quinta-feira, 4 de março de 2010

Como Viver a Vida


Como Viver a Vida, segundo a Globo

Leandro Vieira
20 de janeiro de 2010 às 15:24

É fato: as novelas da Globo e seus programas de grande audiência continuam ditando normas, valores e costumes. Volta e meia ouvimos alguém soltar famosos bordões como “hare baba”, “tô certo ou tô errado?”, “né brinquedo não”, “ishalá”, e outros consagrados pelos folhetins globais.

Antes que alguém levante a mão para perguntar, esse texto tem, sim, muito a ver com Administração. Qualquer evento que influencie, direta ou indiretamente, o nosso comportamento é extremamente importante para a forma como conduzimos os nossos negócios. Não é à toa que os grandes anunciantes disputam a peso de ouro o horário nobre da televisão brasileira - bem como os próprios atores. Da mesma forma, as grifes (re)direcionam suas coleções aos estilos exibidos pelas belas e influentes atrizes das novelas, mesmo que essas se passem em lugares exóticos como Índia e Marrocos, ou genuinamente brasileiros como Barretos, Rio e São Paulo. Até pouco tempo atrás, muitas moças estavam usando parte do sutiã à mostra, para imitar o modelito de Norminha, a simpática – e faceira – personagem interpretada recentemente por Dira Paes. Novelas ditam modas e, como administradores, devemos estar atentos.

Espanta-me essa última, que traz o curioso título de “Viver a Vida”. Apesar de apresentar depoimentos emocionantes de pessoas reais que superaram grandes problemas no final dos episódios, Viver a Vida dá um show de deturpação de valores do começo ao fim de cada capítulo.

Normalmente, as obras de ficção dividem claramente as pessoas entre boas e más, o certo e o errado são evidentes, e nos colocamos a torcer pelo sucesso do protagonista e o castigo dos vilões, como o fizemos em A Favorita, com o duelo entre Donatela e Flora.

Na novela de Manoel Carlos, esse dualismo não existe. Com a desculpa de aproximar seus personagens da realidade, o autor lhes confere virtudes e defeitos. Entretanto, paira um ar de normalidade sobre todas as safadezas cometidas pelos personagens, que eu chego a me perguntar o que ele quer dizer, realmente, com “viver a vida”.

Viver a Vida é uma novela onde praticamente todos os personagens enganam uns aos outros. O marido trai a esposa com a prima dela, a esposa trai o marido com o cara da academia, o outro troca a companheira de uma vida inteira por uma modelo 30 anos mais jovem , que agora já vive um affair com o sujeito que conheceu no meio do deserto (que corre o risco de ser filho de seu próprio marido), irmãos (gêmeos!) disputam a mesma garota... ufa! E tem muito mais, mas não quero tirar a paciência do leitor com essas picuinhas.

Onde mora o perigo?

Diversos estudos, em especial os conduzidos pelo Prof. Robert B. Cialdini, da Arizona State University, demonstram que temos uma grande tendência a fazer o que a maioria faz – mesmo que seja um comportamento socialmente indesejável. Segundo Cialdini, somos naturalmente maria-vai-com-as-outras*.

Manoel Carlos gasta o seu latim para provar que trair é algo normal, que todo mundo trai todo mundo e não há nada reprovável nisso. Pelo contrário: é até algo bonito, poético. As puladas de cerca ocorrem sempre com o belíssimo pano de fundo da cidade maravilhosa ao entardecer, do alto de uma asa delta, ou nas areias paradisíacas de Búzios, ao som de uma belíssima trilha sonora. Sei lá, sei lá...

Há algum tempo, havia em minha cidade um jornalzinho que circulava entre os colégios, cuja maior atração eram os recadinhos que os alunos postavam uns para os outros. Depois que Aline Moraes interpretou uma jovem lésbica em uma novela, houve uma explosão de recados (românticos) de garotas para garotas. Não estou fazendo juízo de valor no que diz respeito às escolhas sexuais de ninguém. Entretanto, desconfio que muitos desses recados não tinham nada a ver com a sexualidade dessas garotas. Elas apenas queriam ser a Aline Moraes... Imagino que, se a personagem da bela atriz fosse interpretada por Regina Casé, o efeito no jornal teria sido nulo ou completamente inverso.

Mesmo sabendo que o comportamento é uma potente fonte de influência social, geralmente as pessoas que participam de estudos de psicologia social dizem com veemência que o comportamento alheio não influencia o seu próprio. Você aí do outro lado também deve estar dizendo que isso é uma grande besteira, que você não é influenciado por novelas, nem por ninguém. Beleza. Mas, com certeza, você conhece um monte de gente que adora seguir a maioria.

O perigo está na mensagem, repetida diariamente à exaustão, justamente no horário em que a maioria dos televisores sintoniza a rede do plim-plim. Muita gente assimila o comportamento dos personagens como adequado, moderno e normal. A novela de Manoel Carlos é a receita para o fracasso de uma sociedade que tem (ou já teve?) na família o seu mais firme alicerce. Viver a vida, de verdade, é muito mais do que isso.

Tô certo ou tô errado?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Avatar - inspirado no Brasil!

Colunista do Huffington Post sugere que Brasil restrinja "Avatar" VITOR MORENO



A jornalista americana Lori Pottinger sugeriu em sua coluna no prestigiado site The Huffington Post que o Brasil deveria restringir o filme "Avatar" nos cinemas do país.

O comentário foi feito em um texto intitulado: "Brasil deveria banir 'Avatar'?". Na análise do filme, Lori aponta semelhanças entre Pandora, o planeta imaginário do filme, e o Brasil. A jornalista, que também é ativista ambiental, começa o texto lembrando que o filme ficou pouco dias em cartaz na China. A exibição em cinemas chineses foi reduzida para o lançamento de um filme sobre Confúcio."O que veio à minha mente quando assisti ao filme foi o Brasil, e não a China", afirmou.Cena do filme "Avatar", cuja exibição no Brasil uma colunista do site The Huffington Post sugere que seja banida

Cena de "Avatar", cuja exibição no Brasil uma colunista do site The Huffington Post sugere que seja restringida.Ela comenta que os Na'vi vivem "numa gloriosa floresta tropical, que lembra a rica biodiversidade da Amazônia".Além disso, há "a ligação que as pessoas do filme têm com sua terra", que, segundo ela, "é tão respeitosa e culturalmente única quanto a das pessoas de tribos reais".

De acordo com o texto, "o governo brasileiro tem algumas semelhanças com os mercenários corporativos do filme". "O plano [do governo brasileiro] de vender o poderoso rio para quem pagar mais vai resultar em despejos forçados e no drástico fim de culturas e do meio de subsistência de milhares de pessoas", afirma."É provavelmente bom para o governo Lula que a maioria das pessoas que vivem em tribos na Amazônia não possam ir ao multiplex da esquina para levar essa pancada", diz a jornalista, para quem "isso poderia desencadear uma enchente que o governo não poderia represar".

Colaboração para a Folha Online-Publicidade
(recebi por e-mail, tal qual)

terça-feira, 2 de março de 2010

Uma paixão vale mais que um milhão



Saiu numa revista de finanças

Uma moça escreveu um email para uma revista financeira pedindo dicas sobre "como arrumar um marido rico".

Contudo, mais inacreditável que o "pedido" da moça, foi a disposição de um rapaz que, muito inspirado, respondeu à mensagem, de forma muito bem fundamentada.

Segue:

Mensagem/email da MOÇA:

"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West. Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela?"
(Rafaela S.)

Mensagem/resposta do (inspiradíssimo) RAPAZ:

"Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa... Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Proposta clara, sem entrelinhas. Mas tem um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco.. Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada. Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece... Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar. Cogitar.... Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio... podemos marcar?"
Abração
Charley Smith

Recebido por e-mail, tal qual.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Carta de princípios

Esta coluna, escrevi-a quinta-feira pela madrugada, enquanto lutava contra a insônia, elucubrando sobre a vida e sobre a minha vida.

Deixem que eu diga aos leitores que é uma das melhores colunas que escrevi em minha vida, ótimas assim como esta sempre foram as colunas que escrevi quando a vigília vencia o sono.

Deliciem-se, leitoras, banqueteiem-se com este texto aí debaixo. É a minha homenagem aos assinantes deste jornal ao qual sirvo com lealdade há 38 anos. Quando dei esta coluna para Fé Emma lê-la, ela caiu em pranto. Ei-la:

***

Eu sonho ser generoso com todos de quem eu me apiede.

Eu desejo instalar em meu coração um plantão permanente de caridade e solidariedade.

Eu preciso me abrir a todos que choram, suplicam ou sofrem silenciosamente.

Eu necessito me render aos que precisam de amparo, estendendo-lhes minha mão e meu auxílio.

Porque não há outro sentido na vida que não seja viver para os outros.

***

Deus me livre de pensar em mim antes de dirigir meu pensamento ao próximo.

Antes de acusar, tenho de perdoar.

Antes de condenar, tenho de me colocar no lugar de quem está sendo julgado e me persignar como benevolente.

Antes de virar as costas, tenho de enfrentar.

Em vez de invejar, tenho de compreender.

Em vez de agredir, devo acariciar.

Em vez de fugir, abraçar.

Em vez de contornar, inteirar-me

Em vez de recuar, cumpre-me progredir.

Até que eu chegue à perfeição de amar quem me odeia e servir a quem me trata com desdém.

Até que eu chegue à perfeição de corar quando alguém me agradeça e de encher de mesuras a quem me vilipendia.

***

Que eu nunca me envergonhe de ser bom e jamais deixe de estar pronto para uma generosidade.

Que eu nunca me afaste dos bons e jamais deixe de tentar dissuadir os inclementes.

Que eu nunca me impeça de dividir com os outros o que tenho, mesmo que seja pouco, ou muito, mesmo que depois me venha a fazer falta.

Que eu impulsione mais ainda quem está subindo e faça tudo para conter e reverter quem está caindo.

Que eu nunca me afaste dos bons e dos maus, dos primeiros para imitá-los, dos segundos para tentar regenerá-los.

Que eu seja assim, benévolo, condescendente, piedoso, construtivo, diligente no bem e corajoso e compreensivo quanto ao mal.

Que eu sempre tente e nunca desista de estimular os bons e mitigar os maus.

A quem me dedicar inveja, que eu a traduza como admiração.

A quem possivelmente me dedicar ódio, que eu o traduza tão somente por incompreensão.

Para que eu possa antes de morrer, altivo, gritar aos que testemunharam este meu tipo de conduta, gritar a todos bem alto: “Não abro mão do céu”.

*Texto publicado na página 47 de Zero Hora dominical de 15/11/2009
Autor: Paulo Sant'Ana

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