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terça-feira, 24 de março de 2009

Depressão natural



A depressão é tão natural no ser humano quanto o amor. Isso porque a depressão, a revolta e o sofrimento estão relacionados ao amor às coisas, às pessoas, às situações ou a um ideal. Mas, no fundo, o que realmente estamos amando é a nós mesmos mais do que aos outros, isso porque quando amamos alguém ou algo sempre esperamos um retorno, mesmo inconscientemente. Só que nossa mente disfarça esse egoísmo de várias formas. Quando esse retorno não vem - e uma hora ele não virá - sofremos, e uma das formas de sofrimento é a depressão.
O budismo veio para resolver de vez as causas do sofrimento. Então, por que ele não é ensinado nas escolas? Porque o apego é a força motora da sociedade. Seja no trabalho, seja na família. Mas será que o cristianismo, tão difundido no ocidente (e ensinado nas escolas) não poderia resolver? Sim, e o verdadeiro cristianismo (que não é ensinado nas escolas) nos ensina, assim como o budismo, que estamos perdidos correndo atrás de ilusões, deixando o mundo fenomênico nos guiar quando deveria ser a nossa consciência o verdadeiro paradigma moral e social. Mas só o que aprendemos nas escolas e Igrejas é que Jesus morreu para nos salvar. Puxa, será por isso que o tema da Caverna de Platão também é pouco explorado nas escolas e faculdades? Pode apostar que sim.
Então, por que manter esse status quo e sofrer com a depressão, o "mal do século"? Porque o importante é ter sucesso, ganhar dinheiro e ser popular... e sempre existem as drogas para preencher o vazio. Isso mantém a economia em funcionamento, que é o único motivo pelo qual nós, formiguinhas, estamos aqui.
A depressão pode envolver questões genéticas (pais a avós com tendência), psicológicas (idade avançada, fatos traumáticos), sociológicas (pressão da família, da sociedade), hormonais e fisiológicas (menopausa, depressão pós-parto, falta de sono). Mas também pode envolver questões espirituais, como apego, obsessão e culpa de coisas feitas em vidas passadas. É disso que vamos tratar agora.
Todos nós já tivemos muitas vidas, já conhecemos muita gente e já fizemos muitas besteiras (e também coisas boas, claro). Estamos aqui tanto para continuar aprendendo a viver com nossos semelhantes como pra saldar nossas dívidas para com quem ofendemos. Viemos para nos harmonizar com o mundo. Inclusive com os barbeiros no trânsito, coisa que eu acho que nunca conseguirei... Harmonizar-se não quer dizer se tornar um deles, mas conviver pacificamente com eles, apesar deles. Um yogue estará longe da iluminação se algum dia ele não perceber que precisa descer do Himalaia e conviver com a poluição, o trânsito, os aproveitadores, tudo fruto indireto da sua omissão ao isolar-se e não utilizar sabiamente os talentos que a vida lhe deu. Buda fez isso. Jesus, Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, Sai Baba (Tá certo que não precisamos ser tão abnegados quanto eles, mas foi só pra ilustrar a idéia). O fato é que em outras vidas provavelmente compramos brigas com muita gente vingativa, ou deixamos pessoas em situações espirituais difíceis, ou vários corações partidos para trás, e nossa consciência (em algum nível) clama por resolver essas pendengas. E assim a consciência culpada pode vir a sabotar a nós mesmos, nesta vida, pra compensar algo do passado, seja num aleijão, ou numa situação social, econômica ou sentimental adversa, etc. E a depressão acompanha, como um indicativo da culpa.
Se um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento acompanha-o, tal como a roda de um carro segue o animal que o puxa.
(Buda)

Pode-se ter a obsessão, onde a pessoa (inconscientemente) se permite ser obsediada (também por culpa), podendo levar a quadros de loucura com internação. Por incrível que pareça, ainda acontece muito de negros escravos procurarem seus antigos "senhores" para ajustar contas, seja nascendo na família para reclamar por tudo o que lhe foi negado ou tirado, ou obsediando do lado de lá. Lembrem que, para a mente humana na espiritualidade, 500 anos pode não significar nada.
Se no passado você desgraçou a vida de uma pessoa, e se hoje você está genuinamente arrependido, geralmente você vai aproveitar uma vida em que você tenha condições materiais para construir e pavimentar uma vida decente para essa pessoa, redimindo assim (em sua consciência) seus erros para com ela, por mais que essa pessoa lhe odeie. Essa pessoa pode vir como seu filho, como aquele amigo que todo mundo sabe que não presta mas você o ajuda assim mesmo, ou como aquela garota pela qual você é fascinado, que lhe despreza e mesmo assim você não suporta que falem nada de ruim dela (e, se preciso for, você se atira na lama pra ela passar). É tudo uma questão de balanço... Se você foi muito pra um extremo, tende a ir para o outro na tentativa desesperada de compensar. Mas não há nada melhor que o equilíbrio.
Original em:

sábado, 29 de março de 2008

Para Deepak Chopra, sucesso depende de líderes com alma


"Quem almeja apenas dinheiro e poder fracassa no mais importante". Mais do que poder, inteligência e visão, o líder precisa ter alma para triunfar no mundo dos negócios do século XXI. Precisa incorporar no dia-a-dia com seus liderados fortes sentimentos de motivação e deixar de lado ações egocêntricas e de ambição pessoal que, cedo ou tarde, levam ao fracasso. Na opinião de Deepak Chopra, médico indiano radicado nos Estados Unidos e um dos mais requisitados gurus da atualidade - 27 livros publicados com mais de 10 milhões de cópias vendidas em todo o mundo -, é uma questão de evolução natural. "Antes, a lei era da sobrevivência dos mais fortes, agora será a dos mais sábios", disse ele ontem, em São Paulo, numa palestra que reuniu pouco menos de 4,5 mil pessoas presentes à ExpoManagement - 2002.

Convidado para falar sobre liderança, Chopra trouxe ao Brasil uma amostra de seu mais recente trabalho na área, "A Alma da Liderança", programa que consta da grade da renomada Kellogg School of Management (Estados Unidos) para o próximo ano. Embora a receita para a criação do líder perfeito ainda seja um mistério, Chopra busca decifrá-la combinando sabedoria espiritual com a dinâmica da psicologia moderna. Para ele, o líder é a alma e o coração do grupo, e é visto, aceito e reconhecido pelos membros como tal. "Ele ou ela é o catalisador das mudanças e transformações do grupo, capaz de enxergar diversas linhas de eventos futuros decorrentes de escolhas no presente", disse a uma platéia que revelava em seus rostos um misto de interesse e dúvida.

"Os líderes que entendam a hierarquia das necessidades e respostas terão sucesso", continuou Chopra. "Já aqueles que almejam apenas metas externas, tais como dinheiro, vitória e poder, irão fracassar naquilo que é mais importante: tornar plenas a vida de seus seguidores e a sua própria."

Castro, Hussein e Jesus Cristo

O médico indiano, autor do best seller "As Sete Leis Espirituais do Sucesso", reeditado por 17 vezes e por 63 semanas no topo dos mais vendidos nos Estados Unidos, busca seus (bons e maus) exemplos de liderança na história recente e ontem, durante a palestra, até citou um brasileiro, o prefeito de Curitiba, Jaime Lerner.

Para ele, os líderes Fidel Castro (Cuba), Muammar Khadafi (Líbia), Saddam Hussein (Iraque) e Slobodan Milosovic (ex-presidente da Iugoslávia) personificam a necessidade de sobrevivência e segurança. Como conseqüência de seus atos, disse, sobrevêm atos terroristas, regimes tirânicos, corrupção pública e o crime organizado.Já na lista daqueles que buscam a realização pessoal estão Bill Gates (Microsoft), Margareth Thatcher (ex-primeira ministra da Inglaterra) e magnatas na mídia, como Rupert Murdoch. Para o guru, o outro lado da moeda do sucessos de líderes com esse perfil são corporações supercomprometidas e desgaste pessoal.

Num grau mais elevado estão aqueles que tendem a valorizar a equipe, o trabalho em grupo, como Winston Churchill (ex-primeiro ministro inglês), Magic Johnson (ídolo do basquete norte-americano), Rudolf Giuliani (ex-prefeito de Nova York). O fracasso nesse caso pode vir, segundo Chopra, de aquisições inescrupulosas ou hostis de empresas e o uso da estratégia de dividir para conquistar. Ainda na lista de exemplos de Chopra, as armas nucleares, a guerra biológica, o colapso da internet e as guerras de informação são fracassos - ou respostas inadequadas - à mentes brilhantes como a de Albert Einstein, Thomas Edson e Walt Disney.

As boas intenções de Mahatma Gandhi, Dalai Lama e Martin Luther King, mal interpretadas por seus liderados, resultaram em extremos religiosos e idealistas.

Para Deepak Chopra, apenas Jesus Cristo e Buda escaparam. Pela transcedência.


(Original no site:

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