segunda-feira, 31 de maio de 2010

A proposta do novo Código Florestal

Próxima terça-feira dia 1 de junho nossas florestas irão sofrer um ataque perigoso – deputados da “bancada ruralista” irão introduzir uma proposta para destruir o nosso Código Florestal, tentando reduzir dramaticamente as áreas protegidas, incentivando o desmatamento e crimes ambientais.

O que é mais revoltante, é que os responsáveis por revisar essa importante lei são justamente os ruralistas, representantes do grande agronegócio. É como deixar a raposa cuidando do galinheiro!

Há um verdadeiro risco da Câmara aprovar a proposta ruralista – mas existem também alguns deputados que defendem o Código e outros estão indecisos. Nos próximos dias, uma mobilização massiva contra tentativas de alterar o Código, pode ganhar o apoio dos indecisos. Vamos deixar claro para os nossos deputados que nós brasileiros estamos comprometidos com a proteção dos nossos recursos naturais – clique abaixo para assinar a petição em defesa do Código Florestal e depois encaminhe esta mensagem par os seus amigos: http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl

Enquanto o mundo todo está discutindo como preservar nossas florestas para futuras gerações, um grupo de deputados está fazendo exatamente o contrário: estão tentando entregar as nossas florestas para os responsáveis pela devastação e desmatamento do Centro-Oeste e da Amazônia. As alterações servem apenas para os latifúndios se expandirem mais, se houvesse uma revisão no Código, deveria ser para fortalecer proteções ao meio ambiente e apoiar pequenos produtores, e não para enriquecer o agronegócio.

As propostas absurdas incluem:

Reduzir a Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%

Reduzir as Áreas de Preservação Permanente como margens de rios e lagoas, encostas e topos de morro:

Anistia aos crimes ambientais, sem tornar o reflorestamento da área uma obrigação

Transferir a legislação ambiental para o nível estatal, removendo o controle federal

Essa não é uma escolha entre ambientalismo e desenvolvimento, um estudo recente mostra que o Brasil ainda tem 100 milhões de hectares de terra disponíveis para a agricultura, sem ter que desmatar um único hectare da Amazônia.

A proteção das floretas e comunidades rurais depende do Código Florestal, assim como a prevenção das mudanças climáticas e a luta contra a desigualdade do campo. Assine a petição para salvar o Código Florestal e depois divulgue!


Juntos nós aprovamos a Ficha Limpa na Câmara e no Senado. Se agirmos juntos novamente pelas nossas florestas nós podemos fazer do Brasil um modelo internacional de desenvolvimento aliado à preservação.

Com esperança,
Graziela, Alice, Paul, Luis, Ricken, Pascal, Iain and the entire Avaaz team

Saiba mais:

País tem 100 mi de hectares sem proteção - Estado de São Paulo:

Estudos ressaltam importância ambiental do Código Florestal - WWF:

Para ambientalistas, relatório de Rebelo é genérico e equivocado :
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domingo, 30 de maio de 2010

Culto internacional da personalidade

Quanto custa o culto internacional da personalidade?

Em julho de 2008, a SECOM - Secretaria de Comunicação da Presidência da República, chefiada por Franklin Martins, com status de ministro, contratou por R$ 15 milhões anuais o Grupo CDN, uma das maiores empresas de comunicação do país, para cuidar da imagem do Brasil no exterior. No lugar de “Brasil”, leia-se “Lula”. Associada à Fleishman-Hillard, outra gigante das relações públicas internacionais, com mais de 80 escritórios no mundo, a empresa contratou sete jornalistas sênior, com salários mensais na casa dos R$ 20 mil, fluentes em inglês, espanhol e francês, com um único objetivo: colocar a marca “Lula” na mídia global. Nenhum outro líder mundial possui tamanha estrutura de imprensa trabalhando full time para polir a sua imagem e plantar boas notícias no mundo inteiro, com outra diferença.

Quer vir ao Brasil fazer uma reportagem? Lula convida, Lula paga a viagem, Lula abre as portas do Brasil para o fascinado jornalista, inclusive, muitas vezes, com direito a uma “exclusivazinha” para elevar o prestígio. Este ano, o que prova que grande parte dos R$ 15 milhões está sendo paga lá fora, a CDN cobrou apenas R$ 6,4 milhões do Governo Federal, até novembro.

Mas os resultados foram simplesmente espetaculares. Em 2009, Lula concedeu 114 entrevistas, das quais 43 exclusivas para as maiores redes de comunicação internacionais e para os maiores jornais e revistas, oferecidas tanto no Brasil quanto no exterior. Frente a tudo isso, fica fácil entender a razão pela qual o premiadíssimo Lula, no ano da grande crise, saiu maior do que o Brasil, em termos de imagem internacional. A pauta era essa mesmo.

Os países que mais incensaram Lula foram os Estados Unidos da América, onde Obama o chamou de "meu cara". A Espanha, cujo maior jornal elegeu o presidente brasileiro Homem do Ano, assim como a França, onde o periódico mais importante escolheu Lula como o personagem de 2009. E também teve a Inglaterra, onde o Financial Times identificou o brasileiro como um dos líderes que moldaram a década. Graças ao apoio à Ahmadinejad, até a Al Jazeera trombeteou que Lula resolveu os problemas das favelas do Brasil.

Haja espaço. Mas em termos práticos, o que o Brasil ganhou com isso? Os Estados Unidos compraram 45% menos produtos e serviços brasileiros no ano que passou. A Espanha reduziu as suas compras em 34%. A França importou menos 33%. E a Inglaterra cortou em 9% as compras do Brasil. O resultado final é que os países que transformaram Lula em sucesso global compraram U$ 15 bilhões a menos em 2009.

Vale ressaltar que a maior “lambeção” para cima de Lula foi a protagonizada por Sarkozy e a sua linda concubina. Pois é. Além de um superavit de mais de U$ 1 bilhão para a França, o francês quase fechou uma venda de U$ 10 bilhões em caças que nunca voaram além da Provence. Como o interesse de Lula e do PT é apenas o discurso interno, números são apenas um pequeno detalhe.

A não ser manter os 80% de popularidade do mercador de ilusões, custe o que custar.

RAY PINHEIRO
BRASILIA-DF- BRASIL

sábado, 29 de maio de 2010

Reclamar do quê?

O BRASILEIRO É ASSIM....
O que menos faz, que mais recebe.

- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
-Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento (provavelmente, se considerando melhor e mais esperto do que aquele a quem ultrapassa).
- Pára em filas duplas, triplas em frente as escolas
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Deixa rastro de lixo na rua e reclama que a prefeitura não varre.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produto piratas com a plena consciência de que são piratas.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA
- Freqüenta os caça-níqueis e fazem uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales transportes e vale refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- (Em breve vai usar o vale cultura para comprar DVD pirata.)
- Falsifica tudo, tudo mesmo.. só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado...
- Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o policial pergunta o que traz na bagagem...
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E querem que os políticos sejam honestos....
Vota e depois finge que não foi ele quem elegeu quase todos que estão lá no poder!
Estes políticos saíram do meio desse mesmo povo... ou não ?

Brasileiro reclama de quê, afinal?
 
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Tuitando

Cerca de 30 anos atrás fiquei impressionado ao ver Mario Lago na televisão dizendo que em seu ofício de escritor e letrista, o mais difícil não era escrever textos, mas cortar excessos. Mais tarde descobri que o mérito dos bons escritores estava em saber cortar o que era realmente "sobra" e manter a essência do conteúdo.

E isso muito, mas muito antes de aparecer o Twitter.

Twitter. O nome vem do inglês "tweet", que quer dizer "pio". Tweeter, quer dizer "piador": o sistema onde você solta seus pios.

O Twitter é uma das redes sociais da internet, que conecta você a milhares de pessoas que - supostamente - tem algo a dizer. E quem já aprendeu a usá-lo sabe que vicia.

Abra uma conta gratuita em www.twitter.com e avise alguns conhecidos. Logo você terá seguidores. Comece a postar suas mensagens: algo que você viu, uma dica de leitura, um comentário político, um desabafo, qualquer coisa. Cada seguidor que gostar de uma postagem sua vai retransmiti-la para outros e aos poucos novos seguidores chegarão. E você vai escolhendo quem você vai seguir (de quem você receberá mensagens) e quem vai seguir você (quem você deixará receber suas mensagens). Entrei como @lucianopires no início de 2009 e em um ano cheguei a quase 2.000 seguidores que recebem meus pios diários. Um monte de gente.

O Twitter é uma inestimável fonte de informações. Graças a ele descobri artistas excelentes, sites maravilhosos e textos inspiradores. Mas também pode ser uma perda de tempo se você seguir despejadores de lixo, sacou? Você decide se o nível é alto ou baixo.

Embora seja um processo inovador, o Twitter obedece os mesmos padrões da mídia convencional: a maioria dos principais "tuiteiros" que tem dezenas ou centenas de milhares de seguidores é composta de celebridades de cinema e televisão. Postam mensagens irrelevantes que atraem a atenção por virem de celebridades. Um dia alguém criará uma forma de medir a relação relevância do seguido x relevância dos seguidores e então saberemos quem tem realmente conteúdo.

Mas voltando à entrevista de Mario Lago, um dos grandes lances do Twitter é que qualquer mensagem tem que ter no máximo 140 caracteres. Por exemplo,se eu tentar "tuitar": "Itaboraí: em 2006, Lula inaugurou a pedra fundamental. Em 2008 as obras de terraplenagem. E em 2010 o início das obras da primeira unidade. Depois vem a pia do banheiro e o uniforme do porteiro.", não vou conseguir. A mensagem tem 192 caracteres, incluindo os espaços. Para limitar aos 140 caracteres que o twitter exige, terei que mudar para:

"Itaboraí: Lula inaugurou pedra fundamental, terraplenagem e início das obras da 1a. unidade. Depois vem a pia do WC e o uniforme do porteiro"

Não tem a mesma força, é verdade, mas a essência do texto está lá. E o mais interessante é que no exercício diário de resumir tudo a 140 caracteres, você acaba desenvolvendo a tal preciosa capacidade de síntese. Que aos poucos carrega para seu dia-a-dia, indo direto ao ponto.

Eliminando as firulas. Cortando as gorduras.

Experimente. Quem comanda o conteúdo é você,

Mario Lago curtiria o Twitter.

Luciano Pires
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http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12969&pageNo=1&num=20

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lei antibullying

Lei antibullying é aprovada por unanimidade na assembleia gaúcha
Flavio Ilha
Especial para o UOL Educação
Em Porto Alegre
Atualizado às 10h42

A Assembleia Legislativa gaúcha aprovou na terça-feira (25), por unanimidade, uma lei que prevê políticas públicas contra o bullying nas escolas de ensino básico e de educação infantil, privadas ou do Estado, em todo o Rio Grande do Sul.

"Estamos diante de uma epidemia social muito grave, inclusive com tentativas de suicídio e agressões a professores", justificou o deputado Adroaldo Loureiro (PDT), autor do projeto.

A decisão foi motivada pela morte de um adolescente de 15 anos em Porto Alegre, há duas semanas, vítima das agressões de um colega. Ele foi morto a tiros porque reagiu às frequentes humilhações a que era submetido pelos agressores.

Crime e castigo

O texto aprovado pela Assembleia gaúcha permite que as escolas documentem a incidência e a natureza das ações de bullying, com a identificação dos agressores. Além de planos de prevenção e combate às práticas de intimidação física e psicológica, as unidades de ensino também deverão treinar professores e funcionários para "abordagens de caráter preventivo".

A proposta classifica como bullying toda a violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, que ocorra sem motivação evidente com o objetivo de intimidar, isolar ou humilhar uma ou mais pessoas e que cause dano emocional ou físico às vítimas, além de "desequilíbrio de poder" entre as partes envolvidas. O texto aprovado não prevê punições aos agressores.

O deputado disse que não cabe à assembleia propor sanções aos praticantes de bullying. "Prever punições é tarefa do Executivo, que pode e deve fazer isso quando regulamentar o projeto. Por outro lado, a lei abre a perspectiva de que as próprias escolas criem ações repressivas no seus regimentos internos. Isso é perfeitamente possível", disse Loureiro.

Loureiro também informou que eventuais punições a agressores já são previstas no Código Penal, quando os alunos forem maiores de idade, e no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O deputado citou os artigos 146 e 147 do Código Penal, que tratam de constrangimento ilegal e ameaça, como suficientes para punir ações de bullying.

Diálogo e paz

Mas, segundo o deputado, mais do que punir, o objetivo da lei é estimular o "diálogo e a paz" entre alunos, pais e educadores. Ele afirmou que os agressores também são vítimas de uma pressão cultural em que a imposição física é uma exigência.

"Não dá para ignorar o problema, que é grave e atinge todas as escolas. O governo e as instituições de ensino precisam criar políticas antibullying efetivas, que funcionem", disse. Segundo ele, a lei cria as condições de implementação dessas políticas.

O governo elogiou a iniciativa da casa, mas ressalvou que já se ocupa do tema. "Há pelo menos três anos, as equipes da Saúde Escolar atuam sistematicamente para combater a violência no ambiente da escola. O projeto é bom, mas a preocupação não é nova na rede pública de ensino", disse o secretário de Educação, Ervino Deon.

A governadora Yeda Crusius (PSDB) afirmou que vai sancionar a medida.
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fonte: http://bit.ly/9n80fW  Acesso em 26/5/2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pedaços de seu corpo

Mário Kosel Filho nasceu em 6 de julho de 1949, em São Paulo. Era filho de Mário Kosel e Therezinha Vera Kosel. Fazia parte do Grupo Juventude, Amor, Fraternidade, organizado pelo Padre Silveira, da Paróquia Nossa Senhora da Aparecida, no bairro de Indianópolis, juntamente com mais de 30 jovens.

O símbolo do grupo, ironicamente idealizado por Mário, era uma rosa e um violão.Por ser muito prestativo e preocupado em ajudar as pessoas, principalmente crianças e necessitados, foi apelidado de Kuka, pelos demais participantes do grupo.

Mário estava com 19 anos e prestava o serviço militar. Estava incorporado na 5ª Cia. de Fuzileiros do 2º Batalhão, no 4º Regimento de Infantaria Raposo Tavares, em Quitaúna.

Na madrugada de 26 de junho de 1968 estava no quartel, em serviço, quando ouviu um tiro, disparado pelo soldado Rufino, que fazia a guarda externa do quartel. Saiu para ver o que se passava e foi informado pelo soldado Rufino que o tiro foi para cima, para advertir um automóvel que, em alta velocidade, rompeu a barreira da área proibida ao tráfego de veículos. O motorista do automóvel deve ter se assustado e colidiu com um poste. Mário, preocupado em ajudar possíveis feridos, foi até o mesmo. Ao se aproximar do automóvel acidentado, um outro automóvel passa pelo local e seus ocupantes lançam sobre o automóvel acidentado uma bomba de grande poder destrutivo.

Mário teve morte instantânea, pedaços de seu corpo foram lançados em todas as direções.

Um dos ocupantes do segundo automóvel era Dilma Rousseff.

Não consigo entender como é possível uma assassina permanecer solta e ainda chega aonde essa mulher chegou. Dilma e outros criminosos e assassinos, que deveriam estar nas penitenciárias, relaxam e gozam sem quaisquer preocupações, enquanto os ladrões de galinhas sofrem severas penalidades.

Agora, a exemplo do que fizeram com Lula, os marqueteiros vão tentar vender a imagem de paz e amor dessa assassina.

Acho que o Brasil acabou e os brasileiros não se deram conta disso.
 
Recebi por e-mail, tal qual. Se alguém tiver qualquer informação sobre este texto, inclusive quanto a sua veracidade ou não, favor, em nome da ética, comunicar-me através dos próprios comentários desta postagem. Grato!

terça-feira, 25 de maio de 2010

A célula sintética

Criação de célula sintética abre debate sobre biossegurança, ética e religião
22/05 às 11h04 Roberta Jansen

RIO - Após o anúncio histórico da criação de vida artificial no laboratório do geneticista Craig Venter - o mesmo responsável pela decodificação do genoma humano em 2001 -, o presidente dos EUA, barack obama, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia para analisarem as consequências e as implicações da nova técnica . E elas não são poucas. Da segurança do uso às implicações filosóficas de se gerar vida em laboratório, a polêmica está apenas começando.

Vaticano chama atenção de cientistas para a questão ética envolvendo a célula artificial

Saiba como foi feita a criação da primeira célula artificial do mundo, uma nova vida gerada em computador

Ao criar um organismo que se autorreplica "com quatro garrafas de produtos químicos e um sintetizador, a partir de informações arquivadas num computador", como anunciou, Venter chegou muito perto de decifrar as origens da vida e dessacralizou a questão, e abriu a polêmica filosófica e religiosa.

Autoridades da Igreja Católica disseram que a criação da primeira célula artificial em laboratório pode ser algo positivo, se usado corretamente. Mas advertiram que apenas Deus cria a vida.

- Vemos a ciência com grande interesse, porém acreditamos sobretudo no significado que se deve dar à vida - declarou o especialista em bioética do Vaticano, Rino Fisichella, em entrevista à rede italiana RAI. - Só podemos chegar a conclusão de que necessitamos de Deus.

Até hoje, um dos maiores desafios da ciência é revelar como a vida teria começado no planeta. Em outras palavras, revelar como matéria orgânica surgiu a partir de inorgânica. Várias experiências tentaram replicar o evento sem sucesso total, deixando um espaço para os religiosos atribuírem a Deus o feito.

A experiência de Venter não explicou como a vida começou. Mas chegou bem perto disso, ao mostrar que, sob determinadas condições, fragmentos químicos podem se unir para formar vida. "Venter nos transformou em Deus?" é o título do artigo publicado ontem no site do jornal britânico "Guardian", pelo comentarista Andrew Brown.

Para o especialista em bioética da Universidade da Pensilvânia Arthur Caplan, no mínimo, Venter excluiu Deus da equação da vida.

- Diziam que só Deus poderia criar a vida. Por séculos, sempre disseram que não era possível entender a vida, que ela era algo único, especial, cuja explicação estaria além da ciência. Aristóteles e outros grandes pensadores diziam que a vida era uma força especial - frisou Caplan, que assina um artigo sobre o tema na "Nature". - A experiência de Venter mostrou que isso não é verdade. Ela revelou que, com determinadas substâncias químicas, sob certa situação, a vida pode surgir. Do ponto de vista filosófico isso é muito importante. Muitos hão de perguntar: então a vida se reduz a uma explicação química reducionista? A resposta é sim.

Mas isso não significa, destacou, que a vida não seja maravilhosa.

- Apenas que não é mágica nesse sentido.

Para muitos, Venter não criou "vida artificial", como aponta um artigo publicado nesta sexta-feira no "Independent". "Ainda falta muito para isso", sustenta o texto do jornal britânico. O geneticista Sérgio Danilo Penna é da mesma opinião.

- Não houve criação de vida - afirmou. - Ele simplesmente trocou o genoma de uma célula viva por um genoma artificial. A vida é uma propriedade da célula e não do genoma.

Inauguração de uma nova era

A apresentação da primeira célula sintética inaugura uma nova era da biologia, com promissoras perspectivas, como a criação de micro-organismos programados para funções específicas de produzir vacinas e combustível, por exemplo. Mas gera também apreensão em especialistas em bioética e biossegurança, dado o seu potencial praticamente ilimitado, além de desafiar as noções religiosas sobre o início da vida. Uma tecnologia que traz a perspectiva de criar vida a partir, basicamente, do zero, e de alterar formas de vida naturais pode ter consequências perigosas em mãos de terroristas, por exemplo.

Venter defende nova legislação

A Comissão Presidencial para o Estudo de Questões Bioéticas deve apontar as apropriadas fronteiras éticas da nova técnica e traçar recomendações para minimizar os riscos identificados. Nos EUA, como no Brasil, a legislação não contempla a criação de vida artificial, nem a chamada biologia sintética.

- O tema pede uma regulamentação porque é um tipo de risco que precisa ser avaliado, não só porque pode ser usado como bioarma, mas também pelos potenciais riscos ambientais e à saúde humana - afirma o coordenador do curso de Biossegurança da Fiocruz, Silvio Valle. - Essa tecnologia, associada à nanotecnologia, por exemplo, pode criar, num futuro não muito distante, a era dos biohackers.

Para Valle, a biologia sintética precisa de uma normatização urgentemente, não só nos EUA, mas também no Brasil. Para ele, a tecnologia é muito acessível e é preciso haver mais rigor.

- Hoje, no país, não temos essa legislação, nem um órgão com a legitimidade para analisar a biologia sintética - sustenta. - A atual Lei de Biossegurança não contempla essas questões.

Integrante do Comitê Internacional de Bioética da Unesco, Volnei Garrafa concorda com Valle:
- A busca pelo conhecimento deve ser livre; a obrigação da ciência é ser a parideira do futuro - sustenta. - Mas a construção desses novos modelos e sua utilização devem ser rigorosamente controladas. Seu uso deve ser exclusivamente para pesquisa.

O próprio Venter se declarou preocupado com o uso de sua tecnologia e defende a criação de normas específicas para o setor.

- Temos que estar preocupados - afirmou o geneticista em entrevista ao "Independent". - Trata-se de uma tecnologia poderosa e já propus novas regulamentações no setor porque acho que as atuais não são suficientes. Como somos os responsáveis pela tecnologia, queremos que todo o possível seja feito para evitar seu uso errado.

Original em: http://bit.ly/dD672J

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A célula viva com DNA artificial

Da Associated Press


"É uma grande descoberta", diz Vaticano sobre primeira célula viva produzida com DNA artificial "

Autoridades da Igreja Católica disseram nesta sexta-feira que a primeira célula sintética, cuja criação foi anunciada na quinta-feira, poderia ser um avanço positivo se corretamente usado _mas avisaram aos cientistas que só Deus pode criar a vida.

O Vaticano e a igreja italiana adotaram cautela em sua primeira reação ao anúncio, feito por cientistas americanos, da produção de uma célula viva contendo DNA artificial. Eles lembraram aos cientistas da responsabilidade ética do progresso tecnológico e disseram que a maneira como a inovação será aplicada no futuro é crucial.

"É uma grande descoberta científica. Agora temos de entender como ela será implementada no futuro", disse o monsenhor Rino Fischella, principal bioeticista do Vaticano.

"Se nos assegurarmos de que é para o bem de todos, do ambiente e do homem que o habita, manteremos a mesma avaliação", afirmou. "Se, por outro lado, o uso dessa descoberta se voltar contra a dignidade e o respeito pela vida humana, nossa avaliação mudará."

Fischella, que chefia a Academia Pontifícia para a Vida, ressaltou que não há necessidade de confronto entre ciência e fé.

"Nós olhamos a ciência com grande interesse. Mas pensamos, acima de tudo, no significado que deve ser dado à vida", declarou Fischella à TV italiana RAI. "Só podemos concluir que precisamos de Deus, a origem da vida."

O jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", disse que é preciso combinar "coragem com cautela" no que diz respeito à descoberta.

O grupo que produziu a célula sintética afirma que seu estudo é uma recriação de vida existente, não a criação de vida do nada. Mas o pioneiro da genômica Craig Venter, líder do grupo de pesquisas, disse que o projeto abre o caminho para a produção de organismos novos.

O bispo Domenico Mogavero, da conferência dos bispos da Itália, manifestou preocupação com o avanço.

"Fingir ser Deus e macaquear seu poder de criação é um risco enorme, que pode levar o homem à barbárie", decretou o religioso ao jornal "La Stampa".

Fonte:  http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3569670241377658023

domingo, 23 de maio de 2010

A criação de célula sintética

Nesta quinta-feira, cientistas anunciaram a criação da primeira célula controlada por um genoma sintético.

Os especialistas do J. Craig Venter Institute, com sede nos Estados de Maryland e Califórnia, dizem esperar que a técnica possa criar bactérias programadas para resolver problemas ambientais e energéticos, entre outros fins.

O estudo, publicado nesta quinta na edição online da revista científica "Science", representa para alguns especialistas, o início de uma nova era na biologia sintética e, possivelmente, na biotecnologia.

A equipe de pesquisadores, liderada por Craig Venter, já havia conseguido sintetizar quimicamente o genoma de uma bactéria. Eles também haviam feito um transplante de genoma de uma bactéria para outra.

Science

Agora, os especialistas juntaram as duas técnicas para criar o que chamaram de "célula sintética", embora apenas o genoma da célula seja sintético - ou seja, a célula que recebe o genoma é uma célula natural, não sintetizada pelo homem.

"Esta é a primeira célula sintética já criada. Nós dizemos que ela é sintética porque foi obtida a partir de um cromossomo sintético, feito com quatro substâncias químicas em um sintetizador químico, seguindo informações de um computador", disse Venter.

"Isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça. Temos uma ampla gama de aplicações (em mente)", disse.

Bactérias controladas por genoma sintético transplantado

Os pesquisadores planejam, por exemplo, criar algas que absorvam dióxido de carbono e criem novos hidrocarbonetos. Eles também estão procurando formas de acelerar a fabricação de vacinas.

Outros possíveis usos da técnica seriam a criação de novas substâncias químicas, ingredientes para alimentos e métodos para limpeza de água, segundo Venter.

Estudo

No experimento, os pesquisadores sintetizaram o genoma da bactéria M. mycoides, adicionando a ele sequências de DNA como "marcas d'água" para que a bactéria pudesse ser distinguida das naturais (não sintéticas).

Como as máquinas sintetizadoras atuais só são capazes de juntar sequências relativamente curtas de letras de DNA de cada vez, os pesquisadores inseriram as sequências mais curtas em células de fermento. As enzimas de correção de DNA presentes no fermento juntaram as sequências.

Depois, as sequências de tamanho médio foram inseridas em bactérias E. coli, antes de serem transferidas de volta para o fermento.

Após três rodadas deste processo, os pesquisadores conseguiram produzir um genoma com mais de um milhão de pares de bases de comprimento.

Concluída essa fase, os cientistas implantaram o genoma sintético da bactéria M. mycoides em outro tipo de bactéria, a Myoplasma capricolum.

O novo genoma assumiu o controle das células receptoras.

Embora 14 genes tenham sido apagados ou alterados na bactéria transplantada, as células apresentaram a aparência de bactérias M. Mycoides normais e produziram apenas proteínas M. mycoides, segundo os autores do estudo.

Repercussão

Em entrevista à BBC, o especialista em biologia sintética Paul Freeman, codiretor do EPSRC Centre for Synthetic Biology do Imperial College, em Londres, disse que o estudo de Venter e sua equipe pode marcar o início de uma nova era na biotecnologia.

"Eles demonstraram que o DNA sintético pode assumir o controle e operar as funções da nova célula receptora em termos de replicação e crescimento", disse Freeman.

Freeman lembra que a célula receptora é uma célula natural, não sintética, mas "o que Venter e sua equipe mostraram é que, após o transplante e várias divisões celulares, a célula receptora assumiu algumas das características ou fenótipo do novo genoma nela inserido".

"É um avanço extraordinário, oferecendo uma prova de que, em teoria, é possível que genomas inteiros sejam sintetizados quimicamente, montados e implantados em células receptoras".

"Claro que precisamos ter cautela, já que não temos certeza de que essa abordagem funcionaria em genomas maiores e mais complexos".

"Ainda assim, este avanço representa um marco na nossa capacidade de criar células feitas pelo homem para fins estabelecidos pelo homem", concluiu Freeman.

O estudo de Venter e sua equipe foi financiado pela empresa Synthetic Genomics. Três dos autores e o J. Craig Venter Institute possuem ações da companhia.

O instituto fez pedidos de patente para algumas das técnicas descritas no estudo.

Original em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u738504.shtml

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Evolução da tecnologia

Durante escavações nos EUA arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus Nasceu!

Uma semana depois, no Rio Grande do Sul, foi publicado o seguinte anúncio:

Após escavações arqueológicas no sub-solo de Bagé, Santa Maria, Pelotas, Ibirubá, Carazinho, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Vila Maria, Itapuca e diversas outras cidades, até uma profundidade de 500 metros , os cientistas gaúchos não encontraram absolutamente nada. De onde se conclui que os antigos gaúchos já dispunham há 5.000 anos de uma rede de comunicações sem-fio Wireless.

'Não podemo se entregá pros home... tchê!!!...'
 
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O som do poder: o resgate da oralidade

Por Reinaldo Passadori

Por muito tempo, nossa cultura letrada tem sinalizado uma prevalência considerável sobre a cultura oral. Observando a história do Ocidente, vale apontar que a oralidade perdeu gradativamente força e espaço na civilização em virtude da aura nobre que circunda a escrita. Ao longo do tempo, a palavra escrita passou a ser considerada uma fonte mais confiável do que o volátil som da palavra. Além disso, a oralidade era considerada por muitos, decerto que equivocadamente, como uma expressão humana primitiva e distante do alto nível das belas letras da comunicação escrita.

O discurso oral é uma das mais potentes formas de poder. Um poder de convencimento, de persuasão, de relacionamento, de aliança, de assertividade, de posicionamento, de diálogo, de entendimento, em suma, de comunicação. Na comunicação organizacional e no mundo dos negócios , a análise dos processos deve envolver os meios orais empregados, pois a voz de um dirigente ou colaborador ressoa a voz da organização, apresenta características da “personalidade organizacional” e subsidia a edificação da imagem corporativa elaborada pelos públicos. Ainda nessa diretriz, no contexto profissional, a oralidade deve ser resgatada e preservada como uma peça estratégica para consolidar o planejamento comunicacional.

Ao publicar uma ata de reunião, o profissional inevitavelmente camufla ou deixa escapar uma série de detalhes indescritíveis que rondaram a atmosfera da reunião. Era preciso estar lá, presenciar in loco para ouvir e para saber o que realmente aconteceu nos mínimos detalhes, por mais habilidade que tenha a pessoa responsável pela elaboração dos detalhes discutidos, debatidos, das opiniões manifestadas, das decisões tomadas.

Situação mais agravante se observa com a circulação de e-mails. Apesar de sua inegável praticidade e da agilidade que proporciona ao mundo contemporâneo, o e-mail não é capaz de transmitir o conteúdo da mensagem integralmente, porque ele é desprovido da emoção ou da atmosfera somente possível na emissão da voz e suas inflexões, da calma ou do nervosismo, do entusiasmo ou desânimo de quem fala.

É inestimável o número de casos em que uma mensagem escrita não foi interpretada corretamente – e pudera, afinal, as frases lidas sem entonação, sem emoção ou sem personalidade, perdem todo o seu sentido.

As culturas escritas e a cibercultura obviamente têm seu valor assegurado em nossa sociedade moderna. Além delas, porém, os processos primários de comunicação permanecem, na expressividade do corpo, da voz, da palavra e das formas utilizadas para o planejamento e elaboração das apresentações e das falas formais e informais nos relacionamentos interpessoais. Ser visionário, empreendedor e otimizar a competência gerencial, no presente, é ter a habilidade de se virar ao passado e resgatar a oralidade. Esse é o som do poder.


Extraído do site www.passadori.com.br
Acesso em 05.06.2009

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cartões de crédito

Cartões de crédito:uma das armadilhas do capitalismo como "sistema parasitário"

“Ainda não começamos a pensar com seriedade na sustentabilidade da nossa sociedade movida a crédito e consumo”, afirma o sociólogo Zygmunt Bauman em artigo publicado no jornal argentino Clarín, 27-12-2009. A tradução é do Cepat.
Para o autor de Modernidade Líquida e Confiança e medo na cidade, entre outros livros, governos e instituições aprenderam muito pouco da crise econômica recente: a resposta à quebra foi endividar-se ainda mais.

Eis o artigo.

Tal como o recente “tsunami financeiro” demonstrou a milhões de pessoas que acreditavam nos mercados capitalistas e na banca capitalista como métodos evidentes para a resolução exitosa de problemas, o capitalismo se especializa na criação de problemas, não em sua resolução.

Assim como os sistemas dos números naturais do famoso teorema de Kurt Gödel, o capitalismo não pode ser ao mesmo tempo coerente e completo. Se é coerente com seus próprios princípios, surgem problemas que não pode abordar; e se trata de resolvê-los, não pode fazê-lo sem cair na falta de coerência com suas próprias premissas. Muito antes que Gödel escrevesse seu teorema, Rosa Luxemburgo publicou seu estudo sobre a “acumulação capitalista” em que sugeria que o capitalismo não pode sobreviver sem economias “não capitalistas”; pode proceder de acordo com os seus princípios sempre que tiver “territórios virgens” abertos à expansão e à exploração. Mesmo quando os conquista com finalidades de exploração, o capitalismo os priva de sua virgindade pré-capitalista e dessa forma esgota as reservas que o nutrem. Em boa medida, é como uma serpente que devora o seu próprio rabo: num primeiro momento os alimentos são abundantes, mas logo se torna cada vez mais difícil comê-los, e pouco depois não resta mais nada para comer nem quem os coma…

O capitalismo é, na essência, um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar durante algum tempo uma vez que encontra o organismo ainda não explorado do qual pode se alimentar, mas não pode fazê-lo sem prejudicar o hospedeiro nem sem destruir cedo ou tarde as condições de sua prosperidade ou até de sua própria sobrevivência.

Rosa Luxemburgo, que escreveu em uma era de imperialismo ascendente e conquista territorial, não foi capaz de prever que as terras pré-modernas de continentes exóticos não eram os únicos possíveis “hospedeiros” dos quais o capitalismo poderia se alimentar para prolongar a sua vida e iniciar sucessivos ciclos de prosperidade. O capitalismo revelou desde então seu incrível talento para buscar e encontrar novas espécies de hospedeiro cada vez que a espécie explorada anteriormente diminuía em número. Uma vez que anexou todas as terras virgens “pré-capitalistas”, o capitalismo inventou a “virgindade secundária”. Milhões de homens e mulheres que se dedicavam a economizar em vez de viver do crédito foram transformados com astúcia em um desses territórios virgens ainda não explorados.

A introdução dos cartões de crédito foi o indício do que se avizinhava. Os cartões de crédito apareceram no mercado com uma consigna eloquente e sedutora: “Elimine a espera para concretizar o desejo”. Deseja algo, mas não economizou o suficiente para comprá-lo? Bom, nos velhos tempos, que felizmente já ficaram para trás, era preciso postergar as satisfações (esse adiamento, segundo Max Weber, um dos pais da sociologia moderna, era o princípio que tornou possível o advento do capitalismo moderno): apertar o cinto, negar outros prazeres, gastar de maneira prudente e frugal e economizar o dinheiro que se podia separar com a esperança de que com o devido cuidado e paciência se reuniria o suficiente para concretizar os sonhos.

Graças a Deus e à benevolência dos bancos, já não é mais assim. Com um cartão de crédito, essa ordem pode ser invertida: desfrute agora, pague depois! O cartão de crédito nos dá a liberdade de manipular as próprias satisfações, de obter as coisas quando as queremos, não quando as ganhamos e podemos pagar.

Com a finalidade de evitar reduzir o efeito dos cartões de crédito e do crédito fácil a só um lucro extraordinário para aqueles que emprestam, a dívida teria que (e o fez com grande rapidez!) transformar-se em um atrativo permanente de geração de lucros. Não consegue pagar a dívida? Não se preocupe: ao contrário dos antigos emprestadores, ansiosos para recuperar o que haviam emprestado no prazo fixado de antemão, nós, os modernos emprestadores amistosos, não pedimos o reembolso de nosso dinheiro, mas lhe oferecemos ainda mais crédito para devolver a dívida anterior e ficar com algum dinheiro adicional (quer dizer, dívida) para pagar novos prazeres. Somos os bancos de quem gosta de dizer “sim”. Os bancos amistosos. Os bancos sorridentes, como afirmava um dos comerciais mais criativos.

A armadilha do crédito


O que nenhum dos comerciais declarava abertamente era que na realidade os bancos não queriam que seus devedores quitassem os empréstimos. Se os devedores devolvessem pontualmente os empréstimos, já não estariam endividados. É sua dívida (o juro mensal que se paga sobre a mesma) que os emprestadores modernos amistosos (e de uma notável sagacidade) decidiram e conseguiram reformular como a fonte principal de seu lucro ininterrupto. Os clientes que devolvem com rapidez o dinheiro que pegaram emprestado são o pesadelo dos emprestadores. As pessoas que se negam a gastar o dinheiro que não ganharam e se abstêm de pedi-lo emprestado não são úteis aos emprestadores, assim como também as pessoas que (motivadas pela prudência ou por um sentido antiquado de honra) se apressam a pagar suas dívidas a tempo. Para benefício seu e de seus acionistas, os bancos e provedores de cartões de crédito dependem agora de um “serviço” ininterrupto de dívidas e não do rápido reembolso das mesmas. Pelo que a eles concerne, um “devedor ideal” é que aquele que nunca paga completamente o crédito. Pagam-se multas se se quer quitar a totalidade de um crédito hipotecário antes do prazo estabelecido… Até a recente “crise do crédito”, os bancos e emissores de cartões de crédito se mostravam mais que dispostos a oferecer novos empréstimos a devedores insolventes para cobrir os juros não pagos de créditos anteriores. Uma das principais companhias de cartões de crédito da Grã-Bretanha se negou, há pouco tempo, a renovar os cartões dos clientes que pagavam a totalidade de sua dívida cada mês e, portanto, não incorriam em juro punitivo algum.

Para resumir, a “crise do crédito” não foi resultado do fracasso dos bancos. Pelo contrário, foi um resultado completamente previsível, se bem que inesperado, o fruto de seu notável sucesso: sucesso no relativo a transformar a enorme maioria dos homens e mulheres, velhos e jovens, em um exército de devedores. Obtiveram o que queriam conseguir: um exército de devedores eternos, a autoperpetuação da situação de “endividamento”, ao passo que se buscam mais dívidas como única instância realista de economia a partir das dívidas em que já se incorreu.

Ingressar nessa situação ficou mais fácil do que nunca na história da humanidade, ao passo que sair da mesma nunca foi tão difícil. Já se tentou, seduziu e endividou todos aqueles que podiam se converter em devedores, assim como a milhões de outros aos quais não se podia nem devia incitar a pedir empréstimos.

Como em todas as mutações anteriores do capitalismo, também desta vez o Estado assistiu ao estabelecimento de novos terrenos férteis para a exploração capitalista: foi por iniciativa do presidente Clinton que se introduziram nos Estados Unidos as hipotecas subprime patrocinadas pelo governo para oferecer crédito para a compra de casas a pessoas que não tinham meios para reembolsar esses empréstimos, e para transformar assim em devedores setores da população que até o momento haviam sido inacessíveis à exploração mediante o crédito…

Contudo, assim como o desaparecimento das pessoas descalças significa problemas para a indústria do calçado, o desaparecimento das pessoas não endividadas anuncia um desastre para o setor do crédito. A famosa profecia de Rosa Luxemburgo se cumpriu uma vez mais: outra vez o capitalismo esteve perigosamente próximo do suicídio ao conseguir esgotar a reserva de novos territórios virgens para a exploração…

Até agora, a reação à “crise do crédito”, por mais impressionante e até revolucionária que possa parecer, uma vez processada nas manchetes dos meios de comunicação e nas declarações dos políticos, foi “mais do mesmo”, com a vã esperança de que as possibilidades revigoradas de lucro e consumo dessa etapa ainda não se tenham esgotado por completo: uma tentativa de recapitalizar os emprestadores de dinheiro e de fazer que seus devedores voltem a ser dignos de crédito, de modo tal que o negócio de emprestar e tomar emprestado, de se endividar e permanecer nesse estado, possa retornar ao “habitual”.
O Estado de Bem-estar social para os ricos (que, ao contrário de seu homônimo para os pobres, nunca viu questionada a sua racionalidade, e muito menos interrompidas as suas operações) voltou aos salões de exposição após abandonar as dependências de serviço para onde seus escritórios haviam sido transferidos de forma temporária para evitar comparações invejosas.

O que os bancos não podiam obter – por meio de suas habituais táticas de tentação e sedução –, o fez o Estado mediante a aplicação de sua capacidade coercitiva, ao obrigar a população a incorrer de forma coletiva em dívidas de proporções sem precedentes: hipotecando o nível de vida de gerações que ainda não haviam nascido…

Os músculos do Estado, que fazia muito tempo que não eram usados com essas finalidades, voltaram a se flexionar em público, desta vez em prol da continuação do jogo cujos participantes fazem com que esta flexão seja considerada indigna, mas inevitável; um jogo que, curiosamente, não pode suportar que o Estado exercite seus músculos, mas não pode sobreviver sem ele.

Agora, centenas de anos depois que Rosa Luxemburgo tornou pública a sua intuição, sabemos que a força do capitalismo reside em seu incrível talento de buscar e encontrar novas espécies de hospedeiros toda vez que as espécies exploradas anteriormente diminuem de número ou se extinguem e no oportunismo e na velocidade, semelhante aos de um vírus, com as quais se adapta às idiossincrasias das suas novas pastagens. No número de novembro de 2008 do The New York Review of Books (no artigo “A crise e o que fazer a respeito”), o brilhante analista e mestre da arte do marketing George Soros apresentou o itinerário das empresas capitalistas como uma sucessão de “bolhas” que se expandiam para além de sua própria capacidade e extouravam com rapidez uma vez que atingiam o limite de sua resistência.

A “crise do crédito” não marca o fim do capitalismo; apenas o esgotamento de uma de suas sucessivas pastagens… A busca de uma nova relva começará logo, alimentada, assim como no passado, pelo Estado capitalista mediante a mobilização compulsiva de recursos públicos (usando os impostos em vez do poder de sedução, deficitário e temporariamente não operativo, do mercado). Buscar-se-ão novas “terras virgens” e se tentará, de um modo ou de outro, abri-las à exploração até que suas possibilidades de aumentar os lucros de acionistas e as bonificações dos dirigentes fique por sua vez esgotada.

Como sempre (como também aprendemos no século XX a partir de uma longa série de descobrimentos matemáticos desde Henri Poincaré até Edward Lorenz) um mínimo passo em falso pode levar a um precipício e terminar em uma catástrofe. Até minúsculos passos em frente podem desencadear inundações e terminar em dilúvio…

Os anúncios de outro “descobrimento” de uma ilha desconhecida atraem multidões de aventureiros que ultrapassam em muito as dimensões do território virgem, multidões que num abrir e fechar de olhos teriam que voltar correndo às suas embarcações para fugir do iminente desastre, esperando contra toda esperança que as embarcações sigam aí, intactas, protegidas…

A grande questão é em que momento a lista de terras disponíveis para uma “virginização secundária” se esgotará, e as explorações, por mais frenéticas e engenhosas que sejam, deixarão de gerar respiros temporários. Os mercados, que estão dominados pela “mentalidade caçadora” líquida moderna que substituiu a atitude de guarda-florestal pré-moderna e a clássica postura moderna de jardineiro, seguramente não vão se incomodar em colocar essa pergunta, dado que vivem de uma alegre escapada de caça a outra como outra oportunidade para adiar o momento da verdade, não importa se por um momento breve nem a que preço.

Ainda não começamos a pensar com seriedade na sustentabilidade da nossa sociedade movida a crédito e consumo. “A volta à normalidade” prognostica uma volta a vias sempre mais perigosas. A intenção de fazê-lo é alarmante: indica que nem os dirigentes das instituições financeiras, nem os nossos governos, chegaram ao fundo do problema com seus diagnósticos, e muito menos com seus atos.

Parafraseando Héctor Sants, diretor da Autoridade de Serviços Financeiros, que há pouco confessou a existência de “modelos empresariais mal equipados para sobreviver ao estresse (…), algo que lamentamos”, Simon Jenkins, um analista do The Guardian de extraordinária perspicácia, observou que “foi como se um piloto protestasse porque seu avião funciona bem com exceção dos motores”.

(Ecodebate, 06/01/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação. [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O segundo sexo

O SEGUNDO SEXO: Os 60 anos de uma obra referência

O livro O SEGUNDO SEXO, escrito pela francesa Simone de Beauvoir, lançado em 1949, marcou um novo momento para o debate sobre a condição das mulheres e a relação entre os sexos. Publicado em dois volumes, é uma obra minuciosa, escrita com todo o rigor que caracterizava a autora, que utilizou conhecimentos de várias disciplinas tais como história, filosofia, economia, biologia e também de experiências de vida para compô-lo com o intuito de colocar a nu a condição feminina.

NALU FARIA

Beauvoir buscou mostrar que a própria noção de feminilidade era inventada pelos homens e tinha como intenção que a auto-limitação das mulheres. Questionava que, apesar de todo o avanço da humanidade até o século XX, a construção das mulheres como inferiores e sua posição de subordinação permaneciam, e eram poucas as pessoas que aceitavam denunciar ou condenar essa situação, mesmo entre as mulheres. Dizia que as mulheres tinham que se adequar aos ideais e interesses masculinos. Realizarem sua feminilidade as convertia em objetos e presas.

Por isso, as mulheres tinham que superar o eterno feminino que as engessava e formar o seu próprio ser, escolher seu próprio destino, libertando-se das idéias preconcebidas e dos mitos pré-estabelecidos. O livro buscou justamente desnaturalizar a construção da feminilidade e mostrar que esta é uma construção social. Foi daí que se tornou célebre a frase “não se nasce mulher, torna-se mulher”.

Simone de Beauvoir pode ser considerada herdeira da primeira onda do movimento feminista, que teve nas francesas grandes expoentes como Olympes de Gouges, Flora Tristan, Louise Michel e tantas outras. O livro O SEGUNDO SEXO influenciou de forma decisiva o surgimento da segunda onda do movimento feminista, iniciada no final dos anos 60. Já foi traduzido para mais de 70 idiomas e continua sendo uma referência fundamental para as novas gerações e para o feminismo atual, inclusive para aquelas que são criticas à visão de Simone de Beauvoir.

A segunda onda do feminismo teve como centralidade as relações entre o mundo público e o privado e trouxe para o debate que aquilo que se vive na vida pessoal e familiar é político. Isso se deu tanto em relação às relações familiares, à sexualidade, ao afeto, quanto em relação ao trabalho invisível e não reconhecido das mulheres, a desigualdade salarial, a exclusão dos espaços de poder. A segunda onda defendeu a construção de um movimento autônomo, construído e dirigido pelas mulheres. Da mesma forma, colocou em debate a necessidade de construção de autoconsciência das mulheres como caminho para romper com o modelo de feminilidade que as aprisionava. As mulheres deveriam agir com liberdade e autonomia para decidirem por si mesmas seu destino, serem sujeitas de suas próprias vidas.

A atualidade do pensamento de Simone de Beauvoir

Atualmente, é cada vez mais comum ouvir que a vida das mulheres mudou muito, que já conquistaram tudo. Mas junto com isso, cresceu uma outra idéia de que as mulheres são mais protetoras, acolhedoras, cuidadosas, éticas. Essas características, muitas vezes, são usadas como argumentos para dizer que as mulheres são mais eficientes ou, até mesmo, superiores. À primeira vista, isso pode parecer algo positivo, como se fosse um contraponto às idéias de subordinação e inferioridade das mulheres, e assim, as teses de O SEGUNDO SEXO teriam sido superadas. No entanto, essa visão vincula as habilidades construídas pelas mulheres à maternidade e considera que existe uma essência feminina, fixando-as em seu papel tradicional. Portanto, segue não reconhecendo que as mulheres são dotadas de inteligência e razão, ao mesmo tempo em que vincula suas características à biologia.

Os dados atuais em relação à condição das mulheres mostram que um pequeno número obteve ganhos expressivos. No entanto, as mulheres são as mais pobres; são a maior parte dos desempregados; cada vez mais têm a responsabilidade de manter suas famílias sozinhas; tem aumentado sua contaminação pelo HIV; há um incremento no tráfico e na prostituição, etc. Há também um evidente retrocesso ideológico. Entre os exemplos disso está a expansão da mercantilização da vida e do corpo das mulheres, que também é marcada pela dimensão de classe.

De um lado, as privatizações dos serviços públicos e a diminuição do Estado de bem-estar, sob o neoliberalismo, aumentaram o trabalho doméstico e de cuidados. Ou seja, no mundo inteiro, foi sobre os ombros das mulheres que recaiu uma enorme carga de trabalho, com a diminuição das políticas sociais.

O outro lado da mercantilização é a imposição de um padrão de beleza como norma a ser cumprida obrigatoriamente e que, supostamente, pode ser comprada no mercado. Dessa forma, são vendidas centenas de produtos e tecnologias que prometem eterna juventude e o corpo perfeito, ou seja, magro. Essa perspectiva de beleza está vinculada ao que se pode consumir. Ao lado da indústria de cosméticos e da beleza, outro setor que aufere grandes lucros com a mal-estar das mulheres é a indústria de medicamentos. Esta também vende ilusões de bem-estar e felicidade enquanto invade o corpo das mulheres e nega sua autonomia. Mas, enfim, as mulheres devem ser agradáveis, flexíveis e bonitas, para mostrar que são adequadas e femininas. Quando uma mulher não se preocupa com a aparência, considera-se que algo que está fora do lugar, é um desvio. Assim, podemos concluir que continuamos diante de um modelo de feminilidade que aprisiona e nega a liberdade e a autonomia para decidir.

Nossa luta feminista por uma transformação integral da sociedade seguirá até que exista uma verdadeira igualdade entre todas e todos. Isso inclui que as mulheres possam decidir que mulheres querem ser e, então, superaremos esse modelo de feminilidade voltado para manter a desigualdade nos diversos âmbitos da vida. A contribuição de Simone de Beauvoir seguirá como inspiração que nos alenta a seguir em luta até que as mulheres sejam livres.

NALU FARIA é coordenadora da SOF - Sempreviva Organização Feminista. Artigo originalmente publicado na "Folha Feminista", novembro de 2009.

Enviada para RETRANS e-VenToS por Marha Narvaz

"...A suficiência é uma relação mais livre que a necessidade..." Viveiros de Castro

Cíntia Barenho
Mestre em Educação Ambiental/FURG
Bióloga -

Capturado no site: http://bit.ly/bYKCsy em 29/01/2010

domingo, 16 de maio de 2010

A experiência

REDAÇÃO DO CONCURSO NA VOLKSWAGEN


No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência'?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos.
Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA:

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela.. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos..
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
experiência...experiência....Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!

Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.

(recebi por e-mail tal qual)

sábado, 15 de maio de 2010

A pedagogia das centopeias

Artigo publicado no jornal Zero hora de 02/02/10 por José Hildebrando Dacanal*
Tempos atrás, alguém – não cito nome nem profissão, a autoidentificação é mais do que suficiente – publicou um artiguete em um jornal local afirmando que alunos são ensinantes. Isto é, os professores aprendem com eles.

Eis aí a prova do desastre educacional brasileiro! O pobre-diabo que tem a coragem de proclamar tal barbaridade é um infante mental – e neste caso deve ser considerado inimputável e impublicável – ou ignorante convicto – e neste caso não deve exercer a profissão que tem, ainda que possa, e mesmo deva, ser publicado, já que a liberdade de opinião é um direito constitucional extenso a todos. Como me dizia famosa médica, colega de magistério na UFRGS: “Você não aprendeu ainda que às vezes o silêncio é o preço da competência?’’.

Eu tenho tentado calar a boca! Mas é difícil! Fui aluno por cerca de 35 anos e professor por mais de 40. É possível que meus alunos não tenham aprendido muito comigo. Mas é absolutamente certo que eu nunca aprendi nada com eles. Não, alunos nunca me ensinaram nada. Absolutamente nada! E sempre aprendi algo com meus professores, com todos eles, mesmo com os mais idiossincráticos e limitados.

Dadas as condições mínimas de alimentação e saúde do alunato, o bom professor é aquele que, em qualquer nível, exigindo disciplina, aplicando o método adequado a cada matéria e utilizando os controles necessários, alcança seu objetivo: fazer com que ao final do semestre ou do ano os alunos dominem com eficiência média o conteúdo respectivo.

Obviamente, educação é um conceito que envolve, além da escola, várias outras componentes fundamentais – como a família e o contexto social, principalmente. Mas, na escola, ensinar é sinônimo de disciplina exigida e conteúdo transmitido. O resto é estelionato e fraude, há milênios. E o bom professor é aquele que ensina. E bom aluno é aquele que aprende. Isto é civilização. O resto é populismo barato, politicagem safada ou canalhice explícita, também há milênios.

Eu sei, eu sei! Como ser bom professor em um mundo em que os alunos vão para a aula com drogas, facas e revólveres? Ou em que, como em Viamão, aquela professora exemplar que praticou o heroico ato civilizatório de mandar o aluno limpar o que ele emporcalhara é condenada, pela Justiça ou sei lá por quem, a pagar meio salário mínimo? Mas isto não muda a realidade. Apenas explicita o fato de que se marcha para a barbárie, referendada precisamente pelos que deveriam contê-la. E ela sempre vence.

Mas, antes da avalanche, eu queria fazer uma retratação. Em artigo anterior, qualifiquei de quadrúpedes os panacas defensores da pedagogia dita moderna. Eu me penitencio. Eu errei. Eu peço desculpas! Quadrúpedes são animais com reduzido número de patas mas de alto desempenho operacional. Que imbecil que sou! Como não pensei nisto antes!? Pedagogia de quadrúpedes não é uma expressão adequada e pode, equivocadamente, ser entendida como um elogio. A expressão semanticamente mais adequada é pedagogia de centopeias. Elas têm um monte de patas. E, pobres animaizinhos de Deus, apenas rastejam.

*Jornalista, professor e economista

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Homenagem aos cabelos brancos

Essa é uma homenagem à turma de cabelos brancos.

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de
explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

"Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!", o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo. Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet, celular , televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado
Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ...," - fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

- Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens porque estávamos ocupados em inventá-las. E você, um bostinha de merda arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?

Foi aplaudido de pé !

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A difícil vida de pai

Vida de pai está cada vez mais difícil. Uma simples conversa com o filho pequeno pode gerar perplexidade. O diálogo de João Pedro com seu filho, de 10 anos, pode servir como prova desse fosso entre as gerações.

- Que você vai ser quando crescer, filho?

- Presidente da República, pai.

- Puxa, filho, que legal. Mas por quê?

- Pra não precisar estudar.

- Não, filho, não é bem assim. Precisa estudar muito.

- Então quero ser vice-presidente.

- Vice, filho? Por quê?

- Pra não precisar estudar. O José de Alencar também só foi até a quinta série primária. Já posso parar.

- Não é assim, filho. Ele trabalhou muito e aprendeu.

- Pai, todo mundo que se dá bem não estudou: o presidente, o vice, a Xuxa, o Kaká, o Zeca Pagodinho...

- É que eles têm um talento...

- Ah, entendi, estudar é para quem não tem talento?

- Não, filho, pelo amor de Deus. Artista é diferente.

- O presidente e o vice não são artistas.

- Não, quer dizer, o presidente, de certo modo, até é.

- Se eu estudar, vou ganhar mais do que o Kaká?

- Menos.

- Ah, é? Então quero ir já para a escolinha.

- Você já está numa boa escola, filho.

- Quero ir pra escolinha de futebol.

- Não, filho, você precisa estudar muito. A escola abre caminhos para as pessoas. Pode-se viver dignamente. Filho, você precisa ter bons valores. Pense numa profissão, numa coisa honesta e que seja respeitada. Não quer ser médico, dentista ou, sei lá, engenheiro?

- Não. De jeito nenhum. To fora, pai!

- Mas por que, filho?

- Eles nunca vão ao Faustão.

- Isso não tem importância, filho. Que tal bombeiro?

- Vou querer ser astronauta ou jornalista.

- Hummm... Jornalista? Por que mesmo, filho?

- Não precisa mais ter diploma pra ser jornalista. Mas... Pensando melhor, acho que vou querer ser corrupto.

- Meu Deus, filho, não diga isso nem de brincadeira!

- Na TV disseram que ninguém se dá mal por causa da corrupção e que tudo sempre termina em pizza. Adoro pizza. Quando for corrupto, pedirei só de quatro queijos.

- Ser corrupto é muito feio, meu filho.

- Ué, pai, se é feio assim, por que Brasília está cheia deles e quase todos conseguem ser reeleitos?

- É complicado de explicar, filho. Mas isso vai mudar.

- Quero ser corrupto e praticar nepotismo.

- Cale a boca, filho, de onde tira essas barbaridades?

- É só olhar a televisão, pai. O Sarney pratica nepotismo e é presidente do Senado. Ninguém pode mexer com ele.

- Mas você sabe o que é nepotismo, filho?

- Sei. É empregar os parentes da gente.

- E você quer fazer isso?

- Claro. Assim ia acabar com os vagabundos da família. Se eu te arrumar um emprego você deixa?


Hebert Pessoa

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