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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Oficialmente Velho


Por Leonardo Boff
Neste mês de dezembro completei 70 anos. Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.
Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos.
A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: ”na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenece o homem interior” (2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Esta identidade devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis. Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao “silêncio obsequioso” e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o desafio para a etapa da velhice. Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida. Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.
Por fim, importa preparar o grande Encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.
Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: ”contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade”.
Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa: “eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”. Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

sábado, 31 de maio de 2008

A mente

O que você grava na mente subconsciente, está programado para se tornar realidade física. O pensamento dá a ordem e o subconsciente cumpre. Por isso, você é o resultado dos seus pensamentos. Seu pensamento é sua verdadeira oração. Todo pensamento que o subconsciente aceita como verdadeiro, ele move céus e terra para realizá-lo.
Você mesmo já teve sonhos, em outros tempos, que lhe pareciam inatingíveis, mas hoje eles são realidade na sua vida. Para realizar um sonho você deve criar forte convicção e não apenas alguma esperança.
Se você tem convicção, sua idéia surgirá, a cada instante, eletro magnetizada e essa força emocional sensibilizará o subconsciente, fazendo-o agir na concretização desse desejo.
O sucesso chega para aqueles que têm certeza do sucesso e, conseqüentemente, caminham na direção dele. Nunca diga que algo é impossível. Todo desejo reforçado pela fé torna-se realidade física.

Thalita Shanti

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

TUDO É UMA CONSTRUÇAO


Tudo é uma construção, não se pode pôr o telhado antes das fundações, como o acabamento antes das paredes, mas se numa construção inicia-se pela escolha do local de edificação, um detalhe mínimo, mas capital, é preciso esmerar-se com tal zelo que prima em acurar cada detalhe, e tudo é um detalhe, sem o qual pode incorrer em erro na obra, debalde total, onde cada particularidade forma um todo e disso então se é possível a materialização do sonho e criar-se a partir daí o projeto, o sonho ainda que materializar-se-á paulatinamente da prancheta do arquiteto, dos cálculos da engenharia, às mãos dos operários, e cada qual com sua especificidade vai-se pondo ponto-a-ponto o sonho-projeto em pé, até o ápice, o momento findo onde se pode habitar tal moradia, e pôr nela a benfazeja placa: ‘lar doce lar”. Tudo é uma construção!

De tal sorte que biblicamente o homem é aconselhado a edificar seus projetos e sonhos em cima de uma rocha e não sobre a areia, que sendo obrigado a iniciar uma peleja com outro reino, primeiro planeje e avalie as possibilidades reais de custeio e provável vitória, caso contrário negocie, faça acordos e a paz, assim é tudo, sem planejamento estratégico, fica-se a mercê, ao sabor dos ventos e até a náutica nos recomenda usar sabiamente as forças dos ventos a nosso favor para não incorrer em deriva, pois tudo se urge e exige um plano, mínimo e detalhado dos passos, passo-a-passo, a ser ministrado para o fito do sucesso. Tudo é uma construção!

Um projeto nasce primeiro no coração, nos sonhos da pessoa, e a medida que esta vai dando encarnação, fazendo o verbo virar palavra encarnada, ele vai tendo as reais possibilidades de sair do onírico para a realidade vivencial, dando sentido e dimensões de existente, onde se dimensiona as considerações de pôr-se em pé a construção, onde se realiza, inicialmente no desejo e posteriormente na concretude da vida o habite-se, no qual se orgulha de ser o criador, como IAHWEH di-lo-á: “Eis que tudo isso é muito bom”, com certo orgulho de si mesmo e sabedor ser possível edificar os sonhos. Tudo é uma construção!

As vicissitudes por vezes trazem o desânimo, a condição humana ajuda com pensamentos sabotadores do não ser possível tal empreendimento, o meio joga-lhe contra, isso não é para você, somos os maiores inimigos de nós mesmos, esquecemos que tudo é questão de fé, e olha que nem muita só um grão de mostarda, fé a capacidade do antegozar, ver aqui o que só além se terá, ter atitude metafísica no aqui e agora, poder olhar desertos e ver oásis, prisões e ver escolas e praças, campos e ver as colheitas, rios e ver as pontes, somos os únicos responsáveis pelos nossos sonhos, somos os únicos responsáveis pelos nossos projetos. Tudo é uma construção!

Olhaí os lírios dos campos, as aves dos céus, os animaizinhos, tudo para eles está pronto, predeterminado, para o homo planetaris, o sapiens, ao contrário, um desafio constante, um universo em construção e a construir, quem não olha a si-mesmo vendo para-além de si esta fadado ao predeterminismo de vegetar como aves, lírios, animaizinhos, quiçá o consiga, pois não veio o ser a existir para a mediocridade, mas para ser o co-construtor da vida e do viver, produzir uma construção de si e da realidade, em sim tudo existe pelo existir do ser e de sua vontade motriz, construamo-nos-lá. Tudo é uma construção!

Autor: Marlon Lelis de Oliveira (0xx11) - 6885-6997 / 9383-4727 – marlonlelis@yahoo.com.br
Guarulhos, 14 de fevereiro de 2007**
Reprodução autorizada. Citada a fonte e, com envio de cópia para arquivo.

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