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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O som do poder: o resgate da oralidade

Por Reinaldo Passadori

Por muito tempo, nossa cultura letrada tem sinalizado uma prevalência considerável sobre a cultura oral. Observando a história do Ocidente, vale apontar que a oralidade perdeu gradativamente força e espaço na civilização em virtude da aura nobre que circunda a escrita. Ao longo do tempo, a palavra escrita passou a ser considerada uma fonte mais confiável do que o volátil som da palavra. Além disso, a oralidade era considerada por muitos, decerto que equivocadamente, como uma expressão humana primitiva e distante do alto nível das belas letras da comunicação escrita.

O discurso oral é uma das mais potentes formas de poder. Um poder de convencimento, de persuasão, de relacionamento, de aliança, de assertividade, de posicionamento, de diálogo, de entendimento, em suma, de comunicação. Na comunicação organizacional e no mundo dos negócios , a análise dos processos deve envolver os meios orais empregados, pois a voz de um dirigente ou colaborador ressoa a voz da organização, apresenta características da “personalidade organizacional” e subsidia a edificação da imagem corporativa elaborada pelos públicos. Ainda nessa diretriz, no contexto profissional, a oralidade deve ser resgatada e preservada como uma peça estratégica para consolidar o planejamento comunicacional.

Ao publicar uma ata de reunião, o profissional inevitavelmente camufla ou deixa escapar uma série de detalhes indescritíveis que rondaram a atmosfera da reunião. Era preciso estar lá, presenciar in loco para ouvir e para saber o que realmente aconteceu nos mínimos detalhes, por mais habilidade que tenha a pessoa responsável pela elaboração dos detalhes discutidos, debatidos, das opiniões manifestadas, das decisões tomadas.

Situação mais agravante se observa com a circulação de e-mails. Apesar de sua inegável praticidade e da agilidade que proporciona ao mundo contemporâneo, o e-mail não é capaz de transmitir o conteúdo da mensagem integralmente, porque ele é desprovido da emoção ou da atmosfera somente possível na emissão da voz e suas inflexões, da calma ou do nervosismo, do entusiasmo ou desânimo de quem fala.

É inestimável o número de casos em que uma mensagem escrita não foi interpretada corretamente – e pudera, afinal, as frases lidas sem entonação, sem emoção ou sem personalidade, perdem todo o seu sentido.

As culturas escritas e a cibercultura obviamente têm seu valor assegurado em nossa sociedade moderna. Além delas, porém, os processos primários de comunicação permanecem, na expressividade do corpo, da voz, da palavra e das formas utilizadas para o planejamento e elaboração das apresentações e das falas formais e informais nos relacionamentos interpessoais. Ser visionário, empreendedor e otimizar a competência gerencial, no presente, é ter a habilidade de se virar ao passado e resgatar a oralidade. Esse é o som do poder.


Extraído do site www.passadori.com.br
Acesso em 05.06.2009

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Um grande discurso de Serra

Nos últimos anos, as manifestações do governador paulista José Serra foram tão irrelevantes e anódinas que desanimei de tentar encontrar alguma consistência em seus discursos. Daí ter passado batido no discurso de ontem, na cerimônica de homenagem a Tancredo Neves.

Fui alertado, agora à noite, pela Maria Inês: um senhor discurso, que acabou nublado pelo título banal do Estadão. Aliás, o jornalismo político é incapaz de tratar qualquer tema se não for pela ótica do conflito.

Luis Nassisf
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Do Estadão.com.br

Serra critica PT e reivindica bandeira social para tucanos

Em discurso no Congresso, tucano diz que partido de Lula foi um dos principais beneficiários das mudanças implementadas no País na era FHC

Ana Paula Scinocca

BRASÍLIA

Provável concorrente do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo, José Serra, aproveitou cerimônia em homenagem ao centenário de nascimento do presidente Tancredo Neves, ontem no Congresso, para, em discurso de candidato, resgatar para a oposição a bandeira do desenvolvimento social e esvaziar a tese de que o PT seria o principal responsável pelos avanços do País. No discurso, Serra lembrou o radicalismo do PT e disse que o partido de Lula foi um dos principais beneficiários das mudanças implementadas principalmente nos dois governos tucanos.

“O PT acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários da eleição do primeiro presidente civil e das conquistas sociais e culturais da Constituição e soube, posteriormente, ao longo de seus períodos de governo, colher bons frutos de mudanças institucionais e práticas, como o Plano Real, o Proer (extinto programa de estímulo ao sistema financeiro nacional) e a Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou ao mencionar programas criados ou consolidados na gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso. O governador não citou os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem de Fernando Henrique.

Ao fazer um histórico da Nova República, Serra disse que a vitória do partido do presidente Lula, em 2002, foi uma das alternâncias de poder “mais contrastantes” no País, embora, disse ele, o PT tenha sido “encarado, a princípio, se não como força desestabilizadora, ao menos de comportamento radical e deliberadamente à margem da política nacional”.

O governador, novamente sem citar o nome de Fernando Henrique, disse que o País conseguiu grandes avanços nos últimos anos e ressaltou a derrubada da superinflação e o “problema persistente da dívida externa herdada”. Destacou também o começo de uma “retomada promissora do crescimento econômico”, além da “expansão do acesso das camadas de rendimentos modestos ao crédito e ao consumo, inclusive de bens duráveis”.

HERANÇA

Serra disse que os futuros governantes do País devem “assumir com humildade e coragem” a herança dos 25 anos de democracia no País. “Não para negar o passado, mas para superá-lo, a fim de fazer mais e melhor.” Para Serra, embora o País tenha avançado, a estabilidade econômica não é garantia de um futuro de autossustentação para o Brasil. “Assim como não somos escravos dos erros do passado, tampouco devemos crer que a eventual sabedoria dos acertos de ontem se repetirá invariavelmente hoje e amanhã. A estabilidade, o crescimento e os ganhos de consumo ainda não têm garantidas as condições de sustentabilidade no médio e no longo prazos.”

Ele disse que o Brasil de hoje tem a cara e o espírito dos fundadores da Nova República. “Senso de equilíbrio e proporção; moderação construtiva na edificação de novo pacto social e político; apego à democracia, à liberdade e à tolerância; paixão infatigável pela promoção dos pobres e excluídos, pela eliminação da pobreza e pela redução das desigualdades.” Além de Serra, a cerimônia reuniu também o governador de Minas, Aécio Neves, neto de Tancredo.

TRECHOS DO DISCURSO DE JOSÉ SERRA

ELOGIOS

“Sr. presidente José Sarney, a quem agradeço a oportunidade de voltar a esta tribuna, depois dos anos que passei aqui, no Senado, a quem cumprimento pelo discurso hoje feito, um verdadeiro documento histórico, e a quem cumprimento, também, pelo papel que teve no processo de transição do Brasil à democracia – se V. Exa. me permite, o seu grande momento na vida pública. Cumprimento também o deputado Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados, nosso companheiro há muitas décadas, e o meu queridíssimo amigo e governador Aécio Neves. Tive a oportunidade de conhecer o Aécio precisamente quando ele era secretário particular do presidente Tancredo Neves, há algumas décadas, de quem ele veio a se tornar o grande herdeiro político, não só dos ensinamentos, mas também de toda a experiência daquele seu avô.”

NOVA REPÚBLICA

“Esta Nova República, da qual Tancredo Neves foi um dos principiais, se não o principal fundador, completa neste mês de março 25 anos, precisamente quando Tancredo deveria tomar posse, no dia 15 de março. Eu tenho afirmado que este período, estes 25 anos tratam da História do Brasil como, na verdade, o período em que conteve o maior número de conquistas de indiscutível qualidade política e de qualidade humana. Em primeiro lugar, o País nunca havia conhecido um quarto de século ininterrupto de democracia de massas.”

INFLAÇÃO

“A Nova República teve seus dissabores. Ao contrário da fase recente de estabilidade, boa parte dos últimos 25 anos se desenrolou sob o signo da superinflação, com agravamento dos conflitos distributivos a eles associados. E não faltaram, depois, grandes crises financeiras mundiais: 1994 -1995, 1997-1998 e 2007-2008, a maior desde 1929. Ficamos, ainda, muitos anos sem crescimento econômico sustentado. Não faltaram reveses sérios, que, em outras épocas, teriam abalado as instituições. Lembro-me da frustração do Plano Cruzado e dos numerosos planos que se sucederam, alguns com medidas draconianas, como o confisco da poupança.”

ALTERNÂNCIA DE PODER

“Não obstante tudo isso, a Nova República, fundada por Tancredo, conseguiu completar com normalidade uma conquista que permaneceu fora do alcance dos regimes do passado: a alternância tranquila no Poder de forças político-partidárias antagônicas, que, no passado, provocava sempre a polarização e a radicalização na sociedade brasileira, como aconteceu, por exemplo, em 1954-1955, e, com consequências mais graves, de 1961 a 1964. Mas, neste último quarto de século, a alternância passou a fazer parte das conquistas adquiridas. Já ninguém mais contesta a legitimidade das vitórias eleitorais e do natural desejo dos adversários vitoriosos de governar sem perturbações.”

PT

“O PT, aliás, acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários da eleição do primeiro presidente civil e das conquistas sociais e culturais da nova Constituição, e soube, posteriormente, ao longo de seus períodos de governo, colher bons frutos de mudanças institucionais e práticas como o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal.”

DÍVIDA

“Pois bem, o período de um quarto de século da Nova República, sem repressão, sem poderes especiais, conseguiu finalmente derrubar a superinflação. Fez mais: resolveu o problema persistente da dívida externa, herdado, e até deu começo a uma retomada promissora do crescimento econômico e à expansão do acesso das camadas de rendimento modesto ao crédito e ao consumo, inclusive de bens duráveis. Mas duas observações acautelatórias se impõem a esta altura. A primeira é que as conquistas da segunda redemocratização não foram resultado de milagres instantâneos, custaram esforços enormes e, com frequência, só se deram depois de muitas tentativas e erros. É por isso que o período tem de ser analisado na sua integridade, êxitos e fracassos juntos, já que esses são partes inseparáveis do processo de aprendizagem coletiva, para o qual contribuíram numerosos dirigentes e cidadãos numa linha de continuidade, não de negação e de ruptura. Por exemplo, o Plano Real não teria acontecido não fossem as experiências com os planos anteriores. A segunda reflexão acautelatória é que nenhuma conquista é definitiva, nenhum progresso no Brasil e no mundo é garantido e irreversível. Assim como não somos escravos dos erros do passado, tampouco devemos crer que a eventual sabedoria dos acertos de ontem e de hoje se repetirá invariavelmente hoje e amanhã.”
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Original no blog: Luis Nassif on line: http://bit.ly/aDbr6T
Capturado em 05/03/2010

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A reunião de satanás

(Uma pequena parábola sobre os tempos pós-modernos)

Satanás convocou uma Convenção Mundial de demônios. Vieram capirotos, encostos, obsessores, vampiros, capetinhas e capetões de todos os cantos da Terra.
Em seu discurso de abertura, ele disse:
"Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja"
"Não podemos impedir os religiosos de buscarem seus templos"
"Não podemos impedi-los de ler as suas Bíblias e conhecerem a Verdade"
"Nem mesmo podemos impedi-los de ter um relacionamento íntimo com Deus".
"E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado".
Satanás parecia preocupado. Então, saiu de sua cabeça uma idéia, quem sabe, uma solução....
Disse o cramunhão...
"Então vamos deixá-los ir para suas igrejas e seus templos, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam, MAS, vamos roubar-lhes o TEMPO que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo, para orar e meditar, para viver a caridade".
"O que quero que vocês façam é o seguinte", disse o diabo:
"Distraia-os a ponto de que não consigam aproximar-se do Cristo através da oração, da meditação e de uma vivência amorosa e compassiva"
"Como vamos fazer isto?" Gritaram os seus demônios, abobalhados com o plano do "pai maligno", o Rei das Trevas.
Respondeu-lhes o tinhoso:
"Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes com aquilo que deveria ser secundário ou estar em local mais adequado na linha pessoal do Tempo."
"Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado, até que fiquem embananados!"
"Convençam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 à 7 dias por semana, sem descanso algum, durante 10 à 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
"Criem situações que os impeçam de passar tempo com os filhos ou com os seus verdadeiros amigos e parentes"
"À medida que suas famílias forem se fragmentando, se esvaziando, perdendo convívio existencial, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho, aí eles começarão a viver nossa presença, o inferno descerá até eles e lá faremos morada".
"Estimulem suas mentes com tanta intensidade e agitos ansiosos, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranqüila que orienta seus espíritos. Temos que aumentar todos os barulhos para que não ouçam a voz daquele Espírito do Cristo quando soprar neles".
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais, com livros idiotas e banais".
"Bombardeiem as suas mentes com noticias, 24 horas por dia. Muita desgraça televisiva é bom para tirar o foco deles em Cristo e na caridade".
"Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos com os assuntos mais tolos".
"Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, loterias, bolos de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças".
"Encham seus e-mails com bobagens, discussões teóricas sem fim, listinhas do tipo 'não quebre essa corrente', arquivos de 'pps' que pouco estimulam uma conexão com Deus e com a vida real. Deixe-os mais prazos na Internet do que na vida, na família, na realidade da existência."
"Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornarão mal satisfeitos com suas próprias esposas, façamos o mesmo com elas, usando fotos da internet, imagens de novelas e tudo que puder afetar sua visão"
"Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem seus maridos à noite, e dê-lhes dor de cabeça também, muita má vontade e impaciência para tudo. Se elas não dão a seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começam a procurá-lo em outro lugar e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente e mais espaço teremos para agir. O Cordeiro vai ficar 'surpreso' com o nosso sucesso!"
"Dê-lhes Papai Noel, para que esqueçam da necessidade de ensinarem aos seus filhos o significado real do Natal. Eles vão torrar dinheiro e Jesus vai ficar de lado!"
"Dê-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a ressurreição de Jesus, e o Seu poder sobre o pecado e a morte. Assim eles engordam com chocolates e Jesus, puft!, fica de lado."
"Até mesmo quando estiverem se divertindo, se distraindo, que nossos demônios empurre-os para todos os excessos, para que ao voltarem dali estejam exaustos e sem tempo para orar e meditar! Quem sabe até arrumar uma briguinha, uma confusão em casa?"
"Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou ficar na natureza, para refletirem na criação de Deus, o Pai deles e nosso inimigo. Ao invés disso, mande-os para Parques de Diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro, concertos, shoppings´s e cinema. Mantenha-os ocupados, ocupados, ocupados até que eles percam completamente a conexão com o solo, com a vida natural de Deus."
"E, quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolva-os em muito barulho e gritos, mexericos e conversas sem importância, debates doutrinários intermináveis. Vamos empurrá-los ao fanatismo ou então para a indiferença, de uma maneira tão sutil, que iremos gargalhar das suas igrejas. Elas jamais serão pontos de encontro com a Divindade!"
"Encham as vidas de todos eles com tantas coisas que não tenham nenhum tempo para estarem a sós se reabastecendo com o maldito Cordeiro de Deus".
"Muito em breve, eles estarão buscando em suas próprias forças as soluções para seus problemas e irão se esquecer da Graça que nosso inimigo derrama na vida daqueles que crêem."
Satanás sorriu, gargalhou por minutos. Os demônios se entreolharam com alegria. O plano realmente parece muito bom.
A cramunhão se recostou em seu trono de Trevas e disse:
"Isto vai funcionar!! Vai funcionar !!"
Os demônios ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do maioral, fazendo com que os cristãos e os não-cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados, e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas famílias.
Não tendo nenhum tempo para contar à outros sobre o poder do Cristo e nem para vivenciar o seu amor, sua paz e sua caridade. Eles estarão muitíssimo ocupados e suas orações e meditações não passarão de palavras rápidas e vazias, sem comunhão espiritual.
SOLARYS/RIO DE JANEIRO

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

As ditaduras podem voltar

Autor(es): Frei Betto Correio Braziliense - 24/07/2009
Escritor, é autor de Calendário do Poder (Rocco), entre outros livros Todos os ditadores — de Hitler a Médici, de Batista a Stalin, de Franco a Somoza — passam à história como figuras execráveis, cujos nomes, estigmatizados, se associam às vítimas de seus governos tirânicos.
Aliás, Tirano era o comandante da guarda do rei Herodes. Seu nome tornou-se sinônimo de crueldade por se atribuir a ele a execução da ordem real de decapitar, em Belém, todos os bebês, entre os quais estaria Jesus se José e Maria não tivessem fugido com ele para o Egito.
A América Latina carrega em sua história longos períodos de supressão do regime democrático. No século 20, o Brasil conheceu dois: sob o governo Vargas (1937-1945) e sob o regime militar (1964-1985), sem falar dos que governaram sob Estado de Sítio. O paradoxo é que todas as ditaduras latino-americanas foram suscitadas, patrocinadas, financiadas e armadas pelo governo dos EUA. Até o mandato de George W. Bush, para a Casa Branca, democracia consistia numa panaceia, mera retórica política. Fala-se que nos EUA nunca houve golpe de Estado porque não há, em Washington, embaixada americana. O recente golpe em Honduras, que resultou na deposição do presidente Zelaya, democrática e constitucionalmente eleito, coloca o governo Obama frente à hora da verdade. Ao receber a notícia, Hillary Clinton, secretária de Estado, vacilou. Talvez tivesse manifestado apoio aos golpistas se o presidente Obama, em viagem à Rússia, não houvesse reagido em defesa de Zelaya como legítimo mandatário. Ainda assim, os EUA não suspenderam sua ajuda financeira e militar às Forças Armadas hondurenhas, que sustentam o ditador de plantão.
A política externa da Casa Branca trafega sobre o fio da navalha. Sabe que Zelaya está mais próximo de Chávez que dos falcões norte-mericanos que ainda comandam a CIA. Essa agência, especializada em terrorismo oficial, não foi devidamente saneada por Obama. E, agora, tenta justificar o golpe sob o pretexto, infundado, de que o presidente da Venezuela estaria prestes a remeter comandos militares a Honduras para derrubar os golpistas e devolver o mandato ao presidente Zelaya.
A América Latina conheceu significativos avanços políticos nas últimas duas décadas. Após destronar as ditaduras militares e rechaçar presidentes neoliberais — Collor no Brasil, Menem na Argentina, Fujimori no Peru, Caldera na Venezuela —, demonstra preferência eleitoral por candidatos oriundos de movimentos sociais, dispostos a disputar o espaço das esferas de poder com os tradicionais grupos oligárquicos. É verdade que o uso do cachimbo entorta a boca. Alguns mandatários, em nome da governabilidade, não têm escrúpulos em fazer concessões a velhos caciques políticos notoriamente corruptos, representantes de feudos eleitorais marcados pela mais extrema pobreza.
Quando um líder político de origem progressista se deixa cooptar pela oligarquia conservadora, o que está em jogo, de fato, não é a propalada governabilidade. É a empregabilidade. Perder eleição significa o desemprego de milhares de correligionários que ocupam a máquina do Estado. Nesses tempos de crise financeira não é fácil inserir órfãos do Estado na iniciativa privada. Seria, para muitos, atroz sofrimento perder o cargo e, com ele, as mordomias, tanto materiais — transporte e viagens pagos pelo contribuinte — quanto simbólicas — a aura de autoridade que desencadeia em torno ondas concêntricas de bajulação.
Todos sabemos que, hoje, no centro da vida política se sobressai a questão ética. A maioria dos políticos teme a transparência. Por isso, muitos, descaradamente, agem por baixo dos panos, promulgam decretos secretos, cumpliciam-se em maracutaias, tratam como de somenos importância o fato de o deputado do castelo usar verba pública em benefício próprio, ou um senador, ex-presidente da República, incluir sua árvore genealógica na folha de pagamento custeada pelo contribuinte.
Se não se estancar essa deletéria convivência e conivência de lideranças outrora progressistas com velhos e corruptos caciques, não se evitarão a descrença na democracia, a deterioração das instituições políticas, a perda do senso histórico na administração pública. O que constitui excelente caldo de cultura para favorecer o retorno de ditadores salvadores da pátria.

sábado, 23 de maio de 2009

O Poder da Gentileza


Por Rosana Braga

Como e quando você se inspirou para escrever “O poder da gentileza”?

Rosana Braga: Eu já tratava, desde 2003, do tema “Inteligência Afetiva”, que tem muito a ver com essa capacidade de se relacionar harmoniosamente com as pessoas, sempre buscando compreender melhor como se comunicar, de que forma ser claro e impor limites sem precisar ultrapassar os limites da boa convivência. Sempre busquei, inclusive, mostrar o quanto a afetividade tem a ver com o desenvolvimento da inteligência humana e de que forma isso contribui para nossa realização pessoal, profissional e amorosa. Certo dia, pensando em como abordar este tema de uma forma ainda mais fácil, me veio uma percepção muito clara: o quanto temos ‘desaprendido’ a acolher o outro, a ter paciência, a compreender que cada um tem suas dificuldades, mas que todos nós desejamos apenas ser felizes... e a palavra GENTILEZA me veio na hora! Comecei a pesquisar sobre o tema e fui encontrando dados surpreendentes, o que me empolgou cada vez mais. Saí de “férias” por uns dias, no início do ano de 2007, como sempre faço quando vou escrever, e o resultado foi este – o livro O PODER DA GENTILEZA, lançado em agosto do ano passado.
Para você, o que é gentileza?
Rosana Braga: Segundo minhas pesquisas e estudos, e também em minha opinião enquanto consultora em relacionamentos, gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos (e devamos) aprender a ser gentil, trata-se de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.

Para produzir o livro, você utilizou dados de pesquisas em empresas, estimativas e números da OMS (Organização Mundial da Saúde) e situações do cotidiano. Alguma informação específica lhe chamou mais atenção no processo de pesquisa? É possí­vel citar algum dado que você considera interessante?

Rosana Braga: Em relação aos números da OMS, descobri que os dados são assustadores e delicadíssimos, uma vez que a depressão tende a ser, até 2020, a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares. Além disso, distúrbios afetivos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar crescem absurdamente, sem falar em síndrome do pânico, TOC, entre outros nomes que se tornam cada vez mais comuns entre as pessoas. Diante da indignação que esses dados me causaram, encontrei mais motivos ainda para investir na gentileza e insistir no fato de que é somente agindo de modo coerente com o que realmente desejamos da vida que poderemos viver de modo mais equilibrado, mais produtivo e mais criativo, em todas as áreas. Inclusive, isso vale especialmente na área profissional, já que em minhas pesquisas também descobri que as empresas investem cada vez mais em colaboradores dispostos a contribuir para que o ambiente de trabalho seja harmônico, apresentando bons resultados e evitando prejuízos diretos e indiretos. No final das contas, a idéia é que todos saiam ganhando com a gentileza.

Gostaria de saber se algumas das situações citadas no livro você chegou a vivenciar ou presenciar?

Rosana Braga: Creio que, de uma forma ou de outra, todos os profissionais já experimentaram ou ao menos presenciaram uma situação desagradável, onde não houve gentileza, em seu ambiente de trabalho. Mas não foi exatamente este fato que me motivou a dar ênfase sobre a importância da gentileza no âmbito profissional. Mais do que esta percepção, foi a constatação, através das pesquisas e das conversas que tive com contratantes e contratados, do quanto as empresas têm valorizado, cada vez mais, o comportamento – e aí a gentileza é fundamental e pode fazer toda a diferença no momento em que um empresário seleciona um profissional para sua equipe. Constatei, por exemplo, que não é falta de conhecimento técnico que mais causa demissões e sim o comportamento inadequado, a falta de colaboração, a incapacidade de lidar com os conflitos e de superar as diferenças entre as pessoas de uma mesma equipe de trabalho. Daí, dá pra se ter uma noção do quanto a gentileza tem sido valorizada e esperada nas corporações, nas empresas de modo geral.
De acordo com sua experiência, quais os maiores problemas enfrentados hoje no ambiente de trabalho? Era diferente há alguns anos?
Rosana Braga: Problemas de ordem comportamental, creio que seja a sutil diferença entre competir por meios éticos (realização profissional) e competir por meio de comportamentos mesquinhos e destrutivos (egoísmo). Não acho que era diferente, mas certamente essa exigência aumentada ano após ano, ditando que as pessoas têm de ser realizadas, felizes e bem-sucedidas tem conduzido muitos profissionais a lançarem mão de meios escusos e nada gentis para tentar garantir seu lugar no mercado. Ou seja, percebo, bastante entristecida, o quanto temos nos colocado numa espécie de armadilha, o quanto temos nos deixado sucumbir pelas ilusões da modernidade, o quanto temos nos perdido de nós mesmos e esquecido de nossa capacidade de agir com o coração e de valorizar aquilo que realmente nos preenche, que realmente nos faz sentir felizes e plenos.
Você acha que a gentileza deve começar antes mesmo de ser contratado na empresa, logo no processo de seleção?
Rosana Braga: Acredito que a gentileza verdadeira começa quando uma pessoa compreende de fato o que ela é e qual é o seu poder. Portanto, não se trata de usar a gentileza para conseguir um emprego. Não se trata de um modo de parecer mais contratável, durante um processo de seleção. Ou a pessoa é gentil (e será desde a seleção) ou ela é dissimulada, estrategista e estará sendo gentil apenas para conseguir o que deseja. É justamente isso que faço questão de frisar no livro sobre o que não é gentileza. Ou você é gentil, ou não é! E isso não depende de onde você está, nem com quem. Depende de suas crenças e valores.
É possí­vel ser gentil sem ser tachado de chato e inconveniente? Como?

Rosana Braga: Uma pessoa gentil não é chata, nunca. Não estou falando de pessoas pedantes, que tentam agradar a todos a qualquer custo. Estou falando de pessoas justas, equilibradas, que agem de modo adequado tratando bem a todos por entender que insultos, ofensas e críticas nunca ajudaram ninguém. Alias, ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça. Muito pelo contrário: quanto mais gentil somos com as pessoas, mais gentil somos também com nossa verdade, com nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração. Pessoas que dizem “sim” a todos estão, na realidade, reforçando uma imagem de ‘vítimas da vida’, alimentando um argumento de ‘coitadinhas’, de extremamente boas e injustiçadas. Isso não é ser gentil e demonstra mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido na gentileza. Aprender a dizer “não” nem sempre é uma tarefa simples. A gente aprende que tem de corresponder às expectativas de quem amamos, desde pequeninos; daí, quando crescemos, não sabemos dizer “não” sem nos sentirmos culpados. Daí para justificar nosso medo de dizer “não”, é um pulo; afinal, é bem mais fácil transferirmos a responsabilidade de nossas limitações para o outro.
Até com aquelas pessoas mais difí­ceis, estouradas, competitivas, é possí­vel manter uma relação cordial? E o que fazer para não se contaminar com a hostilidade dos outros?
Rosana Braga: É possível, mas claro que nem sempre é fácil. É por isso mesmo que trato a gentileza como um “poder”, uma “força” cada vez mais rara. Ser gentil com quem é gentil com a gente, é extremamente mais fácil. Portanto, é justamente nessas situações, ou seja, com as pessoas que não nos tratam de forma gentil, que podemos exercitar essa habilidade e aproveitar para aprender a lidar com a adversidade e a “provocação”, pelas quais sempre passaremos, todos nós. Dedico um capítulo do livro a refletir sobre quem determina nossas atitudes; e isso responde a sua pergunta. Isto é, quando a gente se deixa contaminar pela falta de gentileza do outro é porque estamos deixando que ele decida como a gente deve agir. É o momento de nos apoderarmos de nossos valores e agirmos a partir de nossas próprias crenças sobre o que seja correto.
Você poderia dar alguma sugestão de reflexão, dicas práticas e exercícios para o dia-a-dia que foram citados em seu livro, para os leitores do site?
Rosana Braga: Gostaria de reproduzir aqui 10 dicas que dei no livro, entre outras, para facilitar a prática da gentileza. Creio que se conseguirmos incorporar pelo menos algumas dessas ações, nossa vida já se tornará bem mais leve e gostosa.
1. Tente se colocar no lugar do outro. Isso o ajuda a entender melhor as pessoas, seu modo de pensar e agir.
2. Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.

3. Pratique a arte da paciência. Evite julgamentos e ações precipitadas.

4. Peça desculpas. Isso pode prevenir a violência e salvar relacionamentos.

5. Pense positivo. Procure valorizar o que a situação e o outro têm de bom e perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.

6. Respeite as pessoas quando elas pensarem e agirem de modo diferente de você. As diferenças são uma verdadeira riqueza para todos.

7. Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.
8. Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas depende de se descobrir a raiz do problema.

9. Faça justiça. Esforce-se para compreender as diferenças e não para ganhar, como se as eventuais desavenças fossem jogos ou guerras.

10. Mude a sua maneira de ver os conflitos. A gentileza nos mostra que o conflito pode ter resultados positivos e ainda tornar a convivência mais íntima e confiável.

Créditos:
Rosana Braga

Reconhecida como uma das maiores especialistas em relacionamentos interpessoais do país, pesquisadora da área há mais de 10 anos, Rosana Braga é conferencista, escritora, jornalista e consultora em relacionamentos. Autora de 5 livros e DVDs de Treinamento, tais como ‘O Poder da Gentileza’, ‘Faça o Amor Valer a Pena’, ‘Inteligência Afetiva – 2 volumes’, entre outros.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O poder da palavra

Pois, muito embora eu relute em postar textos, artigos, etc., sem a devida citação do autor, esse é uma das exceções, pois resumidamente ele traz uma profundidade e um conteúdo imenso que de alguma forma dita a Cabala, esse que é um dos ensinamentos milenares que está a nossa disposição.
Leia e medite sobre o assunto. Garanto que vale a pena.
O texto foi recebido tal qual por e-mail.
Carlos.
Um dos temas mais sérios e práticos que estudamos na cabala é o lashon hará ou maledicência. A quase totalidade das pessoas, independentemente de religião, idade ou classe social, pratica o lashon hará diariamente e experimenta seus indesejáveis efeitos.
O lashon hará se apresenta sob várias formas: a mais conhecida é quando uma pessoa fala a outra sobre os aspectos negativos de uma terceira pessoa. São pequenos machucados na alma, envolvendo neste caso:
1) Quem fala: expressando pura negatividade atrai a mesma negatividade;
2) Quem ouve: recebe toda aquela negatividade destrutiva;
3) De quem se fala: aquele que não ouve, mas sente e se enfraquece.
Este tipo de lashon hará é comum e aparece de muitas maneiras disfarçadas, mas não por isso menos nocivas. Por exemplo, quando você está com um amigo e começa a falar mal do governo, você realimenta a sua negatividade, a de seu amigo e daquele que exerce a função de governante. Mesmo que o governante seja desonesto, se o seu comentário não tiver um caráter construtivo simplesmente não o faça.
Mas existem outros tipos de lashon hará, também nocivos e mais difíceis de serem identificados. Você vive se lamentando sobre si mesmo para os outros."Coitadinho de mim, estou sempre doente, sem dinheiro, insatisfeito". Neste caso, o número de pessoas "machucadas" é de apenas dois, mas o efeito sobre suas vidas é igualmente devastador.
Um terceiro tipo de lashon hará ocorre quando você ouve a maledicência de um outro. Seja seu amigo de infância, seja seu parente mais próximo, quando sentir que este começa a despejar negatividade em seus ouvidos, experimente correr dali e estará fazendo uma nobre ação para ambos.
Enfim, se você, ainda duvida da importância de evitar todo este mal provocado pela negatividade da palavra, experimente um exercício: passe uma semana inteira sem falar mal dos outros, sem falar mal de si mesmo e evitando ao máximo ouvir a negatividade alheia. Prepare-se, não será tarefa fácil, mas o resultado final pode ser um milagre em sua vida.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O poder pode fazer mal à saúde






O exercício do poder pode se transformar numa doença mental e colocar todo um país em risco. É o que alerta David Owen, autor de In Sickness and In Power, livro que se dedica a mostrar que o comportamento arrogante de alguns chefes de Estado não é um traço de personalidade, mas sim uma patologia, a “Síndrome da A r r o g â n c i a ” .
O estudo do ex-médico britânico, resenhado na Foreign Affairs, primeiro dá exemplos de como doenças podem interferir na capacidade de tomar decisões. Um caso é o de Anthony Eden, premiê britânico que sofria da vesícula durante a Crise de Suez, em 1956.
Em razão dos medicamentos que tomava, sobretudo Drinamyl, ele tinha febre, insônia e acessos de super confiança, desligando-se do mundo real. Para Owen, Eden, normalmente ponderado, foi convencido por Israel e França a enganar os EUA e a fazer a guerra contra o Egito por causa de seu estado deplorável de saúde.
Outro caso levantado por Owen é o de Kennedy. O episódio desastroso da Baía dos Porcos teria sido resultado direto das doenças do presidente americano – ele sofria de Mal de Addison, uma insuficiência suprarenal crônica, e fortes dores nas costas, problemas para os quais ele não recebeu tratamento adequado durante muito tempo. Mais tarde, com uma nova equipe médica a observá-lo, Kennedy estava em melhores condições para tomar decisões, como na Crise dos Mísseis em Cuba.
Mas Owen fala também do exercício de poder em si como uma doença. Segundo ele, a experiência do comando pode levar a alterações patológicas, narcisismo e comportamento irresponsável.
O líder que sofre da “Síndrome da Arrogância” se convence de que está no poder para grandes feitos e que o mundo espera isso dele, mesmo que signifique atropelar considerações morais e as regras básicas da boa administração. Quanto mais tempo no poder, maior é a doença, casos de Mao, Fidel e Mugabe.
Owen cita também os exemplos de Tony Blair e de George W. Bush, considerados por ele “especialmente narcisistas”. O autor descreve uma reunião de Bush com o negociador palestino Nabil Shaat, em 2002, na qual o presidente americano teria dito: “Estou numa missão divina. Deus me disse: ‘George, vá lá e acabe com a tirania no Iraque’. E eu fui”. Para Owen, o principal remédio contra a “Síndrome da Arrogância” é, antes de mais nada, o fortalecimento das instituições democráticas.

sábado, 8 de novembro de 2008

O poder da palavra

Tanto as palavras que proferimos como as que pensamos ficam gravadas num mundo sutil, denominado de akasha, e têm o poder de influenciar profundamente a nossa vida presente e futura.
Por Carlos Cardoso Aveline
O uso da palavra define o ser humano. Raramente, num instante de meditação, ficamos livres do pensamento. Uma das nossas características centrais é que falamos quase o tempo todo, não apenas com palavras físicas, mas também mentalmente. Quando não dizemos nada para os outros, estamos dizendo coisas para nós próprios. Quando não escutamos alguém, ouvimos dentro de nós a voz interior das esperanças e anseios que habitam nosso universo pessoal.
A fala, assim, é muito mais do que um mero som ou uma seqüência lógica de pensamentos. É uma corrente magnética cheia de vida. Para o cachorro, a voz do dono desperta devoção e um sentido natural de obediência. Para a criança pequena, a voz da mãe dá tranqüilidade e a faz dormir. Para aquele que busca compreender a si mesmo, a voz da consciência é seu grande mestre.
A filosofia esotérica ensina que o mundo físico, com suas três dimensões, é rodeado por um universo invisível, eletromagnético e transcendente. Nessa quarta dimensão, as distâncias físicas não têm importância. Esse mundo sutil é conhecido como luz astral, ou akasha. Nele estão registradas as imagens de todas as coisas que passaram e as sementes das coisas que virão. É um espaço-tempo diferente, que rodeia e também interpenetra o nosso pobre mundo tridimensional. Ali as coisas podem deslocar-se na velocidade do pensamento.
Esse mundo oculto é influenciado decisivamente pela palavra. “No início era o verbo”, diz a Bíblia (João,1:1). E o verbo ainda hoje cria o universo humano. Todos os dias, pela manhã, reinventamos a vida. É sempre aqui e agora que criamos o nosso destino futuro, através das palavras que dizemos para nós próprios e para os outros. Cada pensamento e cada som é um mantra, porque detém um poder mágico de influenciar a vida de modo profundo. Eliphas Levi escreveu: “As vibrações da voz modificam o movimento da luz astral e são veículos poderosos do magnetismo”. As vibrações do pensamento que não é falado têm o mesmo efeito.
O poder da palavra é enorme, portanto. Ela salva e condena, ilumina e causa escuridão, faz adoecer, cura e dá esperança. O pensamento correto leva à palavra e à ação corretas, e disso surge a felicidade.
Bythinger/Sipa-Press
A fala é uma corrente magnética poderosa, capaz, por exemplo, de tranqüilizar a criança pequena.
Artigo completo no endereço:

sábado, 18 de outubro de 2008

Física quântica aplicada à era da consciência




SOMOS CONSCIÊNCIAS MULTIMODAIS COEXISTINDO EM DIVERSAS REALIDADES:

Somos compostos por milhares de fragmentos de luz, que estão simultaneamente em diversas realidades habitando outros tempos e histórias.
Temos fragmentos de lembranças dessas outras dimensões onde estamos coexistindo, mas ainda não estamos desenvolvidos o suficiente em lucidez para acessar essas vidas - realidades com plenitude.
Somos parte de um montante holográfico. Nossa totalidade divide-se em algo como se fossem pontos de luz/consciência estando simultaneamente em todos os tempos.
Saber dessa condição nos faz concluir que podemos ter acesso constante aos outros tempos nossos de atuação e também nos habilita a ampliar as nossas capacidades totais, pois certamente poderemos a todo instante criar novas realidades.
Todas as vertentes de um projeto/vida estão extradimensionadas em realidades paralelas que chamamos de multimodais e algumas dessas possibilidades podem “colapsar” no plano terrestre a qualquer instante. As nossas crenças se traduzem nas nossas realidades e se você fizer um trabalho eficiente com o seu poder pessoal poderá concretizar muito mais do que jamais imaginou para si mesmo. Nossas crenças subliminares também possuem muita força para se materializar, são pára-realidades prontas, nas quais estamos coexistindo. Por isso a necessidade séria do autoconhecimento, para que jamais possamos criar algo baseado à baixa auto-estima, etc. Por conta disso, a importância de se reconhecer e de se transmutar um pensamento agregado a uma imagem obsessiva. Ex.: Uma constante visualização de um acidente de carro, já está acontecendo em outro nível de realidade... Daí para baixar para este plano, basta um descuido.
Existe uma forma de tratamento para acessar esses padrões de realidades multimodais e transmutá-los, é através de um processo chamada “imagética". Por intermédio de ampliação da consciência em lucidez fora do corpo, também se pode entrar em contato com as outras dimensões nas quais habitamos.
Existem inúmeras consciências que estão aqui no planeta num momento espiritual bastante diferente da consciência do buscador.
Isto mostra um abandono do si mesmo, uma lentidão em captar a realidade e reconhecer-se como individualidade. Mas mesmo para estas que momentaneamente se esquecem de si mesmas e da imensa capacidade criadora que possuem, uma chamado constante para que acordem estará ecoando, mesmo que distante em suas consciências. Este é o processo de individuação que todos nós encarnados passamos em nossa jornada terrena.
Em circunstâncias vizinhas, temos as diversas consciências encarnadas em moldes humanos atuando nas interligações de todas as suas partes, buscando nem que seja apenas por processos intuitivos ainda não conscientes saírem do véu de ilusão em que estão vivendo.
Podemos observar pela nossa própria experiência que a consciência pode se renovar a cada segundo.
O estar parado passa a significar deterioração, pois o tempo na Terra age como um fator ilusório, impulsionando-nos sempre a agir, dando-nos a impressão de que tudo terá um fim. Neste sentido somos acometidos pela oportunidade de usarmos todo esse aparato criativo a nosso favor, buscando nesse movimento, a ampliação da nossa consciência e como conseqüência podemos nos envolver num porquê existencial mais genuíno.
Estamos todos agindo simultaneamente, ora como participantes inseridos dentro de um suposto contexto, ora como observadores nesse imenso show.
Somos os atores de nós mesmos, por isso é que necessitamos saber com clareza e responsabilidade sobre o modo como estamos atuando em cada instante, podendo assim desenvolver as nossas habilidades e sermos os senhores criadores das nossas realidades com total consciência. Definitivamente deixando de ser seres autômatos.
Por isso é altamente relevante a importância da busca sincera e da participação lúcida onde quer que possamos estar. Sempre exigindo de nós mesmos a consciência da totalidade.
Estamos nos aprimorando em nossos caminhos quando em propósitos claros e bem definidos, presentes em nossos corpos físicos, respirando e trocando ar/consciência com todas as atmosferas... Estando em tudo e vivendo o prazer do saber estar. Isto é sagrado, é a mais pura religiosidade que você pode imaginar. É o “religare”.
Tirando proveito de todas as experiências, na consciência do aprender.
Gerando o automerecimento, a auto-estima, ampliando oportunidades criativas para todos.
Somos criadores, criaturas divinas em pleno movimento, sempre.
São as atividades múltiplas e variadas do buscador, que tem como princípio a expansão do eu, mesmo que este não o saiba ainda ao certo.
A consciência do si mesmo vai transformando os universos em que se transita em expirais de movimento para o interior de todo o ser.
É certo que novos caminhos vão se abrindo na medida em que se avança pela própria vontade de se ter consciência e lucidez.
Estes são processos que qualquer consciência encarnada ou não pode passar.
Somos grandes, temos a divindade em nós. É hora de acordar. Busque parcerias que estejam no mesmo propósito.

Curso de ampliação da consciência e experiências fora do corpo com Silvia Malamud. Contatar Fátima no viavydia. Tel;50932446 ou 88320091 ou ainda falar diretamente com Silvia pelo tel 99383142

Silvia Malamud é colaboradora do Site Somos Todos Um desde 2000. Psicóloga e atua em seu consultório em São Paulo. Atendimentos em EMDR, Psicoterapia breve, Quântica e máquina SCIO - a máquina da saúde.
Tel. (11) 9938.3142 - deixar recado.
Autora do Livro: Projeto Secreto Universos

sábado, 24 de maio de 2008

“Amazônia não está à venda”

Para ministro Celso Amorim, ascensão do país suscita crítica
Denise Chrispim Marin escreve para “O Estado de SP”:
A “elite oligárquica” internacional está se opondo à ascensão do Brasil no cenário mundial. Os disparos contra a política brasileira para a proteção ambiental na Amazônia, a expansão da produção de biocombustíveis e as violações aos direitos humanos no País devem ser lidas como algumas dessas reações e também como “falsos problemas”.
Essa defesa foi feita ontem pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, à imprensa, ao final de uma exposição aos representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul. Para ele, o País terá de se acostumar a receber ataques.
“Não quero dizer que haja uma teoria conspiratória. Mas há setores que se incomodam quando surge um país que pode mexer na ordem mundial, como o Brasil vai mexer, e positivamente. Isso incomoda estruturas acostumadas a um certo modo de dominação, que formam uma elite oligárquica nas relações internacionais”, disse ele.
E completou: “Há um jogo de poder no mundo, e o Brasil está emergindo. Há resistências, e vamos ter de nos acostumar com isso. Vamos ter problemas comerciais, com as questões de biocombustíveis, as questões da Amazônia e teremos de enfrentar questões relativas a padrões sociais e de direitos humanos.”
A posição de Amorim sobre esse jogo de poder reflete, em parte, o resultado da primeira reunião de chanceleres de países apontados como potências futuras - o chamado grupo BRIC, composto por Brasil, China, Índia e Rússia -, que se deu na cidade russa de Ekaterimburg no último dia 16. O evento foi considerado um sucesso pela cúpula do Itamaraty, que acredita no potencial do grupo de mudar a forma como o mundo hoje está organizado.
Isoladamente, cada um dos quatro países apresenta estofo para alterar tópicos da ordem mundial. Coordenados, serão uma nova força no jogo de poder internacional.
Abordado sobre os ataques às políticas brasileiras sobre os biocombustíveis e a defesa do meio ambiente, Amorim tomou emprestado conceitos que levou à organização do encontro de Ekaterimburg. Primeiro, defendeu que “o meio ambiente talvez seja o maior patrimônio brasileiro” e que, diferentemente dos países que devastaram suas áreas naturais, a natureza pode ser vista em qualquer lugar do Brasil.
Depois, lembrou que ninguém nunca questionou o uso que os Estados Unidos fazem de suas reservas petrolíferas no Texas, embora muitos queiram apontar limites para a exploração da Amazônia.
“A Amazônia não está à venda. Queremos preservar nossa soberania”, declarou. “Mas, ao mesmo tempo, o Brasil tem interesse em melhorar as condições de vida de seus trabalhadores, tanto dos que estão na Amazônia quanto dos que estão nos canaviais”, completou.
(O Estado de SP, 22/5)

sábado, 19 de abril de 2008

Praticando o Poder do Agora


"A chave do segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele pára, a menos que você escolha utilizá-lo.
Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a compulsão para vivermos quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e de realização. Ambos são ilusões".


Autor: Eckhart Tolle - "Praticando o Poder do Agora"


Colaboração: Thalita Shanti

sábado, 19 de maio de 2007

Ética e Moral faz bem à saúde!

Leia a edição do programa da Rádio Grilo-Som do dia 19/5/2007:
Olá, olá minhas amigas, meus amigos! Está começando mais uma edição da super-quente, hiper-transparente, mega-magistral Rádio Grilo-Som!!!

Que bom estar com você!

Hoje eu destaco que a busca do bem-estar, passa necessariamente pelo centramento de pensamentos e ações, equilibrados e alinhados com atitudes éticas e refinadas pela boa moral!

O comportamento do ser humano, suas emoções, os seus relacionamentos pessoais, os seus conhecimentos, o estado de espírito, a interação com a natureza são alguns dos fatores que definem o grau, o nível da sensação de bem-estar das pessoas.
A prática religiosa também contribui positivamente para isso. O poder da fé e da espiritualidade na saúde física e mental é comprovadamente o mais eficiente de todos os métodos curativos e preventivos.

Assim, mesmo que você leve uma vida agitada, atribulada pelos níveis absurdos da competitividade, pode equilibrar seus pensamentos e atitudes para um bom condicionamento mental e, por conseqüência, espiritual.

Momentos de meditação levam à cura e à manutenção das emoções saudáveis e produtivas. Procure dedicar alguns minutos a esta prática. Centenas de estudos relatados em revistas científicas provam essa afirmativa. Integra o rol dessas atitudes saudáveis e curativas, também os exercícios físicos, a yoga, a ginástica chinesa, o shiatsu e todos os demais desta mesma linha.

Tudo isso pode ser facilmente comprovado pelo método científico, por meio de indicadores como a pressão sanguínea, a densidade óssea, a gordura corporal, o perfil lipídico, etc., etc.

Porém, tudo isso só é possível se os valores verdadeiros, refinados da vida, do ser humano, da natureza como um todo, realmente ocuparem um espaço generoso em seu coração.
De nada adianta ter atitudes desprovidas de convicções pessoais. Elas devem ser conseqüência de uma postura autêntica quanto à consonância de pensamentos, palavras e atitudes!

Era isso o que eu tinha para deixar para vocês nesta edição.
Aguarde, pois nos próximos dias estaremos de volta com um novo enfoque, em mais uma edição da super-quente, hiper-transparente, mega-magistral Rádio Grilo-Som!!!

Lembrem-se, ética não se ensina. Moral é o conjunto das nossas convicções!

Tenham dias brilhantes, com paz e muita luz!

Bye, bye!

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