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terça-feira, 11 de março de 2014

ODE TO LIFE

Para quem está é preciso dizer...
A possibilidade de o planeta deixar de comportar condições de vida humana é real, muito embora não haja como se estimar um tempo para isso. Essa realidade pode ser obtida pelas estimativas estatísticas de tudo o que ocorre e o afeta na atualidade e pelas probabilidades do que acontecerá, a partir desse comportamento atual.
Outra certeza é quanto ao desenvolvimento comportamental do ser humano ao nível de iluminação.  Também é impossível precisar um ponto no tempo de quando isso aconteceria. Porém, quem duvida que o período necessário seja muito maior do que aquele que aniquilará a vida humana em nosso planeta?
Então, a terceira conclusão é de que o ser humano não atingirá esse patamar de desenvolvimento comportamental. Seu próprio comportamento extinguirá essa possibilidade.
Será a falência do ser humano como fragmento divino em busca do seu polimento para retornar ao seio do todo, que em seu conjunto, se acredita que em essência, seja o próprio sentido criador de tudo. Para muitos, essa essência é conhecida como Deus.
Pois então, falharemos e Deus também estará falido em suas pretensões.
Porém, essa falência até de Deus, se refere ao ser humano. Sabemos que para avançarmos nesse caminho evolutivo é necessária uma transformação gigante, como a eliminação do orgulho, egoísmo e de todos os sentimentos que se transformam em maldade. Ao mesmo tempo, é necessário desenvolver a compaixão, a bondade e todos os sentimentos que nos levam para um amor incondicional. Todas essas condições, ausentes na maioria absoluta das pessoas, entretanto, poderão ser encontradas nas demais formas de vida, mais notadamente nos animais.
Por isso, também é possível concluir, de que se realmente existe um processo de reencarnação, dentro de uma cadeia programada para a evolução, certamente, o ser humano que atingir um grau de iluminação destacado, haverá de retornar na forma de algum outro animal, vegetal, ou quiçá, mineral.
Esse princípio criador seria constituído de tudo o que há na vida, até mesmo daquilo que dá o suporte a ela própria, em todas as suas formas e dimensões. E se tudo isso é fruto da Sua própria iniciativa de se aprimorar, então Deus não falirá, mas obviamente descartará os seres que ficarem emperrados na condição de humanos, ou pelo menos a sua grande maioria.
Afinal de contas, em qualquer processo evolutivo, descartar é fundamental!
Afora tudo isso, resta o campo da ficção, onde o homem descobriria outra forma de prologar a sua existência, como por exemplo, a descoberta e deslocamento para outro planeta com condições de abrigá-lo, ou deslocar ou copiar a própria alma para o campo virtual. Além disso, torcer para atingir sua meta, antes que acabe com seu novo habitat.
Para quem fica, aqui ou acolá, tchau!

Carlos Roberto Sabbi


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Comportamento


 Circula um e-mail por aí com essa análise:

O brasileiro reclama do que?

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. - Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno...) - assim o amigo não gasta nada.
7. - Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
8. - Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
9. - Viola a lei do silêncio.
10. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
11. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
12. - Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
13. - Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
14. - Faz "gato” de luz, de água e de tv a cabo.
15. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
16. - Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
17. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
18. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
19. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
20. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
21. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
22. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.
23. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
24. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
25. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
26. - Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
27. - Leva das empresas onde trabalha,  pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
28. - Comercializa  vale-transporte e vale-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
29. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
30. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
31. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
32. - Coloca nome em trabalho que não fez.
33. - Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
34. - Paga para alguém fazer seus trabalhos.

E quer que os políticos sejam honestos....
Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?

sábado, 24 de abril de 2010

De onde viemos

De onde viemos…? A Gênese da Arte Brasileira e o Mercado da Literatura de Gênero

Este ano começou bem cheio de discussões sobre o mercado editorial da literatura de gênero: como publicar literatura de qualidade, por que publicar, como escrever, como treinar seus beta-readers para trazerem ossinhos aos seus pés, como fazer capas bonitas, como não fazer capas bonitas, se temos leitores, se não temos leitores, se o meio de FC, Terror e Fantasia é ou não uma panelinha, enfim, mais perguntas do que respostas, por que, em geral, as perguntas dão mais IBOPE. As respostas podem ser sumariamente ignoradas.

Mas algumas perguntas tambémsão sumariamente ignoradas. Mais que isso, algumas perguntas nem são feitas, pois podem estragar a graça de fazer as demais. Uma delas está no título deste post – que não, não visa mudar o mundo, não visa instaurar uma revolução editorial no Brasil e não, não visa entender por que determinado tipo de literatura de gênero não tem leitores.

De onde viemos? Esta pergunta implica em uma outra: para onde vamos? Por sua vez, esta dá abertura para uma terceira pergunta: por quê? Para o bom entendedor, é meio óbvio que a resposta da primeira pergunta influi diretamente nas demais. Portanto, vamos começar por ela.

Existem milhares de respostas possíveis para dizer de onde viemos, mas a que me interessa aqui é o nosso berço Artístico-Cultural.

Como colônia, para efeitos de reconhecimento internacional (afinal, os povos autóctones – indígenas – produziam, sim, arte e cultura, que todavia não era reconhecida) , o Brasil apenas espelhava o que era produzido na Europa, mais especificamente em Portugal, já que era onde os filhos dos Senhores de Engenho iam realizar seus estudos. Nada fora do esperado. A partir do século XIX, iniciam-se dois processos distintos: variadas experimentações artísticas e estudos acadêmicos concisos acerca do que era produzido no Brasil, mas ainda, sob forte reflexo de todos os movimentos europeus, o que durou basicamente até a semana de Arte Moderna de 1922.

Mas aí, fica uma pergunta: quem produzia isto? Era o negro liberto? O Branco pobre? Ou o índio sub-humanizado em tribos postergadas ao isolamento, ao esquecimento e, em alguns casos, à extinção? Não, era o descendente de ‘brancos’ ou o mestiço que teve acesso à educação que o ensinou a valorizar o que é externo e desvalorizar o que é da terra, por que é “menor” e “selvagem”. E mesmo com o suposto movimento de Brasilidade Pós-Modernista, a Antropofagia, a mescla entre o Cosmopolitismo e a Terra, não mudou muita coisa. Sua obra tinha validade não se ela vendesse muito, mas se os outros intelectuais achassem-na boa, discutissem-na, estudassem-na e falassem de você. O grande público não interessa, afinal, do que sabe o grande público sobre a qualidade da arte?

Essa mentalidade arraigou-se de tal maneira na cultura brasileira, que a escola a adotou como padrão: a arte de “vanguarda” é conteúdo obrigatório para “desenvolver o leitor e o crítico” (não, a criança ou o adolescente não vira um leitor por que gosta de ler, mas por que ele TEM que apreciar o que lhe dizem que é bom). Algumas décadas desta prática e os índices de leitura do brasil caíram níveis astronômicos. Hoje temos mais analfabetos funcionais do que jamais tivemos, especialmente nas grandes metrópoles. A menos que você forneça sua arte para o Governo Brasileiro, que hoje é o maior consumidor de arte e literatura do país, comprando em média tiragens mínimas de 25 mil livros para distribuição gratuita nas escolas, não, você não vai vender.

Por isso é que, de maneira geral, quem produz arte no Brasil, já espera não ser lido, não ser visto, não ser comprado, não ter sucesso comercial. Mais que isso, quem consegue, é guerreiro, é por que se sacrificou, se auto-flagelou, ofereceu seu sangue em pacto com o demônio e fez das tripas, coração. E neste caso, óbvio, você não será reconhecido pela Academia, pois obra boa “via de regra” não é apreciada pelo grande público, ou seja, se vende, não é bom.

Embora a motivação pudesse ser nobre em fazer a elite agir como vanguarda para desenvolver a arte e a literatura, o tiro saiu pela culatra. Nada disso extirpa sua validade, mas continuamos a seguir uma linha de pensamento retrógrado neste ponto: mais importante que se valer da arte e da literatura como uma expressão cultural e popular, cuja intenção é a difusão do pensamento crítico, criativo e social, é ter o reconhecimento dos seus pares em um determinado setor. Não importa que o Zé Mané da Esquina leia você. Não. Você tem que ser lido “por quem interessa” – editores, outros autores, jornalistas, intelectuais, enfim, gente que vai “saber apreciar” a sua obra, no melhor estilo coce as minhas costas que eu coço as suas.

Na literatura de gênero, a coisa fica um pouquinho pior: vale tudo para publicar o mais revolucionário romance, a trilogia que vai mudar o mercado editorial, a novela interativa online gráfica automizada que insere novos conceitos na realidade – até pagar bem caro, em geral o valor de duas impressões comerciais, em editoras como a Baraúna, a Andross, a Scortecci, a Giz Editorial (que trabalha com títulos pagos, mas também títulos que eles bancam de autores que já têm publicações e veios no mercado), a Novo Século (para quem não sabe, os novos talentos da literatura, selo da referida editora, que também publica André Vianco, cobra e muito bem dos novos talentos), a Multifoco (que disfarça a cobrança pedindo aos autores que “vendam seus livros”, num sistema de “consignação” que outras também já vem implementando), A Editora Literata (que nem site tem) e outras tantas que publicam em tiragens pequenas e prometem fazer seu lançamento, a comercialização do seu livro “pela loja virtual” e que seu livro será vendido em Livrarias como a Cultura, quando na verdade ele está disponível, na maioria dos casos, apenas por catálogo/encomenda (ou seja, não, você não vai entrar na cultura e ver seu livro em destaque ou sequer nas prateleiras). Mas estas editoras acabam sendo uma excelente opção para quem não tem maturidade literária, não quer esperar para ter, mas quer publicar, afinal, “uma hora você cansa de levar não”. Neste caso, a pessoa quer o livro pelo fetiche social de tê-lo em suas mãos e auto-intitular-se “O Autor”.

O comportamento destas editoras e autores têm sido, também, grande motivo de discussão. Todo mundo crítica, mas ninguém faz nada pra mudar nem oferece uma solução pro cara além do mundinho da divulgação virtual. São milhares as oficinas de Escrita Criativa, Criação de Roteiros, Criação de Contos, de Galinhas, de Patos, mas ninguém explica pro cara o que é estilística, embreagem e debreagem de texto, interpretação, análise do discurso, semântica, pragmática de texto. Aliás, a maioria dos editores do mercado não SABE o que é isso, até por que, como o livro virou fetiche, ser editor virou status social. Para que especializar-se? Você é editor de texto na medida em que possui uma editora, não na medida em que sabe lidar com o texto ou a produção de um livro. O profissional de texto morreu nesta brincadeira, ele foi relegado à posição do cara que morre de fome pedindo por uma qualidade editorial que, ah vá, nem é tão necessária assim.

E vemos todos os dias longos bate-papos orkut, twitter e facebook de editores que não editam grandes coisas (para não dizer nada), possuem carreira em anscensão ou gostam simplesmente de dar pitado para aparecer, apenas querem boa fama e seguidores (aliás, como disse dias atrás um velho amigo: seguidores são como rebanho – mede-se pela quantidade de arrobas), propagandas mil de livros e publicações, retwits de “cortesia profissional” hipócrita (divulga, mas pelas costas fala mal até dizer chega), chamadinhas pseudo-intelectuais no Facebook para atrair público e um monte de blogues propondo perguntas e mais perguntas sobre o mercado editorial. E nenhuma resposta.

Pronto. Voltamos ao começo do post.

Eu podia recomeçar todo o discurso com outras palavras e ficar assim o dia todo. Mas não dá. Não curto masturbação mental, seja ela ou não (pseudo) intelectual. Comecei esse post com o intuito de, quem sabe escrevendo, refletir sobre o que nos trouxe para o lugar em que estamos hoje, para, amanhã, reler, ver se alguém respondeu e continuar pela segunda pergunta a que me propus, pois, com base nisso resta saber o que fazer e como fazer: mudar, perpetuar o modelo, dedicar-se ao mercado externo, fingir que não se importa dizendo que o que está aqui não é nenhuma novidad (e se não é novidade, por que ninguém faz nada a respeito a não ser reclamar e fingir respostas e ações, etc). Enfim, o que não adianta é propor perguntas sem respostas, né meu povo?

E também não adianta usar a internet como bóia de salvação para “não deixar a [coloque aqui o nome do seu gênero literário ou produção artística] morrer”.

As perguntas têm de levar alguém a alguma resposta para fazermos algo além de twitar e orkutar.

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Da Casa de Janaina: http://bit.ly/b0WKXS

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pequeno manual da civilidade

As pequenas vantagens de virtudes grandemente subestimadas, analisadas por quem entende tudo do assunto, desde sempre.
Por Juliana Linhares
Montagem sobre foto divulgação

NÃO LIBERTE O MONSTRO QUE EXISTE EM VOCÊ

A vida em estado natural: "Solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta"

Engana-se quem pensa que civilidade é uma matéria relacionada a senhores pomposos e mesas cobertas de talheres esquisitos. Mas é verdade que o tema foi tratado por cavalheiros com quilometragem de pelo menos alguns séculos. Tudo o que disseram, porém, sobre a necessidade de convenções sociais para promover a boa convivência e administrar conflitos permanece de urgente contemporaneidade. Quando Schopenhauer, o gigante da filosofia alemã do século XIX, dizia que as pessoas deveriam seguir o comportamento do porco-espinho - se fica muito perto de seus pares, morre espetado; se fica muito longe, morre de frio -, não estava pensando no uso do telefone celular em público, mas bem que poderia. Thomas Hobbes, um dos gênios do pensamento político produzidos pela Inglaterra, constatou no século XVII que em estado natural, sem as construções sociais, "a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta". Em outras palavras, um congestionamento em São Paulo em dia de chuva. Por isso, emergem leis necessárias, entre as quais que "os homens cumpram os pactos que celebrarem" (e não parem em fila dupla, por exemplo) e "não declarem ódio ou desprezo pelo outro por atos, palavras, atitude ou gesto" (e não façam perfis falsos na internet). Especialistas em ética, comportamento e controle dos monstros interiores fazem análises e sugestões nesse pequeno manual das virtudes da civilidade. Todo mundo pode aprender - e até lucrar com elas. "O stress é causado em grande parte por relacionamentos humanos mal resolvidos. Se melhorarmos a capacidade de nos relacionar, teremos menos brigas, menos stress e, consequentemente, menos processos e pessoas doentes", diz o italiano Piero Massimo Forni. Professor da Universidade Johns Hopkins e um dos maiores especialistas mundiais no estudo da civilidade, ele até calculou o custo da falta dela nos Estados Unidos: 30 bilhões de dólares por ano. Já pensaram se ele conhecesse o Congresso brasileiro?

As 10 publicações, cada uma num dia, anteriores a este post, correspondem ao presente manual, publicado pela revista Veja.
Original em:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

1. Questão de honra

Houve um tempo em que tudo girava em torno dela: ter honra era ser um legítimo membro da tribo; não ter, preferível morrer. O conceito de honra, na sua interpretação mais tradicional, nasceu na Grécia antiga, foi remodelado em Roma e reemergiu na Idade Média. "Na época feudal, a honra era uma qualidade atribuída aos nobres, essencialmente guerreiros, cuja função social era proteger o rei, as crianças e as mulheres", diz Roberto Romano, professor de ética e filosofia da Unicamp. Hoje, a HONRADEZ pode ser mais relacionada à fidelidade aos próprios princípios ou ao próprio eu. Ou, no popular, ter vergonha na cara. É por isso que o tribunal da própria consciência continua a pesar mesmo quando se alega que "todo mundo faz", a começar dos "caras lá de cima", então "que mal tem" em levar a avozinha para passar na frente na fila de comprar ingresso, desrespeitar a precedência na hora de pegar uma vaga no estacionamento do shopping ou deixar uma toalha guardando lugar o dia inteirinho na espreguiçadeira da piscina disputada? O mal, evidentemente, está em desprezar a própria dignidade.

O fato
Nelson Almeida/AFP

É difícil imaginar exemplo mais completo de desonra que o do piloto NELSON PIQUET JÚNIOR. Ameaçado de demissão da escuderia Renault, ele confessou bem a posteriori ter concordado em fraudar o Grande Prêmio de Fórmula 1 de Singapura no ano passado. A certa altura da corrida, para facilitar a situação de seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, Nelsinho recebeu a ordem de bater seu carro contra um muro. Obedeceu. Os privilégios de nascimento - bonito, rico, sobrenome famoso - agravam o tamanho da indignidade cometida contra si mesmo e do mau exemplo dado à sociedade.

A análise

"Ser honrado, hoje em dia, significa ser portador de exemplaridade para uma comunidade. E, para ser exemplo, o sujeito precisa ser probo em todos os aspectos da vida dele. Não basta, por exemplo, ser só bom médico ou bom piloto. É preciso ser bom pai, bom marido, um sujeito respeitoso e incorruptível", diz o cientista político Bolívar Lamounier.

Original em:

http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

2. Os intransigíveis

O conceito de INTEGRIDADE tem raízes na Grécia antiga, onde o sujeito íntegro era chamado aplos, uma peça só - projetando com esse nome a imagem de inteireza, de alguém que não tem duas palavras, duas lealdades. "Não é íntegro aquele que transige em valores inegáveis de uma sociedade", diz Bolívar Lamounier. Integridade é não abusar do poder, não desmerecer os outros, não tripudiar. E também outras interdições mais prosaicas: não se esgueirar melifluamente na fila de embarque, não "deixar o carro aqui só um minutinho", não dizer que vai atender "só esta chamada" no meio da refeição compartilhada e não começar nenhuma piada dizendo "esta é politicamente incorreta" caso você não trabalhe no Casseta & Planeta.

O fato
Roberto Monaldo/La Presse/Zuma

Ele já deixou a primeira-ministra alemã Angela Merkel esperando enquanto falava ao celular, já passou cantada numa médica entre ruínas de um terremoto e já fez piadinha racista com Barack Obama (é "bonito e bronzeado", disse). Mas será que o primeiro-ministro italiano SILVIO BERLUSCONI também tem o direito de fazer o que quiser quando está na sua casa - como promover orgias e contratar prostitutas?

A análise

"O conceito de integridade não pode ser aplicado a Berlusconi porque ele não tem essa inteireza. Teria de apresentar um comportamento probo, imaculado, uma vez que deve espelhar o que há de melhor na sociedade. Mas o que prevalece nele é outra faceta, a de quem se movimenta com escracho, sem respeitar a liturgia que o poder exige", diz Bolívar Lamounier.

Original em:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

3. Obrigado, por favor

Um dos maiores especialistas do mundo no estudo da civilidade, Piero Massimo Forni acredita que as BOAS MANEIRAS não apenas não são coisa de um passado mítico de galanteria, mas ficaram mais importantes ainda na vida contemporânea. "Até umas três gerações atrás, boa parte da sustentação emocional e material das pessoas vinha dos familiares. Hoje convivemos muito mais com amigos e desconhecidos, e, nesse caso, ser afável é uma vantagem", explica. "A cortesia melhora a autoestima da pessoa a quem ela foi dirigida e, dessa maneira, torna as relações sociais menos tensas", concorda Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política da USP. A regra geral, e não escrita, de decência estabelece que todos devem ser tratados com os requisitos básicos de cortesia - "bom dia", "por favor", "obrigado" e "até logo" -, os quais devem ser redobrados em relação a quem ocupa posições menos destacadas. Ignorar a existência de quem presta serviços como trazer o seu carro ou limpar a sua sala é prova de insensibilidade. Ou boçalidade.
Rosana Braga escreveu uma obra
maravilhosa sobre o comportamento:
O PODER DA GENTILEZA
Editora Minuano

O fato

A atriz MEGAN FOX, 23 anos, é infernalmente bonita - e mal-educada. O pessoal técnico que trabalhou com ela em Transformers deu exemplos: ela chega ao estúdio sem cumprimentar ninguém, reclama de tudo, tem ataques de estrelismo e não dirige a palavra aos que considera hierarquicamente inferiores. Mesmo no caso dos superiores, como o diretor Michael Bay, já disse "É um Hitler" - ofensa hedionda, embora o pessoal ache que ela não sabe exatamente quem foi Hitler.

A análise

"A agressão verbal penetra no fundo da alma de quem é atingido por ela. É tão, mas tão grave que tem até punição prevista em lei. Um dos exercícios que proponho para identificarmos se tal ato é uma incivilidade é ver se é possível todo mundo praticá-lo ao mesmo tempo sem que o mundo vire uma barbárie, com todos matando a todos", diz Roberto Romano.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

4. Desafio diário

Na hora da raiva, das bravas, qual é o primeiro xingamento que lhe vem à cabeça? Em geral, nesses momentos o ser humano não é criativo e invoca diferenças de comportamento sexual, de origem familiar ou de grupo étnico. Pois o treinamento da aceitação das diferenças deve começar exatamente por aí. De todas as virtudes do campo da civilidade, a TOLERÂNCIA é a que mais exige autoaprendizagem. Quem acha que nunca, jamais conseguirá cumprimentar um torcedor do time adversário pode começar com coisas mais simples, como não ter espasmos visíveis diante do abuso do gerúndio ou prometer a si mesmo ao sair de casa que pelo menos naquele dia não vai comparar nenhuma mulher à fêmea de uma famosa ave natalina. "Tolerância tem a ver com comportamentos diferentes daqueles que valorizamos e pelos quais temos repugnância. Exercê-la é importante não só para a convivência social como para a sanidade mental", diz Bolívar Lamounier.

O fato
Fabio Motta/AE

Não é qualquer um que consegue fazer o país inteiro se solidarizar com um integrante do governo. Mas também não é qualquer um que usa o palavreado do governador de Mato Grosso do Sul, ANDRÉ PUCCINELLI, em relação ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc: "Ele é v... e fuma maconha. Se viesse aqui, eu ia correr atrás dele e estuprar em praça pública". Para piorar, veio depois o típico pedido falso de desculpas: "Se alguém se sentiu ofendido...". Desafio aos tolerantes urbanos: não achar que todo produtor rural é um brutamontes destruidor da natureza.

A análise

"O governador foi desmascarado em seus preconceitos mais bestiais. Em um momento em que se luta tanto contra discriminações, sejam elas de gênero, sejam sociais, o governador mostrou que não tem equilíbrio mental nem competência profissional para estar no cargo que ocupa", fulmina o cientista político Gaudêncio Torquato.

Original no site:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

5. Bateu, não levou

Levar uma fechada, ouvir uma buzinada milésimos de segundo depois que o sinal abre, esperar que o manobrista pegue o carro largado na sua frente com a maior displicência. O stress e o anonimato propiciados pelo trânsito nas grandes cidades se combinam para testar o tempo todo os limites do AUTOCONTROLE. Para não se transformar num ser desatinado em busca de vingança, só existe uma reação possível: olhar tudo aquilo de um ponto de vista distanciado - ou, se preferir, superior. "Podemos aliviar a raiva tomando distância do que está acontecendo. Alguém me xinga, por exemplo, e eu reajo como se a ofensa fosse um pacote que recebo e devolvo fechado, porque não me considero o destinatário. O ato de grosseria está relacionado com o estado mental do agressor, não com o do agredido", ensina Piero Forni. Quem acha que tem temperamento forte, sangue quente ou pavio curto, e usa essas expressões para justificar comportamentos agressivos, deve considerar a hipótese oposta. "A pessoa que não controla a agressividade no fundo tem ego fraco", explica a psicóloga Lidia Aratangy.

O fato
Jonathan Mannion/
Corbis Outline/Latin Stock

Eles estavam numa festa, discutiram. Entraram no carro, gritaram. Pararam, ela pegou a chave e jogou pela janela. Que briga de namorados já não passou por esses estágios? A diferença no caso infeliz do rapper americano CHRIS BROWN, 20 anos, é que ele não teve autocontrole para impedir que a raiva se transformasse em agressão - e arrebentou brutalmente o rosto da cantora Rihanna, 21. E ainda disse no dia seguinte que todo mundo iria saber quem "era ela de verdade". A partir daí, os profissionais de imagem assumiram e ele pediu desculpas duas vezes, sem muita convicção. Foi condenado a cinco anos em regime de liberdade vigiada e 180 dias de trabalho comunitário.

A análise

"A única maneira de uma pessoa de pavio curto adquirir autocontrole é ela tomar a decisão, de maneira íntima e compromissada, de não agir com violência diante de uma situação de stress", diz o cientista político Rubens Figueiredo. Quem já atingiu o limiar da agressão física deve parar - de dirigir, por exemplo, ou de beber - até se reprogramar, com ajuda profissional se necessário.

Original no site:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

domingo, 21 de fevereiro de 2010

6. Respeito é bom

O termo CIVILIDADE vem da palavra civitas, que quer dizer cidade. Tem civilidade, portanto, aquele que sabe viver em sociedade, um sistema refinado ao longo dos tempos. No século XVI, por exemplo, o filósofo holandês Erasmo escreveu uma espécie de manual de comportamento. "Ele explicava que não devemos cuspir à mesa nem na mesa, nem beber a sopa direto da sopeira, nem colocar as botas em cima da mesa. Soaria estranho fazer isso hoje, mas houve um tempo em que os nobres precisaram ser educados para melhorar seus modos", diz Renato Janine Ribeiro. Na construção da sociedade ocidental, o mesmo conceito que abrange algo aparentemente acessório, como os bons modos à mesa, inclui o complexo mecanismo do respeito entre as pessoas, base das relações civilizadas. "Hoje, o que entendemos como a ideia central da civilidade é justamente o respeito pelos outros. Os bons modos mostram a nosso próximo que temos estima por ele", diz Ribeiro. Roberto Romano propõe uma pergunta simples para aplicar o conceito de civilidade em diferentes situações da vida cotidiana: o que posso fazer pelo outro para que a vida de todos seja suportável? Ed Ferreira/AE

O fato





Desprezar o conceito de serviço público, legislar em causa própria, fazer nepotismo cruzado, usar recursos não contabilizados e mentir muito. Todo mundo já percebeu de quem estamos falando. Mas fazer tudo isso e ainda esfregar na nossa cara? Em maio passado, o deputado SÉRGIO MORAES (PTB-RS) se irritou com jornalistas que cobravam dele posição mais rigorosa sobre o caso do colega do castelo de 25 milhões de reais nunca declarados e tripudiou: "Eu estou me lixando para a opinião pública. Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, batem, e nós nos reelegemos mesmo assim". A ofensa em escala nacional não abalou o senhor Moraes. "A mídia distorceu a minha fala. O que eu quis dizer é que eu não ia mentir, como a mídia queria", insiste. E reincide: "Não fui deselegante com ninguém, não me arrependo e tenho muito orgulho do que eu disse".

A análise

"O deputado desrespeitou quem votou nele, desrespeitou seu cargo, desrespeitou quem escutou aquela declaração. O perigo mais evidente nesse tipo de situação é o comportamento mimético. As pessoas pensam: se o deputado rouba, por que eu não posso roubar? Se ele fala essas coisas, por que eu tenho de me esforçar para ser educado?", diz Gaudêncio Torquato.

Original no site:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

sábado, 20 de fevereiro de 2010

7. Fora, trapaceiros

Todo mundo quer se dar bem, mas, se fizer qualquer coisa para conseguir isso, o mundo todo vai acabar mal. Não é preciso nem voltar ao estado natural, ou hobbesiano, da guerra de todos contra todos para entender a necessidade de um conjunto de regras comumente aceitas e, dentre elas, a importância da HONESTIDADE. Seja pagar pelo gabarito da prova do Enem, seja levar comissão em obras públicas, quem faz trapaça está roubando um pouco de cada um, não só em termos materiais, mas principalmente pela infração ao pacto social através do qual contemos nossos instintos mais selvagens em troca das garantias da civilização. "Na sociedade ocidental cristã, a figura do trapaceiro é uma das mais odiadas. A trapaça fere várias convenções sociais, entre elas a obediência às regras e a honradez", diz Roberto Romano.

O fato
Timothy A. Clary/AFP

Mesmo no universo dos grandes ladrões, a tungada de BERNARD MADOFF, 71 anos, estabeleceu novos parâmetros de desonestidade. Madoff conseguiu tirar dinheiro de gente que entendia tudo do assunto, mas também limpou viúvas, instituições de caridade, parentes e amigos. A pirâmide financeira que presidiu sugou 65 bilhões de dólares de quase 5 000 enganados. Faltando poucos dias para ser preso, quando todo o esquema já havia ruído, ele ainda conseguiu arrancar 250 milhões de dólares do homem a quem dizia ter como pai, o venerando empresário Carl Shapiro, de 95 anos, dando um novo sentido à expressão roubar velhinhos.

A análise

"O efeito de uma desonestidade cometida por uma figura conhecida, bem-sucedida e querida pode virar um problema enorme. Nem todas as pessoas vão ver a desonestidade que não deu certo como um ato necessariamente ruim, passível de restrição moral. A interpretação de muitos é que o erro pode não ter sido o ato, mas o fato de aquele sujeito conhecido, bem-sucedido e admirado não ter conseguido se safar", diz o sociólogo Demétrio Magnoli.

Original no site:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

8. Dobre a língua

A cultura da permissividade tem enormes vantagens - a começar, naturalmente, pelo abrandamento dos costumes repressivos. A contrapartida também é evidente: a ideia disseminada de que cada um pode, e até deve, fazer e falar o que quiser, mesmo que isso invada o espaço alheio, incluindo os ouvidos. Não dizer o que dá na bola é diferente de contar mentiras. No primeiro caso, quem usa da CONTENÇÃO VERBAL está obedecendo ao mecanismo de freios sociais pelo qual as opiniões próprias são atenuadas de forma a não ofender os sentimentos alheios. No segundo, a verdade é falsificada para tirar algum proveito, nem que seja promover a própria e engrandecida imagem. Quem acha que tem de "pôr para fora" tudo o que pensa e até invoca o pensamento mágico ("Assim não vou ter infarto") na verdade não está no comando de si mesmo. "Viver em sociedade implica abrir mão de certas selvagerias para obter a proteção social que vem da vida em conjunto", diz Roberto Romano. "Nesse contexto, a má-educação, a ganância desmedida, a negligência ao outro, são todos fatores de desagregação social."

O fato
Adriano Vizoni/Folha Imagem

Quando MARTA SUPLICY era ministra do Turismo e disparou o infame "relaxa e goza" para os infelizes vitimados pelas longas esperas nos aeroportos, obedeceu a imperativos próprios: ter papas na língua era o equivalente a viver uma vida de insuportável repressão, como pregava uma tendência psicanalítica dos anos 70. Resultado: passou imagem de arrogância pela classe a que pertence, prepotência pelo posto que ocupava e, incrivelmente para uma pessoa com seu histórico, machismo virulento pela comparação.

A análise

"Na política, alguém que fala o que quer e, principalmente, com um nível de agressividade alto está querendo dizer que é dono da verdade absoluta", analisa Demétrio Magnoli. "Na esfera privada, quem fala o que quer e não se preocupa com o que o outro pensa e sente, além de ser profundamente incivilizado, não permite que uma divergência seja resolvida. O diálogo é cortado antes que produza frutos."

Original no site:
http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

9. Sinto muito, mesmo

Pressa, pressão, prazos - tudo na vida contemporânea conspira para que o tratamento civilizado seja atropelado mais cedo ou mais tarde. Para isso existe um remédio universal: PEDIR DESCULPAS. O arrependimento sincero, aquele cuja intenção seja menos aliviar a consciência do ofensor e mais dar uma satisfação moral a quem foi ofendido, é um lenitivo de eficácia comprovada através dos tempos. Só os seres altamente evoluídos se desculpam com classe e naturalidade, mas os demais - ou seja, todos nós - também podem desfrutar o sentimento de paz interior que essa atitude desencadeia. É só treinar direitinho. Quanto ao momento e ao método corretos para pedir desculpas, gente com os mecanismos psíquicos em estado de bom funcionamento tem um "vergonhômetro" infalível. "É aquele sangue que sobe ao rosto quando fazemos algo errado, e que sinaliza o respeito pelo outro", diz Roberto Romano. "Sem isso, o pedido de desculpas não vale."

O fato

Kevin Lamarque/Reuters

A moral sexual é, evidentemente, assunto de foro íntimo, mas trair a mulher e tentar faturar em cima disso vira um caso flagrante de ofensa social. Ainda por cima fingindo falso arrependimento, como fez o apresentador americano DAVID LETTERMAN, 62 anos, ao contar piadinhas para confessar que teve casos com funcionárias e que estava divulgando o fato porque alguém que sabia da prática ameaçou chantageá-lo. Só uma semana depois ele se lembrou de pedir desculpas, esfarrapadíssimas, à mulher. A audiência foi às alturas.

A análise

"Ao fazer humor com o ocorrido, ele quis banalizar seu erro e, assim, ser perdoado", diz Rubens Figueiredo. "O pedido de desculpas deve mostrar que você está ciente de que o que fez foi errado, e que magoou a outra pessoa. Buscar justificativas tortuosas para o ato demonstra negligência em relação aos sentimentos do outro", completa Piero Forni

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http://veja.abril.com.br/041109/pequeno-manual-civilidade-p-108.shtml

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

10. A casa comum

O comportamento decoroso surgiu na Igreja Católica, a partir da vestimenta dos padres e das freiras, sempre igual em qualquer ambiente e feita para cobrir tudo de forma a não atentar contra o pudor próprio ou alheio. "Com o tempo, o DECORO das vestimentas passou para a linguagem e as atitudes. A fala decorosa é aquela que diz o que tem de dizer sem adular ou ferir. O comportamento decoroso é aquele que não ofende os outros, que não agride, que não é exibicionista ou apelativo", explica Roberto Romano. Pequenos atentados cotidianos ao decoro incluem urrar ao celular em ambientes confinados, ignorar solenemente aquilo que seu cãozinho faz na calçada e ouvir música nas alturas porque "a casa é minha". Ter decoro é entender que a casa é um pouco de todos.

O fato
Divulgação/TV Globo

Lady Kate, personagem da atriz KATIUSCIA CANORO no programa Zorra Total, é exibida, decotada e exagerada, adora gastar o dinheiro de um certo senador que convenientemente nunca aparece e, diante de qualquer obstáculo que surge, repete o bordão: "Tô pagando". Na personagem, é engraçado; na vida real, é execrável.

A análise

"Uma vez conscientes de que a vida é uma experiência baseada nas relações, temos de ter em mente que os desejos das outras pessoas são tão válidos quantos os nossos. Isso significa que, ao perseguir nossos objetivos, precisamos ter certeza de que estamos sendo justos com os outros. O decoro nos ajuda a ajustar essa medida", diz Piero Forni


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O piano na escada

A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia.

Imagine que você está descendo as escadas do metrô, como faz habitualmente todos os dias, e começa a ouvir sons de piano, tocados em ritmo que vai de acordo com os seu passos. Essa foi a proposta da agência de publicidade DDB em uma parceria com a Volkswagen.

As duas empresas se reuniram para criar um experimento chamado, Fun Theory (algo como "teoria divertida", em inglês), uma tentativa bem ambiciosa de tentar mudar os hábitos sedentários dos moradores da capital da Suécia, Estocolmo.

Para isso, transformaram as escadas de uma estação de metrô em um piano, o que aumentou surpreendentemente o uso das escadas em 66%. O resultado você confere no vídeo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A soma de todos nós


"Ninguém é tão burro quanto a soma de todos nós". Outro dia escrevi sobre a "asinidade estratégica", uma curiosa situação que faz com que pessoas inteligentes tomem decisões burras. Diz a sabedoria popular que quando discutimos problemas em grupo as idéias ficam mais claras, mais pontos de vista surgem, mais rica fica a tomada de decisão, não é? Mas não é isso que tenho encontrado por aí... Você já foi a uma reunião de condomínio, por exemplo? Já viu o que acontece quando o grupo tenta chegar a um acordo? Viu quanto tempo é perdido? Viu o volume de picuinhas que é discutido? Até que a turma cansa e acaba optando pela solução consensual, na maioria das vezes pelo NÃO fazer...
É assim que o homem funciona em grupo: existem diferenças de percepção gigantescas e buscar o consenso acaba provocando o nivelamento por baixo. E quem insistir na defesa de um ponto de vista contrário ao consenso arrumará um monte de inimigos e nunca mais terá paz. Será rotulado. E cada vez que der uma idéia ela será recebida com desconfiança pelo grupo pois "veio daquele maluco, daquele inconseqüente, daquele irresponsável".
Se individualmente o homem não gosta de mudanças, quando está em grupo ele odeia.
Encontrei uma das explicações para a asinidade estratégica em Warren Buffet, um dos maiores bilionários da atualidade, que descobriu o que ele chama de "imperativo institucional", uma força que impele as pessoas a um comportamento não racional no trabalho. Buffet define essa força em quatro partes:
1. Como na primeira lei do movimento de Newton, uma instituição ou empresa resistirá a qualquer mudança na direção para onde ela está indo. Ameaças à zona de conforto são automaticamente repelidas, mesmo inconscientemente. Ninguém gosta de mudanças.
2. Da mesma forma que o trabalho se expande para preencher o tempo disponível, uma grande variedade de projetos materializa-se para consumir recursos adicionais. É só aparecer algum dinheirinho extra que surge uma ideia para consumi-lo. Igualzinho na minha casa...
3. Qualquer idéia que venha do líder, por mais imbecil, será rapidamente suportada por relatórios e argumentos de subordinados. Asinidade estratégica é contagiosa, principalmente se vem do chefe...
4. O comportamento de outras empresas - principalmente concorrentes - estejam elas expandindo ou demitindo, será cegamente imitado. É a técnica do eu também.
A racionalidade não tem vez diante da asinidade estratégica. A asinidade estratégica é resultado do processo de tomada de decisão das pessoas, que é sempre emocional. Pessoas pensam e agem a partir do instinto de sobrevivência, focadas em interesses particulares e de olho no outro. Vivem apavoradas com a possibilidade de perder, de errar, de não fazer o "melhor negócio". Essa atitude quase sempre as coloca em conflito com os interesses da empresa, criando um estado permanente de hipocrisia, aquele teatrinho corporativo que a gente conhece bem... Interesses pessoais são o berço da asinidade estratégica, tanto naquela multinacional como para sua empregada doméstica. E vale também para os políticos, por quê não? Ou você acha que ver o Gabeira e o Suplicy - políticos que se notabilizam por uma imagem de honestidade -metidos na farra das passagens aéreas é por acaso?
Não é não.
É a asinidade estratégica funcionando.
Luciano Pires
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domingo, 17 de maio de 2009

O medo da morte


Existe um conto indiano que narra a seguinte história:
Um discípulo procura o seu mestre e lhe pergunta:
- Mestre, qual é o seu segredo para nunca se enfurecer e ser sempre amável? E o mestre lhe respondeu:
- Não sei se posso falar sobre o meu segredo, mas eu sei qual é o seu... E o discípulo curioso, perguntou:
- E qual é o meu segredo?Compenetrado, o mestre disse:
- Você vai morrer em uma semana.
Assustado com as palavras do mestre, o discípulo procurou, na semana seguinte, tratar os amigos e os familiares com muita afeição e, no sétimo dia, deitou-se em sua cama e pediu que chamassem o seu mestre. Quando este chegou, o discípulo lhe disse:
- Abençoe-me, sábio mestre, pois estou morrendo. Após abençoar o discípulo, o mestre lhe perguntou:
- E como você passou a semana? Brigou com a família, com os amigos? E o discípulo lhe respondeu:
- Obviamente que não. Eu os amei intensamente. Após ouvir isso, o mestre lhe falou:
- Você acabou de descobrir o meu segredo. Eu sei que posso morrer a qualquer momento, por isso, procuro ser sempre amável com todas as pessoas de minhas relações.
Curiosamente, muitas pessoas que passam por experiências radicais, como são as experiências de quase morte (EQM), mudam profundamente sua forma de viver, passando a amar e a valorizar muito mais seus familiares, o meio ambiente e as demais pessoas com as quais se relaciona. Essa mudança de sensibilidade é conhecida como metanóia, na qual uma atitude egoísta diante dos fatos é substituída por uma atitude amorosa. O egoísmo é fruto, basicamente, do medo da morte. E a maioria das pessoas teme a morte porque possui uma consciência equivocada, acreditando que a morte é o oposto da vida. Mas, na verdade, o que se opõem à morte é o nascimento.
A vida está além da morte e do nascimento. Ela antecede o nascimento e continua além da morte. O que nós conhecemos por vida é apenas um de seus ciclos, formado por um nascimento e uma morte. Vamos, nesse encontro, chamar esse ciclo de existência.
O egoísmo se alimenta do medo da morte e vice-versa. Todos nós queremos permanecer vivos e como acreditamos que a morte é o oposto da vida, temos medo de morrer e lutamos arduamente por aquilo que acreditamos ser a vida: a matéria.
Acumulando bens materiais, buscando a felicidade no consumo ou na posse de outras pessoas, acreditamos que isso nos faz vivos e nos afasta da morte. Todos desejam viver eternamente. E é justamente isso o que acontece.
A vida é realmente eterna. Apenas cada existência, ou seja, cada ciclo de nascimento e morte, é finito.
Recebi por e-mail sem a citação da autoria.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ciência da mente: paradigmas e mudanças


Os campos que buscam compreender nossa mente e comportamento, se vêem imersos num empreendimento científico arrojado e possuem particularidades em relação a outros âmbitos da ciência. A mente humana, tão variável e maleável, complica imensamente a busca de princípios gerais da natureza humana.
O filósofo Thomas Kuhn argumentou que as teorias científicas modernas não são mais verdadeiras do que as teorias que elas desbancam, apenas diferentes. As teorias sobre a natureza humana, nunca morrem. É comum que velhas idéias sejam simplesmente recicladas ou reformuladas. A metafísica*, por exemplo, é um paradigma que ainda persiste e causa mal-estar paara a filosofia moderna.
Como explica o filósofo da Universidade Federal de São Carlos João de Fernandes Teixeira, é ingenuidade positivista achar que a metafísica pode ser sepultada. “Fernando Pessoa disse que a metafísica é produto do mal-estar. Creio que a metafísica é algo pior: ela nos causa mal-estar. E que não é possível, para nós, livrarmos definitivamente desse mal-estar. De tempos em tempos ele reaparece” complementa o filósofo.
Embates Científicos
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Mas as revoluções científicas e os embates entre paradigmas são importantes para a ciências da mente. De acordo com o jornalista americano John Horgan, a belicosidade da ciência da mente a distingue de outros campos. Os estudiosos com freqüência se mostram mais empolgados não quando anunciam seus paradigmas favoritos, mas quando acabam com o paradigma alheio.
“Quando se trata de teorias sobre a natureza humana, os padrões das provas devem ser inversos aos que se aceitam nos tribunais. As teorias devem ser consideradas culpadas – ou seja, incorretas ou dúbias – até que sua correção seja estabelecida além de uma dúvida razoável”, complementa Horgan. A ânsia por verdades absolutas na ciência pode ter conseqüências perigosas. Um pouco de ceticismo e cautela quanto aos produtos da ciência é fundamental.
O filósofo Karl Popper tomou essa atitude e usou o critério da falseabilidade para demarcar a ciência. Nunca podemos provar que nossas teorias são verdadeiras, argumentou Popper. Só podemos refutar teorias, provar que são falsas. Portanto, todo conhecimento é experimental, provisório.
Sobre essa questão, Horgan afirma que ceticismo de menos nos deixa à mercê de charlatões vendedores de panacéias científicas. Ceticismo demais pode levar a um pós-modernismo radical que nega a possibilidade de chegar não só ao conhecimento completo de nós mesmos mas também a qualquer conhecimento. Mas a dose certa de ceticismo combinada a dose certa de otimismo, pode nos proteger da avidez por respostas enquanto nos mantém receptivos o bastante para reconhecer a verdade se e quando ela chegar.
Texto de Rafaela Sandrini
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*A Metafísica é uma das principais obras de Aristóteles e o primeiro grande trabalho sobre a própria metafísica. O objeto de investigação da Metafísica não é qualquer ser, mas do ser enquanto ser. Examina o que pode ser afirmado sobre qualquer coisa que existe por causa de sua existência e não por causa de alguma qualidade especial que se tenha. Também aborda os diferentes tipos de causas, forma e matéria, a existência dos objetos matemáticos e Deus.
O título Metafísica resultou da ordenação dos livros após aos da Física, de acordo com a disposição dada por
Andrônico de Rodes, no primeiro século a.C. O tratado é composto de 14 livros.
Na metafísica,
Aristóteles definiu as quatro causas, explicada aqui em termos gerais:
Causa formal - É a forma ou essência das coisas.
Causa material - É a matéria de que é feita uma coisa.
Causa eficiente - É a origem das coisas.
Causa final - É a razão de algo existir.

FONTE: WIKIPÉDIA

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A dualidade na criação - II


A barbárie sempre existiu em nosso planeta, porém, imperou como lei nos primórdios da cultura humana. Não é fácil crer, ou compreensivo aceitar, que a natureza tenha gastado mais de quatro bilhões de anos talvez dez para criar seres, inteligentes, que queimam corpos de animais imolados em um altar, acreditando que o aroma daquele holocausto seria agradável ao próprio criador do sacrificado. Agradável é entender e testemunhar o comportamento social, moral e espiritual que alguns homens, sob a luz do Amor coletivo, tiveram para com os povos de diferentes regiões do planeta e em diferentes épocas: Zoroastro, Pitágoras, Buda, Jesus, Maomé, Ghandi e muitos outros. A teoria darwinista, que propõe a origem comum de todos os seres vivos e a seleção natural do mais apto, através da luta pela existência e sobrevivência, sugere que estes, juntos a aqueles bárbaros, assassinos, ladrões, políticos corruptos e inquisidores tarados, tenham sido paridos (usando uma linguagem figurada mais direta) e conduzidos, lado a lado, através da estrada evolutiva, pelas mãos do independente e imprevisível acaso pelo beneplácito do catecismo científico, verdade indiscutível.

Sendo deste modo, o acaso precisou de quinze bilhões de anos para criar seres, cuja conclusão extrema é o parentesco fisiológico; humanos semelhantes em sua anatomia, porém, enigmaticamente diferentes na conduta; etnias, com antagonismos morais ilógicos para quem compartilha do mesmo meio social; trilhas convergentes à mesma estrada evolutiva. Mais lógico parece-nos crer em uma dualidade na criação: a formação das espécies pelo processo de seleção natural, esta lei desconhecida chamada acaso. E a do comportamento humano, tão diverso e incompreensível, mas, com a força imensurável da liberdade; mosaico da vontade própria; vícios e virtudes, amor e ódio, ignorância e sabedoria. A esta igualmente desconhecida lei, também evolucionista, porém, planejada , chamaremos com muita propriedade de "Força Suprema". Porque o comportamento humano, não instintivo a conduta, resulta da aquisição de conhecimentos e conceitos morais, alicerces racionais que desenvolvem e sustentam a inteligência.

A maior liberdade da inteligência é o senso de eternidade, o ato de separar elementos desse universo complexo, os quais só podem subsistir, fora desta totalidade, mentalmente. É a abstração. Tudo que é abstrato não é resultado da natureza orgânica e sim de natureza etérea, de pensamento, de alma, de espírito. É a imaterialidade. É dom sagrado o homem desfrutar do produto de seu trabalho e de sua inteligência. Por isto, aquele que se esclarece, deve acautelar-se e não se resignar com a providência. Pois, se assim o fizer, estará abrindo mão da razão, da ação, e não agir equivale a não existir. Einstein dizia que "a mais bela emoção é o mistério. Se o homem soubesse de tudo, sua vida perderia a graça, pois a beleza está na curiosidade, no estudo, na pesquisa, na hipótese, na sensação de que sempre falta alguma coisa a saber." Hermes Trimegisto aconselhava:

"Se quiserdes saber o segredo desta força suprema, deveis separar a terra do fogo, o fino e sutil do espesso e grande, suavemente e com todo o cuidado. Sobe da terra ao céu e, dali, volte a terra para receber a força do que está em cima e do que está em baixo."

A ciência tudo pode porque o homem a tudo aprende. E aprenderá que o principio criador é lento e brando, mas Onipotente; incomensurável e infinito, mas Onipresente; misterioso e alegórico, mas Onisciente.

Autor: Paulo Roberto Marinho
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