quarta-feira, 31 de março de 2010

O império do vice de Arruda

A incrível trajetória de Paulo Octávio, o empresário investigado pelo Ministério Público que usou suas relações pessoais e políticas para ficar milionário

Andrei Meireles, Marcelo Rocha e Leonel Rocha























O DONATÁRIO
Paulo Octávio nasceu na classe média, ficou amigo de meninos ricos e se tornou senhor das terras de Brasília

Três adolescentes que andavam juntos em Brasília nos anos 60 ficaram conhecidos de todo o país pouco mais de duas décadas depois. Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito depois da ditadura militar e sofreu impeachment pelo Congresso Nacional acusado de corrupção. Luiz Estevão entrou para a história como o primeiro senador cassado pelos colegas, também acusado de corrupção. Paulo Octávio Pereira, o terceiro da turma, foi parceiro dos outros dois na Operação Uruguai, a farsa montada para tentar salvar Collor, mas que desmoralizou a defesa do então presidente. Atual vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio tornou-se, até agora, um sobrevivente nesse roteiro. No mundo empresarial, ele criou um verdadeiro império em construção civil, hotelaria e comunicações, com movimento financeiro de bilhões de reais. Tornou-se um dos homens mais ricos de Brasília. Sua carreira política também é um sucesso: foi deputado federal e senador, antes de chegar ao segundo cargo mais importante do governo local. Agora, porém, seu império poderá ruir. Paulo Octávio é alvo de duas investigações da Polícia Federal, que juntaram provas surpreendentes nas apurações sobre corrupção na capital.

Uma delas é a Operação Caixa de Pandora, que expôs ao país imagens do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, secretários, deputados distritais e empresários pagando ou recebendo dinheiro em espécie. Em alguns vídeos, o personagem é Marcelo Carvalho, principal executivo dos negócios de Paulo Octávio. Ele fala em nome do chefe, negocia valores e faz confidências sobre a prestação de contas. A defesa de Paulo Octávio diz que ele não pode ser acusado, pois não surgiu nenhuma imagem em que ele apareça recebendo dinheiro. Essa versão não resiste a outra apuração da Polícia Federal, a Operação Tucunaré, mantida sob sigilo. De acordo com os investigadores, há vídeos em que Paulo Octávio distribui dinheiro a deputados aliados de Brasília.

A Operação Tucunaré começou na Polícia Civil do DF para investigar lavagem de dinheiro e evasão de divisas por doleiros. Ela foi assumida pela PF em junho deste ano, quando a polícia grampeou uma conversa entre o doleiro Fayed Trabously – personagem citado em escândalos do PMDB e do antigo PFL – e o policial aposentado Marcelo Toledo Watson. Tucunaré é o apelido de Toledo, policial que saiu da ativa, aos 28 anos, depois de ser baleado durante o resgate da filha do senador Luiz Estevão, vítima de um sequestro em 1997.

Toledo é um dos personagens chaves dos escândalos em Brasília. Vídeos gravados pelo delegado Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, exibem imagens em que Toledo entrega dinheiro a assessores de Arruda. Segundo as investigações, ele cumpria papel de leva e traz entre empresários e políticos. A Operação Tucunaré mostra que Toledo e alguns doleiros eram responsáveis por enviar parte da propina para o exterior.

Com a ajuda dos órgãos federais que rastreiam movimentações financeiras suspeitas, a Polícia Federal investigou como propinas pagas em Brasília foram parar em contas em outros países, atribuídas a Paulo Octávio. Por intermédio de seu advogado, Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, Paulo Octávio disse que nunca distribuiu dinheiro para deputados. Ele afirma também que não há hipótese de aparecer em gravações com dinheiro e nega ter feito remessas ao exterior por meio de doleiros.

Segundo Durval, Paulo Octávio e Arruda participavam do rateio da propina arrecadada

Durante as investigações, a PF tentou convencer Toledo a virar réu colaborador. Na semana passada, Toledo desistiu de ajudar. Segundo amigos de Durval, Toledo teria exigido – e conseguido – a prorrogação por mais um ano do contrato de uma agência de publicidade da qual seria sócio oculto com a Terracap, a estatal que administra as terras públicas do Distrito Federal. Há suspeitas de irregularidades nas prorrogações anteriores desse mesmo contrato, no valor de R$ 13,5 milhões, sob investigação no Tribunal de Contas do Distrito Federal.

As investigações da Caixa de Pandora também avançaram. Na operação de busca e apreensão no escritório de um secretário do governo de Arruda, foi encontrado um caderno com a contabilidade, escrita à mão, relativa a recebimentos e pagamentos. Uma perícia grafotécnica do Instituto de Criminalística da PF atestou que o autor dos registros foi o secretário. Essa informação consta do relatório enviado pela PF na quarta-feira ao Superior Tribunal de Justiça. Ali também ficou atestado que todas as gravações sobre o escândalo de Brasília entregues à polícia são autênticas, sem montagens. “É impressionante. Tudo o que averiguamos do que Durval nos disse está sendo confirmado”, afirmou a ÉPOCA um dos investigadores da Caixa de Pandora.

E o que Durval disse aos investigadores? Em primeiro lugar, que Arruda e Paulo Octávio, depois de acirrada disputa sobre quem seria candidato a governador em 2006, fizeram um acordo que incluía o rateio do dinheiro arrecadado com quem tem negócio com o governo do Distrito Federal. De acordo com Durval, o acerto era que o vice receberia um terço. Esse dinheiro seria embolsado por Paulo Octávio e usado para pagar aliados. Os outros dois terços seriam para Arruda. A movimentação desse dinheiro dos negócios privados com o governo de Brasília ocorreria praticamente todos os dias. Durval disse que a parte de Paulo Octávio, na maioria das vezes, era recebida por Toledo. Eventualmente, Marcelo Carvalho recolhia o dinheiro. Durval diz ter entregado pessoalmente o dinheiro em algumas oportunidades a Paulo Octávio.

Em um depoimento, Durval contou aos investigadores por que, em uma das gravações, Carvalho disse que Paulo Octávio era avarento e cobrava cada centavo. Segundo Durval, a cada vez que ele levava dinheiro a Paulo Octávio, era recebido numa suíte diferente do hotel Kubitschek Plaza – uma das propriedades de Paulo Octávio. Ali, segundo Durval, Paulo Octávio sempre reclamava que recebia menos do que o combinado. A divergência seria aritmética. O esquema estaria pagando a Paulo Octávio 30% do total, quando o acerto seria um terço, o equivalente a 33%. Num depoimento, Durval descreve uma ida ao Kubitschek. Segundo o advogado Kakay, Paulo Octávio confirma que se encontrou com Durval no Kubitschek Plaza, mas nega que tenha recebido dinheiro.

Paulo Octávio nasceu no município mineiro de Lavras e mudou-se para Brasília em 1962, aos 12 anos de idade. Amigos de adolescência dizem que ele sempre teve obsessão por ficar rico. Filho de um dentista de classe média, ainda jovem buscou dois caminhos: conquistar amigos de famílias ricas e ganhar dinheiro. Deu-se bem nas duas empreitadas.

Paulo Octávio começou a vida profissional com uma pastinha debaixo do braço, vendendo seguros. Depois virou corretor de imóveis, estabelecido em uma pequena sala comercial. Dali, partiu para construir seu império. Paulo Octávio mostrou-se um bom corretor em duas imobiliárias de Brasília. O primeiro lance de ousadia nos negócios com recursos públicos ocorreu quando ele se tornou genro do almirante Maximiano da Fonseca, ministro da Marinha no governo João Figueiredo (1979-1985). Paulo Octávio morou na casa oficial do sogro na Península dos Ministros, área mais nobre de Brasília. Na ocasião, associou-se ao empresário Sérgio Naya, que se tornou célebre por causa do desmoronamento do Edifício Palace II, no Rio de Janeiro. Juntos, os dois construíram o Hotel Saint Paul em Brasília. A Marinha comandada pelo almirante Maximiano da Fonseca comprou na planta 40 dos 272 apartamentos. Na sociedade com Naya, Paulo Octávio ficou dono de 15% do empreendimento. À época, os dois também exploravam no hotel a badalada boate Corte.






















AMIGOS
Com Collor (à esq.) no poder, Paulo Octávio obteve dinheiro para grandes obras na capital

Com essas investidas, Paulo Octávio firmou-se como empresário. Seu grande salto nos negócios ocorreu anos depois, quando o amigo Fernando Collor se elegeu presidente da República. No governo Collor, Paulo Octávio indicou dirigentes na Funcef, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, e conseguiu financiamento da instituição para três grandes investimentos em Brasília: o Hotel Blue Tree, o Brasília Shopping e uma superquadra em área nobre da cidade com 11 prédios residenciais, uma escola e um jardim de infância.

Auditorias internas da Caixa mostram que os negócios foram bons para Paulo Octávio e ruins para os mutuários. Segundo essas auditorias, ocorreram irregularidades em várias etapas dos empreendimentos: desde a formalização da parceria com a Funcef até a construção e venda dos imóveis, entre os anos 1994 e 1998. A avaliação dos auditores é que o prejuízo causado à Funcef deverá chegar a R$ 200 milhões. “A partir daí, ele ficou grande”, diz um dos principais concorrentes de Paulo Octávio desde aquela época. Para investigar as supostas irregularidades, foram abertos três inquéritos policiais que poderão resultar em denúncias do Ministério Público à Justiça.

Para ter uma ideia do império de Paulo Octávio, basta fazer um passeio pelas áreas valorizadas de Brasília. Algumas das mais vistosas obras da capital, como o Blue Tree, rebatizado Alvorada, o Centro de Eventos Brasil 21 e o Brasília Shopping, foram construídas por Paulo Octávio. Uma análise detalhada desses empreendimentos feita por ÉPOCA mostra que o crescimento do patrimônio de Paulo Octávio tem relação direta com decisões tomadas pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, a mesma que frequenta o noticiário como balcão de negócios. Mudanças na regras para o uso do solo aprovadas pelos deputados distritais permitiram ao grupo empresarial de Paulo Octávio realizar negócios milionários com terras públicas.

Em 1995, a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários comprou, em parceria com outros empresários, um terreno de 65.000 metros quadrados onde antes existia o Estádio Rei Pelé (ou Pelezão). O lote pertencia à Federação Brasiliense de Futebol e foi comprado por R$ 4 milhões. Graças a leis votadas pela Câmara Distrital depois dessa transação, o terreno originalmente destinado a atividades esportivas tornou-se área residencial. Pouco mais de um terço da propriedade foi vendido por Paulo Octávio, em maio do ano passado, por R$ 25 milhões a José Celso Gontijo, empresário flagrado em vídeo entregando dinheiro a Durval.

Outro exemplo é o Hotel Blue Tree. Banhado pelas águas do Lago Paranoá e vizinho ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, o complexo hoteleiro inaugurado em 2000 consumiu cerca de R$ 140 milhões. Recentemente, a empresa de Paulo Octávio finalizou a construção do complexo Brasil 21, com mais de 800 flats e 800 salas comerciais, localizado na cobiçada área central da cidade.

Um dos principais beneficiados pelo boom imobiliário em Brasília, o grupo empresarial de Paulo Octávio divide atualmente as atenções entre o Península, um empreendimento residencial orçado em R$ 1,2 bilhão no bairro de classe média Águas Claras, nos arredores do Plano Piloto de Brasília, e o Shopping Iguatemi, investimento estimado em R$ 150 milhões, em parceria com o empresário Carlos Jereissati. O canteiro do Iguatemi fica no Lago Norte, bairro de Brasília onde há alguns anos existia o esqueleto de um centro comercial. Ele seria erguido pela LPS Empreendimentos e Participações, sociedade de empresas pertencentes a Luiz Estevão, Paulo Octávio e Sérgio Naya. A transação foi descrita por ÉPOCA na edição de maio de 2007.

Na Junta Comercial do DF, o nome de Paulo Octávio aparece atrelado diretamente a 12 empresas. As participações indiretas são mais de 30, de construtoras a concessionárias de automóveis e emissoras de rádio. A declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral por Paulo Octávio em 2006 soma R$ 323,5 milhões em bens, mas seu patrimônio evoluiu. Hoje, estima-se que chegue a R$ 700 milhões.

As investigações que chegaram agora a Paulo Octávio estão mais adiantadas em relação às que apuram denúncias contra Arruda. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a Lei Orgânica do Distrito Federal. Essa lei dá à Câmara Legislativa a prerrogativa de autorizar a abertura de ação penal contra o governador. Na representação, Gurgel afirma que a lei é inconstitucional, porque a competência de decidir sobre ações penais contra governadores seria do Superior Tribunal de Justiça. Na quinta-feira da semana passada, a procuradora Raquel Dogde, responsável pela investigação da Operação Caixa de Pandora, pediu ao STJ a quebra do sigilo bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas investigadas, entre elas Arruda e Paulo Octávio. Dodge entendeu que há elementos suficientes para caracterizar desvio e apropriação de recursos públicos. No caso de Paulo Octávio, se os investigadores estiverem certos, o vice corre o risco de perder o mandato e de fazer companhia aos amigos de juventude que perderam mandatos por causa de denúncias de corrupção.
 
Revista Época

terça-feira, 30 de março de 2010

Raízes de Grama

Raízes de Grama (grassroots = movimentos populares) do Klimaforum09 nos bastidores da COP-15

Bella Center - a casa para a COP15 - em segundo plano

Blog dos bastidores: Para mim o Bella Center poderia ser em qualquer lugar do mundo.Há uma completa desconexão entre o processo político e o Mundo.

Por Rachel MacIntyre

Ficar em pé no meio do Øksnehallen para assistir à transmissão televisiva em tela grande da cobertura ao vivo do Bella Centre foi surreal. Para mim, o Bella Centre poderia ser em qualquer lugar do mundo. Há uma completa desconexão entre o processo político e o Mundo. Eu não tinha contato direto com as negociações COP15, exceto os briefings, dados diariamente no Klimaforum e as histórias de quem por lá ciirculava. No sábado passado, durante os protestos o nosso objetivo essencial era chegar ao Bella Centre.Um incentivo falso, já que os manifestantes nunca seriam admitidos no recinto. Na TV, o movimento era mostrado da perspectiva aérea, com os manifestantes e a polícia a muitas centenas de metros de distância. Um telhado verde feito de astroturf deveria ter sido instalado para promover todas as "Greenwash" (lavagens verdes). COP15 é uma obra de inércia política internacional.

Durante as últimas 2 semanas eu trabalhei com os voluntários dos Camarões, Hungria, E.U.A., França, Alemanha, Nova Zelândia, Tailândia, Espanha, Portugal e Dinamarca. Sem os voluntários, o Klimaforum não teria sido possível. O fato de que existia uma equipe internacional num local, geralmente monocultural como a Dinamarca me dá esperança.O Klimaforum ignorou fronteiras internacionais e conseguiu reunir todas as esferas da vida, a fim de criar colaborações para o clima global. Agora que temos as conexões, homens e mulheres comuns devem vir a bordo. Mesmo com um acordo quebrado amanhã, o desafio é enorme.

Trabalhar no Klimaforum confirmou os meus receios sobre a mudança climática, mas também tenho sido encorajada pelas ações que existem, que estão em vigor e já fornecem soluções positivas.

Há algo aqui que pode plantar a semente de algo poderoso. A energia está lá. Eu estou pronto para começar o meu próprio projeto de raízes da grama.Mesmo que eu esteja longe de ser uma especialista eu sinto que o tempo é da essência e não temos tempo a perder. Se um simples Zé pode começar algo de positivo, isso pode levar outro Zé a escutar ,agir e se envolver. Respirar é o que eu preciso agora. Um pouco de um clima livre de mundo, e em seguida, é hora de começar, como uma pessoa mais inspirada e conhecedora. As tecnologias existem. Simples, locais - movimentos populares (grassroots) já estão trabalhando para encontrar soluções. É fundamental e da mais alta importância a ação de partilha destas tecnologias e soluções. Essas coisas devem acontecer para a humanidade e esta Terra sobreviverem.

Tradução livre de Edu Cezimbra
Fonte: Klimaforum09-Grassroots on Astro Turf
Capturado no site: http://bit.ly/df1KeR

segunda-feira, 29 de março de 2010

A reparação

Reparação Trailer oficial do documentário longa-metragem estréia em 2010

Documentário conta história de vítima da violência da guerrilha durante o regime militar.

Pela primeira vez no Cinema Brasileiro, longa-metragem mostra histórias de violência dos 2 lados: da repressão militar e do terrorismo de extrema esquerda.

Reparação é o título do documentário de longa-metragem em High Definition que conta a história de Orlando Lovecchio, vítima de um atentado a bomba praticado pela guerrilha que lutava contra o regime militar no Brasil, em 1968. Orlando perdeu a perna no célebre atentado ao Consulado dos EUA em São Paulo e, ainda hoje, em 2009, luta por justiça: como não é considerado uma vítima da ditadura militar, a aposentadoria que recebe é menor que a do autor do atentado que o vitimou e enterrou para sempre seu sonho de ser piloto de avião. O episódio envolvendo Orlando e seus desdobramentos tem merecido amplo e constante destaque na imprensa.

A partir deste caso, o filme provoca uma reflexão a respeito do período militar, da violência de grupos extremistas ontem e hoje na América Latina, da ditadura cubana que persiste até hoje com o apoio de democratas em todo o continente, além da relação ainda conflituosa existente entre o aparelho repressivo do Estado e os cidadãos comuns.

Com depoimentos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do historiador Marco Antonio Villa, do jornalista Demétrio Magnolli, entre outros, Reparação pretende iniciar uma nova discussão sobre o período militar dentro do contexto do Cinema Brasileiro, que até hoje tem falhado por mostrar apenas um lado dos que viveram a época, de uma forma muitas vezes maniqueísta (como se a História pudesse ser resumida a um eterno embate do bem contra o mal)

Em uma abordagem franca e sem amarras partidárias ou ideológicas, Reparação comprova sua total independência ao não ter recorrido às verbas públicas para sua realização.

Uma prova de que o Cinema Brasileiro pode suscitar o debate com qualidade técnica e total independência estética e de pensamento.

Categoria: Filmes e desenhos

domingo, 28 de março de 2010

Utopias e sonhos

O outono chegou sem fazer muito alarde. Quase não percebemos sua chegada. Aos poucos, porém, os sinais serão perceptíveis, principalmente por meio das folhas que passam a trocar de tonalidade, cedem à velocidade do vento e caem. Árvores e arbustos vistosos e viçosos passam a ter uma aparência ressequida. Durante um período, a natureza ouve o toque de recolher. Neste tempo, porém, a seiva continua sustentando a vitalidade da planta.

Na vida humana, o outono e o inverno acontecem em qualquer tempo. São períodos exigentes que necessitam ser acolhidos e administrados. Assim, como as estações vão se sucedendo, na vida de cada um de nós tudo passa. E o que passou poderá se tornar ensinamento e aprendizado para o que está por vir. Mas é necessário saber tirar lições de cada situação. Só assim, eternos aprendizes, seremos capazes de acalentar sonhos e concretizar utopias.

O passar dos anos tem deixado no ser humano a sensação de declínio, de redução da capacidade física e intelectual. Determinadas tarefas já não são mais praticadas, justificando que a idade não permite. Fica a impressão de que a proximidade do fim exclui a possibilidade do sonho, da utopia e da necessidade de superar os próprios limites. É inevitável a chegada do envelhecimento, que deixa suas marcas. Porém, o ser humano, mesmo tornando-se mais lento, carrega consigo a possibilidade de ultrapassar estações e ir além do tempo, pois sua existência não se resume em ter apenas um corpo, uma dimensão física.

Há algo de extraordinário em cada ser humano que possibilita o ilimitado, o infinito. É justamente essa dimensão transcendental que garante jovialidade e superação. Assim sendo, percebe-se a existência de algo muito maior do que o envelhecimento físico. Algo que faz o caminho inverso. Enquanto o corpo tende ao declínio, lá no mais íntimo do ser parece brotar uma força incrível que se traduz em planos, metas e desejos, independente se serão ou não alcançados. Enquanto houver espaço para utopias e sonhos, a vida estará destinada ao infinito. O envelhecimento é inevitável, mas o desejo de viver é uma questão de escolha.

Não importa a idade física. Importa não deixar de sonhar e de contribuir para que a esperança, esse produto tão escasso, continue construindo vida e história com as marcas do amor, da compreensão, do perdão e da solidariedade. O cuidado com a exterioridade não pode negligenciar o cuidado com a interioridade, lugar ideal para cultivar novos horizontes e de equilibrar as diferenças e desafios de cada estação, na certeza de que haverá um amanhã primaveril aguardando o entardecer do hoje, único tempo que pertence à existência de cada um de nós.

(Coluna do Frei Jaime Bettega no Jornal Pioneiro de 25/3/2010)

sábado, 27 de março de 2010

Saint Germain - 27 de março

Mensagem de Saint Germain Canalizada por Helena da Fonseca
01 de Março 2010, 22.50h
Portugal, Porto.

Boa tarde meus amados,

De novo nos reunimos aqui, nesta comunicação e vibração energética de quem poderá ler estas palavras.

Neste momento eu saúdo todos os audazes e todos aqueles que ainda estão no tempo do “ vai ou não vai”.

Meus amados, como tinha anunciado, o dia 27 de Março está se aproximando e vocês devem se preparar para o conselho karmico definindo mais do que nunca o vosso “futuro”.

Nesta época de ascensão espiritual, de elevação corporal/física em simultáneo, é deveras importante vocês se pronunciarem com vocês próprios.

Alinharem seus pensamentos, desejos e sonhos com a vossa realidade e não temerem o que vocês desejam.

Devem acreditar que tudo mudou em vocês e que o velho já não existe, apesar de verem e ouvirem as notícias diárias à vossa volta.

Tudo não passa de um despertar severo, talvez, que vocês próprios “impuseram” para reabilitação de vós próprios.

Tenham consciência e aproveitem ao máximo a reunião com vocês próprios nestes dias até dia 27 e ouçam em essencial o que o vosso interior vos diz e o que ele vos apela. Nas escolhas que possam fazer, escutem bem o vosso coração, a vossa consciência e, com certeza irão ouvir o que é o melhor ou não para vós.

No entanto, todas as vossas escolhas, não esqueçam que têm sempre em primeiro lugar a vossa ascensão, e que sem ela, não poderão obter com segurança o que quer que seja.

Olhem-se ao espelho, olhem o espelho da vossa alma e escutem-na para assim terem mais certeza daquilo que poderão pedir ou definir para o vosso futuro.

Negócios, bens materiais, saúde, estudos, etc tudo estará nas vossas mãos agora mais do que nunca, pois o tempo é chegado e está bem presente.

Não se intimidem com assuntos que vocês acham que estão pendentes e que nunca mais se resolvem, pois eles estão apenas à espera do vosso sinal para partirem. No momento em que não duvidarem, através do coração e da mente, que o comando das palavras "tu já não existes", dissolve tudo, essas situações deixarão mesmo de existir e tudo se transformará numa nova realidade. Na realidade da consciência, do despertar e do novo surgimento renascido da alma e da essência pura.

Preparem-se, porque tudo está a espera do vosso sinal.

Então digam: “Eu confio em mim, na minha essência, na minha reminiscência” e verão que tudo tomará um novo sentido.

Nova assembléia de conselho kármico, embora tudo esteja já se dissipando, sem darem conta, determinem, agora mesmo, o que pretendem de vocês próprios e tudo se realizará.

Dia 27, 28 e 29 serão determinantes para a energia que se fará sentir, pois será o dia em que todas as Naves, junto com Miguel e Ashtar, se disponibilizarão para atenderem as energias enviadas através dos vossos apelos, sejam elas de coração, de mente ou de meras palavras evocadas.

Não se amedrontem, peçam e clamem o vosso novo mundo cheio de harmonia, saúde e plenitude de abundancia em todos os sentidos da vossa realidade.

Eu estarei também presente para o caso de “resistências” ainda presas a vós.

Se tiverem medos, dúvidas ou receios, por favor, chamem-me, clamem-me que eu vos “arrancarei” de dentro de vós aquilo que vos aprisiona ainda ou não vos permite acreditar ainda em vós próprios!

Vós sois os verdadeiros milagres, vós sois a verdadeira essência e plenitude da vida, por isso não duvidem que são Deus encarnado!

Façam, ajam, falem, pensem como se o fossem mesmo (Deus em ação) e verão à vossa volta, tudo a ser transmutado e a vibrarem na mutação diante de vós!

Eu Sou Saint Germain, aquele que liberta todas as prisões, que dissolve todas as correntes que vos prendem ainda ao passado, por isso não hesitem em apelar-me, pois não me cansarei nunca de vos auxiliar.

Eu estou aqui bem presente, neste presente que o universo vos dará mais uma vez.

Eu Sou Saint Germain, assim vós me conheceis, mas na verdade Eu Sou apenas energia ascensionada e vibrante em cada um de vós.

Quero e faço questão de erguer minha mão, minha energia, como lhe queiram chamar, para todos vós e em especial àqueles que ainda não se libertaram dos medos, Eu apelo para que me apelem em nome desses medos, fobias ou receios, mas não estejam quietos!

Chamem-me, pois Eu estarei sempre e sempre presente em vós e verão que tudo será dissipado!

Em nome de todos vós, eu saúdo a plena justiça merecida em cada um de vós no seu caminhar até aqui. A nova jornada!

Eu Sou aquilo que Sou e aquilo que vós queirais que eu seja.

Na minha simplicidade, Eu Sou Saint Germain.

Até breve


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Recebido por e-mail, tal qual...

sexta-feira, 26 de março de 2010

O julgamento da velhinha

Juiz: Qual sua idade?
Velhinha: Tenho 86 anos.
Juiz: A senhora pode nos dizer com suas próprias palavras o que lhe aconteceu no dia 1º de abril do ano passado???
Velhinha: Claro, doutor. Eu estava sentada no balanço de minha varanda, num fim-de-tarde suave de verão, quando um jovem sorrateiramente senta-se ao meu lado.
Juiz: Você o conhecia?
Velhinha: Não, mas ele foi muito amigável...
Juiz: O que aconteceu depois?
Velhinha: Depois de um bate-papo delicioso, ele começou a acariciar minha coxa.
Juiz: A senhora o deteve?
Velhinha: Não.
Juiz: Porque não?
Velhinha: Foi agradável. Ninguém nunca mais havia feito isto comigo desde que meu Ariovaldo faleceu, há 30 anos.
Juiz: O que aconteceu depois?
Velhinha: Acredito que pelo fato de não tê-lo detido, ele começou a acariciar meus seios.
Juiz: A senhora o deteve então?
Velhinha: Mas claro que não, doutor...
Juiz: Por que não?
Velhinha: Porque, Meritíssimo, ele me fez sentir viva e excitada. Não me sentia assim há anos!
Juiz: O que aconteceu depois?
Velhinha: Ora Sr. Juiz, o que poderia uma mulher de verdade, ardendo em chamas, já de noitinha, diante de um jovem ávido por amor? Estávamos a sós, e abrindo as pernas suavemente, disse-lhe: Me possua, rapaz!
Juiz: E ele a possuiu?
Velhinha: Não... Ele gritou: 1º DE ABRIIIIIILLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Foi aí que eu dei um tiro no filho da puta!!!.

(recebi por e-mail, tal qual, sem a indicação da autoria: contatos: crsabbi@gmail.com)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Absurdo do século XXI

Cuidado é muito forte!
Ler bem e só partir para as imagens se estiver seguro do que o pode esperar.

Sinceramente...fiquei a suar após ver o e-mail...sabia que estas coisas aconteciam mas nunca tinha tido oportunidade e também coragem para ver...!

A minha primeira reação foi eliminar de imediato o e-mail...não passar este horror a ninguém...mas na realidade escondermos a cabeça no buraco como faz a avestruz não é a melhor solução...mas é duro saber quão vil e mau pode ser o ser humano...é a barbárie no seu estado mais puro e peço a quem achar que não aguenta tanto horror que apague de imediato o mail.

Pergunto:

Quando é que a vida humana terá valor?

Quando é que as pessoas vão tomar consciência que a vida é um bem divino?

Quando é que as pessoas deixarão de julgar o seu próximo sem dar oportunidade de defesa?

Quando é que estes assassinos serão julgados?

Onde é que anda a autoridade para deixar isto acontecer?

Nós que presenciamos isto, temos de unir forças e denunciar para que as nossas vozes juntas cheguem até ao mais alto nível Mundial na esperança de pôr fim a coisas idênticas, caso contrário seremos cúmplices.

Só gostava de saber quem é que disse que estas bestas são gente?!? Culpa tem quem deu as independências a estes criminosos, desumanos !

E depois só os brancos é q são racistas...!!!

E os brancos não fazem isto?

Se fazem isto aos negros,irmãos de raça,o que são capazes de fazer aos outros, diferentes???!!!!

Importa igualmente saber, o que vai na consciência(???) das pessoas que praticam e alimentam estas atrocidades inter-étnicas...

SÓ CLIQUE NO LINK SE ESTIVER REALMENTE PREPARADO:

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Gol da vida de Tostão!

Tostão, ex-jogador de futebol marcando um golaço

NOTICIA = O presidente Lula e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo. O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002. Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da Previdência, para a aposentadoria. A expectativa é que o anúncio da nova medida seja feito pelo governo na próxima semana.

O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:

Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas. Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia. O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época. O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias. É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades. A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.

Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.

Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem. Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros. Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.

Tostão
 
Obrigado somos nós que dizemos Tostão, pela lição de ética, de ética pública, de ética global!
Parabéns pelo golaço da tua vida!

terça-feira, 23 de março de 2010

Poema da Mente

Há um presidente que mente,

Mente de corpo e alma, completa/mente.


E mente de maneira tão pungente

Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,

Mais que mente, sobretudo, impune/mente...


Indecente/mente.

E mente tão nacional/mente,

Que acha que mentindo história afora,

Vai nos enganar eterna/mente.
 
(Affonso Romano de Sant`Anna)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Bolsa Família

O programa Bolsa Família alcançou, em 2009, 12,4 milhões de domicílios e inclusão de um milhão e trezentas mil famílias no ano. Para 2010, a expectativa do Governo Federal é beneficiar 12,9 milhões de lares.

Além da inclusão de mais famílias, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informou que entre janeiro e dezembro R$ 12,4 bilhões foram pagos em benefícios, com valores que variam de R$ 22 a R$ 200. O valor recorde é atribuído à ampliação do número de beneficiários e ao reajuste de 10% nos valores do benefício, ocorrido em setembro.

Segundo o MDS, o Governo Federal já iniciou a capacitação de 40 mil beneficiários do programa Bolsa Família em cursos de turismo e construção civil, e meio milhão de jovens e adultos inscritos no programa foram alfabetizados em 2006 e 2007. Além de treinamento e alfabetização, o governo anuncia que mais de 287 mil pessoas beneficiárias do programa receberam empréstimos entre janeiro e outubro deste ano para desenvolver atividades produtivas.
 
Fonte: Agência Brasil
 
Tenho um projeto de moralização/profissionalização dos benefícios sociais. Veja em: http://bit.ly/7K0OHZ
 
Por sua vez, o blog do Senador Álvaro Dias, por sua vez, denunciou:
 
Na ante-véspera do Natal o Governo mudou as regras do programa Bolsa Família. Na surdina, ao apagar das luzes de 2009, em meio aos festejos natalinos, o governo golpeou a moralidade pública. Alterou o programa e evitou que 1,44 milhão de famílias, cerca de 5,8 milhões de pessoas, fossem excluídas dos benefícios . Para o ano eleitoral, criou um inusitado e ilegal “prazo de carência” , consagrando irregularidades e enfatizando ser o Bolsa Famila o maior programa de compra de votos com dinheiro público de nossa história. É a corrupção eleitoral institucionalizada.
Sugestão de blogueiro-Aqui
Ver: http://www.blogalvarodias.com/
 
Realmente, somente a educação poderá mudar nosso país para melhor!

domingo, 21 de março de 2010

Marina Silva como celebridade internacional

MALU DELGADO - DA FOLHA DE S.PAULO

Pré-candidata do PV à Presidência, a senadora Marina Silva (AC) terá seu momento de celebridade internacional no dia 25 de abril, quando participará como oradora, em Washington, do 40º aniversário do Dia da Terra (The Earth Day). O coordenador nacional da pré-campanha de Marina, o vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ), confirmou ontem a presença da senadora no evento.

O badalado encontro internacional, organizado pela Earth Day Network, colocará a senadora ao lado de figuras como o ator Leonardo DiCaprio, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o diretor Martin Scorsese, a cantora Barbra Streisand e o fundador da rede de TV americana CNN, Ted Turner, além de uma infinidade de artistas, músicos, cineastas, atletas e ambientalistas, todos membros do comitê consultivo da Earth Day.

A Earth Day Network é uma rede global de proteção ao meio ambiente, pró desenvolvimento sustentável, que reúne parceiros e entidades ambientalistas de 174 países. A estimativa da rede é que até 1 bilhão de pessoas participem das atividades comemorativas do Dia da Terra, em abril, para promover a conscientização mundial sobre questões ambientais.

O evento deverá ser transmitido ao vivo pela CNN e contará, ainda, com a presença de representantes do alto escalão do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A direção do PV espera que Marina tenha a oportunidade de manter contatos com membros do governo norte-americano e também com o democrata Al Gore. O comando da pré-campanha do PV estuda a viabilidade de um encontro da senadora com o democrata no Brasil, no próximo final de semana, mas há problemas de compatibilidade de agenda.

Al Gore estará em Manaus nos dias 26 e 27 deste mês, ao lado do diretor de cinema James Cameron, do filme "Avatar". Ambos participarão do 1º Fórum Internacional de Sustentabilidade. Trata-se de evento privado, para o qual Marina não foi convidada.

Segundo o ex-deputado Luciano Zica (PV-SP), que cuida da agenda pré-eleitoral de Marina, a senadora, nestes dias, estará em Serra Negra, Atibaia e Araraquara. Além de encontro com prefeitos e com militantes do PV, Marina conversará com mulheres trabalhadoras rurais de São Paulo. Até o momento, o PV ainda não conseguiu viabilizar um encontro de Marina com Al Gore no Brasil.

O convite para Marina discursar no mais importante evento do 40º aniversário do Dia da Terra, que será celebrado em simultaneamente em várias cidades dos EUA, partiu da presidente do Earth Day Network, Kathleen Rogers. A pré-candidata é convidada a falar sobre "sua conexão pessoal com o meio ambiente e seu trabalho para protegê-lo".

sexta-feira, 19 de março de 2010

Fernando Pessoa e a Maçonaria

Fernando Pessoa escreve sobre a Maçonaria

A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita, portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente.


Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçônico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como, aliás, qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de Maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.

Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só idéia – a “tolerância“; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama “doutrina maçônica” são opiniões individuais de Maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas.

Ora o primeiro erro dos Antimaçons consiste em tentar definir o espírito maçônico em geral pelas afirmações de Maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.

O segundo erro dos Antimaçons consiste em não querer ver que a Maçonaria, unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afetam a Maçonaria como afetam toda a gente. A sua ação social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da Maçonaria em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou.

Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas – baseadas nesta dupla confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão absolutamente erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. Por esse critério – o de avaliar uma instituição pelos seus atos ocasionais porventura infelizes, ou um homem por seus lapsos ou erros ocasionais – que haveria neste mundo senão abominação? Quer o Sr. José Cabral que se avaliem os papas por Rodrigo Bórgia, assassino e incestuoso? Quer que se considere a Igreja de Roma perfeitamente definida em seu íntimo espírito pelas torturas dos Inquisidores (provenientes de um uso profano do tempo) ou pelos massacres dos albigenses e dos piemonteses? E, contudo com muito mais razão se o poderia fazer, pois essas crueldades foram feitas com ordem ou com consentimento dos papas, obrigando assim, espiritualmente, a Igreja inteira.

Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século dezoito – quando expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio Papa – pelo Maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellinton e Blucher eram ambos Maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base aonde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a “Entente Cordiale”, obra do Maçom Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da literatura moderna – o “Fausto” do Maçom Goethe.

Acabei de vez. Deixe o Sr. José Cabral a Maçonaria aos Maçons e aos que, embora o não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a Antimaçonaria àqueles Antimaçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja de Jerusalém.

Fernando Pessoa – Este é um trecho do artigo que Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa, nº: 4.388 de 4 de fevereiro de 1935, contra o projeto de lei, do deputado José Cabral, proibindo o funcionamento das associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização.

Capturado em 28/01/2010 no blog: http://bit.ly/b9aAle

quinta-feira, 18 de março de 2010

Fim de semana = felicidade

Pesquisa comprova que as pessoas são mais felizes aos finais de semana


Trabalhadores em idade adulta sentem os benefícios das folgas

Você conhece aquela sensação: mal se aproxima da quinta ou da sexta-feira e já se começa a pensar no sábado e no domingo. Trabalhadores de qualquer área ou posição hierárquica esperam ansiosamente por estes dois dias da semana. O sentimento de felicidade que toma conta das pessoas aos finais de semana ganhou agora base científica. Há, sim, muitos benefícios no chamado "efeito final de semana".

Pesquisadores da Universidade de Rochester nos Estados Unidos, dedicaram-se a avaliar as mudanças psicológicas de adultos que trabalham. Concluíram que da sexta-feira à noite até o finalzinho do domingo estas pessoas se sentem realmente mais felizes durante o período. São mais "realizadas, saudáveis e mais eficientes", segundo o estudo publicado na edição de janeiro do Journal of Social and Clinical Psychology.

O bem-estar é abundante no final de semana, já que os trabalhadores estão longe da pressão do dia-a-dia e de pessoas com as quais o adulto não está "emocionalmente conectado", como chefes ou colegas. Já os finais de semana são momentos de encontrar famílias e amigos.

A pesquisa foi realizada com pessoas entre 18 e 62 anos que trabalham pelo menos 30 horas por semana. Os resultados foram iguais independente da idade, estado civil ou salário recebido pelos participantes da pesquisa.

Quando o final de semana está próximo, o humor das pessoas muda radicalmente. Entre os fatores que contribuem para isso estão o fato de que cada pessoa estará controlando seu próprio dia e a perspectiva de ter momentos de atividades com qualidade e prazer.
 
Foto: Divulgação, Stock.Xchng
Fonte: http://bit.ly/bulEOS - acesso em 27/01/2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Jabuticaba Elétrica


Jabuticabas só existem no Brasil, mas não são só as jabuticabas que só existem no Brasil... Passei o Natal e ano novo numa chácara e para animar as festas montei uma traquitana com caixa de som, DVD , Ipod e outras coisas. O trambolho tinha quatro cabos de força. Para poder ligar tudo era necessário uma régua elétrica ou... um benjamim! Sabe? Aquela pecinha (também chamada de "tê") que permite que você ligue mais de um cabo de força à tomada? E que chama benjamim por causa do Franklin? Ta bem, sei que tem que tomar cuidado, que não é recomendado, etc. Deixa eu terminar minha história?

Pois o trouxa aqui sai pela cidade à procura do benjamim, como fiz a vida inteira. Só para descobrir que benjamins não existem mais.

Desde o começo de 2009 o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), baixou uma norma padronizando os plugues e tomadas elétricas e adotando um sistema de pinos que só existe num lugar no mundo: aqui. Uma jabuticaba.

Pausa. Entra em ação o PLPUP - Programa Luciano Pires de Utilidade Pública, tentando explicar, em caipirês, o que se passa. Fiz eletrônica no colégio, mas não entendo nada do assunto. Só pesquisei. Ó:

As concessionárias fornecem energia para nossas casas por meio de dois fios: o neutro e o fase. É pelo fase que a tensão elétrica é transmitida. O neutro não tem tensão, é neutro. A rede elétrica de nossas casas é toda interligada e os vários aparelhos nela plugados estão, portanto, interconectados, o que causa algumas variações elétricas. Por exemplo, os computadores - que contêm vários componentes eletrônicos em seu interior - costumam ter uma certa "fuga" de energia, que se aloja em suas extremidades metálicas. É a tal carga eletrostática. Você já deve ter tomado alguns choques bem leves ao colocar a mão no computador, não é? Pois bem, essas pequenas "fugas" de energia costumam transmitir alguma "sujeira elétrica" por aquele fio neutro que deveria ter tensão zero, o que pode provocar problemas em equipamentos delicados. Por isso existe o "fio terra", um terceiro fio (geralmente verde) que está conectado a uma estaca de cobre fincada na terra. Ele elimina toda "sujeira" elétrica dos componentes, descarregando a tal energia eletrostática para a terra.

Vários equipamentos têm plugs com três pinos, normalmente dois chatos e um redondo, que é o terra. Mas como o Brasil não tinha o aterramento como norma, nossas tomadas não têm onde encaixar o pino terra. Muita gente quebra-o ou coloca um adaptador, deixando-o livre. Assim podemos ligar os equipamentos de três pinos às nossas tomadas-padrão de dois furos. Mais uma das gambiarras brasileiras.

Então o Conmetro adota um padrão brasileiro, bem criativo. Resultado: os aparelhos com três pinos não mais se conectarão nas tomadas. Os aparelhos importados com dois pinos chatos no padrão americano, também não. E os aparelhos nacionais com dois pinos redondos idem. E os benjamins ficam proibidos. E os adaptadores não existem ou são complexos e caros. A saída? Trocar as tomadas de casa. E os plugs dos aparelhos!

Vamos lá então... Digamos que não exista algum interesse comercial por trás dessa mudança e que ela foi implementada por exclusivo foco no bem estar dos brasileiros. Quanto tempo vai levar para surgir uma indústria de adaptadores-pirata vendidos nos camelôs? Fabricados de qualquer jeito aqui, no Paraguai ou na China? Neutralizando qualquer boa intenção técnica do Conmetro?

Como sempre, nosso problema não é o que fazer. É como fazer. Num mundo que caminha para a simplificação, o Brasil, que não aprende com o passado (lembra do Pal-M?) insiste nas jabuticabas.

Adivinha quem paga a conta?

Claro que não é o Benjamin. É o Mané aqui. E aí...

Luciano Pires
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terça-feira, 16 de março de 2010

Campanha contra candidatura de Dilma

Grande mídia organiza campanha contra candidatura de Dilma

Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.

Bia Barbosa

Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo. Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) . E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.

A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.

“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.

A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra. “O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.

O tal ataque

Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.

“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.

“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero. O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.

Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda. “O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (....) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.

O “risco Dilma”

Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando- se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.

“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor. Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.

Hora de reagir

E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.

“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli. “Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí.. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.

“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo. Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.

Agência Carta Maior

segunda-feira, 15 de março de 2010

Alerta Final

Gaia: alerta final - James Lovelock
A hipótese da Terra (Gaia) como um gigantesco Organismo Vivo foi para mim - na década de 80 - uma magnífica, indescritível e inimaginável experiência de quebra paradigmática. Naqueles anos eu mergulhei em leituras impensadas, que vagavam da física quântica às fundamentações antropológicas e ecossistêmicas de nossas mais radicais realidades humanas e planetárias...de fato foram tempos de muita introspecção e de duros ajustes em minhas sinapses e na compreensão consciente das coisas deste Universo!!

Mais uma vez o mesmo mestre de outrora e pai da teoria de Gaia, James Lovelock - hoje com os seus 90 anos - publica um novo livro, na verdade mais um de uma série de alertas, que foi lançado no Brasil no próximo dia 12/01/2010, e nos convida, na verdade nos convoca, nos recruta, para travar duras reflexões sobre o agora da Humanidade e do Planeta Terra : "GAIA: ALERTA FINAL"!!!


Com fortes críticas aos movimentos verdes da atualidade e às decisões políticas das nações frente os desafios inadiáveis das mudanças climáticas inevitáveis, o autor vai fundo na questão da sobrevivência e do prosseguimento da humanidade num mundo instável e caótico, onde o modelo de conforto urbano está com os dias contados e será levado a cabo nos próximos anos e décadas...veja abaixo alguns pequenos trechos do Primeiro Capítulo:

" [...] No Reino Unido, sobrou pouca terra para cultivo e para nos alimentar, mas nós e os refugiados poderemos, de qualquer forma, não ser capazes de o fazer, porque a maioria absoluta de nós é urbana, e praticamente ignora a vida além da cidade, não entendendo que todas as nossas vidas dependem dele. As visões tão íntegras e bem-intencionadas da União Europeia para "salvar o planeta" e promover o desenvolvimento sustentável com o uso apenas de energia "natural" poderiam ter funcionado em 1800, quando havia apenas um bilhão de seres humanos no mundo, mas agora não podemos nos dar a esse luxo. De fato, à sua própria maneira, a ideologia verde que agora parece inspirar o norte da Europa e os Estados Unidos poderá, afinal, ser tão prejudicial ao meio ambiente real quanto o foram as ideologias humanistas anteriores. Se o governo do Reino Unido persistir em forçar os esquemas dispendiosos e nada práticos da energia renovável, em breve descobriremos que quase tudo o que resta da nossa região rural será usado para a produção de biocombustível, geradores de biogás e parques eólicos de escala industrial - tudo isto no exato momento em que precisaremos de todo o campo existente para o cultivo de alimentos. Não se sinta culpado por optar por essa bobagem: um exame mais profundo revela que ela é um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes. Não acredite por um momento sequer na conversa de vendedor de que isso salvará o planeta. A conversa mole dos vendedores tem a ver com o mundo que eles conhecem, o mundo urbano. A Terra real não precisa ser salva. Pôde, ainda pode e sempre será capaz de se salvar, e agora está começando a fazê-lo, mudando para um estado bem menos favorável a nós e outros animais. O que as pessoas querem dizer com o apelo é "salvar o planeta como o conhecemos", e isso agora é impossível.

Os Estados Unidos entendem a ameaça do aquecimento global? Poucos duvidariam de que, no presente momento, os Estados Unidos sejam a nação mais destacada em termos de ciência e invenção - e não há maior prova disso que o computador que está sobre todas as nossas mesas e que, no mínimo, realiza o trabalho outrora feito por um datilógrafo. Os Estados Unidos tiveram um papel importante em sua evolução. Como se não bastasse, temos os pousos na Lua, a exploração de Marte e as frotas de satélites assombrosamente complexos, desde o telescópio Hubble até aqueles que lhe informam exatamente onde você se encontra em qualquer lugar do mundo. Tudo isso e muito mais é um tributo ao know-how americano e sua atitude dinâmica. Mesmo a teoria de Gaia foi descoberta no fértil ambiente do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia, e o único biólogo que a entendeu e continuou a desenvolvê-la foi a destacada cientista americana Lynn Margulis. Obviamente, avanços em ciência e tecnologia emergiram na Europa na Idade Média e seu centro de excelência se moveu entre as nações. Em tecnologia e teoria computacionais, Babbage, Ada Lovelace e o mais trágico entre os homens, Alan Turing, fizeram, todos, o trabalho de base aqui, no Reino Unido. Turing foi aquele que, com seu grupo, construiu o primeiro aparelho computacional sério e o utilizou para decifrar o código inquebrável dos nossos inimigos de tempo de guerra. Mas isso foi naquela época. Agora, os Estados Unidos são o centro da ciência.

Faço este elogio solene aos Estados Unidos da América por estar perplexo: apesar de sua excelência científica, eles, entre todas as nações, foram os mais lentos em perceber a ameaça do aquecimento global. Duvido que essa ignorância inesperada tenha alguma ligação com o fato de o uso per capita americano de combustível fóssil, uma fonte de dano climático, ser maior que em qualquer outro lugar. Considero-a mais uma consequência de a maioria dos cientistas americanos, à sua maneira francamente bem-sucedida e reducionista, considerar a Terra algo que eles poderiam melhorar ou controlar; parece que eles a veem como nada mais que uma bola de rocha umedecida pelos oceanos e situada dentro de uma tênue esfera de ar. Até parece que consideram Marte um planeta a ser desenvolvido quando a Terra não for mais habitável. Não veem a Terra como um planeta vivo que regula a si próprio.

Políticos do mundo desenvolvido reconhecem a mudança climática, mas suas políticas ainda estão no século XX, fundamentadas nos conselhos de lobistas dos ambientalistas e daqueles da comunidade empresarial, que enxergam um enorme lucro no curto prazo vindo de planos energéticos subsidiados. Eles raramente parecem agir sob as recomendações de seus consultores científicos. Em Bali, líderes políticos acordaram em cortar as emissões de carbono em 60% até 2050. De onde é que eles tiraram a ideia de que poderiam fazer uma política para um mundo com mais de quarenta anos de antecedência? É improvável que políticas baseadas em extrapolação injustificável e dogmas ambientais evitem a mudança climática, e não deveríamos sequer tentar implementá-las. Em vez disso, nossos líderes deveriam se concentrar imediatamente na sustentação de suas próprias nações como um habitat viável; poderiam ser inspirados a fazê-lo não apenas por causa de um interesse nacional egoísta, mas como capitães dos botes salva-vidas que suas nações poderiam vir a ser. No início de 2008, o governo do Reino Unido finalmente anunciou um programa para a construção de novas centrais energéticas nucleares. Certamente espero que essa não seja outra das falsas promessas que caracterizaram tantas das eloquentes declarações do governo Blair. Energia nuclear é, de longe, o meio mais efetivo de reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas não é esse o motivo mais importante para que rivalizemos com a França e passemos a produzir eletricidade a partir de urânio. O importante é que as cidades exigem um fornecimento constante e econômico de eletricidade que até recentemente veio do carvão e do gás, mas esses recursos estão agora em declínio e não deixam nenhuma alternativa além da energia nuclear. As megacidades que estão começando a emergir demandarão enormes fluxos de eletricidade e somente uma vigorosa e rápida expansão da energia nuclear poderá satisfazê-los num futuro próximo. Essa necessidade se intensifica por termos pouca terra para cultivar alimentos - e a agricultura intensiva exige energia abundante. Com o esgotamento do petróleo, precisaremos sintetizar combustível para a maquinaria móvel de construção, transporte e agricultura. Não é algo difícil de fazer a partir do carvão ou da energia nuclear, mas precisamos começar a nos preparar para isso agora. Poderemos até ter de considerar a síntese direta de alimento a partir de dióxido de carbono, nitrogênio, água e cultura de células.

Talvez, por sermos tão adaptáveis, não estejamos cientes da velocidade com que o mundo está mudando. Se a temperatura média no Reino Unido em janeiro for 7°C, temos a sensação de frio a maior parte do tempo e nos agasalhamos nas manhãs geladas quando sopra um deprimente vento noroeste. Resmungamos: onde está o aquecimento global agora? No verão, a média é de 20°C em julho e desfrutamos uma semana com temperaturas máximas de 30°C, mas grunhimos se cair a 15°C por um mesmo período. Ainda assim, há apenas vinte anos, essas temperaturas de inverno e de verão teriam sido registradas como anormalmente quentes para essas épocas do ano. A precipitação pluvial nos condados orientais do Reino Unido sempre foi baixa, na faixa de 500 milímetros por ano, mas a zona rural sempre foi exuberante e verde, porque permanecia fresca durante o verão. Em comparação, o Arizona, que tem uma precipitação pluviométrica semelhante, é quase inteiramente cerrado e deserto simplesmente por ser bem mais quente e pelo fato de a chuva que cai secar inteiramente ou escorrer para dentro dos canais antes que as plantas possam aproveitá-la. Nosso condado mais ao sudeste, Kent, já está com escassez crescente de água, e o sul da Europa é agora quase um deserto. A adaptação, como animais individuais, não é tão difícil: quando uma tribo muda das regiões temperadas para as tropicais, leva apenas algumas gerações para que os indivíduos se tornem mais escuros à medida que a seleção elimina os de pele clara. Também é assim com todos nós: nosso mundo mudou para sempre, e teremos de nos adaptar a muito mais que a mudança climática. Mesmo durante meu tempo de vida, o mundo encolheu em relação àquele que era bastante vasto para fazer da exploração uma aventura e incluía muitos lugares distantes onde ninguém tinha jamais caminhado. Agora, tornou-se quase uma cidade interminável, encravada numa agricultura intensiva, mas domesticada e previsível. Em breve, poderá reverter novamente a uma selva. Para sobreviver nesse novo mundo, precisamos de uma filosofia Gaiana e precisamos nos preparar para combater um chefe militar bárbaro disposto a nos capturar e a se apoderar de nosso território.

Em um pequeno grau, a difícil situação dos britânicos em 1940 lembra o estado do mundo civilizado agora. Naquela época, tínhamos quase uma década da crença bem-intencionada, mas inteiramente equivocada, de que a paz era tudo o que importava. Os seguidores dos lobistas da paz dos anos 1930 eram parecidos com os movimentos verdes agora; as intenções eram mais que boas, mas inteiramente impróprias para a guerra que estava prestes a começar. A falha fundamental dos lobistas verdes de agora se revela no próprio nome Greenpeace; por aglutinarem o humanismo dos movimentos pela paz com o ambientalismo, eles inconscientemente antropomorfizam Gaia. Está na hora de despertar e perceber que Gaia não é nenhuma mãe acolhedora que acalenta os seres humanos e que pode ser aplacada por gestos como comércio de carbono ou desenvolvimento sustentável. Gaia, mesmo que façamos parte dela, sempre dita os termos da paz. Em maio de 1940, despertamos para descobrir, encarando-nos do outro lado do canal da Mancha, uma força continental inteiramente hostil prestes a nos invadir. Estávamos sozinhos, sem nenhum aliado efetivo, mas tivemos a sorte de ter um novo líder, Winston Churchill, cujas palavras comoventes sacudiram a nação inteira de sua letargia: "Nada tenho a oferecer, senão sangue, trabalho duro, lágrimas e suor." Precisamos de um outro Churchill agora, que nos tire do pensamento insistente, acomodado e consensual de fins do século XX e una a nação num esforço resoluto de travar uma guerra difícil. Precisamos de um líder que instigue todos nós, mas especialmente atice aqueles jovens ativistas verdes que tão bravamente protestaram contra todas as formas de profanação dos campos. Onde estão os batalhões de "Terra acima de tudo" e para onde foram Swampy* e seus amigos?

Desfrutamos 12 mil anos de paz climática desde a última mudança da era glacial para a interglacial. Não demorará muito e poderemos nos defrontar com uma devastação de alcance planetário pior até que uma guerra nuclear ilimitada entre superpotências. A guerra climática poderia matar quase todos nós e deixar os poucos sobreviventes com um padrão de vida comparável ao da Idade da Pedra. Mas em vários lugares do mundo, inclusive no Reino Unido, temos uma chance de sobreviver e, até mesmo, de viver bem. Para que isso seja possível teremos, neste momento, de deixar nossos botes salva-vidas em condições de enfrentar o mar. Mesmo que algum evento natural, como uma série de grandes erupções vulcânicas ou um decréscimo da radiação solar, nos dê uma trégua, ainda assim terá sido melhor gastar nosso dinheiro e nossos esforços tornando nossos países autossuficientes em alimentos e energia e, se quisermos nos tornar inteiramente urbanos, então, na criação de cidades nas quais tenhamos orgulho em viver.

* "Pantaneiro", apelido de Daniel Hooper, um dos mais conhecidos "ecoguerreiros" do Reino Unido. (N. do T.) "

"Gaia: Alerta Final"

Lançamento: Previsto para 12/01/2010
Autor: James Lovelock
Editora: Intrínseca
Páginas: 264
Quanto: R$ 29,90
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

 
 
 
 
 
Fonte: Blog de Luiz Felipe Muniz - http://bit.ly/77FtSc

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