segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Envelhecer

George Carlin sobre envelhecer! 
(Absolutamente brilhante)

SE VOCÊ NÃO LER ISTO ATÉ O FINAL, TERÁ PERDIDO UM DIA EM SUA VIDA. E QUANDO TIVER TERMINADO, FAÇA COMO EU E MANDE ADIANTE
Pontos de vista de George Carlin sobre envelhecer
Você sabia que a única época da nossa vida em que gostamos de ficar velhos é quando somos crianças? Se Você tem menos de 10 anos, Você está tão excitado sobre envelhecer que pensa em frações. 

Quantos anos Você tem? Tenho quatro e meio! Você nunca terá trinta e seis e meio. Você tem quatro e meio, indo para cinco! Este é o lance!

Quando Você chega à adolescência, ninguém mais o segura. Você pula para um número próximo, ou mesmo alguns à frente. 'Qual é sua idade?

'Eu vou fazer 16!' Você pode ter 13, mas (tá ligado?) vou fazer 16 !

E aí chega o maior dia da sua vida!  Você completa 21!Até as palavras soam como uma cerimônia: VOCÊ ESTÁ FAZENDO 21. Uhuuuuuuu!

Mas então Você 'se torna' 30. Ooooh, que aconteceu agora? Isso faz Você soar como leite estragado! Êle 'se tornou azedo'; tivemos que jogá-lo fora.  Não tem mais graça agora, Você é apenas um bolo azedo. O que está errado?  O que mudou?

Você COMPLETA 21, Você 'SE TORNA' 30, aí Você está 'EMPURRANDO' 40. Putz! Pise no freio, tudo está derrapando! Antes que se dê conta, Você CHEGA aos 50 e seus sonhos se foram. 

Mas, espere! Você ALCANÇA os 60. Você nem achava que poderia!

Assim, Você COMPLETA 21, Você 'SE TORNA' 30, 'EMPURRA' os 40,CHEGA aos 50 e ALCANÇA os 60

Você pegou tanto embalo que BATE nos 70! Depois disso, a coisa é na base do dia-a-dia; 'Estarei BATENDO aí na 4ª.. feira!' 

Você entra nos seus 80 e cada dia é um ciclo completo; Você bate no lanche, a tarde se torna 4:30; Você alcança o horário de ir para a cama. E não termina aqui. Entrado nos 90, V.. começa a dar marcha à ré; 'Eu TINHA exatos 92.'

Aí acontece uma coisa estranha. Se Você passa dos 100, Você se torna criança pequena outra vez. 'Eu tenho 100 e meio

Que todos Vocês cheguem a um saudável 100 e meio!!

COMO PERMANECER JOVEM

Livre-se de todos os números não-essenciais. Isto inclui idade, peso e altura. Deixe os médicos se preocupar com eles. É para isso que Você os paga.

Mantenha apenas os amigos alegres. Os ranzinzas, os que só reclamam da vida só deprimem

Continue aprendendo. Aprenda mais sobre o computador, ofícios, jardinagem, seja o que for, até radio-amadorismo. Nunca deixe o cérebro inativo. 'Uma mente inativa é a oficina do diabo. Trabalhe, estude! E o nome de família do diabo é ALZHEIMER.

Aprecie as coisas simples.

Ria sempre, alto e bom som! Ria até perder o fôlego

Lágrimas fazem parte. Suporte, queixe-se e vá adiante.  As únicas pessoas que estão conosco a vida inteira somos nós mesmos.Mostre estar VIVO enquanto estiver vivo.

Cerque-se daquilo que ama, seja família, animais de estimação, coleções, música, plantas, hobbies, seja o que for.  Seu lar é seu refúgio. 

Cuide da sua saúde: se estiver boa, preserve-a. Se estiver instável, melhore-a. Se estiver além do que Você possa fazer, peça ajuda. 

Não 'viaje' às suas culpas. Faça uma viagem ao shopping, até o município mais próximo ou a um país no exterior, mas NÃO para onde Você tiver enterrado as suas culpas. 

Diga às pessoas a quem Você ama que Você as ama, a cada oportunidade.

E LEMBRE-SE SEMPRE:

A vida não é medida pela quantidade de vezes que respiramos, mas pelos momentos que nos tiram a respiração.

Se você não mandar isso para pelo menos 8 pessoas- quem se importa? Mas compartilhe isto com alguém. Todos nós temos que viver a vida ao máximo a cada dia!

A jornada da vida não é para se chegar ao túmulo em segurança em um corpo bem preservado, mas sim para se escorregar para dentro meio de lado, totalmente gasto, berrando: "PUTA MERDA, QUE VIAGEM!"

sábado, 2 de outubro de 2010

O nariz de Pinóquio

Sempre que penso em mentiras, lembro de um personagem famoso da minha infância: o Pinóquio. Criado pelo italiano Carlo Collodi em 1883, o boneco mentiroso, cujo nariz crescia a cada mentira pronunciada, foi imortalizado por Walt Disney num desenho animado inesquecível.
Pois li uma coisa interessante relacionada a mentiras e crianças: o Institute of Child Study da Universidade de Toronto, no Canadá, realizou uma pesquisa com 1200 crianças com idades entre 2 e 16 anos para tentar entender como elas mentem. E a descoberta foi fascinante.
Com dois anos de idade, 20% das crianças mentem. Aos três anos, a taxa sobe para 50%, chegando a quase 90% aos quatro anos. Aos doze anos, praticamente 100% das crianças mentem. E então a taxa começa a cair, chegando a 70% aos dezesseis anos. A partir daí, os jovens adultos aprendem a usar aquelas mentirinhas quotidianas que servem para não magoar os sentimentos dos outros, sabe como é? Aquele “simpática” que a gente diz quando não quer chamar a moça de “feia”? 
O mais interessante: os pesquisadores deduziram que a habilidade de mentir está ligada ao processo de lembrar, raciocinar, entender e julgar. Ao desenvolvimento cognitivo. Quanto mais sofisticada e plausível a mentira, mais a criança demonstra ter capacidade de desenvolver pensamentos complexos. E mais chances de sucesso tem na vida. É o Dr. Kang Lee, diretor do Instituto, que conclui:

- Toda criança mente. E as que tem um melhor desenvolvimento cognitivo mentem melhor pois conseguem esconder as pistas...

Escrevo a respeito da pesquisa do Dr. Lee na tentativa de entender o que anda acontecendo com o Brasil. Nunca antes na história deste país se mentiu como hoje. A mentira está institucionalizada, é dita em horário nobre nas televisões, na cara dura, como a do Pinóquio: de pau. E o que é estarrecedor, a mentira jamais é confrontada com a verdade. O sujeito (e a sujeita) chega na televisão, diz uma mentira descarada e fica tudo por isso mesmo. Houve um tempo em que jornalistas ridicularizavam o mentiroso. Hoje não. Mentir é parte do jogo e contestar a mentira é “ser grosso”, “jogo político”, “criar factóides” e “ser de direita”. E neste Brasil onde “nóis invertemo as coisa” os(as) mentirosos(as) são tratados com respeito, pompa e circunstância. É um tal de “senhor candidato” pra cá, “senhora candidata” pra lá que me deixa nervoso! 
Pô, quando é que essa gente será tratada como “mentiroso de uma figa”?

Nas últimas semanas assistimos a verdadeiros descalabros, que culminaram (de novo!) com a quebra do sigilo fiscal de adversários políticos para uso como arma de desmoralização – em política isso quer dizer exterminação. O fato é gravíssimo e desde o início o que se vê são mentiras. Mentiras oficiais, ditas por autoridades e defendidas por quem deveria estar defendendo é a verdade. Isso é péssimo. É a moral jogada na sarjeta. 

Será este o novo Brasil que “é de todos”? Meu é que não é. Esse aí, não.

A turma envolvida na mentirobras é composta de gente bem sucedida, não são manés fracassados. Ocupam altos cargos em empresas estatais, órgão públicos e partidos políticos. Vieram lá de baixo e hoje recebem salários e benefícios com os quais os trabalhadores comuns nem sonham. Essa gente, para quem a mentira é um método, não faz escolhas morais, mesmo porque nem percebe que essas escolhas precisam ser feitas. Para atingir seus objetivos, mentem. Mentem descaradamente. Chegam a mentir que é seu o dinheiro que na verdade é da gente... 

Seguindo o raciocínio do Dr. Lee: são um sucesso, portanto devem ter mentido – e bem - desde que nasceram. Mas quer saber? Se o Dr. Lee está certo, essas pessoas não tiveram o melhor desenvolvimento cognitivo quando crianças, não. 

Como Pinóquio e seu nariz, eles não conseguem esconder as pistas. 


Luciano Pires

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O homem transforma riscos naturais em catástrofes ambientais?

Cidades e vilarejos se esvaziam no vale do Indo. Centenas de milhares de paquistaneses continuam a fugir das inundações que já causaram 1.500 mortes em um mês. Tanto no Paquistão quanto na Rússia, na China e na Índia, as catástrofes naturais fizeram deste um verão trágico. Mas seriam elas tão naturais assim?
Mais do que o clima ou o meio ambiente, “é a intervenção do homem que cria a catástrofe”, acredita o venezuelano Salvano Briceno, que dirige em Genebra a Estratégia Internacional de Redução de Desastres das Nações Unidas [United Nations International Strategy for Disaster Reduction - ISDR].
Há dez anos, essa agência faz parcerias com as agências da ONU, o Banco Mundial e organizações humanitárias, para que as estratégias de adaptação à mudança climática e de combate contra a pobreza integrem a prevenção das catástrofes. Com progressos muito lentos. Entrevista realizada por Grégoire Allix, Le Monde.


Le Monde: Que lição o sr. aprendeu com a situação no Paquistão?
Salvano Briceno: Tanto lá como em outros lugares, não são levados em conta os riscos naturais, vistos erroneamente como inevitáveis. Permitiram que as pessoas se instalassem às margens dos rios, nas planícies de inundação. Lugares onde os riscos eram bem conhecidos. É a principal causa da catástrofe. Não são os riscos naturais que matam as pessoas. Se a maior parte das vítimas morreu no norte, foi porque a guerra tornou a região vulnerável e fez muitos desabrigados.


Le Monde: Para o senhor, as catástrofes se devem antes de tudo a fatores humanos?
Briceno: O planejamento rural e a política de construção têm uma responsabilidade essencial na construção das catástrofes. Elas não são naturais. É a ação do homem que transforma o risco natural em desastre.
Na Rússia, a má gestão das florestas foi uma das principais causas dos incêndios que destruíram o país. Na China, o crescimento urbano descontrolado e o desmatamento favorecem os deslizamentos de terra. No Haiti, no dia 12 de janeiro, os habitantes de Porto Príncipe foram mortos por sua pobreza, não pelo terremoto. Um mês mais tarde, um terremoto semelhante atingiu o Chile, com muito menos mortos. A diferença foi a miséria, a urbanização dos terrenos de risco, a falta de normas de construção. Todos os anos, um mesmo furacão faz devastações mortais no Haiti, mas nenhuma vítima em Cuba ou na República Dominicana.


Le Monde: Como inverter a tendência?
Briceno: É preciso parar de considerar a catástrofe como um evento implacável, entender que são as condições de desenvolvimento econômico, social, urbano que criam o risco ou o reduzem. Como nem sempre se podem evitar os riscos naturais, isso significa que é preciso implantar uma estratégia de redução do risco, hoje amplamente inexistente, que substitua a atual política de gestão dos desastres. Por enquanto, só se sabe responder à crise: é muito mais simples. A resposta das equipes de resgate chinesas frente aos deslizamentos de terra mostra que a China é bem melhor para administrar as catástrofes do que para gerir os riscos.

O crescimento urbano deve ainda levar em conta o papel dos espaços naturais. É preciso reforçar os ecossistemas não somente para manter a biodiversidade, mas também por sua função de redução dos riscos, que ainda não é reconhecida. E se o crescimento das favelas ainda é inevitável em muitos países, os governos podem guiar os pobres para zonas menos vulneráveis.


Le Monde: Estamos na metade do percurso da década de ações para a prevenção dos desastres naturais adotada pela ONU em Hyogo, no Japão, em 2005. Houve progressos concretos?
Briceno: Estamos no meio do caminho da conscientização, mas bem no comecinho da implantação. Alguns países, como Bangladesh, fizeram coisas incríveis para diminuir a mortalidade durante os ciclones. Grupos de países como os da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) se comprometeram a incluir o Marco de Ação de Hyogo em sua legislação.

Existe uma conscientização do lado das grandes agências internacionais e dos financiadores, mas esses atores não enxergam com facilidade a longo prazo. Toda ajuda internacional é centrada no curto prazo. Ora, a educação, os sistemas de alerta, as regras de construção, isso se constrói a longo prazo.


Le Monde: A negociação sobre o clima pode mudar a situação?
Briceno: Sim. A questão da redução dos riscos de catástrofe foi incluída na negociação sobre o clima em 2007, no plano de ação de Bali. Ainda é uma das bases da negociação para a adaptação dos países pobres à mudança climática.

Quando finalmente chegarmos a um acordo internacional, será um grande avanço: o financiamento pelos países ricos dessas estratégias de adaptação liberará muitos recursos.
E para se adaptarem à mudança climática, os países vulneráveis deverão começar reduzindo os riscos associados às imprevisibilidades naturais.

Tradução: Lana Lim
EcoDebate, 31/08/2010

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