quando devotam respeito às tradições, aos santuários, festas e ritos das pessoas de credos diferentes.
Todos sabemos: em toda parte no mundo, hoje como ontem, seres humanos são tratados de forma desumana. São privados de suas chances de vida e de sua liberdade, seus direitos humanos são pisoteados, desconsidera-se sua dignidade humana. Mas poder não é o mesmo que Direito! Em face de toda desumanidade, nossas convicções religiosas e éticas exigem: todo ser humano tem que ser tratado de forma humana!
Ou seja: todo ser humano – sem distinção de idade, sexo, raça, cor, capacidade física ou intelectual, língua, religião, convicção política, origem nacional ou social – é dotado de uma dignidade intocável e inalienável. Todos, portanto, tanto o Estado como o indivíduo, estão obrigados a respeitar essa dignidade e garantir-lhe defesa efetiva.
Também na economia, na política e nos meios de comunicação, em institutos de pesquisa e em empreendimentos industriais, o ser humano deve ser sempre sujeito do Direito, e deve ser fim, jamais um mero meio, jamais um objeto de comercialização e industrialização. Ninguém está “além do bem e do mal”: nenhuma pessoa e nenhuma classe social, nenhum grupo de interesse, por mais influente que seja, e nenhum cartel de poder, nenhum aparato policial, nenhum exército e muito menos Estado algum. Ao contrário: todo ser humano, como ser dotado de razão e consciência moral, está obrigado a comportar-se de forma verdadeiramente humana, e a não se comportar de forma desumana; está obrigado a fazer o bem e não fazer o mal!
Nossa Declaração pretende elucidar o que isso quer dizer de forma concreta. Com vistas a uma nova ordem mundial, queremos trazer à memória normas éticas inamovíveis e incondicionais. Elas não devem representar amarras ou grilhões para o ser humano, mas auxílio e apoio para que ele sempre possa reencontrar e concretizar um direcionamento para a vida, valores, posturas e sentido para ela. Há um princípio, a regra de ouro presente e preservada há milênios em muitas tradições religiosas e éticas da humanidade: não faze a outrem o que não queres que te façam a ti. Ou, formulada de modo positivo: faze aos outros o que queres que te façam também a ti! Essa deveria ser a norma inamovível e incondicionada para todos os campos da vida, para a família e as comunidades, para as raças, nações e religiões.
Egoísmos de toda natureza são condenáveis – individuais ou coletivos, sob a forma de noções de classe, racismo, nacionalismo ou sexismo. Nós os condenamos, porque eles impedem a pessoa de ser verdadeiramente humana. Autodeterminação e auto-realização são inteiramente legítimas – desde que não se desvinculem da responsabilidade do ser humano por si mesmo e pelo mundo, da responsabilidade pelas demais pessoas e pelo planeta Terra.
Esse princípio inclui parâmetros muito concretos, aos quais nós, seres humanos, nos devemos ater. Dele decorrem quatro linhas mestras muito antigas, presentes na maioria das grandes religiões deste mundo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Declaração de Ética Mundial - parte VI


3. Compromisso com uma cultura da tolerância e uma vida de veracidade
Inúmeras pessoas, em todas as regiões e religiões, esforçam-se por viver também em nosso tempo uma vida de honestidade e veracidade. Ainda assim, há no mundo de hoje muito engodo e mentira, embuste e hipocrisia, ideologia e demagogia:
• políticos e homens de negócios que usam a mentira como instrumento de política e de êxito;
• meios de comunicação de massa que veiculam propaganda ideológica ao invés de informação veraz, que propagam desinformação e não informação, que rendem tributo a um cínico interesse comercial, ao invés de se manterem fiéis à verdade;
• cientistas e pesquisadores que se entregam a programas ideológicos ou políticos moralmente questionáveis ou a grupos de interesse econômico, e que justificam pesquisas lesivas a valores éticos fundamentais;
• representantes de religiões que degradam pessoas de outras religiões a uma condição de inferioridade e que propagam fanatismo e intolerância ao invés de respeito, compreensão mútua e tolerância.
A. Das grandes e antigas tradições éticas e religiosas da humanidade, porém, acolhemos o preceito: Não mentirás! Ou, dito de forma positiva: Fala e aje com veracidade! Recordemos uma vez mais as conseqüências desse antigo preceito: pessoa alguma, nem nenhuma instituição, estado, igreja ou comunidade religiosa têm o direito de dizer inverdades às pessoas.
B. Isso vale em especial:
• para os meios de comunicação de massa, aos quais felizmente se garante liberdade de informação, para que a verdade seja dita, e aos quais se atribui, portanto, em cada uma das sociedades, um posto de guarda: eles não estão acima da moral, mas permanecem comprometidos, em sua objetividade e honestidade, com a dignidade humana, os direitos humanos e os valores fundamentais. Eles não têm direito algum de invadir a esfera particular das pessoas, distorcer a realidade, nem manipular a opinião pública.
• para a arte, a literatura e a ciência, às quais se garante com razão a liberdade artística e acadêmica: elas não estão desvinculadas de parâmetros éticos gerais, mas devem se pôr a serviço da verdade.
• para os políticos e partidos políticos: se eles mentem descaradamente ao povo e tornam-se interna e externamente culpados pela manipulação da verdade, pela corrupção ou por uma política irrespeitosa de conquista do poder, põem em jogo a própria credibilidade e merecem a perda de seus postos e de seus eleitores.
Ao contrário, a opinião pública deve apoiar os políticos que ousam sempre dizer a verdade ao povo.
• finalmente, para os representantes das religiões: se eles incitam a preconceitos, ódio e hostilidade em relação a quem professa outras religiões, se apregoam o fanatismo, ou se até mesmo dão início ou legitimam guerras motivadas pela fé, então merecem condenação por parte dos seres humanos e a perda de seus seguidores.
Que ninguém se engane: não há paz mundial sem justiça mundial!
C. Por isso, os jovens já deveriam aprender na família e na escola a cultivar veracidade em seu pensamento, sua fala e sua ação. Todo ser humano tem direito à verdade e à veracidade. Tem o direito à informação e formação necessárias para poder tomar decisões fundamentais para sua vida. Sem uma orientação ética básica, a pessoa não logra distinguir entre o que seja importante ou desimportante. Em face da grande quantidade de informações com que a pessoa se defronta nos dias de hoje, parâmetros éticos podem prestar-lhe ajuda quando fatos estiverem sendo distorcidos, interesses, acobertados, quando certas tendências estiverem sendo cortejadas, ou opiniões sendo apresentadas como absolutas.
D. Ser verdadeiramente humano, no espírito de nossas grandes tradições religiosas e éticas, significa o seguinte:
• ao invés de confundir liberdade com arbitrariedade, e pluralismo com falta de critérios, fazer valer a verdade;
• ao invés de viver desonestidade, dissimulação e acomodação oportunista, cultivar o espírito de veracidade, também nas relações quotidianas de pessoa para pessoa;
• ao invés de divulgar meias verdades ideológicas ou partidárias, procurar sempre reiteradamente a verdade, em um espírito incorruptível de veracidade;
• ao invés de render tributo ao oportunismo, e uma vez conhecida a verdade, servi-la com confiança e constância.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A verdadeira capacidade espiritual está no coração e não no intelecto


por El Morya Luz da Consciência - nucleo.elmorya@terra.com.br
O sol não discrimina sobre quem brilhar, ele apenas brilha. A árvore não escolhe a quem dar sombra, ela apenas dá sombra. Do mesmo modo, não deveríamos desistir de nossas próprias qualidades devido a alguém que veio na nossa frente. Um bom rio é aquele que flui constantementeaté fundir-se no oceano. Se o rio pára de fluir ele começa a acumular lixo e então outros começarão a jogar lixo nele também. Não importa como seja o outro, eu tenho que dar felicidade. Dadi Janki
Seria maravilhoso que todos entendessem RELIGIÃO apenas como um dos caminhos, que nos levarão à plenitude, ao êxtase, ao prazer e felicidade, mas, isto não acontece. Existem inúmeras religiões ou filosofias de vida. Algumas até afirmam que são “a única a conduzir ao céu”, e como diz Antonio Machado(Caminhos de Luz): CAMINHANTE, NÃO HÁ CAMINHO,O CAMINHO É FEITO AO ANDAR. AO ANDAR SE FAZ O CAMINHO E AO OLHAR PARA TRÁS, SE VÊ A SENDA QUE NUNCA SE VAI VOLTAR A TRILHAR. CAMINHANTE NÃO HÁ CAMINHO, SOMENTE RASTROS NO MAR".
Nenhum caminho é melhor do que o outro, todos os caminhos levam a Deus! Dizem que todas as estradas nos levam para o Céu e todas as religiões conduzem ao mesmo lugar. Mas na verdade, todas as religiões não nos levam para o Céu, da mesma forma que nem todas as estradas nos levam a Roma. Vivemos muito tempo numa sociedade voltada para o materialismo, que acreditava que obter sucesso e acumular bens materiais eram sinônimos de realização. Com a evolução e a chegada de uma Nova Era, essa mesma sociedade além de bens materiais, hoje, acumula também conhecimentos que julgam levá-los a um estado espiritual tão elevado, que acreditam, com absoluta certeza, saber o que é melhor para o outro.
Existe hoje um excessivo número de Técnicas, Terapias e caminhos que prometem a cura e a evolução do espírito, através do resgate do poder pessoal, auto-estima e consciência. Mas esquecem de ensinar às pessoas que, ao adquirir esses conhecimentos, não devem confundi-los com Arrogância, Orgulho e Vaidade. O homem é dotado de um potencial de energia vital que lhe proporciona força para viver e a partir do momento que ele direciona esse seu potencial físico, mental e intelectual para a conquista de valores exigidos pela sociedade e aceitos por seu ego, não terá energia suficiente para dedicar-se a conhecer a si mesmo e seus valores internos e passará a vida profundamente distanciado de sua essência espiritual, mas, tão sábio e poderoso que passa a cuidar da vida dos outros.
Recebemos uma paciente na Terapia Energética para Ampliação da Consciência (TEAC)queixando-se da vida difícil que levava, trabalhando e estudando muito. Vivia num emaranhado de cursos que lhe prometiam acessar as dimensões superiores de luz e despertar seu poder pessoal. Em menos de um ano formou-se em Numerologia, Reiki, Terapia de vidas passadas, etc; criou uma confiança tão grande naquilo que conhecia, que "não precisava de tratamento, mas estava ali por causa do marido", que “apenas” era umbandista e mesmo assim havia sido convidado durante uma palestra a trabalhar em um local e com pessoas, que ela imaginava ser, com toda sua bagagem, a mais indicada para tal. Que decepção! Como, ele, com sua simples filosofia de vida, tão abaixo de sua competência espiritual devido a tantos curso e informações estava no lugar que por direito deveria ser dela?
Não adiantava convencê-la do contrário, era uma questão fechada. Então, precisamos a cada semana associar o tratamento a leituras que indicávamos para que ela compreendesse a realidade. Travamos uma verdadeira batalha para que ela saísse de seu egocentrismo e compreendesse que religião ou filosofia de vida, não se aprende em salas de aula, e nem muito menos está ligada ao intelecto.
Religião significa: religar-se ao criador! E Ele está dentro de cada um de nós, independente da crença ou do conhecimento que temos. O Criador, ou o Grande Espírito e Inteligência Universal, só exige de nós amor por si mesmo, pelo próximo, verdade, justiça e ajuda ao que necessitam. Dogmas, filosofias e religiões foram criados pelo homem. Então, lhe perguntamos: qual religião ou filosofia ela achava ser a mais certa, a que a levaria ao céu?Claro, a resposta foi;“a minha”. Mas, ouviu das Terapeutas: Nenhuma!
Como isso pode ser verdade se ele não tem a metade do conhecimento que possuo? Começamos a mostrar a ela que toda sua bagagem na verdade a deixou afastada e desconectada de seu ser emocional e de seu espírito, pois, não havia amor e humildade, e que todos o Seres Ascencionados que estiveram aqui no Planeta não estavam ligados a nenhuma religião, somente visavam a prática do bem e do amor ao próximo.
A Nova Era só precisa que todos estejam conectados às Oitavas Superiores para encontrar o caminho que melhor lhes sirva e não tentar, forçar ou converter as pessoas, nem substimá-las em sua capacidade espiritual. Buda já dizia: que tudo o que acontece no mundo não passa de um reflexo do que acontece no interior de cada ser humano. Se não há paz no interior do homem, se não há prazer em viver, isso refletirá em tudo o que existe no mundo lá de fora. Nós somos a imagem e semelhança do Criador e já está na hora de vivenciarmos isso e não mais sentir o Cristo fora, mas sim dentro de nós. Ela chegou ao final do tratamento uma pessoa mais humana, humilde, com a compreensão da verdadeira sabedoria, a do coração.
Jamie Sams diz em seu livro Dançando o Sonho: "Ser apenas Luz não deixa espaço para confrontar, curar e acolher o lado sombrio.EU SOU também abrange todas as experiências da alma acerca de integridade ou a falta dela, pois o ponto de vista divino é neutro e não tendencioso.
Nosso impulso natural como seres humanos é criar uma conexão sadia com outros. E a isso chamamos AMOR. Existimos para ser uma fonte de amor, pois quando alcançamos uma conexão espiritual verdadeira, o conhecimento necessário está disponível igualmente para todos.

VERA GODOY

terça-feira, 6 de maio de 2008

Cirurgia de lipoaspiração?


Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?

Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.

A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.

Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política.

Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas...

Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.

Que as pessoas discutam o assunto.

Que alguém acorde. Que o mundo mude.

Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.


Herbert Vianna (Cantor e Compositor)

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