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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mente


"Os orgãos dos sentidos capturaram a mente.
Eles fazem com que a mente faça o que eles querem.
Mas é a mente que deve guiar o corpo e não o inverso.
Então verifique sua mente.
É a partir dela que sua atitude é criada.
Quando sua atitude mental muda, sua visão e a forma de ver os outros também muda.
Quando seu olhar muda, suas ações e relacionamentos se elevam.
Para que esse processo aconteça deve haver pureza interior. Se faltar pureza, faltará paz.
Primeiro a pureza, depois a paz , o amor e a felicidade.
Assim sua mente atrairá o poder de Deus e se tornará mestre dos sentidos."

Dadi Janki

(Recebi por e-mail, tal qual)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Cartesianismo


Considerações Gerais

O pensamento de Descartes exercerá uma influência vasta no mundo cultural francês e europeu, diretamente até Kant e indiretamente até Hegel. E exerceu tal influência não tanto como sistema metafísico, quanto especialmente pelo espírito crítico, pelo método racionalista, implícito nas premissas do sistema e realizado apenas parcialmente pelo filósofo.

O desenvolvimento lógico do cartesianismo é representado por alguns grandes pensadores originais: Spinoza, Malebranche, Leibniz. Spinoza é a mais coerente e extrema expressão do racionalismo moderno depois do fundador e antes de Kant; Malebranche e Leibniz encontram, ao contrário, nas suas preocupações práticas, religiosas e políticas, limitações ao desenvolvimento lógico e despreocupado do racionalismo.

Ladeia estes três pensadores uma turma numerosa de cartesianos mais ou menos ortodoxos, particularmente na França na segunda metade do século XVII. Significativa é a influência que o criticismo e o racionalismo cartesianos exerceram sobre a cultura do século de Luís XIV, o século de ouro da civilização francesa; sobre a arte de Racine e de La Fontaine, sobre a poética de Boileau, a ética de La Bruyère, o pensamento de Bayle.

Descartes teve seguidores também em determinados meios religiosos de orientação platônico-agostiniana, mais ou menos ortodoxos. Os dois centros principais desse sincretismo são representados pelo Jansenismo e pelo Oratório. Brás Pascal, porém (se bem que, em parte, jansenista), grande físico e matemático, mas de um profundo sentimento religioso e cristão, parece ter tido intuição da falha da filosofia cartesiana. À razão matemática, científica - espírito geométrico - que vale para o mundo natural mas não chega até Deus, contrapõe a razão integral - esprit de finesse - que leva até o cristianismo.

Descartes teve numerosos adversários e críticos no campo filosófico, entre os quais Hobbes. Entretanto, as oposições maiores contra o cartesianismo surgiram evidentemente no ambiente eclesiástico e político, quer católico quer protestante. Nesses ambientes houve a intuição de um perigo revolucionário para a religião e a ordem social, por causa do criticismo, mecanismo e infinidade do universo, próprios daquela filosofia.

E, no entanto, o cartesianismo forjou a mentalidade (racionalista-matemática) dos maiores filósofos até Kant. E também propôs os grandes problemas em torno dos quais girou a especulação desses filósofos, a saber: a relação entre substância finita de um lado, e entre espírito e matéria do outro. Daí surgiram o ontologismo e o ocasionalismo de Malebranche, a harmonia preestabelecida de Leibniz e o panteísmo psicofísico de Spinoza.

Baruch Spinoza

O racionalismo cartesiano é levado a uma rápida, lógica, extrema conclusão por Spinoza. O problema das relações entre Deus e o mundo é por ele resolvido em sentido monista: de um lado, desenvolvendo o conceito de substância cartesiana, pelo que há uma só verdadeira e própria substância, a divina; de outro lado introduzindo na corrente racionalista-cartesiana uma preformada concepção neoplatônica de Deus, a saber, uma concepção panteísta-emanatista. O problema, pois, das relações entre o espírito e a matéria é resolvido por Spinoza, fazendo da matéria e do espírito dois atributos da única substância divina. Une os dois na mesma substância segundo um paralelismo psicofísico, uma animação universal, uma forma de pampsiquismo. Em geral, pode-se dizer que Descartes fornece a Spinoza o elemento arquitetônico, lógico-geométrico, para a construção do seu sistema, cujo conteúdo monista, em parte deriva da tradição neoplatônica, em parte do próprio Descartes.

Os demais racionalistas de maior envergadura da corrente cartesiana se seguem, cronologicamente, depois de Spinoza; entretanto, logicamente, estão antes dele, pois não têm a ousadia - em especial Malebranche - de chegar até às extremas conseqüências e conclusões racionalista-monista, exigidas pelas premissas cartesianas, detidos por motivos práticos-religiosos e morais, que não se encontram em Spinoza. Com isto não se excluem, por parte deles, desenvolvimentos em outro sentido. Por exemplo, não se excluem os desenvolvimentos idealistas do fenomenismo racionalista por parte de Leibniz.

Vida e Obras

Baruch Spinoza nasceu em Amsterdam em 1632, filho de hebreus portugueses, de modesta condição social, emigrados para a Holanda. Recebeu uma educação hebraica na academia israelita de Amsterdam, com base especialmente nas Sagradas Escrituras. Demonstrando muita inteligência, foi iniciado na filosofia hebraica (medieval-neoplatônico-panteísta) e destinado a ser rabino.

Mas, depois de se manifestar o seu racionalismo e tendo ele recusado qualquer retratação, foi excomungado pela Sinagoga em 1656. Também as autoridades protestantes o desterraram como blasfemador contra a Sagrada Escritura. Spinoza reitrou-se, primeiro, para os arredores de Amsterdam, em seguida para perto de Leida e enfim refugiou-se em Haia. Aos vinte e cinco anos de idade esse filósofo, sem pátria, sem família, sem saúde, sem riqueza, se acha também isolado religiosamente.

Os outros acontecimentos mais notáveis na formação espiritual especulativa de Spinoza são: o contacto com Francisco van den Ende, médico e livre pensador; as relações travadas com alguns meios cristão-protestantes. Van den Ende iniciou-o no pensamento cartesiano, nas línguas clássicas, na cultura da Renascença; e nos meios religiosos holandeses aprendeu um cristianismo sem dogmas, de conteúdo essencialmente moralista.

Além destes fatos exteriores, nada encontramos de notável exteriormente na breve vida de Spinoza, inteiramente dedicada à meditação filosófica e à redação de suas obras. Provia pois às suas limitadas necessidades materiais, preparando lentes ópticas para microscópios e telescópios, arte que aprendera durante a sua formação rabínica; e também aceitando alguma ajuda do pequeno grupo de amigos e discípulos. Para não comprometer a sua independência especulativa e a sua paz, recusou uma pensão oferecida pelo "grande Condé" e uma cátedra universitária em Heidelberg, que lhe propusera Carlos Ludovico, eleitor palatino.

Uma tuberculose enfraquecera seu corpo. Após alguns meses de cama, Spinoza faleceu aos quarenta e quatro anos de idade, em 1677, em Haia. Deixou uma notável biblioteca filosófica; mas a sua herança mal chegou para pagar as despesas do funeral e as poucas dívidas contraídas durante a enfermidade.

Um traço característico e fundamental do caráter de Spinoza é a sua concepção prática, moral, de filosofia, como solucionadora última do problema da vida. E, ao mesmo tempo, a sua firme convicção de que a solução desse problema não é possível senão teoreticamente, intelectualmente, através do conhecimento e da contemplação filosófica da realidade.

As obras filosóficas principais de Spinoza são: a Ethica (publicada postumamente em Amsterdam em 1677), que constitui precisamente o seu sistema filosófico; o Tractatus theologivo-politicus (publicado anônimo em Hamburgo em 1670), que contém a sua filosofia religiosa e política.

A princípio desconhecido e atacado, o pensamento de Spinoza acabou por interessar e influenciar particularmente a cultura moderna depois de Kant (Lessing, Goethe,Schelling, Hegel, Schleiermacher, etc.), proporcionando ao idealismo o elemento metafísico monista, naturalmente filtrado através da crítica kantiana.

O Pensamento: Deus

A teologia de Spinoza é contida, substancialmente, no primeiro livro da Ethica (De Deo). Spinoza quereria deduzir de Deus racionalmente, logicamente, geometricamente toda a realidade, como aparece pela própria estrutura exterior da Ethica ordine geometrico demonstrata. Não nos esqueçamos de que o Deus spinoziano é a substância única e a causa única; isto é, estamos em cheio no panteísmo. A substância divina é eterna e infinita: quer dizer, está fora do tempo e se desdobra em número infinito de perfeições ou atributos infinitos.

Desses atributos, entretanto, o intelecto humano conhece dois apenas: o espírito e a matéria, a cogitatio e a extensio. Descartes diminuiu estas substâncias, e no monismo spinoziano descem à condição de simples atributos da substância única. Pensamento e extensão são expressões diversas e irredutíveis da substância absoluta, mas nela unificadas e correspondentes, graças à doutrina spinoziana do paralelismo psicofísico.

A substância e os atributos constituem a natura naturans. Da natura naturans (Deus) procede o mundo das coisas, isto é, os modos. Eles são modificações dos atributos, e Spinoza chama-os natura naturata (o mundo). Os modos distinguem-se em primitivos e derivados. Os modos primitivos representam as determinações mais imediatas e universais dos atributos e são eternos e infinitos: por exemplo, o intellectus infinitus é um modo primitivo do atributo do pensamento, e o motus infinitus é um modo primitivo do atributo extensão.

As leis do paralelismo psicofísico, que governam o mundo dos atributos, regem naturalmente todo o mundo dos modos, quer primitivos quer derivados. Cada corpo tem uma alma, como cada alma tem um corpo; este corpo constituiria o conteúdo fundamental do conhecimento da alma, a saber: a cada modo de ser e de operar na extensão corresponde um modo de ser e de operar do pensamento. Nenhuma ação é possível entre a alma e o corpo - como dizia também Descartes - e como Spinoza sustenta até o fundo.

A lei suprema da realidade única e universal de Spinoza é a necessidade. Como tudo é necessário na natura naturans, assim tudo também é necessário na natura naturata. E igualmente necessário é o liame que une entre si natura naturans e natura naturata. Deus não somente é racionalmente necessitado na sua vida interior, mas se manifesta necessariamente no mundo, em que, por sua vez, tudo é necessitado, a matéria e o espírito, o intelecto e a vontade.

O Homem

Do primeiro livro da Ethica - cujo objeto é Deus - Spinoza passa a considerar, no segundo livro (De mente), o espírito humano, ou, melhor, o homem integral, corpo e alma. A cada estado ou mudança da alma, corresponde um estado ou mudança do corpo, mesmo que a alma e o corpo não possam agir mutuamente uma sobre o outro, como já se viu.

Não é preciso repetir que, para Spinoza, o homem não é uma substância. A assim chamada alma nada mais é que um conjunto de modos derivados, elementares, do atributo pensamento da substância única. E, igualmente o corpo nada mais é que um complexo de modos derivados, elementares, do atributo extensão da mesma substância. O homem, alma e corpo, é resolvido num complexo de fenômenos psicofísicos.

Mesmo negando a alma e as suas faculdades, Spinoza reconhece várias atividades psíquicas: atividade teorética e atividade prática, cada uma tendo um grau sensível e um grau racional.

A respeito do conhecimento sensível (imaginatio), sustenta Spinoza que é ele inteiramente subjetivo: no sentido de que o conhecimento sensível não representa a natureza da coisa conhecida, mas oferece uma representação em que são fundidas as qualidades do objeto conhecido e do sujeito que conhece e dispõe tais representações numa ordem fragmentária, irracional e incompleta.

Spinoza distingue, pois, o conhecimento racional em dois graus: conhecimento racional universal e conhecimento racional particular. A ordem oferecida pelo conhecimento racional particular nada mais é que a substância divina; abrange ela, na sua unidade racional, os atributos infinitos e os infinitos modos que a determinam. E desse conhecimento racional intuitivo, místico, derivam necessariamente a felicidade e virtude supremas. Das limitações do conhecimento sensível decorrem o sofrimento e a paixão, dada a universal correspondência spinoziana entre teorético e prático.

Visto o paralelismo psicofísico de Spinoza, é claro que o conhecimento, no sistema spinoziano, não é constituído pela relação de adequação entre a mente e a coisa, mas pela relação de adequação da mens do sujeito que conhece a mens do objeto conhecido.

A Moral

Como é sabido, Spinoza dedica ao problema moral e à sua solução os livros III, IV e V da Ethica. No livro III faz ele uma história natural das paixões, isto é, considera as paixões teoricamente, cientificamente, e não moralisticamente. O filósofo deve humanas actiones non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere; assim se exprime Spinoza energicamente no proêmio ao II livro da Ethica. Tal atitude rigidamente científica, em Spinoza, é favorecida pela concepção universalmente determinista da realidade, em virtude da qual o mecanismo das paixões humanas é necessário como o mecanismo físico-matemático, e as paixões podem ser tratadas com a mesma serena indiferença que as linhas, as superfícies, as figuras geométricas.

Depois de nos ter oferecido um sistema do mecanismo das paixões no IV livro da Ethica, Spinoza esclarece precisamente e particularmente a escravidão do homem sujeito às paixões. Essa escravidão depende do erro do conhecimento sensível, pelo que o homem considera as coisas finitas como absolutas e, logo, em choque entre si e com ele. Então a libertação das paixões dependerá do conhecimento racional, verdadeiro; este conhecimento racional não depende, entretanto, do nosso livre-arbítrio, e sim da natureza particular de que somos dotados.

No V e último livro da Ethica, Spinoza esclarece, em especial, a condição do sábio, libertado da escravidão das paixões e da ignorância. O sábio realiza a felicidade e a virtude simultânea e juntamente com o conhecimento racional. Visto que a felicidade depende da ciência, do conhecimento racional intuitivo - que é, em definitivo, o conhecimento das coisas em Deus - o sábio, aí chegado, amará necessariamente a Deus, causa da sua felicidade e poder. Tal amor intelectual de Deus é precisamente o júbilo unido com a causa racional que o produz, Deus. Este amor do homem para com Deus, é retribuído por Deus ao homem; entretanto, não é um amor como o que existe entre duas pessoas, pois a personalidade é excluída da metafísica spinoziana, mas no sentido de que o homem é idêntico panteisticamente a Deus. E, por conseguinte, o amor dos homens para com Deus é idêntico ao amor de Deus para com os homens, que é, pois, o amor de Deus para consigo mesmo (por causa precisamente do panteísmo).

Chegado ao conhecimento e à vida racionais, o sábio vive já na eternidade, no sentido de que tem conhecimento eterno do eterno. A respeito da imortalidade da alma, devemos dizer que é excluída naturalmente por Spinoza como sobrevivência pessoal porquanto pessoa e memória pertencem à imaginação. A imortalidade, então, não poderá ser entendida senão como a eternidade das idéias verdadeiras, que pertencem à substância divina. De sorte que imortais, ou eternas, ou pela máxima parte imortais, serão as almas ou os pensamentos dos sábios, ao passo que às almas e aos pensamentos dos homens vulgares, como que limitados ao conhecimento e à vida sensíveis, é destinado o quase total aniquilamento no sistema racional da substância divina.

A Política e a Religião

Spinoza tratou particularmente do problema político e religioso no Tractatus theologico-politicus. Considera ele o estado e a igreja como meios irracionais para o advento da racionalidade. As ações feitas - ou não feitas - em vista das penas ou dos prêmios temporais e eternos, ameaçados ou prometidos pelo estado e pela igreja, dependem do temor e da esperança, que, segundo Spinoza, são paixões irracionais. Elas, entretanto, servem para a tranquilidade do sábio e para o treinamento do homem vulgar.

No estado de natureza, isto é, antes da organização política, os homens se encontravam em uma guerra perpétua, em uma luta de todos contra todos. É o próprio egoísmo que impede os homens a se unirem, a se acordarem entre si numa espécie de pacto social, pelo qual prometem renunciar a toda violência, auxiliando-se mutuamente. No entanto, não basta o pacto apenas: precisa o homem do arrimo da força para sustentar-se. De fato, mesmo depois do pacto social, os homens não cessam de ser, mais ou menos, irracionais e, portanto, quando lhes fosse cômodo e tivessem a força, violariam, sem mais, o pacto. Nem há quem possa opor-se a eles, a não ser uma força superior, porquanto o direito sem a força não tem eficácia. Então os componentes devem confiar a um poder central a força de que dispõem, dando-lhe a incumbência e o modo de proteger os direitos de cada um. Só então o estado e verdadeiramente constituído. Entretanto, o estado, o governo, o soberano podem fazer tudo o que querem: para isso têm o poder e, portanto, o direito, e se acham eles ainda no estado de pura natureza, do qual os súditos saíram.

O estado, porém, não é dominador supremo, porquanto não é o fim supremo do homem. Seu fim supremo é conhecer a Deus por meio da razão e agir de conformidade, de sorte que será a razão a norma suprema da vida humana. O papel do estado é auxiliar na consecução racional de Deus. Portanto, se o estado se mantivesse na violência e irracionalidade primitivas, pondo obstáculos ao desenvolvimento racional da sociedade, os súditos - quando mais racionais e, logo, mais poderosos do que ele - rebelar-se-ão necessariamente contra ele, e o estado cairá fatalmente. Faltando-lhe a força, faltar-lhe-á também o direito. E de suas ruínas deverá surgir um estado mais conforme à razão. E, assim, Spinoza deduz do estado naturalista o estado racional.

O outro grande instituto irracional a serviço da racionalidade é, segundo Spinoza, a religião, que representaria um sucedâneo da filosofia para o vulgo. O conteúdo da religião positiva, revelada, é racional; mas é a forma que seria absolutamente irracional, pois o conhecimento filosófico de Deus decairia em uma revelação mítica; a ação racional, que deveria derivar do conhecimento racional com a mesma necessidade pela qual a luz emana do sol, decairia no mandamento divino heterônomo, a saber, a religião positiva, revelada, representaria sensivelmente, simbolicamente, de um modo apto para a mentalidade popular, as verdades racionais, filosóficas acerca de Deus e do homem; tais verdades podem aproveitar ao bem desse último, quando encarnadas nos dogmas. Por conseguinte, o que vale nos dogmas não seria a sua formulação exterior, e sim o conteúdo moral; nem se deveria procurar neles sentidos metafísicos arcanos, porque o escopo dos dogmas é essencialmente prático a saber: induzir à submissão a Deus e ao amor ao próximo, na unificação final de tudo e de todos em Deus.

Original no site:
http://www.algosobre.com.br/sociofilosofia/cartesianismo.html

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A reunião de satanás

(Uma pequena parábola sobre os tempos pós-modernos)

Satanás convocou uma Convenção Mundial de demônios. Vieram capirotos, encostos, obsessores, vampiros, capetinhas e capetões de todos os cantos da Terra.
Em seu discurso de abertura, ele disse:
"Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja"
"Não podemos impedir os religiosos de buscarem seus templos"
"Não podemos impedi-los de ler as suas Bíblias e conhecerem a Verdade"
"Nem mesmo podemos impedi-los de ter um relacionamento íntimo com Deus".
"E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado".
Satanás parecia preocupado. Então, saiu de sua cabeça uma idéia, quem sabe, uma solução....
Disse o cramunhão...
"Então vamos deixá-los ir para suas igrejas e seus templos, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam, MAS, vamos roubar-lhes o TEMPO que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo, para orar e meditar, para viver a caridade".
"O que quero que vocês façam é o seguinte", disse o diabo:
"Distraia-os a ponto de que não consigam aproximar-se do Cristo através da oração, da meditação e de uma vivência amorosa e compassiva"
"Como vamos fazer isto?" Gritaram os seus demônios, abobalhados com o plano do "pai maligno", o Rei das Trevas.
Respondeu-lhes o tinhoso:
"Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes com aquilo que deveria ser secundário ou estar em local mais adequado na linha pessoal do Tempo."
"Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado, até que fiquem embananados!"
"Convençam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 à 7 dias por semana, sem descanso algum, durante 10 à 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
"Criem situações que os impeçam de passar tempo com os filhos ou com os seus verdadeiros amigos e parentes"
"À medida que suas famílias forem se fragmentando, se esvaziando, perdendo convívio existencial, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho, aí eles começarão a viver nossa presença, o inferno descerá até eles e lá faremos morada".
"Estimulem suas mentes com tanta intensidade e agitos ansiosos, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranqüila que orienta seus espíritos. Temos que aumentar todos os barulhos para que não ouçam a voz daquele Espírito do Cristo quando soprar neles".
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais, com livros idiotas e banais".
"Bombardeiem as suas mentes com noticias, 24 horas por dia. Muita desgraça televisiva é bom para tirar o foco deles em Cristo e na caridade".
"Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos com os assuntos mais tolos".
"Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, loterias, bolos de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças".
"Encham seus e-mails com bobagens, discussões teóricas sem fim, listinhas do tipo 'não quebre essa corrente', arquivos de 'pps' que pouco estimulam uma conexão com Deus e com a vida real. Deixe-os mais prazos na Internet do que na vida, na família, na realidade da existência."
"Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornarão mal satisfeitos com suas próprias esposas, façamos o mesmo com elas, usando fotos da internet, imagens de novelas e tudo que puder afetar sua visão"
"Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem seus maridos à noite, e dê-lhes dor de cabeça também, muita má vontade e impaciência para tudo. Se elas não dão a seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começam a procurá-lo em outro lugar e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente e mais espaço teremos para agir. O Cordeiro vai ficar 'surpreso' com o nosso sucesso!"
"Dê-lhes Papai Noel, para que esqueçam da necessidade de ensinarem aos seus filhos o significado real do Natal. Eles vão torrar dinheiro e Jesus vai ficar de lado!"
"Dê-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a ressurreição de Jesus, e o Seu poder sobre o pecado e a morte. Assim eles engordam com chocolates e Jesus, puft!, fica de lado."
"Até mesmo quando estiverem se divertindo, se distraindo, que nossos demônios empurre-os para todos os excessos, para que ao voltarem dali estejam exaustos e sem tempo para orar e meditar! Quem sabe até arrumar uma briguinha, uma confusão em casa?"
"Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou ficar na natureza, para refletirem na criação de Deus, o Pai deles e nosso inimigo. Ao invés disso, mande-os para Parques de Diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro, concertos, shoppings´s e cinema. Mantenha-os ocupados, ocupados, ocupados até que eles percam completamente a conexão com o solo, com a vida natural de Deus."
"E, quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolva-os em muito barulho e gritos, mexericos e conversas sem importância, debates doutrinários intermináveis. Vamos empurrá-los ao fanatismo ou então para a indiferença, de uma maneira tão sutil, que iremos gargalhar das suas igrejas. Elas jamais serão pontos de encontro com a Divindade!"
"Encham as vidas de todos eles com tantas coisas que não tenham nenhum tempo para estarem a sós se reabastecendo com o maldito Cordeiro de Deus".
"Muito em breve, eles estarão buscando em suas próprias forças as soluções para seus problemas e irão se esquecer da Graça que nosso inimigo derrama na vida daqueles que crêem."
Satanás sorriu, gargalhou por minutos. Os demônios se entreolharam com alegria. O plano realmente parece muito bom.
A cramunhão se recostou em seu trono de Trevas e disse:
"Isto vai funcionar!! Vai funcionar !!"
Os demônios ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do maioral, fazendo com que os cristãos e os não-cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados, e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas famílias.
Não tendo nenhum tempo para contar à outros sobre o poder do Cristo e nem para vivenciar o seu amor, sua paz e sua caridade. Eles estarão muitíssimo ocupados e suas orações e meditações não passarão de palavras rápidas e vazias, sem comunhão espiritual.
SOLARYS/RIO DE JANEIRO

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Oficialmente Velho


Por Leonardo Boff
Neste mês de dezembro completei 70 anos. Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.
Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos.
A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: ”na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenece o homem interior” (2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Esta identidade devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis. Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao “silêncio obsequioso” e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o desafio para a etapa da velhice. Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida. Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.
Por fim, importa preparar o grande Encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.
Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: ”contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade”.
Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa: “eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”. Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Amit Goswami


Amit Goswami é um físico nuclear indiano que tem buscado - por meios acadêmicos - traçar uma ponte entre a ciência (mais especificamente a física quântica) e a espiritualidade. É PHD em física quântica e professor titular de física da Universidade de Oregon. Já foi rotulado de místico, pela comunidade científica, e acabou acalmando os críticos através de várias publicações técnicas a respeito de suas idéias. No seu livro O universo autoconsciente - publicado no Brasil - ele procura demonstrar que o Universo é matematicamente inconsistente sem a existência de um conjunto superior - no caso, Deus. E diz que, se esses estudos se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio Deus será objeto de ciência, e não mais de religião.
Sua clássica entrevista no programa Roda vida (que pode ser lida na íntegra aqui) é de deixar qualquer fã de esoterismo babando, e qualquer cético abalado em seus fundamentos. Em um trecho ele narra alguma experiências que mostram a possibilidade de comunicação direta entre mentes, monitoradas por cientistas, de pessoas que costuma meditar juntas. Em outro mostra o poder da mente influindo na matéria, que é algo que a física quântica já leva em conta em suas "teorias malucas". Vamos ao trecho:
"Considere o caso de geradores de números aleatórios. Eles são realmente aparelhos quânticos, pois eles pegam eventos radiativos, que são aleatórios, e os convertem em seqüências de números, seqüências de zeros e uns. Em uma longa cadeia, deve haver número igual de zeros e uns (é o que se espera da sequência aleatória). O físico Helmut Schmidt tenta há quase 20 anos fazer com que médiuns influenciem os geradores de números aleatórios para gerarem sequências não-aleatórias, mais zeros que uns. E ao longo dos anos ele conseguiu boas evidências de que, até certo ponto, os médiuns conseguem fazer isso. Um resultado com um grande desvio. Recentemente, em um trabalho publicado em 1993, Schmidt retratou uma modificação revolucionária desses dados. Os dados do gerador de números aleatório (a sequência numérica), é armazenada num computador. Ela é impressa, mas ninguém olha. Os dados impressos são fechados num envelope e enviados para um observador independente. Três meses depois, o observador, sem abrir o envelope, escolhe o que quer ver, mais zeros ou mais uns. Tudo segue um critério. Então ele liga para o pesquisador, o pesquisador diz ao médium para olhar os dados, e pede a ele para mudar os resultados, influenciá-los, se puder. E o médium tenta produzir mais zeros, se esse for o desejo do observador. E então, o observador abre o envelope e verifica se o médium conseguiu. E a incrível conclusão é (é um resultado sério, não é fácil contestá-lo) que o médium, em 4 de cada 5 tentativas, consegue mudar os números aleatórios gerados pelo aparelho, mesmo após três meses. Este mito de que o pensamento causa o colapso de si mesmo, que o colapso é objetivo, sem que o observador consciente as veja, é apenas um mito. Nada acontece, tudo é uma possibilidade até que o observador consciente veja.
Mas, e se alguém tivesse visto os números antes? Numa experiência controlada, as pessoas intervieram. Elas viram - sem contar a ninguém - os dados, a impressão. Nesses casos, o médium não influenciou os dados. Está claro que a consciência exerce um efeito, exatamente como Bohr suspeitava, como Newman suspeitava. Isso é revolucionário, é novo e pode mudar, como já discutimos, as dificuldades com valores que a sociedade vem enfrentando. Não vamos nos preocupar em como pode ser, mas vamos olhar os dados, olhar a teoria e perguntar: pode ser? Se pode, que oportunidade fantástica temos para integrar todos esses movimentos díspares de consciência que nos separaram por tanto tempo."

sexta-feira, 13 de março de 2009

A História do Lápis



O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas.
- Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

"Primeira qualidade:
Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade ".

"Segunda qualidade:
De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor."

"Terceira qualidade:
O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça".

"Quarta qualidade:
O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você."

"Finalmente, a quinta qualidade do lápis:
Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".
Recebi por email sem a citação do autor

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Transformação do Homem em Deus

O poder de Deus é incomensurável e ilimitado. A grande diversidade que você percebe quando observa o universo é resultado do poder divino de iludir. O universo físico visível aos olhos humanos é apenas uma parte muito pequena do infinito poder de Deus. Todos os mundos podem ser cobertos por apenas uma fração do pé do Senhor. É impossível entender a grandeza do Senhor. Ele permeia todo o universo, grosso e sutil. Não há lugar onde Ele não esteja.

O Universo

O universo é o corpo de Deus. Ele encarnou-se na criação. Para entender o princípio divino no qual repousa o universo, você pode começar considerando o tamanho, a vastidão do universo. A Lua está a centenas de milhares de milhas da Terra. O Sol está a dezenas de milhões de milhas. Até mesmo a estrela mais próxima está a milhões e mais milhões de milhas; e, além disso, nos limites mais longínquos do universo visível, há estrelas que estão bilhões de vezes mais longe. Mas tudo isso que constitui o universo físico e que para nossa visão limitada é tão infinitamente vasto, é apenas uma minúscula parte do universo sutil. Comparado a este universo sutil, todo o grande universo físico não é maior do que o tamanho de um átomo.

O universo sutil, que é tão indescritivelmente grande quando comparado ao universo físico, é apenas uma parte microscópica de um aspecto muito, muito mais vasto que pode ser exposto como o universo causal. Este é conhecido como universo causal por ser desse finíssimo aspecto que se originam os mundos físico e sutil. Todos estes três mundos, o físico, o sutil (ou mental) e o causal são tão incrivelmente grandes que as escrituras declaram que estes não podem ser entendidos pela mente humana ou descritos em palavras. Esses mundos estão além da imaginação, além da habilidade mental de entendimento. Ainda assim, além de todos esses, transcendendo o físico, o sutil e o causal, está o princípio divino, a causa fundamental de tudo.

O Caminho da Devoção

Deus está além do físico, do sutil e do causal. Mas, como Soberano, Ele governa todos estes. Ele é o Senhor do tempo: passado, presente e futuro. Aos seres humanos foram dadas capacidades limitadas, assim, é muito difícil entender o princípio divino.

sábado, 8 de novembro de 2008

Carta do Chefe Seattle

Em 1854, o governo americano fez uma oferta para comprar as terras da Tribo Suquamish. O chefe Seattle então respondeu através da carta abaixo, uma das mais belas e comoventes declarações de amor à nossa Mãe Terra que já foram feitas. Leia e medite profundamente sobre cada palavra. Mostre para seus pais, irmãos, filhos, tios e amigos, espalhando mais e mais esta declaração de amor à Vida.
A Carta que se segue é uma tradução livre. Você pode verificar a íntegra da Carta que foi lida nas Nações Unidas, ou conferir, em inglês, o que se acredita que seja a versão oficial do que ele realmente disse.
Cada pedaço desta terra é sagrado para a minha gente. Cada broto cintilante do pinheiro, cada costa arenosa. Cada orvalho na madeira escura. Cada clareira e cada inseto cantarolante é sagrado na memória do meu povo.
A seiva que corre através das árvores, carrega a memória do meu povo. As flores perfumadas são nossas irmãs. Nós somos parte da terra, e a terra é parte de nós. O cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos. Nós todos pertencemos a mesma família.
Se vendermos nossa terra, devem lembrar que ela é sagrada. A brilhante água que corre nos riachos e nos rios, não é apenas água, mas o sangue da nossa gente.
Se vendermos nossa terra, devem ensinar suas crianças a terem bondade com o rio como se tem com um irmão. O homem vermelho tem sempre recuado ao avanço do homem branco como a cerração que se vai, ante a luz da manhã.
O homem branco não entende os nossos métodos. Ele trata a sua mãe como algo a ser comprado e vendido. Ele devora a Terra e deixa para trás apenas um deserto.
Onde está o grilo? Foi-se! Onde está a águia? Foi-se! Adeus aos pôneis selvagens e a caçada. É o fim da vida, e o início da sobrevivência.
Por alguma razão especial Deus deu a vocês o domínio sobre esta Terra. O destino é um mistério para nós. A Terra é preciosa para Deus. Machucar a Terra é machucar o seu Criador.
Se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la sagrada. Um lugar em que sentimos o gosto do vento, que é adoçado pelas flores da pradaria.
Todas as coisas estão conectadas.
O que é a vida se o homem não pode mais ouvir o canto dos pássaros? O que seria a vida sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito.
Todas as coisas estão conectadas.
Se vendermos nossa terra, ensinem às crianças que a Terra é nossa Mãe. Isto nós sabemos! A Terra não pertence ao homem. O homem pertence a Terra.
Todas as coisas estão conectadas, como o sangue de uma família.
Nós não criamos a teia da vida, somos apenas um fio dela. O que fazemos a teia, fazemos a nós.
Todas as coisas estão conectadas.
Cada pedaço de terra é sagrado para a minha gente. O homem vermelho ama a terra como o recém-nascido ama o bater de coração de sua mãe.
Se vendermos nossa terra, amem-na como nós a amamos. Cuidem da terra como cuidamos. Mantenham em sua memória a visão da terra como vocês a tomaram. E, com toda a sua força, com toda a sua inteligência, e, com todo o seu coração, preservem-na para as suas crianças. E amem-na, como Deus nos ama.
Uma coisa sabemos: Nosso Deus é o mesmo Deus.
Podemos ser irmãos, apesar de tudo.
Veremos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Iniciação

Iniciação, ou rito de passagem Cherokee
Para que o jovem indio cherokee seja considerado adulto tem um rito de passagem.
O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho. O filho senta-se sozinho no topo de um montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
Ele não pode gritar por socorro para ninguém.Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.
Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
O menino está naturalmente amedrontado. Ele pode ouvir toda espécie de barulho. Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele. Talvez alguns humanos possam feri-lo. Os insetos e cobras podem vir pica-lo. Ele pode estar com frio, fome e sede. O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.
Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.
Finalmente...Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele. Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo.
Nós também nunca estamos sozinhos! Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós, 'sentado ao nosso lado'. Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo.
Moral da história: Apenas porque você não vê Deus, não significa que Ele nao esteja conosco. Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material. E devemos evitar tirar a sua venda antes do amanhecer...
(Desconheço o autor)

domingo, 14 de setembro de 2008

Efêmero

Por: Letícia Thompson


Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.
Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranqüilas, vividas, se entregam ao vento.
Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor. E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos. Perdemos dias, às vezes anos.
Nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio. Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação. Não damos um beijo carinhoso “porque não estamos acostumados com isso” e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos suficiente. Cobramos. Dos outros. Da vida. De nós mesmos. Nos consumimos.
Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos?
Isso faria uma grande diferença!
E o tempo passa...
Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa.
Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos pra trás. E então nos perguntamos: e agora?!
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos.
Olhe para frente!
Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor. Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesmo efêmera, ainda está em nós.
Pense!... Se você está lendo esta mensagem é porque ainda tem tempo!!! Não o perca mais!...
Que Deus te abençoe!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Índia, Gandhi e Madre Tereza

Arte da imagem e do pensamento - Meditação

Textos de Gandhi e Madre Tereza de Calcutá.

Imagens da Índia

Índia - um povo que recebe a liderança espiritual de um Mahatma Gandhi nos momentos críticos de sua história, na luta pela libertação; um povo que nos momentos de dor e sofrimento de seus párias, recebe o espírito protetor de uma Madre Tereza, é, sem dúvida alguma, um povo protegido por Deus.
Compreende-se, pois, o surto de desenvolvimento atual desse emergente país, que não obstante ter a segunda maior população do mundo com todas as contradições internas, surge, fulgurante, aos olhos atonitos do mundo, como promessa de se tornar uma das maiores potências do universo.
Não há dúvida que esse sofrido povo, após o resgate de seu carma inicial, pela absorção dos exemplos evangélicos de seus líderes maiores - da não resistência e do amor - passou a contar com a merecida justiça divina.























Estas imagens recebi via internet. Na última imagem haviam as seguintes citações: "Imagens: recebidas dos meus contatos, via net. FORMATAÇÃO: J. MEIRELLES celim@uol.com.br www.jmeirelles.wordpress.com Texto: Gandhi e Madre Tereza de Calcutá".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O que fica de você...



Paulo Roberto Gaefke
"Vai, pode ir, mas deixe saudades, não deixe uma má impressão. Por onde passar use o bom senso, fale baixo, evite palavrões, seja onde for, seja apenas você, o que já não é fácil, nesse mundo competitivo, onde saldos bancários representam mais que pessoas e pessoas representam o que não são.
Não se deixe levar pelo primeiro impulso, use sempre a gentileza com quem quer que seja, imagine sempre "e se fosse com você"? E se fosse com uma pessoa muito querida? Nossa atitude muda quando queremos bem a uma pessoa, e é essa atitude que devemos ter para com todos.
Parece que não muda nada, não é? Parece que as pessoas nem notam a sua gentileza, mas há no mundo um circuito de energias, uma lei natural que ninguém, nem anjo, nem santo, nem o mais poderosos dos mortais pode mudar, é a lei da reciprocidade: "atraímos o que emanamos", é ação e reação sem tirar e nem por.
Colhemos exatamente o que plantamos. Por isso não acredite em "injustiça eterna", nem na justiça humana que falhou, a justiça da vida não falha, passe o tempo que passar.
Então, use o dia de hoje para plantar sementes amorosas, melhore seu sorriso, pense menos nos problemas, acredite mais no seu potencial, busque soluções, e se ainda assim, a dor for muito forte, se a decepção chegar e se instalar, recomece do zero mais uma vez; o sol voltou a brilhar e quando a noite chegar, a lua, ainda que meio apagada, voltará a brilhar. Tudo isso por você, estrela divina da constelação de Deus."

sábado, 24 de maio de 2008

Dê sempre o melhor E o melhor virá!

Dê sempre o melhor
E o melhor virá!

Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo!

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo!

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo!

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo!

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo!

Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...
Tenha paz e seja feliz assim mesmo!

O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo!

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor de você assim mesmo!

E veja você que, no final das contas,
É entre você e Deus...

NUNCA FOI ENTRE VOCÊ E ELES!

(Madre Teresa de Calcutá)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

QUEM É VOCÊ-EU?


Boa pergunta "QUEM É VOCÊ-EU?". Finda o tempo, acaba o espaço, vem a parusia, até conquisto Marte, mas, não acho como responder, quem sou eu, quem é você, quem somos nós, de fato algo inexpugnável, o ser-em-si é incógnita, o ser-com-os-outros um abismo, mas outra questão me vem: "Quem é o homem para que Deus se ocupe dele?". É para responder uma simples coisa, outra coisa nos vem, e mais outra que traz o infinito, pelo que transita a alma, a mente, o corpo e o espírito, de certo este último sabe melhor quem sou eu-você, pois de Deus migrou, assim não há resposta, talvez mais perguntas, e na revelação de uma por uma, novas perguntas, outras respostas, nesta dinâmica se dá o conhecer, só conhecendo para saber, quem sou eu-você, então eis o segredo, conhece-te a ti mesmo, saberá quem sou, e ao saber-me terá sua resposta, e saberá quem é.

Autor: Marlon Lelis de Oliveira
Guarulhos, 07 de novembro de 2007

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