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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O urso faminto

Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez. Porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, dirigiu-se para uma grande fogueira, ainda ardendo em brasas e dela tirou uma enorme tina de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando a comida. Enquanto abraçava a tina, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da tina que o estava queimando. Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a tina encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação; interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida. Então, começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a tina quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso, praticamente sentado, recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. Ele tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na tina e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história do mestre Jomano, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor; queimam-nos por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos. Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve. Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder. Solte a tina, solte a tina...
Quando soltá-la, perceberá que você pode libertar-se e que, com certeza, tudo vai dar certo...
Por César Romão - do livro "Tudo vai dar certo"

Capturado no endereço: 

terça-feira, 27 de abril de 2010

Entrando pelo tube

Dois acontecimentos interessantes marcaram a passagem de 2009 para 2010: o caso de Geisy Arruda, a garota que foi à escola com um vestidinho e quase foi linchada e o comentário de Boris Casoy sobre os garis na televisão, que foi ao ar sem que ele percebesse.

O mundo quase caiu sobre Geisy, que no final acabou se dando muito bem, transformada numa quase celebridade em programas de televisão. Mas caiu mesmo foi sobre o Boris, que teve seu passado revolvido por todos aqueles que já não gostavam dele ou ficaram indignados com o comentário. Bem, já escrevi sobre esses assuntos. Vá ao Google e procure por "Os Neocaretas" e "Eribertos e Francenildos".

O que me interessa agora é refletir sobre a forma como esses assuntos ganharam relevância nacional.

Veja só: o caso da Geisy ficou restrito aos alunos que testemunharam o bafafá na escola, a Uniban. Só explodiu cerca de um mês depois do incidente, quando os vídeos foram parar no Youtube e começaram a repercutir em diversos blogs. Dali a coisa pulou para os jornais, rádios, televisões e... pronto!

No caso do Boris, embora o comentário tenha ido ao ar em rede nacional, está quase inaudível. Foi feito durante a exibição de uma vinheta do noticiário que ele apresenta na TV Bandeirantes. Pouca gente viu e quem viu não ouviu direito. Mas alguém gravou, legendou e colocou no Youtube. Pronto! Um milhão e meio de visitas ao vídeo em uma semana!

Onde quero chegar? Simples: nenhum desses dois casos tomaria proporção nacional sem a internet. Nenhum causaria comoção sem os vídeos no Youtube. E quem é que produziu os vídeos? O da Geisy foram estudantes filmando com celulares. O do Boris foi alguém que capturou da televisão, com cuidados técnicos mínimos. Custo de produção? Zero. Qualidade de produção? Nenhuma. Investimento em divulgação? Nicas. Custo de distribuição? Nada.

Neste novo mundo, qualquer um pode provocar um impacto imenso na sociedade. Basta capturar conteúdo relevante. O resto a internet faz... São bilhões de celulares, máquinas fotográficas e filmadoras digitais. Milhões de computadores com softwares simples de edição. Bilhões de conexões com a internet. Você já parou para refletir sobre o poder que cada um de nós passa a ter num contexto como esse? Basta capturar algo relevante.

Comentei em outro artigo que a definição de "relevância" - numa sociedade em que Platão perde para o Latino - é relativa. "Relevância" hoje em dia tem muito mais a ver com o espetáculo e a ideologização dos discursos do que com qualquer outra coisa. Mas a televisão que tratou a internet como besteira, capitulou. Entendeu que precisa desse conteúdo "relevante". A cada dia mais e mais imagens tecnicamente horrorosas da internet ocupam espaço na televisão.

O apuro técnico dá lugar ao conteúdo. Infelizmente focado em sexo, morbidez e "pegadinhas".

Talvez seja esse o preço do deslumbre, da transição que vivemos neste início da maior revolução que a humanidade já experimentou: qualquer um pode ser escritor, diretor, fotógrafo, artista. E pode ser visto!

Não existem mais segredos. Nada pode ser apagado da memória. Tudo fica disponível.

Tenho a esperança que um dia, passado o deslumbre e mantida a liberdade de acesso, esse conteúdo seja nutritivo.
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Luciano Pires
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domingo, 6 de dezembro de 2009

O que é popular


Estou viciado no Auditório Ibirapuera. Vira e mexe vou lá, num domingo pela manhã, numa sexta à noite ou em qualquer dia da semana que posso. Já assisti ali shows memoráveis de André Abujamra, Antonio Nóbrega, Tangos e Tragédias, Funk Como Le Gusta e muita gente mais. Um auditório maravilhoso, confortável, seguro, com acústica perfeita e frequentado por gente que sabe o que está fazendo lá. Quando o show é caro, custa 30 reais. Ou seja: consigo apreciar o que existe de mais fascinante na música brasileira, pagando bem barato.

Esta semana estive no SESC da Avenida Paulista. Assisti um maravilhoso show de jazz, lanchei numa "comedoria" deliciosa, e visitei uma lojinha com CDs inacreditáveis. Saí de lá alimentado, com seis CDs e com o espírito leve de quem se entrega à boa música. E gastei em torno de 80 reais, incluídos os seis CDs.

Então recebo este email da leitora Lívany Salles com um comentário interessante:
"Luciano, brasileiro sempre reclama que cultura é para intelectuais ou que cultura custa caro, como se fosse um objeto que pode ser vendido ou comprado. Parece até que as pessoas dão mais valor quando compram um ingresso caro para uma peça de teatro ou vão ao cinema nos finais de semana e feriados, gastando dinheiro com estacionamento, com comida e com o ingresso propriamente dito, que anda bem salgado, diga-se de passagem. Não estou dizendo para ninguém deixar de ir ao teatro ou ao cinema, pelo contrário. Apenas afirmo que existem opções para os dias de, digamos, vacas magras. E, ultimamente, como a grana anda hiper apertada, resolvi entrar na 'onda' dos eventos gratuitos. Descobri tantas opções que algumas até calham de ser no mesmo dia e horário. Ou seja, estou até escolhendo! Ontem fui numa palestra do programa Café Filosófico. Bom, a palestra foi fenomenal e saí com aquela sensação de 'ah, se todos aproveitassem essas oportunidades'. Se realmente as pessoas dessem valor. Conclusã uma noite super agradável ao preço de duas passagens de ônibus e um chocolate quente que custou R$ 0,65. E eu
vejo tanta gente reclamando que não sai porque não tem dinheiro. Ou, então, reclama que não tem opção de lazer. Que tudo o que é bom, é caro. Mas basta sair de casa para encontrar diversas oportunidades de apreciar bons programas sem gastar muito dinheiro."

Pois é. Minhas experiências no Auditório Ibirapuera, no SESC e em tantos outros lugares, assim como o email da Lívany, me levam a uma daquelas reflexões: o que é "popular"?

As definições de dicionários dizem que popular é aquilo que é do povo; comum a todos; democrático. Portanto acessível. Pelo critério da acessibilidade ao artista, então "popular" é a Orquestra de Câmara da Ulbra lá de Porto Alegre, dirigida por meu amigo Tiago Flores, que cobra 10 ou 15 reais pelo ingresso, quando não toca de graça. "Popular" é a Biblioteca Municipal, que não cobra ingresso. "Popular" é o
grupo de chorinho que toca todo sábado na Feira da Benedito Calixto, sem cobrar nada. "Popular" é a quantidade imensa de artistas independentes que vendem seus CDs como podem, por 5, 10 ou 15 reais. "Popular" são o SESC e o Auditório Ibirapuera.

Mas curiosamente nossa sociedade inverteu essa lógica: "populares" são a Ivete Sangalo. A Banda Calypso. Zezé di Camargo e Luciano. Roberto Carlos. Artistas competentes, batalhadores, mas a cujos shows é impossível ir sem gastar 80, 100 ou 200 reais.

Sacou o jogo? Neste nosso mundo midiático, quanto mais "popular", mais caro. E inacessível.

Felizmente temos aquela velha arma nas mãos: a liberdade de escolha para optar pelos artistas dos auditórios Ibirapuera e Sescs.

Liberdade de escolha, sempre ela...

Pena que a maioria não usa.

Luciano Pires
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sábado, 17 de outubro de 2009

O medo da liberdade


Se existe uma coisa que amo fazer, é desenhar. Sou cartunista. Não ganho a vida com isso, mas me divirto um bocado... E quando as pessoas descobrem minha habilidade, invariavelmente pedem:
- Desenha alguma coisa aí?
Nessa hora eu congelo! Fico olhando aquela folha branca e... Nada!
- Desenhar o quê, pô? Um porco? Um dinossauro? Um relógio? Um sapato?
- Ah, sei lá... uma vaca, vai.
E então eu desenho a vaca. E a pessoa fica satisfeita e vai embora com o desenho da vaca. Feliz como uma criança... Se me pedem "qualquer coisa", demoro pra desenhar. Mas se dizem o que querem, é plaft-pluft!
Mas o tal "branco" que me dá não é só desenhando, não. Quando entro naquelas gigantescas seções de CDs e DVDs das "megastores", por exemplo, já sei o que vai acontecer. Esquecerei nomes de artistas, de álbuns, de músicas, de filmes e de diretores. Branco total! Se não fizer uma lista antes, sou capaz de sair com nada nas mãos. Acredite: já aconteceu. São tantas as opções de escolha que eu escolho coisa nenhuma.
E a compra de café no supermercado, nos EUA? Tem café sem cafeína. Com menta. Com açúcar. Em grão redondo, grão oval e grão quadrado. Cru, torrado e sublimado. É um sofrimento. E quando finalmente faço minha escolha, saio do mercado com a pulga atrás da orelha.
- Pô, tinha tanta opção... Será que fiz um bom negócio?
Dizem os especialistas que aquela máquina maravilhosa chamada cérebro, por absoluta falta de capacidade física, não consegue processar as escolhas na velocidade das ofertas. Só conseguimos lidar com uma quantidade limitada de variáveis. Dê-me uma ou duas alternativas. Três ou quatro. Talvez sete... Mais que isso, vira problema. Além disso, quanto mais oportunidades de escolha, mais expostos ficamos a uma coisa com a qual não lidamos bem: a liberdade.
Você já subiu em um prédio, chegou até a beirada e olhou para baixo? Qual é a sensação que você tem? Medo, não é? Pois é. E medo de quê? A maioria das pessoas dirá:
- De cair!
Engano seu... Aquele medo que aparece não é de cair. Você fica apavorado porque, naquele instante, vem à consciência uma verdade terrível: se quiser pular, você pode! Não vai pular, mas se quiser, pode...É esse o medo que apavora: a certeza de que podemos fazer o que quisermos com nossa vida. Toda a responsabilidade do mundo cai em seu colo. Você está diante de um risco, sozinho, dono de seu destino, livre para construir o futuro. Se falhar na escolha e os outros ficarem sabendo,você poderá ser criticado, ridicularizado. Que horror! É isso que apavora. Paralisa...E então você escolhe "ficar na sua", seguir o rebanho e não inventar moda.
A consciência da liberdade de escolha dá medo. Por isso precisamos de pessoas que orientem nossas escolhas, que nos dêem a sensação de alívio daquela tal responsabilidade. Gente que nos dê segurança. Para vencer o medo da liberdade de escolher você precisa estudar, aprender, ilustrar-se.
Nada disso garante que você se transformará num líder. Mas ajuda a escolher que líder seguir.
Luciano Pires
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

A mentirosa liberdade

Por Lya Luft
"Liberdade não vem de correr atrás de ‘deveres’ impostos de fora, mas de construir a nossa existência"
Comecei a escrever um novo livro, sobre os mitos e mentiras que nossa cultura expõe em prateleiras enfeitadas, para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, na alma – como se fosse algodão-doce colorido. Com ele chegam os medos que tudo isso nos inspira: medo de não estar bem enquadrados, medo de não ser valorizados pela turma, medo de não ser suficientemente ricos, magros, musculosos, de não participar da melhor balada, do clube mais chique, de não ter feito a viagem certa nem possuir a tecnologia de ponta no celular. Medo de não ser livres.
Na verdade, estamos presos numa rede de falsas liberdades. Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas, que constituem o que chamo a síndrome do "ter de". Fala-se em liberdade de escolha, mas somos conduzidos pela propaganda como gado para o matadouro, e as opções são tantas que não conseguimos escolher com calma. Medicados como somos (a pressão, a gordura, a fadiga, a insônia, o sono, a depressão e a euforia, a solidão e o medo tratados a remédio), cedo recorremos a expedientes, porque nossa libido, quimicamente cerceada, falha, e a alegria, de tanta tensão, nos escapa.
Preenchem-se fendas e falhas, manchas se removem, suspendem-se prazeres como sendo risco e extravagância, e nos ligamos no espelho: alguém por aí é mais eficiente, moderno, valorizado e belo que eu? Alguém mora num condomínio melhor que o meu? Em fileira ao longo das paredes temos de parecer todos iguais nessa dança de enganos. Sobretudo, sempre jovens. Nunca se pôde viver tanto tempo e com tão boa qualidade, mas no atual endeusamento da juventude, como se só jovens merecessem amor, vitórias e sucesso, carregamos mais um ônus pesadíssimo e cruel: temos de enganar o tempo, temos de aparentar 15 anos se temos 30, 40 anos se temos 60, e 50 se temos 80 anos de idade. A deusa juventude traz vantagens, mas eu não a quereria para sempre: talvez nela sejamos mais bonitos, quem sabe mais cheios de planos e possibilidades, mas sabemos discernir as coisas que divisamos, podemos optar com a mínima segurança, conseguimos olhar, analisar e curtir – ou nos falta o que vem depois: maturidade?
Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: O que você vai ser? O que vai estudar? Como? Fracassou em mais um vestibular? Já transou? Nunca transou? Treze anos e ainda não ficou? E ainda não bebeu? Nem experimentou uma maconhazinha sequer? E um Viagra para melhorar ainda mais? Ainda aguenta os chatos dos pais? Saiba que eles o controlam sob o pretexto de que o amam. Sai dessa! Já precisa trabalhar? Que chatice! E depois: Quarenta anos ganhando tão pouco e trabalhando tanto? E não tem aquele carro? Nunca esteve naquele resort?
Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa louca correnteza. Ter opiniões próprias, amadurecer, ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, ignorar ofertas no fundo desinteressantes, como roupas ridículas e viagens sem graça, isso ajuda. Descobrir o que queremos e podemos é um bom aprendizado, mas leva algum tempo: não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda mulher nem um homem poderoso. É possível estar contente e ter projetos bem depois dos 40 anos, sem um iate, físico perfeito e grande fortuna. Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em crise. Liberdade não vem de correr atrás de "deveres" impostos de fora, mas de construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão pouco tempo. Não temos de correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Caráter Ético do Agir Humano


Por Robson Stigar
No entender do pensador brasileiro (Catão) a sociedade contemporânea sofre de uma negação, e o contraponto bem como, a contestação assume tal magnitude que questionam os fundamentos da ética tradicional. Assim, "para que as pessoas e as comunidades humanas se autoposicionem livremente na vida é preciso tornar os educadores capazes de viver com plena consciência da relatividade de todas as normas e caminhos que lhe são propostos e viver em vista de um bem" (CATÃO, 1997: 111). Com isso, objetivo da ética é a realização das pessoas, na comunhão com o transcendente que dá sentido para a vida.
De acordo com Catão o desafio é responder a pergunta que surge na contemporaneidade, ou seja, como podemos construir essa ética?
A grande dificuldade do educador "é de situar numa perspectiva que lhe permite desenvolver um raciocínio propriamente ético bem fundamentado e por sua vez fundante de uma moral autenticamente humana, sem se impor à consciência, violar a liberdade nem frustrar as aspirações dos educandos" (CATÃO, 1997: 111).
Desse modo, a ética não pode ser regulada por uma lei restritiva e na informalidade. A aporia se coloca por causa da contradição entre educadores (transmissão de valores) e educandos (liberdade e direitos). Assim, existe um impasse porque o "educador toma consciência de que é responsável pela transmissão de valores ao mesmo tempo, pela educação da liberdade dos educandos, que questionam tais valores" (CATÃO, 1997: 112). Com isso a única maneira de pensar essa oposição entre objetividade e subjetividade é reconstruir o conceito de ética.
Para reconstruir a ética demandaríamos muito tempo ao caminho que teríamos de percorrer. Por isso, a maneira que encontra o autor é pensar a ética com fundamento em Tomas de Aquino. No entender de Catão "trata-se da maneira da maneira de entender a liberdade e a consciência e do lugar de destaque que se confere a convivência" (CATÃO, 1997: 112).
A preocupação do autor passa ser agora de três níveis, definir o que é liberdade, consciência e convivência. O autor inicia distinguindo três diferentes tipos de liberdade no âmbito da realidade.

1ºa liberdade.

Esta consiste precisamente na autodeterminação do sujeito em face do bem. Escolhas incluindo a possibilidade de escolher mal, também chamada de livre arbítrio. E por último a liberdade da escolha no âmbito físico ou histórico, chamada de liberdade de coação.
O autor distingue esses três tipos para garantir precisão na referencia a liberdade.
Assim, no âmbito jurídico a liberdade repousa sobre o cumprimento ou na transgressão da lei.
No âmbito da política "os liberais defendem a liberdade de escolha como liberdade primeira, ao passo que os socialistas os acusam de pregar uma liberdade abstrata, pois só é realmente livre, liberado, quem tem os meios de fazer o que quer, sem coação de espécie alguma, não só psicológica, mas real, efetiva, econômica" (CATÃO, 1997: 113). Configura-se assim, a opressão do pobre porque não pode fazer o que sonha, por isso sofre do desemprego, falta de moradia, comida e outras necessidades.
Portanto, a ética é "a qualidade do ato verdadeiramente humana, pois o agir só é humano e sujeito a um juízo de ordem ética quando brota do interior do sujeito e é por ele subjetivamente querido" (CATÃO, 1997: 113). Com efeito, liberdade é entendida como autodeterminação, ou seja, a possibilidade de escolha e a separação de condicionamentos.
2º A consciência

A consciência permite pensar a possibilidade de escolha livre e reta acerca do agir no âmbito prático.
Para Catão existe uma distinção entre o conceito expresso no catecismo, "a consciência é um julgamento da razão" (CATECISMO, nº 1778) e o conceito de consciência entendido na Ética que "na realidade não é um julgamento, mas um juízo da razão -jugament de la raison- como está no original francês, por intermédio do qual o ser humano percebe o que é justo e reto" (CATÃO, 1997: 113). Portanto, a consciência não julga, indica. A sua função não é condenar ou aprovar, mas mostrar o que é justo e reto para seguir o bem. Assim, é necessário que haja uma conformidade entre o agir e a indicação da consciência.
Isso significa que a qualidade Ética do ato humano, "longe de se medir diretamente por um preceito, divino, natural, legal ou humano depende da conformidade ou não com a consciência: o ato humano é bom ou mau na medida em que a autodecisão do sujeito se conforma ou não com o que a consciência diz ser justo e reto" (CATÃO, 1997: 114).
3º - A consciência

O autor está preocupado com a possibilidade do critério ético permanecer restrito a subjetividade, implicando na supressão da universalidade ética. Por isso, procura formas de pensar o critério ético de modo objetivo sem descartar a subjetividade.
1º a atenção recíproca: que implica em respeito, serviço e amor ao outro, do próximo, como na linguagem cristã;
2º uma razão antropológica: considerando que a pessoa nasce indeterminada e precisa construir seu percurso durante o decurso da vida.
Assim, a ética na visão cristã não pode estar atrelada a obrigações e sansões, mas fundada basicamente em dois princípios de ação: amara a Deus e ao próximo.
Segundo Catão, educar eticamente não é discutir somente a obrigatoriedade ou torcer o pepino enquanto é maleável, ou seja, podar e direcionar o individuo. No entender deste "educar eticamente é trabalhar para melhorar a qualidade do inter-relacionamento entre as pessoas, e contribuir para uma convivência entre os humanos caracterizada pela justiça e pela solidariedade, pela atenção, respeito e serviço uns aos outros e um dos outros" (CATÃO, 1997: 115). Com efeito, a pedagogia usada na ética procura conferir à ação humana uma base educativa, que garanta o exercício da liberdade na convivência, através do uso adequado da consciência.
Desta maneira, "a tarefa do educador ético é dupla: despertar e sustentar a autodeterminação dos educadores" (CATÃO, 1997: 115) buscando a ação ética em comunhão com os demais e sua realização.
Contudo, surge uma verdadeira contradição no exercício do juízo ético que é a oposição entre consciência e lei. Pois a consciência garante em última instÂncia a liberdade de ação, mas conferir pode supremo a ela seria, da parte do educador, esquecer da necessidade de formação sem perder de vista a razão e a lei (ethos e nomos)[1].
No entender do autor o problema central da formação da consciência é levar o educando ao que é realmente bom. Para tanto precisamos levar em consideração que o agir humano "é radicalmente fruto do espírito com que empreende agir e do sentido que tem tal ação no contexto do inter-relacionamento pessoal em que se vive" (CATÃO, 1997: 118). Isto é, no agir humano o espírito cumpre papel da atuação em busca do bem e do amor.
[1]Ethos e nomos.
Original em:

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A dualidade na criação - II


A barbárie sempre existiu em nosso planeta, porém, imperou como lei nos primórdios da cultura humana. Não é fácil crer, ou compreensivo aceitar, que a natureza tenha gastado mais de quatro bilhões de anos talvez dez para criar seres, inteligentes, que queimam corpos de animais imolados em um altar, acreditando que o aroma daquele holocausto seria agradável ao próprio criador do sacrificado. Agradável é entender e testemunhar o comportamento social, moral e espiritual que alguns homens, sob a luz do Amor coletivo, tiveram para com os povos de diferentes regiões do planeta e em diferentes épocas: Zoroastro, Pitágoras, Buda, Jesus, Maomé, Ghandi e muitos outros. A teoria darwinista, que propõe a origem comum de todos os seres vivos e a seleção natural do mais apto, através da luta pela existência e sobrevivência, sugere que estes, juntos a aqueles bárbaros, assassinos, ladrões, políticos corruptos e inquisidores tarados, tenham sido paridos (usando uma linguagem figurada mais direta) e conduzidos, lado a lado, através da estrada evolutiva, pelas mãos do independente e imprevisível acaso pelo beneplácito do catecismo científico, verdade indiscutível.

Sendo deste modo, o acaso precisou de quinze bilhões de anos para criar seres, cuja conclusão extrema é o parentesco fisiológico; humanos semelhantes em sua anatomia, porém, enigmaticamente diferentes na conduta; etnias, com antagonismos morais ilógicos para quem compartilha do mesmo meio social; trilhas convergentes à mesma estrada evolutiva. Mais lógico parece-nos crer em uma dualidade na criação: a formação das espécies pelo processo de seleção natural, esta lei desconhecida chamada acaso. E a do comportamento humano, tão diverso e incompreensível, mas, com a força imensurável da liberdade; mosaico da vontade própria; vícios e virtudes, amor e ódio, ignorância e sabedoria. A esta igualmente desconhecida lei, também evolucionista, porém, planejada , chamaremos com muita propriedade de "Força Suprema". Porque o comportamento humano, não instintivo a conduta, resulta da aquisição de conhecimentos e conceitos morais, alicerces racionais que desenvolvem e sustentam a inteligência.

A maior liberdade da inteligência é o senso de eternidade, o ato de separar elementos desse universo complexo, os quais só podem subsistir, fora desta totalidade, mentalmente. É a abstração. Tudo que é abstrato não é resultado da natureza orgânica e sim de natureza etérea, de pensamento, de alma, de espírito. É a imaterialidade. É dom sagrado o homem desfrutar do produto de seu trabalho e de sua inteligência. Por isto, aquele que se esclarece, deve acautelar-se e não se resignar com a providência. Pois, se assim o fizer, estará abrindo mão da razão, da ação, e não agir equivale a não existir. Einstein dizia que "a mais bela emoção é o mistério. Se o homem soubesse de tudo, sua vida perderia a graça, pois a beleza está na curiosidade, no estudo, na pesquisa, na hipótese, na sensação de que sempre falta alguma coisa a saber." Hermes Trimegisto aconselhava:

"Se quiserdes saber o segredo desta força suprema, deveis separar a terra do fogo, o fino e sutil do espesso e grande, suavemente e com todo o cuidado. Sobe da terra ao céu e, dali, volte a terra para receber a força do que está em cima e do que está em baixo."

A ciência tudo pode porque o homem a tudo aprende. E aprenderá que o principio criador é lento e brando, mas Onipotente; incomensurável e infinito, mas Onipresente; misterioso e alegórico, mas Onisciente.

Autor: Paulo Roberto Marinho
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Declaração de Ética Mundial - parte II


OS PRINCÍPIOS DE UMA ÉTICA MUNDIAL
Nosso mundo atravessa uma crise fundamental: uma crise da economia mundial, da ecologia mundial, da política mundial. Por todo lugar lamentam-se a ausência de uma visão ampla, o acúmulo de problemas irresolvidos, a inação política, a condução política meramente mediana, que não chega a ser clarividente ou previdente o bastante, e ainda, de forma geral, a pouca sensibilidade para o bem-comum. Há muitas respostas velhas para desafios novos.
Centenas de milhões de seres humanos em nosso planeta sofrem cada vez mais sob o peso do desemprego, da pobreza, da fome e da destruição das famílias. A esperança por uma paz duradoura entre os povos volta a titubear. Tensões entre as raças e as gerações assumiram dimensões assustadoras. Crianças morrem, matam e são mortas. Cresce o número de estados abalados por casos de corrupção na política e na economia. A convivência pacífica em nossas cidades torna-se sempre mais difícil, diante dos conflitos sociais, raciais e étnicos, diante do abuso de drogas, do crime organizado, da anarquia. Até mesmo vizinhos freqüentemente convivem com medo. Nosso planeta, hoje como ontem, continua sendo saqueado sem a mínima consideração. Cresce a ameaça de um colapso dos ecossistemas.
Reiteradas vezes, e em diversos lugares deste mundo, observamos que líderes e adeptos de religiões instigam à agressão, ao fanatismo, ao ódio e à xenofobia; e inspiram e legitimam até mesmo confrontos sangrentos e marcados pela violência. Usurpa-se a religião para fins meramente voltados à conquista do poder político, até o extremo da guerra. Isso nos causa grande repugnância.
Condenamos todos esses desenvolvimentos e declaramos que isso não tem que ser assim. Já existe uma ética capaz de oferecer orientação diversa à desses desdobramentos globais funestos.
Embora essa ética não ofereça soluções diretas para todos os imensos problemas mundiais, oferece a base moral para uma ordem individual e global melhor: uma visão capaz de afastar homens e mulheres do desespero, e as sociedades, do caos.
Somos homens e mulheres que professam os mandamentos e práticas das religiões mundiais. Afirmamos já haver um consenso entre as religiões, capaz de constituir a base para uma ética mundial: um consenso fundamental mínimo, no que diz respeito a valores obrigatórios, parâmetros inamovíveis e atitudes morais básicas.
I. Não há nova ordem mundial sem uma ética mundial
Nós, homens e mulheres provenientes de diversas religiões e regiões deste planeta, dirigimo-nos portanto a todos os seres humanos, religiosos ou não-religiosos. Queremos expressar a convicção que partilhamos:
• Todos nós somos responsáveis por uma ordem mundial melhor.
• Nosso posicionamento em favor dos direitos humanos, da liberdade, justiça, paz e preservação da Terra dá-se de modo incondicional.
• Nossas tradições religiosas e culturais diversas não nos devem impedir de assumir um posicionamento ativo e comum contra todas as formas de desumanidade e em favor de mais humanidade.
• Os princípios manifestados nesta Declaração podem ser assumidos por todos os seres humanos que sustentem convicções éticas, sejam elas de fundamento religioso ou não.
• Nós, no entanto, como pessoas religiosas ou de orientação espiritual – que fundamentam suas vidas sobre uma realidade última, da qual retiram força e esperança espiritual em uma atitude de confiança, de oração ou meditação, em palavras ou pelo silêncio –, estamos especialmente comprometidos com o bem da humanidade como um todo, e preocupados com o planeta Terra. Não nos consideramos melhores que outras pessoas, mas temos confiança em que a sabedoria milenar de nossas religiões seja capaz de apontar caminhos, também para o futuro.
Depois de duas guerras mundiais e após o fim da Guerra Fria, depois do colapso do fascismo e do nazismo e após o abalo do comunismo e do colonialismo, a humanidade entrou em uma nova fase de sua história. A humanidade, hoje em dia, disporia de recursos econômicos, culturais e espirituais suficientes para dar início a uma ordem mundial melhor. Contudo, antigas tensões étnicas, nacionais, sociais, econômicas e religiosas ameaçam a construção pacífica de um mundo melhor. Nossa época, é bem verdade, experimentou avanços científicos e técnicos maiores do que nunca. Ainda assim, estamos diante do fato de que no mundo todo não diminuíram a pobreza, a fome, a mortalidade infantil, o desemprego, a miserabilização e a destruição da natureza; na verdade, esses problemas aumentaram. Muitos povos estão ameaçados pela ruína econômica, pela degradação social, pela marginalização política, pela catástrofe ecológica, pelo colapso nacional.
Em uma situação mundial tão dramática, a humanidade não precisa apenas de programas e ações políticas. Ela precisa também de uma visão de convivência pacífica dos povos, dos agrupamentos étnicos e éticos e das religiões, sob uma atitude de co-responsabilidade partilhada em relação ao planeta Terra. Uma tal visão baseia-se em esperanças, em objetivos, ideais e parâmetros. Todas essas coisas, no entanto, foram subtraídas a muitas pessoas no mundo todo.
Mesmo assim, estamos convictos de que cabe justamente às religiões – apesar de todo o mau uso que se fez delas, e de seus freqüentes fracassos históricos – suster a responsabilidade de manter vivas essas esperanças, objetivos, ideais e parâmetros. Isso vale de modo especial para os Estados modernos: as garantias de liberdade religiosa e de consciência são necessárias, mas não substituem valores obrigatórios, convicções e normas válidas para todos os seres humanos, seja qual for sua origem social, seu sexo, cor, língua ou religião.
Estamos profundamente convencidos da unidade fundamental da família humana sobre nosso planeta Terra. Por isso trazemos à memória a Declaração Universal dos Direitos do Homem das Nações Unidas, de 1948. O que ela proclamou solenemente no plano do Direito queremos confirmar e aprofundar aqui no plano da Ética: arealização plena da indisponibilidade da pessoa humana, da liberdade inalienável, da igualdade de todas as pessoas, assumida
como princípio, e da necessária solidariedade e dependência recíproca de todas as pessoas, umas em relação às outras.
Com base em experiências de vida pessoais e com base na história de nosso planeta, plena de misérias, aprendemos:
• que com leis, prescrições e convenções, por si sós, não se pode criar uma ordem mundial melhor, nem muito menos estabelecê-la;
• que a concretização da paz, da justiça e da preservação da Terra depende da clarividência dos seres humanos e de sua disposição para validar o Direito;
• que o engajamento em favor do Direito e da liberdade pressupõe a consciência em relação à responsabilidade e aos deveres, e que é preciso dirigir-se, portanto, aos corações e mentes das pessoas;
• que o Direito sem eticidade não perdura ao longo do tempo, e que portanto não haverá uma nova ordem mundial sem uma ética mundial.
Ética mundial não subentende aqui uma nova ideologia mundial, nem tampouco uma religião mundial única para além de todas as religiões, nem muito menos o domínio de uma religião sobre todas as outras. Com uma ética mundial temos em mente um consenso fundamental quanto a valores obrigatórios vigentes, parâmetros inamovíveis e atitudes pessoais básicas.
Sem um consenso fundamental na ética, cedo ou tarde toda comunidade vê-se ameaçada pelo caos ou por uma ditadura, e as pessoas, como indivíduos, perderão a esperança.

sábado, 8 de novembro de 2008

Confiança

Tudo que pertence ao passado tem que ser reduzido ao nada. As nuvens ficaram concentradas em volta do homem e ele terá que encontrar a sua liberdade, encontrar o seu próprio poder, toda a sua força, a partir deste nada.
A necessidade material externa mudará para uma necessidade da alma. A partir desta necessidade profunda da alma a visão nascerá.
Temos que erradicar da alma todo o medo e terror do que o futuro possa trazer ao homem.
Temos que adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações à respeito do futuro.
Temos que olhar para a frente com absoluta equanimidade para com tudo o que possa ver. E temos que pensar somente que tudo o que vier nos será dado por uma direção mundia plena de sabedoria.
Isto é partir do que temos que aprender nesta era, saber viver com pura confiança mesmo sem qualquer segurança na existência, confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.
Rudolf Steiner

sexta-feira, 30 de maio de 2008

STF aprova pesquisa com células-tronco no Brasil


STF aprova pesquisas com células-tronco no Brasil
Seis dos 11 ministros do STF aprovaram o projeto sem restrições


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, proclamou oficialmente o resultado do julgamento que liberou, sem restrições, a continuidade das pesquisas com células-tronco embrionárias no Brasil. O anúncio ocorreu no início da noite desta quinta-feira
Por 6 votos a 5, os ministros da corte julgaram improcedente ação direta de inconstitucionalidade contra o Artigo 5º da Lei de Biossegurança. A decisão mantém a esperança de cura, alimentada por pacientes com doenças degenerativas ou portadores de deficiência, que pode surgir a partir do resultado dos estudos.
A tese favorável à liberação das pesquisas, defendida pelo relator da ação, ministro Ayres Britto, foi acompanhada também pelos ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia e Ellen Gracie. Prevaleceu o entendimento do relator de que "um embrião congelado, que jamais será gerado, não pode gozar dos direitos de proteção da vida e da dignidade da pessoa humana".
A Lei de Biossegurança foi aprovada em 2005 e o seu artigo 5º permite que embriões congelados há mais de três anos sejam usados para pesquisas.
O ministro Celso de Mello disse que a decisão "representa a aurora de um novo tempo, a celebração solidária da vida e da liberdade", que garante a esperança de uma vida com dignidade aos portadores deficiência.
Entre os votos vencidos, os do ministro Eros Grau e do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, recomendaram reparos técnicos à legislação. Ricardo Lewandowski e Menezes Direito se manifestaram por restrições às pesquisas, que, segundo especialistas, na prática as inviabilizaria.
Após idas e vindas, o voto do ministro Cezar Peluso ficou como parcialmente procedente.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/

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