terça-feira, 25 de dezembro de 2007

DESAPEGO: Caminho para a Transformação

Por Nice Ribeiro (foto)

O maior exemplo de desapego vem das abelhas. Após construírem a colméia, abandonam-na. E não a deixam morta, em ruínas, mas viva e repleta de alimento. Todo mel que fabricaram além do que necessitavam é deixado sem preocupação com o destino que terá. Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás.

Na VIDA DAS ABELHAS temos uma grande lição. Em geral O homem constrói para si, pensa no valor da Propriedade, tem ambição de conseguir mais bens, sofre e briga quando na iminência de perder o que "lutou" para adquirir.

"Onde estiver nosso coração, ali estarão nossos tesouros..." Assim, não pode haver paz uma vez que pensamentos e sentimentos formem uma tela prendendo o ser ao que ele julga sua propriedade. Essa teia não o deixa alçar vôo para novas moradas. E tal impedimento ocorre em vida ou mesmo após a morte, quando um simples pensamento como "Para quem vai ficar a minha casa?" é capaz de retê-lo em uma etapa que já podia estar superada. Ele fica aprisionado a um plano denso, perde oportunidades de experiências superiores.

Para o homem, tirar a vida de animais e usá-los como alimento é normal. Derrubar árvores para fazer conservas de seu miolo, também. Costuma comprar o que está pronto e adquirir mais do que necessita. Mas as abelhas fabricam o próprio alimento sem nada destruir e, ainda, doam a maior parte dele.

A lição das abelhas vem do seu espírito de doação. Num ato incomum de desapego, abandonam tudo o que levaram a vida para construir. Simplesmente o soltam, sem preocupação se vai para um ou para outro. Deixam o melhor que têm, seja para quem for - o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou de dirigir a doação para alguém da nossa preferência.

Se queremos ser livres, se queremos parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar em nós um único desejo: o de nos transformar. O exercício é ter sempre em mente que nada nem ninguém nos pertence, que não viemos ao mundo para possuir coisas ou pessoas, e que devemos soltá-las. Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda. Adquirimos visão mais ampla.

O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou a alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que algo melhor para nosso crescimento precisa entrar. E se não abrimos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?


Fonte: Boletim de SINAIS - nº 6 - Figueira

domingo, 23 de dezembro de 2007

Difícil ser transparente?


Por Rosana Braga

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente? Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso.

É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar...

Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana. Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção... E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos. Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.

Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar, doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos! Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando... pode parar, por favor?". Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível. Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto, que consigamos docemente viver, sentir, amar...

E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento.

Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Uma frase bonita: "Amar é Viver!"


Ela exprime em toda a extensão o que realmente significa viver. Verdade seja dita, só vive quem ama, porque encontra prazer e sentido em estar vivo e tomar parte do milagre que é a vida. Quem não ama, ao contrário, existe, vegeta ou apenas sobrevive. Para ele a vida é um fardo muito pesado, algo que gostaria de arriar a qualquer instante. Esse pobre ser nunca saboreou e nem sentiu o gosto de viver intensamente. Jamais dará conta da grandeza e da beleza desse presente de Deus.
Mas eis que esta frase está incompleta. O autor, coitado, podia ter sido realmente genial se tivesse parado por aí. Todavia, querendo impressionar a pessoa a quem nutria sentimentos de afeição, foi mais adiante e emendou: “E eu vivo para amar você!”.

A frase acabou de perder todo o sentido. Imagine só, uma vida carregada de um único propósito?! Essa pessoa tem uma vida toda apenas dedicada para amar um único ser. Agora já pensou se amor não encontra correspondência, ou se correspondido, deixa de existir de uma hora para outra?! Caraca, foi-se toda a razão de uma vida, pois ela existia para essa coisa. Inexistindo esse amor (neste caso refere-se a sentimento carnal), deixa de existir essa vida, porque não tem mais a causa que lhe auferia existência.
Viver implica em expandir os sentidos da existência, e cada vez mais, de tal modo que não se possa medir a da vida a partir da satisfação de simples desejos ou pequenos sentimentos. Isto porque o amor fraterno tem a grandeza do universo. Quem o possui é dono de uma nobreza incomparável a toda riqueza da terra, mais poderoso que todos os líderes de nações de todo o mundo. Esse amor dá sentido a qualquer vida!

É preciso ter cuidado para dizer algo, pois a palavra tem poder e pode transformar os rumos de uma vida. E é essa a causa de infelicidade da maioria das pessoas, porque ancora a sua felicidade no “ter”. E assim, estão sempre carecendo de algo mais, de uma nova conquista, para continuar desfrutando de momentos felizes. Fora isso, vive em permanente infelicidade.
Como bem ensinou Siddharta Gautama, o iluminado Buda, a felicidade não está no “ter” e sim no “ser”. A partir dessa visão, se aceitando como você é, com os defeitos e as virtudes, e aceitando o desafio de buscar o aprimoramento pessoal, poderá desfrutar de uma vida plena, ricamente feliz.

O amor é o segredo de sucesso dos grandes artistas, dos atletas vencedores, dos melhores profissionais nas diversas áreas, daqueles que se realizam naquilo que faz. O amor é chave que abre as portas da felicidade. É o caminho seguro que uma pessoa de bem e temente a Deus.
Então, sejamos sucesso: vamos amar!!! Sejamos felizes: vamos amar!!! Amar sempre, e muito!!! Vamos viver a vida, esse presente de Deus, agradecendo-O todos os dias através do amor, que é o canal que nos liga a Ele e que é o seu maior ensinamento de vida.

PEDRO SOARES NETO

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O TEMPO E O AMOR

O Amor é pra sempre, o amor é eterno. Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles porém é o amor. O amor deixa um legado. A forma de você tratar outras pessoas, e não sua riqueza ou suas façanhas, é a influência mais duradoura que se pode deixar na terra.

Como disse Madre Tereza: "Não é o que você faz, mas quanto amor você dedica no que faz realmente importa". Amor é como o tempo. O tempo é sua dádiva mais importante, pois você só recebeu uma quantidade fixa dele.

Você pode fazer mais dinheiro, mais não pode fazer mais tempo. Quando você dedica seu tempo a alguém, voce está dedidando uma porção de sua vida que jamais irá recuperar. O seu tempo é sua vida. É por isso que o maior presente que você pode dar a alguém é o seu tempo. A importância das coisas pode ser medida pelo tempo que estamos dispostos a investir. Quanto maior o tempo dedicado a alguma coisa, mais você demonstra a importância e o valor que ela tem para você. Se você quiser conhecer as prioridades de uma pessoa, observe a forma como ela utiliza o tempo.

Não é o bastante dizer que relacionamentos são importantes; nós devemos provar essa posição investindo tempo neles. Palavras isoladas detém nenhum valor. O nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações.

Relacionamentos tomam tempo e esforço, e a melhor maneira de soletrar amor é T-E-M-P-O. A essência do amor não é o que pensamos, fazemos ou proporcionamos à outros, mas quando damos de nós mesmos. Os homens, em especial, com frequência não compreendem isso. Muitos me dizem: " Não entendo minha mulher e meus filhos. Eu proporciono tudo o que eles precisam. O que mais eles podem querer?". Eles querem você! Seus olhos, seus ouvidos, seu tempo, sua atenção, sua presença, seu interesse - SEU TEMPO. Nada pode substituir isso. "Você valoriza uma pessoa quando passa à dar-lhe o seu bem mais precioso - o seu tempo!.

Sempre que você dá o seu tempo , está fazendo um sacrifício , e o sacrifício é a essência do amor. Você pode dar sem amar, mas não pode amar sem dar. "Porque Deus tanto amou que deu..." Amar significa abrir mão - ceder minhas preferências, conforto, objetivos, segurança, dinheiro, energia ou tempo para o benefício de outra pessoa.

O MELHOR MOMENTO PARA AMAR É AGORA, nós não temos nenhuma garantia do amanhã, as circusntâncias mudam, as pessoas morrem, os filhos crescem! Se você quiser expressar seu amor, é melhor que o faça agora.


Trecho retirado do Livro: Uma vida com Propósitos - Rick Warren (na foto acima)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

VOCÊ É UM EVELHESCENTE???

Mário Prata

:: Mário Prata :: Technique: Watercolor over paper >> Purpose: Caricature [ [ Client: Piracicabas International Humor Contest ] ]

Se você tem entre 45 e 65 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também porque um dia vai chegar lá. E se já passou confira.


Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes, infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto. Esqueceram de nos dizer, que entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e 65 anos) existe a EVELHESCÊNCIA.
A evelhescência nada mais é do que uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade. Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente. Assim da noite para o dia.
Não!!! Antes a evelhescência!!!
E, se você está em plena evelhescência, já notou como ela é parecida com a adolescência? Coloque os óculos e veja como este novo estágio é maravilhoso.
Já notou que andam aparecendo algumas espinhas em você?
Assim como os adolescentes, os evelhescentes também gostam de meninas de 20 anos.
Os adolescentes mudam a voz.
Os evelhescentes também. Mudam o ritmo de falar, mudam o timbre.
Os adolescentes querem falar mais rápido; os evelhescentes querem falar mais lentamente.
Os adolescentes não tem idéia do que vai acontecer com eles daqui a 20 anos.
Os evelhescentes evitam pensar nisso.
Ninguém entende os adolescentes... Ninguém entende os evelhescentes...
Ambos são irritadiços, enervam-se com pouco.
Acham que já sabem de tudo e não querem palpites em suas vidas.
Às vezes um adolescente tem um filho, é uma coisa precoce.
Às vezes um evelhescente tem um filho, é uma coisa "pós-coce"
Os adolescentes não entendem os adultos e acham que ninguém os entende.
Os evelhescentes também não entendem eles.
"Ninguém me entende" é uma frase típica de evelhescente.
Quase todos os adolescentes acabam sentados na poltrona do dentista e no divã do analista. Os evelhescentes também. A contragosto, idem.
O adolescente adora usar um tênis e uns cabelos "da hora".
O evelhescente também. Sem falar nos brincos.
Ambos adoram deitar e acordar tarde.
O adolescente ama assistir um show de artista evelhescente (Caetano Chico, Mick Jagger).
O evelhescente ama assistir a um show de um artista adolescente.
O adolescente faz de tudo para aprender a fumar.
O evelhescente pagaria qualquer preço para deixar o vício.
Ambos bebem escondido.
O adolescente esnoba que dá três por dia. O evelhescente quando diz uma a cada três dias está mentindo.
A adolescência vai dos 10 aos 20 anos. A evelhescência vai dos 45 aos 65.
Depois, sim, virá a velhice que nada mais é que a maturidade do evelhescente.
Daqui a alguns anos, quando insistirmos em não sair da evelhescência para entrar na velhice,vão dizer: "É um eterno evelhescente"!
.....Que bom!!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Rosa!


"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."


Antoine de St. Exupery

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

TUDO É UMA CONSTRUÇAO


Tudo é uma construção, não se pode pôr o telhado antes das fundações, como o acabamento antes das paredes, mas se numa construção inicia-se pela escolha do local de edificação, um detalhe mínimo, mas capital, é preciso esmerar-se com tal zelo que prima em acurar cada detalhe, e tudo é um detalhe, sem o qual pode incorrer em erro na obra, debalde total, onde cada particularidade forma um todo e disso então se é possível a materialização do sonho e criar-se a partir daí o projeto, o sonho ainda que materializar-se-á paulatinamente da prancheta do arquiteto, dos cálculos da engenharia, às mãos dos operários, e cada qual com sua especificidade vai-se pondo ponto-a-ponto o sonho-projeto em pé, até o ápice, o momento findo onde se pode habitar tal moradia, e pôr nela a benfazeja placa: ‘lar doce lar”. Tudo é uma construção!

De tal sorte que biblicamente o homem é aconselhado a edificar seus projetos e sonhos em cima de uma rocha e não sobre a areia, que sendo obrigado a iniciar uma peleja com outro reino, primeiro planeje e avalie as possibilidades reais de custeio e provável vitória, caso contrário negocie, faça acordos e a paz, assim é tudo, sem planejamento estratégico, fica-se a mercê, ao sabor dos ventos e até a náutica nos recomenda usar sabiamente as forças dos ventos a nosso favor para não incorrer em deriva, pois tudo se urge e exige um plano, mínimo e detalhado dos passos, passo-a-passo, a ser ministrado para o fito do sucesso. Tudo é uma construção!

Um projeto nasce primeiro no coração, nos sonhos da pessoa, e a medida que esta vai dando encarnação, fazendo o verbo virar palavra encarnada, ele vai tendo as reais possibilidades de sair do onírico para a realidade vivencial, dando sentido e dimensões de existente, onde se dimensiona as considerações de pôr-se em pé a construção, onde se realiza, inicialmente no desejo e posteriormente na concretude da vida o habite-se, no qual se orgulha de ser o criador, como IAHWEH di-lo-á: “Eis que tudo isso é muito bom”, com certo orgulho de si mesmo e sabedor ser possível edificar os sonhos. Tudo é uma construção!

As vicissitudes por vezes trazem o desânimo, a condição humana ajuda com pensamentos sabotadores do não ser possível tal empreendimento, o meio joga-lhe contra, isso não é para você, somos os maiores inimigos de nós mesmos, esquecemos que tudo é questão de fé, e olha que nem muita só um grão de mostarda, fé a capacidade do antegozar, ver aqui o que só além se terá, ter atitude metafísica no aqui e agora, poder olhar desertos e ver oásis, prisões e ver escolas e praças, campos e ver as colheitas, rios e ver as pontes, somos os únicos responsáveis pelos nossos sonhos, somos os únicos responsáveis pelos nossos projetos. Tudo é uma construção!

Olhaí os lírios dos campos, as aves dos céus, os animaizinhos, tudo para eles está pronto, predeterminado, para o homo planetaris, o sapiens, ao contrário, um desafio constante, um universo em construção e a construir, quem não olha a si-mesmo vendo para-além de si esta fadado ao predeterminismo de vegetar como aves, lírios, animaizinhos, quiçá o consiga, pois não veio o ser a existir para a mediocridade, mas para ser o co-construtor da vida e do viver, produzir uma construção de si e da realidade, em sim tudo existe pelo existir do ser e de sua vontade motriz, construamo-nos-lá. Tudo é uma construção!

Autor: Marlon Lelis de Oliveira (0xx11) - 6885-6997 / 9383-4727 – marlonlelis@yahoo.com.br
Guarulhos, 14 de fevereiro de 2007**
Reprodução autorizada. Citada a fonte e, com envio de cópia para arquivo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

QUEM É VOCÊ-EU?


Boa pergunta "QUEM É VOCÊ-EU?". Finda o tempo, acaba o espaço, vem a parusia, até conquisto Marte, mas, não acho como responder, quem sou eu, quem é você, quem somos nós, de fato algo inexpugnável, o ser-em-si é incógnita, o ser-com-os-outros um abismo, mas outra questão me vem: "Quem é o homem para que Deus se ocupe dele?". É para responder uma simples coisa, outra coisa nos vem, e mais outra que traz o infinito, pelo que transita a alma, a mente, o corpo e o espírito, de certo este último sabe melhor quem sou eu-você, pois de Deus migrou, assim não há resposta, talvez mais perguntas, e na revelação de uma por uma, novas perguntas, outras respostas, nesta dinâmica se dá o conhecer, só conhecendo para saber, quem sou eu-você, então eis o segredo, conhece-te a ti mesmo, saberá quem sou, e ao saber-me terá sua resposta, e saberá quem é.

Autor: Marlon Lelis de Oliveira
Guarulhos, 07 de novembro de 2007

domingo, 28 de outubro de 2007

Se ligue em você


Existe uma luzinha no seu peito. Uma luz que os olhos não vêem.
Mas quando ela está acesa, a gente sente. Pois é ela que causa os nossos sentimentos.

Quando você a acende, aparecem sentimentos bons em seu peito. Tudo fica mais bonito e gostoso. Ela faz você se sentir alegre.

Quando você a apaga, aparecem sentimentos maus. Tudo fica mais feio e dolorido. Sem ela, você se sente triste.

Quando está acesa e brilhante, ela sai pela boca, fazendo-nos sorrir. Ela também sai pelos olhos, fazendo-os brilhar.

Ela sai pelo peito, fazendo-nos amar, e pelos braços, fazendo-nos abraçar.
Sai também pelas mãos, fazendo-nos caprichar em tudo.
Sai, finalmente, pelo corpo inteiro, fazendo-nos dançar.

NÓS SÓ SOMOS FELIZES QUANDO ELA ESTÁ ACESA!

Ela se acende quando você pensa positivo. E você pensa positivo quando ela se acende. Ela brilha quando você faz carinho nas plantas, nos animais e nas pessoas. Também quando sua mãe lhe dá um presente ou quando você come um doce gostoso.

Ela brilha mais ainda quando você dá um pedaço do seu doce para seu amigo.

Mas, muitas vezes nós deixamos nossa luzinha se apagar.
Quando ela se apaga, você sente medo.
O medo aparece quando você pensa que uma coisa ruim pode acontecer com você ou com alguém de quem você gosta.
Quando você tem coragem, a luzinha volta a se acender.

Coragem é o nome do sentimento que acontece quando você acredita que só coisas boas podem ocorrer com você e com os outros.

Este é parte do livro "Se ligue em você" do Tio Gaspa;
Projeto e coordenação: Luiz Antonio Gasparetto;
Revisão: Ana Maia Littiéri;
Capa e produção visual: Kátia Cabello;Publicação e distribuição: Espaço Vida e Consciência


Recomendo em especial para todos os adultos!!! A obra é simplesmente divina!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Altruísmo é do bem. Generosidade é do mal

Flávio Gikovate

Penso cada vez mais na importância capital das definições rigorosas. Palavras usadas com duplo sentido, expressões que não são muito bem explicadas, tudo pode prestar enorme desserviço, contribuindo para aumentar a confusão que naturalmente existe quando tratamos de temas complexos e que têm a ver conosco mesmos. Isso sem falar daqueles que, de má-fé, gostam das palavras que têm mais de um sentido, pois elas se prestam muito bem a enganar os interlocutores.

Muitas vezes me perguntam o seguinte: quando uma pessoa age de forma egoísta nas relações domésticas, mas é muito generosa com os amigos e colegas de trabalho, como ela deve ser vista? Como essencialmente egoísta ou generosa? Respondo sempre que o que vale mesmo é a conduta íntima, dentro de casa. O generoso é o mais tolerante, mais dedicado e amoroso nas relações conjugais, com os pais e filhos, como as pessoas que moram ou trabalham com ele. Nem sempre é tão dedicado aos estranhos e, como regra, tem poucos amigos.

O egoísta é agressivo, cobrador e exigente nas suas relações íntimas, especialmente naquelas de caráter conjugal; espera receber mais do que dá e se revolta muito quando não é correspondido em suas expectativas. Em situações sociais, gosta muito de se comportar de forma generosa: é dedicado aos amigos (em geral muitos, com os quais o trato é um tanto superficial) e costuma ser muito prestativo quando alguém está doente e precisando de ajuda (talvez nestas condições possa exercer o papel generoso que tanto admira, além de não padecer de inveja daquele que está precisando tanto de ajuda).

Quando, há décadas, afirmava que a generosidade não é virtude e que ela está a serviço da vaidade, da dominação e de vitória no jogo de poder típico das relações íntimas, encontrava sempre grande oposição e revolta. A indignação era grande, já que crescemos dominados pela crença de que se trata de grande qualidade moral, sinal de força e desprendimento. Acho que só comecei a ser melhor entendido quando, tratando das relações afetivas mais íntimas, pude demonstrar que a generosidade e o egoísmo formam uma dupla em que um não é melhor do que o outro a não ser pelo fato do generoso ter como dar mais.

Se o egoísmo é do mal, então a generosidade também o é. Sim, porque um alimenta e reforça o outro: não pode existir o egoísta sem o generoso disposto a lhe prover. Se a generosidade acabasse, acabaria imediatamente o egoísmo! Ao mesmo tempo, o generoso precisa do egoísta, porque senão não terá sobre quem exercer sua superioridade. Não é possível pensar em uma virtude (que seria a generosidade) capaz de alimentar um vício (o egoísmo). Assim, só podemos pensar que ambos fazem parte da mesma categoria, os do mal.

Neste ponto da minha argumentação, ouço o comentário certeiro: mas toda ação dedicada ao outro é do mal? Não existem atitudes realmente desinteressadas, que não têm nada a ver com o desejo de dominar, diminuir a própria insegurança e alimentar a vaidade? Existem sim. Acho essencial afirmar que elas devem ser imediatamente distinguidas da “generosidade” social dos egoístas, pois estes aproveitam uma eventual condição de superioridade para exercer sua vaidade, ganhar admiradores indevidos e fazer propaganda enganosa de si mesmos.

Um ato genuíno de dedicação a terceiros deve, a meu ver, ser conhecido por outro nome que não aquele que usamos para a dedicação sincera e duvidosa dos generosos a seus entes queridos. Penso que o melhor aqui é chamar esta ação, genuinamente do bem, de altruísmo, que passaria a ser definido como a dedicação realmente desinteressada a pessoas, grupos ou instituições. O altruísmo implica, como regra, em atividades exercidas de forma anônima, direcionadas para pessoas que não conhecemos (ou com quem não temos contato social regular e nem segundas intenções) e que receberão nossa colaboração de uma maneira que não as humilha e que certamente será de grande valia para o seu cotidiano.

Altruísmo é o nome que define nossa participação em ações sociais de todo o tipo. Pode ser exercido por meio de doações de uma parcela dos nossos rendimentos, pode se dar por meio de trabalho voluntário em hospitais, comunidades carentes etc. Pode se exercer por meio da ação política realmente desinteressada e despojada de vaidade (como é raro!).

Na generosidade, muitas vezes a intenção é boa, mas os efeitos são nefastos: quando o pai, pretendendo agradar seu filho, dedica-se demais a ele, o protege para além do essencial, poderá causar um grande dano, enfraquecendo-o e tornando-o despreparado para enfrentar as adversidades da vida. A verdade é que temos de abandonar de vez a idéia de que as intenções valem alguma coisa. O que interessa mesmo é o efeito que elas irão provocar sobre os “beneficiários” de uma dada ação.

Quando pensamos no altruísmo, a intenção é boa e os efeitos são sempre positivos, já que não existe o risco do benefício determinar o enfraquecimento daquele que recebe (excluído, é claro, o caso de esmolas dadas a esmo e que, como regra, estão mesmo é a serviço de aplacar os sentimentos de culpa de quem dá). No altruísmo, aquele que recebe se beneficia e o uso positivo daquilo que recebe pode lhe ajudar a recuperar a saúde, a aprender mais ou recuperar uma vida digna de trabalho. Aquele que ajuda pode experimentar um grande prazer por ter dado algo de si, por ter sido realmente útil. Pode, com propriedade, experimentar o genuíno prazer de dar, já que não existe o risco de prejudicar aquele que recebe. Neste caso, e só nesse, cabe a máxima franciscana de que “é dando que se recebe”.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

A Arte de permanecer simples e ser feliz

"Caminhai tranquilamente em meio à balbúrdia e à pressa e lembrai-vos da paz que pode existir no silêncio. Sem alienação, tanto quanto possível, vivei em bons termos com todas as pessoas. Dizei com brandura e clareza vossa verdade e escutai os outros, mesmo o simples de espírito e o ignorante: também eles tem sua história. Evitai os indivíduos espalhafatosos e agressivos; eles vexam o espírito. Não vos compareis com ninguém: correríeis o risco de tornar-vos vazio ou vaidoso. Há sempre maiores e menores que vós. Desfrutai vossos projetos tanto quanto vossas realizações. Interessai-vos sempre por vossa carreira, por modesta que seja; ela é uma posse real nas incertas prosperidades do tempo. Sede prudente em vossos negócios, pois o mundo está repleto de logros. Recebei com bondade o conselho dos anos, renunciando com graciosidade à vossa juventude. Fortalecei um poder espiritual para proteger-vos em caso de desgraça súbita; mas não vos atormenteis com vossas quimeras: muitos temores nascem da fadiga e da solidão. Sede brando convosco. Sois um filho do universo, não menos do que as árvores e as estrelas, tendes o direito de estar aqui. E, quer isso vos esteja claro ou não, o universo indiscutivelmente acontece como deveria. Ficai em paz com Deus, não importa qual seja vossa concepção Dele e quais sejam vossos trabalhos e sonhos; na desordem da vida, conservai a paz em vossa alma. Com todas suas perfídias, suas tarefas tediosas e seus sonhos interrompidos, o mundo, apesar de tudo, é belo. Prestai atenção. Procurai ser feliz.



Texto encontrado numa Igreja em Baltimore em 1692. Anônimo.

sábado, 19 de maio de 2007

Ética e Moral faz bem à saúde!

Leia a edição do programa da Rádio Grilo-Som do dia 19/5/2007:
Olá, olá minhas amigas, meus amigos! Está começando mais uma edição da super-quente, hiper-transparente, mega-magistral Rádio Grilo-Som!!!

Que bom estar com você!

Hoje eu destaco que a busca do bem-estar, passa necessariamente pelo centramento de pensamentos e ações, equilibrados e alinhados com atitudes éticas e refinadas pela boa moral!

O comportamento do ser humano, suas emoções, os seus relacionamentos pessoais, os seus conhecimentos, o estado de espírito, a interação com a natureza são alguns dos fatores que definem o grau, o nível da sensação de bem-estar das pessoas.
A prática religiosa também contribui positivamente para isso. O poder da fé e da espiritualidade na saúde física e mental é comprovadamente o mais eficiente de todos os métodos curativos e preventivos.

Assim, mesmo que você leve uma vida agitada, atribulada pelos níveis absurdos da competitividade, pode equilibrar seus pensamentos e atitudes para um bom condicionamento mental e, por conseqüência, espiritual.

Momentos de meditação levam à cura e à manutenção das emoções saudáveis e produtivas. Procure dedicar alguns minutos a esta prática. Centenas de estudos relatados em revistas científicas provam essa afirmativa. Integra o rol dessas atitudes saudáveis e curativas, também os exercícios físicos, a yoga, a ginástica chinesa, o shiatsu e todos os demais desta mesma linha.

Tudo isso pode ser facilmente comprovado pelo método científico, por meio de indicadores como a pressão sanguínea, a densidade óssea, a gordura corporal, o perfil lipídico, etc., etc.

Porém, tudo isso só é possível se os valores verdadeiros, refinados da vida, do ser humano, da natureza como um todo, realmente ocuparem um espaço generoso em seu coração.
De nada adianta ter atitudes desprovidas de convicções pessoais. Elas devem ser conseqüência de uma postura autêntica quanto à consonância de pensamentos, palavras e atitudes!

Era isso o que eu tinha para deixar para vocês nesta edição.
Aguarde, pois nos próximos dias estaremos de volta com um novo enfoque, em mais uma edição da super-quente, hiper-transparente, mega-magistral Rádio Grilo-Som!!!

Lembrem-se, ética não se ensina. Moral é o conjunto das nossas convicções!

Tenham dias brilhantes, com paz e muita luz!

Bye, bye!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Ensinamentos de Dalai-Lama

Leia a edição do programa da Rádio Grilo-Som do dia 8/5/2007:
Olá, olá minha gente!
Está começando mais um programa sobre Ética e Moral da super-quente, aero-espacial, hipvirtual, mega-magistral e que não tem nada de casual... GRIIIILO-SOOOOM!!!

Hoje abordaremos um trecho do livro da Sua Santidade, o Dalai-Lama, “Uma ética para o novo milênio – sabedoria milenar para o mundo de hoje” - editora Sextante.

Na página 22 ele está dizendo:
Com raras exceções, os que vivem uma vida de egoísmo, sem consideração pelo bem-estar dos outros, costumam ser muito solitários e infelizes. Podem estar cercados de pessoas que são amigas da sua riqueza ou posição, mas assim que eles enfrentam qualquer tragédia pessoal ou perdem o prestígio, seus supostos amigos não só desaparecem como às vezes até se regozijam secretamente. Essas pessoas não costumam ser lembradas depois que morrem. Em certos casos, sua morte até alegram os que ficam, como deve ter acontecido com os sobreviventes dos campos de extermínio nazistas ao saberem da subseqüente execução de seus captores. E vale o contrário. Os que se ocupam ativamente do bem-estar alheio são respeitados e até venerados. Sua morte é lamentada e sua vida é lembrada. Como a do Mahatma Gandhi. Recebeu uma educação ocidental que lhe permitiria levar uma vida confortável e tranqüila, mas optou, por consideração aos seus semelhantes, por viver na Índia quase como um mendigo para devotar-se ao trabalho de sua vida. Seu nome hoje é uma lembrança e milhões de pessoas ainda tiram conforto e inspiração da nobreza de seus atos.
[...]
Precisamos estar atentos ao nosso corpo e as suas ações, à nossa fala e ao que dizemos, aos nossos corações e mentes, ao que pensamos e sentimos. Temos de ficar atentos ao mais leve sinal de negatividade e perguntar-nos sempre: “sou mais feliz quando meus pensamentos e emoções são negativos e destrutivos ou quando são positivos?”, “Qual é a natureza da consciência? Ela existe em si e por si ou sua existência depende de outros fatores?” Precisamos pensar, pensar, pensar. Devemos ser como o cientista que coleta dados, analisa-os para tirar a melhor conclusão possível. Conhecer a fundo a própria negatividade é tarefa para uma vida inteira, e somos capazes de um aprimoramento quase infinito. Se não assumirmos essa tarefa, porém, seremos incapazes de descobrir onde fazer as mudanças necessárias para a felicidade em nossas vidas.


Os ensinamentos da sua santidade, Dalai-Lama, realmente são simples e perfeitos. Como tudo na vida, as grandes idéias, as grandes genialidades que são criadas, são extremamente simples.
Certamente trarei muitas outras vezes, trechos dos seus sábios ensinamentos para a nossa reflexão.

Por hoje era isso minhas e meus!
De coração, muito obrigado pela audiência!

Nos próximos dias, a Rádio podcast super-quente, aero-espacial, hipvirtual, mega-magistral GRILO SOM estará de volta!
Conto contigo, afinal de contas, você é a razão da nossa existência!
Bye, bye!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Discurso do embaixador do México


Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendênia indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia.
A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002, em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
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"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento -ao meu país - com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei queme vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.Eu também posso reclamar pagamento de juros. Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam osangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução,mas indenização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano MARSHALL MONTEZUMA, para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização. Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos? Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de umamoratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de ummódico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessária expandir o planeta Terra. Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios daAmérica. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
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Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira dívida externa. Agora resta que algum governo latino-americano tenha a dignidade e coragem suficiente para impor seus direitos perante os tribunais internacionais. Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com juros civilizados.

Publicado no Jornal do Comércio - Recife/PE

terça-feira, 1 de maio de 2007

A busca da inspiração

Leia a edição do programa da Rádio Grilo-Som do dia 1º/5/2007:

Olá, olá minhas amigas e meus amigos!
O Grilo-Som está retornando com o intuito de inspirar as pessoas a pensarem sobre os principais valores da nossa existência!

Na edição de hoje trataremos exatamente disso.
Dulce Magalhães, organizadora do livro “A Paz como Caminho” escreveu a introdução, a qual denominou de “A busca da inspiração”.
Ouçam o que ela disse:

Tudo vem do sopro. Há o sopro da vida, o sopro da inspiração. Há o sopro que é fruto do suspiro, tanto de quem sofre, quanto de quem ama. Contudo, em essência, há o sopro.
Ao percorrer os caminhos do pensamento e dos sentimentos, o que nos alimenta é o sopro, senão nos perderíamos no conflito de não saber. Algo maior sabe e nos conduz. Sair do controle e caminhar na confiança é o desafio e a benção.
Confiar, fiar junto com todos, é o preceito da paz. E não há paz que possa florescer fora. Tudo é interior. O mundo é um espelho de nossos pensamentos, desejos e aspirações. Estamos projetando neste mundo ilusório que nos cerca nossos medos, nossas aflições, nossas esperanças e nosso amor.
Em que mundo você vive? Qual é a realidade que você habita? É algo que você trabalha para transformar, acredita que pode ser melhor, tem fé que tudo pode nos conduzir a uma melhor condição ou caminha no desânimo, reclama e se exalta dizendo não haver mais jeito?
Nenhum fruto está desvinculado da árvore que o gerou. Esse mundo que habitamos é fruto das relações que estamos construindo. É o momento de re-ver, re-criar, re-construir, re-verenciar, re-conectar. É tempo de re-nascer.
Antes de iniciar a mudança do mundo, consertar o que não funciona, salvar os aflitos, acalentar o futuro, é fundamental estabelecer um novo olhar. Colocar dentro de si um sentimento onde a paz dê o ritmo da batida de nosso coração.
É preciso recuperar a inocência de acreditar que é possível ter um mundo melhor, a fé na vida e no bem e a coragem para enfrentar os conflitos e se bater contra o injusto. É preciso voltar no tempo para avançar no futuro, resgatar as idéias, refazer os conceitos, eliminar os preconceitos.
É preciso colocar beleza na prática diária, produzir o pão que alimenta também a alma, para que se tenha liberdade para sonhar. É preciso mudar por dentro, tornar-se digno dos seus próprios sonhos, espalhar a esperança, fazer com todos os seres a dança da integração. Porque, para viver num mundo melhor, é preciso merecer.


É minha gente... as palavras da brilhante Dulce Magalhães nada mais são do que o verdadeiro e legítimo caminho para encontrarmos um novo e refinado padrão ético.

Buenas, por hoje era isso!
Obrigado, obrigado meus e minhas!
O Grilo-Som retornará na próxima semana!
Eu conto com sua presença e amizade!
Quintana, falando sobre isso disse: “amizade é uma alma em dois corpos!.
Que seus dias sejam brilhantes, com muita luz, brilho e multi-coloridos!
Bye, bye!

sábado, 28 de abril de 2007

Ética não se ensina!



Este é o programa Grilo-Som de 22/4/2007, na sua íntegra:

Olá, olá minha gente!
Esta é a Rádio podcast Grilo-Som.
De volta, trazendo temas para sua reflexão sobre um dos pilares mais fundamentais da vida, da existência de cada ser humano: Ética e Moral.

É, promover a reflexão, sim, porque sobre ética e moral, na verdade, sobra muito pouco para ensinar.
Ética é a ciência que estuda os valores que forma a moral, que estão atrelados aos fundamentos individuais. É o conjunto das coisas que cada um tem de mais importante sobre a vida, de uma forma geral.
Porém, tudo isso não é somente teoria. Esses conceitos devem estar representados na prática, no dia-a-dia das pessoas.
Portanto, moral verdadeira, é o que o ser humano pensa e pratica. É a soma do conceito e da atitude. Ou, como queira, é a teoria materializada pela prática.

Não esqueça que imaginamos ser o que pensamos, mas as pessoas nos vêem pelo que praticamos, pelas nossas atitudes, enfim. E sempre há uma boa distância, geralmente monumental, entre as duas coisas.

O que realmente importa?
É mais importante o meu bem estar ou o da humanidade, ou dar a mão a uma pessoa desafortunada?
É mais importante o meu lucro ou manter um padrão comportamental calcado na amizade, na compaixão, na honestidade?
Como podem ver, podemos inspirar as pessoas a transformarem, polirem seus valores. A ética será conseqüência, pois nossa moral, daí sim, estará refinada.

Obrigado, obrigado pela audiência!
Tenha grandes e brilhantes dias!
O Grilo-Som voltará na próxima semana!
Bye, bye!

domingo, 15 de abril de 2007

O que é Ética e Moral?


Esta é a íntegra do programa do dia 15/4/2007 do Grilo-Som – O que é Ética e Moral:

Olá, olá minha gente!
Está começando a segunda edição do GRILO-SOM, programa que reestreou na semana passada, decorridos mais de 30 anos!
Música, cultura e muito, mas muito especial mesmo, temas sobre Ética e Moral!
Ética é a ciência que estuda a moral, que por sua vez é o conjunto de usos e costumes considerados bons pela sociedade. Assim, o que é considerado bom e certo por aqui, noutro lugar necessariamente não é igual. Por exemplo, para algumas sociedades é absolutamente normal e saudável a poligamia (um homem e várias mulheres). Por aqui só admitimos a monogamia (um homem e uma mulher).
Tem gente querendo se mandar....
Em ambas as situações, cada qual em seu lugar e tempo estão absolutamente dentro dos usos e costumes, considerados, portanto, naturais e perfeitos.
Conseqüentemente, ambos são éticos, mas um costume não serve para outro povo e vice-versa.
Ética? A propósito, não creio que a humanidade avançará tão cedo neste particular.
Não importa os costumes de cada povo, porque cada qual decide, quer seja pela razão ou emoção.
Não importa a ética estar na moda, porque esta razão de ser é somente econômico-financeira.
O que realmente importa são os valores fundamentais da vida, do ser humano.
Enquanto vivermos presos à ilusão da separatividade, iludidos por valores materiais, ignorando a condição efêmera dessa dimensão, não haverá base para um padrão ético considerável!
Matéria? Tudo bem, mas tem que prevalecer o equilíbrio e o respeito com o espírito!
Obrigado, obrigado!
A reflexão continuará nos próximos dias!
Sigamos em frente!
Grilo-Som, som, som, despede-se, desejando tudo de bom para VOCÊ!
Bye, bye!


Se quiser ouvir o texto acima na Rádio GRILO-SOM, clique e deixe seu comentário, aqui ou lá!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Sathya Sai Baba

Você está engajado no serviço, entoando canções devocionais e desempenhando várias práticas espirituais. Qual é o benefício obtido dessas atividades? Somente quando sentimentos bons emergirem de você é que você obterá valiosas recompensas. Depois de plantar uma semente de nim (amargosa), você não pode esperar obter uma manga. Como é a semente, assim será a árvore. Do mesmo modo, como é o sentimento, assim será o resultado. Bem e mal estão baseados em seus sentimentos. Portanto, desenvolva pensamentos nobres e propague a mensagem do amor pelo mundo inteiro. Cultive o sentimento de que todos são seus irmãos e irmãs.

SATHYA SAI BABA

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Grilo-Som I

A reestréia do Grilo-Som, mais de 30 anos depois, agora com o tema Ética e Moral

Olá, olá!

Está entrando no ar, estreando no plano virtual a Rádio Podcast GRILO-SOM!

Música, cultura e muito especialmente, inspiração para refletir sobre ética e moral.

Obrigado por estar curtindo conosco!

Os seres humanos unidos são potencialmente criadores ao infinito!

Gandhi falou que você deve ser a mudança que quer ver no mundo!

"Honestidade é uma virtude que resulta em ser devotado à verdade e à veracidade. Como uma virtude, a honestidade possibilita buscar verdade (honestidade intelectual) e ser verdadeiro nos relacionamentos com os outros (honestidade moral)." - Dicionário de ÉTICA - Stanley J. Grenz & Jay T. Smith, Editora Vida.

Do mesmo Dicionário de ÉTICA, "justiça social - como a aplicação da categoria mais geral da JUSTIÇA a uma dimensão fundamental da existência humana, justiça social concentra-se no BEM COMUM da COMUNIDADE, enquanto se manifesta em áreas tais como a distribuição justa e igual dos bens e dos benefícios, bem como com respeito aos DIREITOS dos outros."

Obrigado, obrigado pela preferência. Aguarde para os próximos dias novos programas do GRILO-SOM!

Bye, bye!!!

Se quiser ouvir o texto acima na Rádio GRILO-SOM, clique e deixe seu comentário, aqui ou lá!

Casamento

1. Breve historial.
É a união estável entre pessoas de sexos di­ferentes orientada para a constituição de um agregado familiar pela geração de filhos legítimos. Ao longo de mi­lé­nios assumiu diversas modalidades: c. monogâmico (um homem e uma mu­lher) e poligâmico, podendo neste caso ser poligínico ou, na linguagem corren­te, poligâmico (um ho­mem com várias mulheres) ou poliândri­co (uma mulher com vários homens). Em sociedades com frequentes conflitos di­zimadores dos homens, compreende-se a ge­nerali­zação do casamento de um homem com várias mulheres, sobretudo quan­­do rico. O próprio “povo escolhi­do”, ape­sar da revelação do Gn, admitiu este c., que, no entanto, já era raro nos tem­pos de J. C. Quanto à sua indissolubilidade, quebrada pela introdução do di­vórcio (repúdio legal da mulher), ela foi reafirmada liminarmente por J. C. (Mt 19,3-9 e //). Por influência do Cris­tia­nis­mo, o c. monogâmico tornou-se a única modalidade formalmente admitida no Ocidente. Os povos islamizados admitem com moderação o c. poli­gí­ni­co. Mo­der­na­mente, os povos ocidentais, com a admissão do divórcio, admi­­tem a poligamia sucessiva, veri­f­i­cando-se mesmo tendências aberrantes para as uniões livres e para os impro­pria­­mente chamados c. de homos­se­xuais.
2. Carácter natural.
Por c. entendem-se duas realidades conexas: a “co­mu­­ni­dade conjugal” estavelmente constituída entre duas pessoas de sexos dife­ren­tes (V. família); e o “acto de cons­tituição dessa comunidade” (V. ma­trimónio). O c. funda-se na diversidade complementar dos sexos, concretiza-se na co­mu­nhão integral de vidas (que se não re­duz à comunhão de casa, mesa e leito) e tem como fins essenciais a procriação (gera­ção e educação dos filhos) e a entreajuda dos cônjuges para a plena realização pessoal. Como “acto”, o c. é um contrato es­pecial que compromete li­vremente os nubentes na entrega mú­tua de corpos e vidas, pressuposta para a realização dos referidos fins, no res­pei­to das qualidades próprias da instituição matrimonial: a unidade e a indissolubilidade. O c. é ins­tituição da pró­pria natureza humana, directamente ligada ao mistério da vida. Daí o carácter sagrado que as tradições populares sempre lhe atribuíram. Este ca­rácter, altamente considerado na tra­di­ção es­cri­turística (V. família na Bíblia), foi su­­blimado pela elevação do c. entre baptizados à dignidade de sacramento, a que se dá preferentemente o nome de matrimónio.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Fizeram a gente acreditar

John Lennon


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidades próprias é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, e os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."

Especial - Gandhi

Esta é uma seção do Palavras de Paz com citações de Gandhi. É a homenagem da Unipaz-Sul àquele que terminou por se tranformar em uma das mais perfeitas encarnações do ideal da Paz: um homem que abriu mão de uma carreira brilhante como advogado para se transformar em um defensor firme e doce do princípio da paz entre homens de todos os credos e tendências políticas.

PALAVRAS DE GANDHI
...
Você deve ser a mudança que quer ver no mundo.

Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse viver para sempre.

Discordar honestamente pode ser um bom sinal de progresso rumo ao entendimento.

A liberdade não tem valor se não incluir a liberdade de cometer erros.

Onde há amor, há vida.

As coisas que podem nos destruir são: política sem princípios, prazer sem consciência, riqueza sem trabalho, conhecimento sem caráter, negócios sem moralidade, ciência sem humanidade e adoração religiosa sem sacrifício.

A disciplina, quando não é baseada na não-violência, pode se tornar uma fonte de inúmeros males.

O amor é a força mais sutil que há no mundo.

A força não vem da aptidão física. Ela é o resultado de uma vontade indomável.

A verdade sem humildade torna-se uma caricatura arrogante.

A verdadeira não-violência deve ser o resultado de uma completa liberação da raiva, ódio, má vontade. Deve ser um amor compassivo por todos.

Moral

Prof. José Roberto Goldim

A seguir são apresentadas algumas definições e considerações de diferentes autores sobre o significado da palavra Moral. Vale destacar que alguns a igualam a Ética, mas o importante é saber que atualmente ambas tem significados e usos diferentes entre si.

A palavra Moral tem origem no latim - morus - significando os usos e costumes.

Moral é o conjunto das normas para o agir específico ou concreto. A Moral está contida nos códigos, que tendem a regulamentar o agir das pessoas.

Segunto Augusto Comte (1798-1857), "a Moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas." Entende-se por instintos simpáticos aqueles que aproximam o indivíduo dos outros.

Roux A. La pensée d'Auguste Comte. Paris: Chiron, 1920:254.


Moral: (substantivo) 1. o mesmo que Ética. 2. O objeto da Ética, a conduta enquanto dirigida ou disciplinada por normas, o conjunto dos mores. Neste significado a palavra é usada nas seguintes expressões: "a moral dos primitivos", "a moral contemporânea" etc.

Abbagnano N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970:652.


Para Piaget, toda Moral é um sistema de regras e a essência de toda a moralidade consiste no respeito que o indivíduo sente por tais regras.

Piaget J. El juicio moral en el niño. Madrid: Beltrán, 1935:9-11.


Eu sei o que é moral apenas quando você se sente bem após fazê-lo e o que é imoral é quando você se sente mal após.

Ernest Hemingway. Death in the afternoon. (1932)


Se ele realmente pensa que não há distinção entre virtude e vício, então, Senhor, quando ele abandonar nossa casa, deixe-nos contar nossos talheres.

Samuel Johnson. James Boswell's Life of Johnson. 14/07/1763.

Conceitos Fundamentais - diagrama
Ética, Moral e Direito
Conceitos Fundamentais - Textos
Página de Abertura - Bioética

Texto atualizado em 06/03/2000(c)Goldim/1997-2000

terça-feira, 3 de abril de 2007

Ética - Wikipédia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A ética (palavra originada diretamente do latim ethica, e indiretamente do grego ηθική, ethiké) é um ramo da filosofia, e um sub-ramo da axiologia, que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Pode-se afirmar também que Ética é, portanto, uma Doutrina Filosófica que tem por objeto a Moral no tempo e no espaço, sendo o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana.

Doutrina
Como Doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico, jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objeto de estudo, a Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia (espaço) Antiga (tempo) possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceito hoje (tempo) na Europa (espaço), por exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas conseqüências, podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos.

Estudo da ética
A ética pode ser interpretada como um termo genérico que designa aquilo que é freqüentemente descrito como a "ciência da moralidade", seu significado derivado do grego, quer dizer 'Morada da Alma', isto é, suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.

Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente não será bom à leoa. Este é um dilema ético típico.

Portanto, a ética juntamente a outras áreas tradicionais de investigação filosófica, e devidas subjetividades típicas em si, ao lado da metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma simplista. Desta forma, o objetivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos adotaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a "ética de situação". Nesta o que está certo depende das circunstâncias e não de uma qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada pelos resultados da ação ou pelos meios pelos quais os resultados são alcançados.

O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é julgamento do caráter moral de uma determinada pessoa.

Idade média
O estudo formal da filosofia estagnou até a era medieval, quando ela ganhou força através dos escritos de Maimonides, São Tomas de Aquino e outros. Foi dessa vez que o debate entre as éticas baseadas nas leis naturais e divinas ganhou nova importância.

Visão
A ética tem sido aplicada na economia, política e ciência política, conduzindo a muitos distintos e não-relacionados campos de ética aplicada, incluindo: ética nos negócios e Marxismo.

Também tem sido aplicada à estrutura da família, à sexualidade, e como a sociedade vê o papel dos indivíduos, conduzindo a campos da ética muito distintos e não-relacionados, como o feminismo e a guerra, por exemplo.

A visão descritiva da ética é moderna e, de muitas maneiras, mais empírica sob a filosofia Grega clássica, especialmente Aristóteles.

Inicialmente, é necessário definir uma sentença ética, também conhecido como uma afirmativa normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo (em termos morais) de alguma coisa.
Sentenças éticas são frases que usam palavras como bom, mau, certo, errado, moral, imoral, etc.
Aqui vão alguns exemplos:

  • “Salomão é uma boa pessoa”
  • “As pessoas não devem roubar”
  • “A honestidade é uma virtude”.

Em contraste, uma frase não-ética precisa ser uma sentença que não serve para uma avaliação moral. Alguns exemplos são:

  • “Salomão é uma pessoa alta”
  • “As pessoas se deslocam nas ruas”
  • "João é o chefe".

domingo, 1 de abril de 2007

Holística, uma mutação de consciência


Roberto Crema

"Portanto, fiquemos alerta - alerta em duplo sentido. Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano é capaz. Desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo". (Viktor E. Frankl)

Vivemos um período ao mesmo tempo aterrador e maravilhoso. É um momento especial de passagem, o parto de um ciclo onde morte e vida se abraçam num espasmo de dor e plenitude. Brahma, supremo deus da criação e Shiva, supremo deus da destruição, dançam juntos, neste instante, ao som da melodia universal que chamamos mutação. Ao olhar mais atento, Vishnu, supremo deus da conservação, sorri com os braços abertos para acolher os aflitos filhos da Vida. Somos todos testemunhas privilegiadas, acordadas ou não, do nascimento de uma nova idade. A cada momento é possível percebermos um acréscimo de luz e de consciência à nossa volta, determinando uma espantosa aceleração de mudanças. A queda do muro de Berlim e a derrocada das ideologias representam exemplos paradigmáticos da transição conceitual, valorativa e atitudinal que transcorre nos nossos dias. Diante dos cenários atuais, tudo indica que serão dramáticas e desafiadoras as primeiras décadas do Terceiro Milênio.

É preciso escolher entre dois caminhos: o do dinossauro ou o do mutante. Os resistentes à transmutação, adeptos da esclerose do passado e do conhecido, novamente serão soterrados, excluindo-se da nova civilização. Aos mutantes da consciência será destinada a herança evolutiva da humanidade.

Ser contemporâneo é o imenso desafio do nosso momento histórico. Viajamos da idade moderna para a transmoderna, da idade da razão para a idade da consciência no mais amplo sentido. Nossa tarefa é a de inventar uma nova linguagem, um novo código para o tempo-espaço do EU SOU.

Na nova idade, todos somos convocados para a inteireza. O ser mutilado, fragmentado na mente, no coração e no existir, será removido para o museu do ontem. Apenas os inteiros estarão preparados para os novos desafios. Por essa razão, o termo-chave é o holístico, proveniente do grego holos, que significa inteiro, total. A palavra "holística", pelo desgaste do mau uso e do abuso, poderá ser substituída. O seu significado, entretanto, permanecerá.

Para melhor compreender este momento crítico de passagem, voltemos nossa visão, numa rápida olhadela, para o fecundo século XVII. Nessa ocasião, mediante uma espetacular rebelião da inteligência, aconteceu, na heurística pensamentosfera européia, o nascimento impactante da idade moderna ocidental, cujo ocaso estamos presenciando. Como sempre, foram alguns espíritos rebeldes, sensíveis às contradições da época, que se insurgiram na criação de uma nova síntese.

Um tributo de reconhecimento é necessário ser estendido aos traumatizados de todos os tempos. Aos dotados da capacidade de sentir, na própria carne, a dor coletiva da humanidade ultrajada. Final da Idade Média, quando o obscuro prevalecia e o poder religioso exercia uma despótica dominação: a objetividade reprimida pelo cânone aristotélico-tomista, o imanente esmagado pelo fator tido como transcendente, a experiência subjugada pelos dogmas dominantes, as mentes mais iluminadas silenciadas pelo terrorismo da consciência representado pela diabólica Inquisição. E no alvorecer do século XVII, por obra de videntes sensíveis e horrorizados, a revolta dos esclarecidos não pôde mais ser contida. A Revolução Científica entoou o seu iluminista brado. Galileu, antecedido pelo gênio de Copérnico, desembainhou a espada da precisão matemática e o escudo de uma metodologia científica - hipotética dedutiva - foi erguido triunfalmente. Bacon desenvolveu a estratégia da experiência - o empirismo e o método indutivo - para derrotar a peste do dogmatismo. Descartes fez ressoar seu grito de guerra racionalista - o método analítico - iluminando, com o seu cogito discriminativo, a escuridão do campo de batalha. E Newton disparou a fatal seta da física mecânica, destinada ao coração do Caos do mundo, para ordená-lo, aprisionando-o na esfera impecável de mecanismos movidos por eternos ditames naturais.

Seguiu-se, natural e dialeticamente, a mudança de polaridade. Veio o Século das Luzes. O fator objetivo passou a ser decantado em tratados e fórmulas. A subjetividade e a dimensão do coração, consideradas não-científicas, foram proscritas, destinadas aos artistas e poetas delirantes. O fator sublime foi encarcerado em sombrios conventos, mosteiros e templos. O imperscrutável foi banido, abandonado aos místicos. A Razão estendeu o seu império por todas as plagas, com a bandeira do determinismo - biológico, econômico, geográfico, psíquico... - desfraldada. Laboriosamente, os antigos traumatizados ergueram e retocaram sua obra-prima: o racionalismo científico, com elegante base disciplinar, que gerou o especialista, exótico sujeito que de quase-nada sabe quase-tudo.

E cá estamos nós, os novos traumatizados. Num mundo esfacelado, com o conhecimento fracionado em compartimentos estanques, cindidos em esferas aprisionantes, torturados por máscaras e papéis desconectados, esvaziados de um sentido maior, desvinculados da sagrada inteireza. De um extremo fomos ao outro: a Universidade, decantada como templo de saber, com um reitor tratado como Magnífico (!), onde hipertrofiamos o intelecto e nos saturamos de informações, sacrificando, no altar das disciplinas, a mente abrangente e sintética da espécie. Infelizes vítimas da patologia dissociativa crônica e paradigmática instalada no seio da crise planetária que sofremos, traduzida pelo infindável conflito intrapsíquico-interpessoal-internacional.

Uma outra revolta da inteligência, suave e irreversível, agita as suas ondas neste momento, convocando os mais sensíveis e atentos. O movimento holístico definitivamente não é uma moda, como muitos pretendem. É uma resposta biológica e vital de perpetuação da espécie perante a ameaça de uma autodestruição global; é um catalisador de transmutação no seio do qual está sendo gerado o ser humano do agora.

Ousaremos enfrentar o desafio da inteireza? Ousaremos conspirar por um ente humano integral, vinculado na dimensão interconectada do saber e do amor? Ousaremos saltar para o desconhecido, afirmando o viver evolutivo? Ousaremos não deixar por menos, reinvindicando, atrevidamente, nossa condição de seres eretos, destinados a interligar terra e céu? É promissor constatar que um número progressivo de indivíduos, das mais diversas origens, culturas e ocupações, está abrindo os olhos, despertando e conspirando pela renovação consciente de nossos horizontes. Não será um bom tempo para os insensíveis, sonolentos e pretensiosos proprietários das velhas certezas!

Um dos principais objetivos da Formação Holística de Base é cultivar um terreno fértil no qual o Aprendiz possa assimilar os conhecimentos integradamente e incorporar a nova consciência holística. É, também, contribuir na preparação de emergentes líderes holocentrados, capacitados para o enfrentamento dos novos e tremendos desafios neste surpreendente limiar do terceiro milênio.

A meta essencial pode resumir-se em tornar-se o que se é. Nada fácil e, assim mesmo, possível, desde que se oriente o coração para aprender.Todas as atividades destinam-se, paradoxalmente, a um esvaziamento da mente, facilitando um vazio fértil a partir do qual a visão holística possa emanar e a canção da vida vibrar. Um Ser florescerá então e o Universo se revestirá de Sentido. Por isto, vale a pena lutar.

Declaração de Veneza (Unesco 1986)

Cientistas, médicos, antropólogos, educadores, filósofos e escritores de 16 países reuniram-se em Veneza (Itália) de 03 a 07 de março de 1986 no 1º Fórum da UNESCO sobre Ciência e Cultura para responder a uma das mais importantes indagações deste final de século: que caminhos a humanidade deveria trilhar para evitar sua autodestruição e salvar o Planeta? Desse simpósio surgiu a "Declaração de Veneza", um dos mais importantes documentos da nossa história contemporânea que resume os desafios do nosso tempo. Entre os seis tópicos da "Declaração", os 19 signatários alertam para o abismo existente "entre uma nova visão do mundo que emerge do estudo de sistemas naturais e os valores que continuam a prevalecer em filosofia, nas ciências sociais e humanas e na vida da sociedade moderna, baseados num determinismo mecanicista".

Segundo os signatários, "a maneira convencional de ensinar ciência não permite que se perceba a separação entre a ciência moderna e as visões do mundo hoje superadas". Por isso, reforçam a complementariedade entre Ciência e Tradição, a necessidade da pesquisa autenticamente transdisciplinar e a busca de harmonia com as grandes tradições culturais. Foram signatários os representantes do Brasil, Guana, Suíça, Itália, França, Índia, México, Israel, Japão, Suécia, Paquistão, Nigéria, Canadá, Srilanca e Estados Unidos.

Declaração de Veneza (Unesco 1986)

1. Estamos testemunhando uma importante evolução no campo das ciências, resultante das reflexões sobre ciência básica (em particular pelos desenvolvimentos recentes em física e embriologia), pelas mudanças rápidas que elas ocasionaram na lógica, na epistemologia e na vida diária mediante suas aplicações tecnológicas. Contudo, notamos ao mesmo tempo um grande abismo entre uma nova visão do mundo que emerge do estudo de sistemas naturais e os valores que continuam a prevalecer em filosofia, nas ciências sociais e humanas e na vida da sociedade moderna, valores amplamente baseados num determinismo mecanicista, positivismo ou niilismo. Acreditamos que essa discrepância é danosa e, na verdade, perigosa para a sobrevivência de nossa espécie.

2. O conhecimento científico, no seu próprio ímpeto, atingiu o ponto em que ele pode começar um diálogo com outras formas de conhecimento. Nesse sentido, e mesmo admitindo as diferenças fundamentais entre Ciência e Tradição, reconhecemos ambas em complementaridade e não em contradição. Esse novo e enriquecedor intercâmbio entre ciência e as diferentes tradições do mundo abre as portas para uma nova visão da humanidade e, até, para um novo racionalismo, o que poderia induzir a uma nova perspectiva metafísica.

3. Mesmo não desejando tentar um enfoque global, nem estabelecer um sistema fechado de pensamento, nem inventar uma nova utopia, reconhecemos a necessidade premente de pesquisa autenticamente transdisciplinar mediante uma dinâmica de intercâmbio entre as ciências naturais, sociais, arte e tradição. Poderia ser dito que esse modo transdisciplinar é inerente ao nosso cérebro pela dinâmica de interação entre os seus dois hemisférios.Pesquisas conjuntas da natureza e da imaginação, do universo e do homem, poderiam conduzir-nos mais próximo à realidade e permitir-nos um melhor enfrentamento dos desafios do nosso tempo.

4. A maneira convencional de ensinar ciência mediante uma apresentação linear do conhecimento não permite que se perceba o divórcio entre a ciência moderna e visões do mundo que são hoje superadas. Enfatizamos a necessidade de novos métodos educacionais que tomem em consideração o progresso científico atual, que agora entra em harmonia com as grandes tradições culturais cuja preservação e estudo profundo são essenciais.A Unesco deve ser a organização apropriada para procurar essas idéias.

5. Os desafios de nosso tempo, o risco de destruição de nossa espécie, o impacto do processamento de dados, as implicações da genética, etc. jogam uma nova luz nas responsabilidades sociais da comunidade científica, tanto na iniciação quanto na aplicação de pesquisa. Embora os cientistas possam não ter controle sobre as aplicações das suas próprias descobertas, eles não poderão permanecer passivos quando se confrontando com os usos impensados daquilo que eles descobriram. É nosso ponto de vista que a magnitude dos desafios de hoje exige, por um lado, um fluxo de informações para o público que seja confiável e contínuo e, por outro lado, o estabelecimento de mecanismos multi- transdisciplinares para conduzirem e mesmo executarem os processos decisórios.

6. Esperamos que a UNESCO considere este encontro como um ponto de partida e encoraje mais reflexões do gênero num clima de transdisciplinaridade e universalidade.

Signatários: A.D. Akeampong (Ghana; físico-matemático); Ubiratan D'Ambrósio (Brasil; educador matemático); René Berger (Suíça, crítico de arte); Nicoló Dallaporta (Itália; físico); Jean Dausset (França; Prêmio Nobel de Medicina); Maitraye Devi (Índia; poetisa); Gilbert Durand (França; filósofo); Santiago Genovês (México; antropólogo); Akshai Margalit (Israel; filósofo); Yujiro Nakamura (Japão; filósofo); David Ottoson (Suécia; Presidente do Comitê Nobel de Filosofia); Abdus Salam (Paquistão; Prêmio Nobel de Física); L.K. Shayo (Nigéria; matemático); Ruppert Sheldrake (Inglaterra; bioquímica); Henry Stapp (USA; físico); David Suzuki (Canadá; geneticista); Susantha Goonatilake (Sri Lanka; antropologia cultural); Besarab Nicolescu (França; físico); Michel Random (França; escritor); Jacques Richardson (USA; escritor); Eiji Hattori (UNESCO; Chefe do Setor de Informações); V.T. Zharov (UNESCO; Diretor da Divisão de Ciências).

Pensar é agir

Filósofa Marcia Tiburi

3por4: De que ética o Brasil precisa?
Marcia Tiburi: A primeira coisa que precisamos é aprender que ética é diferente de moral. Moral é o conjunto das nossas relações, como nos tratamos, como acreditamos em valores espirituais ou materiais. Ética é o pensamento sobre tudo isso. Quando penso sou capaz de agir sabendo o que fiz. Não há ética fora disso. Os brasileiros não se questionam sobre qual é a minha dentro deste mundo? Vemos muito a indignação moral, que é puramente afetiva, capaz de levar multidões ao choro, mas não criamos lastro para a passagem à reflexão, ou seja, à base de questionamento sobre ações e valores, o que poderia nos permitir entrar na ética. Além disso, não há ética sem responsabilidade e no Brasil ainda não entendemos que não se faz nenhuma responsabilidade real sem solidariedade. Temos que aceitar que este país é fruto de relações sociais que todos nós sustentamos com ações ou omissões.

3por4: Como os conceitos de cidadania e ética se fundem no cotidiano?
Marcia: A máquina cotidiana do trabalho e da produção, do serviço, da eficiência, extirpou o sentido da vida. Ninguém tem tempo - tempo custa caro - para lembrar que é um cidadão dentro de um mundo que está cheio de demandas ecológicas e sociais. A infelicidade na vida pessoal é fruto da infelicidade no universo da vida pública. Felicidade é um conceito ético e político, não uma mercadoria para uso imediato. Vivemos separando as esferas da vida privada e da vida pública e não vemos como uma interfere na outra. Se a pessoa da classe média e da classe alta não tem o interesse em ser cidadão, o que esperar de quem nem sequer teve oportunidade de conceber o valor da vida, da sociedade e da cultura porque vive em meio à miséria e só concebe aquele pequeno mundo de horrores? Ser feliz é algo que exige uma mudança destas condições. Não só por suas vidas pobres, mas pela pobreza da vida em geral. Só quem luta contra isso é que não se deprime hoje.

3por4: Pensar com ética é, também, pensar na sobrevivência do planeta?
Marcia: A ética é uma postura geral em relação ao outro, seja ele o que está ao seu lado, além de mim, seja uma pessoa, uma multidão, a natureza, o universo, o tempo passado, o futuro. Os ecologistas avisam há tempos, mas a sociedade não ouve. Brincamos com o planeta e só acordamos quando nossa sobrevivência é que está ameaçada. Ora, tantos animais foram extintos, o homem também pode ser. É preciso tomar cuidado e produzir ações que revertam esta situação. Claro que a coisa começa em casa e na escola, aprendendo a cuidar da reciclagem, dos gastos com energia e água, mas vai além, imperando sobre a necessidade de rever a política brasileira em relação à Amazônia. Não estamos agindo com ética diante da natureza.

3por4: Como o público recebe sua participação no Saia Justa do GNT?
Marcia: De um modo geral, as pessoas são muito generosas e gentis. Acho que gostam da novidade da filosofia. Há muito mais gente interessada em pensar do que imaginam as elites que tentam conduzi-las. Filosofia é pensamento libertador, que serve para emancipar quem a estuda e, é claro, quem não tem medo de ir em frente. Isso as pessoas estão querendo muito.

3por4: Dá para filosofar na televisão?
Marcia: Eu não gosto de tratar deste modo a questão. Quando falamos em filosofia, se trata de um pensamento crítico, lúcido, em busca dos princípios e argumentos relacionados às coisas. A tevê exige rapidez, o que é difícil quando se fala em fundamentar opiniões, dar detalhes explicativos. Mas não tentar é covardia.

3por4: Você acha que cumpre um papel específico no Saia?
Marcia: Tento fazer a minha parte como nômade nesta seara. Corajoso mesmo foi esse pessoal da TV que me chamou a participar. Não é meu espaço de aula, de conferência e, por isso, cuido de ser elegante o quanto possível, diante do encontro que ali é possível. Gosto tanto de minhas amigas, da atual formação, que tem sido bem prazeroso. Não penso que todos tenham que entender tudo, nem que tenha que ser tudo explicado. O Saia Justa é um modelo visual da conversação real das pessoas. Há, claro, os sexistas que se incomodam com um fórum de mulheres, mas aí é outra questão.

3por4: Existe diferença entre o pensar feminino e masculino?
Marcia: Nenhuma. A diferença é a história do pensamento. Os homens foram donos do espaço intelectual em função do poder que tinham nas mãos. As mulheres ficaram de fora, nem da universidade podiam participar durante séculos. Hoje, há uma autorização crescente e geral das mulheres em todas as áreas. Claro que chegamos a um lugar histórico de evolução da história humana, das idéias, e da possibilidade de criar conceitos. Hoje só não é livre para pensar e expressar-se quem não quer ou não sabe que pode.

3por4: Que coisas têm lhe incomodado no Brasil?
Marcia: O Brasil não me incomoda nunca. Adoro o meu país. Aprendi isso viajando. O Brasil é o lugar. O que deve incomodar a qualquer um que tenha consciência é o cinismo elevado à política profissional, à televisão e à cultura-mercadoria malfeita para otários, o roubo da reflexão pelos maus intelectuais. Mas tenho muita pena de quem quer agir e não sabe como. Esta pessoa vai acabar dando um jeito.

TIBURI, Marcia. Pensar é agir. O Pioneiro, Almanaque, Caxias do Sul, 1º abr. 2007, p. 24.

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