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domingo, 24 de janeiro de 2010

Saca?

Tenho ficado impressionado com a quantidade de mulheres sozinhas que me procuram, no consultório. Na categoria “mulheres sozinhas”, incluo também aquelas que estão em relacionamentos nos quais o parceiro está, mas não está, saca? Não? Eu também não, mas, acredite se quiser, esta é a categoria mais densamente povoada do meu gráfico relativo á população feminina da nossa espécie, no momento. Pelo menos, as que me procuram…

Como é um relacionamento no qual o parceiro está, mas não está? Ah, ele está, mas não tem compromisso nenhum de estar lá amanhã ou depois. Ele está “ficando” com ela (e com a torcida do Flamengo ao mesmo tempo) enquanto a “parada rolar”, saca?

Algumas clientes me contam o mesmo roteiro: ela estava namorando um rapaz. Daí eles se separaram. Depois da separação, “ficaram” durante algum tempo e ele arrumou outra. E agora, como estão? Eu pergunto… Ah, agora a gente tá só de “rolo”, saca?…

Vejam, em um pequeno parágrafo, temos três categorias diferentes de relacionamentos: namoro, ficar e rolo. Não sei se sei claramente o que vem ser cada uma e a diferença entre elas, mas me parece que o que as caracteriza, são os teores de comprometimento com a relação, encontrados: o baixo, o baixíssimo e o quase inexistente, que seria uma espécie de “Coca-Diet” dos relacionamentos.

Traduzindo: Ela tinha um namorado. Eles tinham um relacionamento. Havia momentos, conflitos, negociações, resoluções de conflitos, sexo, que às vezes era bom, às vezes era ruim, e às vezes não rolava. Gozo, lágrimas, cobranças, baixarias, momentos sublimes… Eles saiam juntos para ir jantar, ir ao cinema, ir visitar os pais dela, os dele, a tia chata que está no hospital… Ele tinha que comprar um presente para ela no dia do aniversário dela, ela no dele… Dia dos namorados… Levar o cachorro para dar uma volta, dar uma dura no irmão menor dela, que não respeita ninguém… Um auxiliava o outro a estudar para o concurso, a prova da carteira de motorista… Ela lia o evangelho pra ele, que era ateu… Enfim, algo cheio de altos e baixos, momentos bons e ruins, alegres e tristes, que eles iam vivendo juntos, compartilhando… Tipo “Eduardo e Mônica”… Saca? Estavam até pensando em noivar… Em 2012 (se o mundo não acabar…)

Então ele começou a achar ruim essa história, por que tudo isso estava “limitando a liberdade” dele, e ele é muito jovem e precisa “viver a vida”, saca?… Uai tchê, mas aquilo tudo lá que eles estavam vivendo juntos não é a vida? É o que então? O que é a vida, então?

Mas ele achou (e os pais dele concordaram) que ele é “muito jovem para se comprometer”, e que precisa “aproveitar mais a vida”… Afinal, ele só tem trinta e cinco anos… Eles romperam o namoro…

Se você acha que cada um seguiu o seu rumo na vida, lambendo as feridas e cicatrizando o que ficou aberto, para se permitir uma nova relação com outra pessoa, você está completamente enganado. Eles agora inauguraram uma nova modalidade: o ficar. Eles “ficam”, de vez em quando.

Qual é a diferença? Bem, de toda aquela lista de coisas que eles faziam juntos, lá em cima, sobrou apenas o sexo, e sair, vez por outra para um jantar ou um cinema (cada um paga o seu, que fique bem claro). Ou seja, tira-se fora o ônus da relação, e fica-se apenas com o bônus. Filé sem osso, peixe sem espinhas, aquelas saladas que já se compram prontinhas para ir á mesa, não precisa nem lavar… Empacotadinho, você nem suja as mãos… Genial, não?

E o que aconteceu nos capítulos seguintes? Bem, ele arrumou outra namorada. Mas… Ele não era jovem demais para perder a sua “liberdade”? Sim, mas essa é gatíssima, e tem uns dez anos a menos, e… é malhadíssima, e… coisa de alma, espiritual, saca? Coisa de outra vida… E a cliente? Eles se separam de vez? Você poderia perguntar. Acabou o “ficar”?

Sim e não… Mais ou menos… Eles agora não estão mais ficando, eles estão de “rolo”. Saca?

Agora, de toda aquela lista, só sobrou o sexo. E é sempre bom, porque ela agora é a “outra”, e sexo com a outra sempre é mais gostoso, saca?

Este sim é o supra-sumo da “relação free”, “Amor” livre mesmo, a grande evolução da nossa espécie, o fast-food dos relacionamentos, só prazer, puro prazer… A Coca-Zero: o fast-foda. Nenhum compromisso meeeesmoooo! Nenhum sofrimento, nenhuma preocupação, nenhuma chateação. Até uma garota de programa, que recebe dinheiro explicitamente pelos seus serviços, recebe mais consideração…

Sim, podemos freudianamente enumerar uma lista de motivos para ela topar um “negócio da china” destes, e eu faria isto sem nenhuma objeção. Mas quando algo vira uma epidemia mundial, penso que temos que ir por outro caminho…

Já dizia Carl Jung em meados do século passado (JUNG, C.G.; Sobre o Amor - Seleção e edição de Marianne Schiess; Editora Idéias & Letras, Aparecida, SP, 2005; pg.23):


"Assim como nenhuma planta cresce contra a morte, não existem meios simples de se facilitar uma coisa difícil, como no caso da vida. Podemos somente eliminar a dificuldade por meio de um correspondente emprego de energia. As soluções libertadoras só existem quando o esforço é integral. Todo o resto é coisa mal feita e inútil. Só se poderia pensar em amor livre se todas as pessoas realizassem elevados feitos morais. Mas a idéia do amor livre não foi inventada com esse objetivo e sim para deixar algo difícil parecer fácil. Ao amor pertencem a profundidade e a fidelidade do sentimento, sem os quais o amor não é amor, mas somente humor. O amor verdadeiro sempre visa ligações duradouras, responsáveis. Ele só precisa da liberdade para escolha, não para sua implementação.Todo amor verdadeiro, profundo é um sacrifício. Sacrificamos nossas possibilidades, ou melhor, a ilusão de nossas possibilidades. Quando não há esse sacrifício, nossas ilusões impedirão o surgimento do sentimento profundo e responsável, mas com isso também somos privados da experiência do amor verdadeiro. O amor tem mais do que uma coisa em comum com a convicção religiosa: ele exige um posicionamento incondicional, ele espera uma doação completa. E como apenas aquele que crê, aquele que se doa por completo a seu Deus, partilha da manifestação da graça de Deus, assim também o amor só revela seus maiores segredos e milagres àquele capaz de uma doação incondicional e de fidelidade de sentimentos. Como esse esforço é muito grande, só alguns poucos mortais podem vangloriar-se de tê-lo realizado. Porém, como o amor mais fiel e o que se doa ao máximo sempre é o mais belo, nunca se deveria procurar o que pudesse facilitá-lo. Só um mau cavaleiro de sua dama do coração recua diante da dificuldade do amor. O AMOR É COMO DEUS, AMBOS SÓ SE OFERECEM AOS SEUS SERVIÇAIS MAIS CORAJOSOS."

É claro que Jung está falando de algo muito elevado, de um modelo ideal. Mas não podemos deixar de olhar para a situação em que nos encontramos, na qual estamos fazendo justamente aquilo que ele diz ser “coisa mal feita e inútil”, aquilo que ele diz não ser amor, e sim apenas humor, e nos perguntarmos: onde este trem vai parar? O que acontece quando tornamos algo difícil parecer fácil? O que acontece conosco, quando não queremos mais viver nenhum tipo de sacrifício pelo amor? Nenhum tipo de sacrifício? O que acontece conosco quando renunciamos ao amor, ou a possibilidade de vir a conhecê-lo, mesmo que de longe? O que acontece conosco quando renunciamos à renuncia, e partimos numa viagem desesperada em busca de prazer?

O que acontece conosco quando nos prostramos aos pés de uma deusa chamada liberdade, mesmo que não tenhamos a menor idéia do significado espiritual desta palavra?

Podemos talvez nos perguntar o que vai acontecer com essa geração de homens e mulheres, essa geração de menininhos e menininhas mimados que só querem comer a cobertura de chocolate do bolo? Menininhos e menininhas que quando encontram o recheio de ameixa, logo pegam outra fatia, para comer só o “docinho”… O que espera essa geração de gente que foge da entrega e do amor, que nem o diabo foge da cruz? Essa gente que foge do compromisso, de decisão? Da escolha, do sacrifício, essa gente que foge da dor… E da vida… O que acabará por encontrar?

Talvez esta fala do velho sábio esteja relacionada com a explosão nas vendas de anti-depressívos e anti-ansiolíticos que observamos nas últimas décadas… Talvez este assunto que discutimos aqui esteja relacionado de alguma maneira com as previsões sombrias da OMS (Organização Mundial de Saúde), de que teremos 35% da população mundial sofrendo de depressão em 2020, e outros 35% atolados em alguma forma severa de adição, sejam drogas, alcool, comida, sexo ou compras…

Saca?
 
Publicado no dia 07/10/09, por Carlos Maltz.

http://www.carlosmaltz.com.br/blog/

domingo, 22 de março de 2009

Jung e a mediunidade


O livro JUNG E A MEDIUNIDADE, de autoria de Djalma Argollo, se dedica a uma abordagem da vida de Jung a partir de um olhar espírita. Trata das experiências e opiniões de Jung, no que diz respeito aos fenômenos mediúnicos cuja ação sentiu em si em sua família, além de, em vários de seus pacientes - foram por ele estudada. É de suas experiências e opiniões, neste último campo, de que trata este livro. Aceitou ele a imortaliadade da alma, a comunicação dos mortos e a reencarnação? Custa R$ 20 reais na Fundação Lar Harmonia, mas também pode ser lido gratuitamente em versão PDF.
"Folheando" a versão online, vi uma historinha interessante, onde Jung narra sua estadia numa casa com fama de mal-assombrada. No quarto, ele ouvia vários ruídos e pingos de água caindo a um metro dele, embora não visse nada, e a casa não tivesse água corrente ou estivesse chovendo.
Outra é engraçada: Em plena crise psicológica, depois do rompimento com Freud, Jung resolveu entregar-se a um mergulho interior, ou, como ele diz, às suas "fantasias". Acontece que tais fantasias se corporificaram. Primeiro se apresentaram como um casal, que se denominam Elias e Salomé. Salomé era uma mulher bonita, porém cega. Ambos demonstram independência e sabedoria, orientando e esclarecendo muitos problemas existenciais de Jung. Ele aproveita pra ficar "se analisando", e os identifica como as figuras bíblicas tão conhecidas: "Naturalmente, tentei tornar plausível a aparição dos personagens bíblicos em minha fantasia, uma vez que meu pai fora pastor" (Jung, 1997, p. 161). Essa tentativa de racionalizar sua fantasia como recordações da infância soa um tanto quanto forçada, e o próprio Jung reconhece: "Mas isso não esclarecia coisa alguma" (Jung, 1997, p. 161).
Jung declarou, no final da sua vida, que o seu trabalho mais maduro durante toda a sua carreira, cresceu com as experiências transpessoais que fez e relatou isto no seu livro Os Sete Sermões aos Mortos, publicado primeiramente em 1916. Neste livro, Jung descreve a sua descoberta do mundo transpessoal quando rompeu as barreiras do estado de consciência comum, penetrando num mundo que ele nem sequer imaginava. Neste mundo ele encontrou uma entidade que lhe disse chamar-se "Basilides". Basilides, perguntado por Jung, esclareceu-lhe que vivera em Alexandria, muitos séculos antes do nascimento do psicólogo. Basilides transmitiu a Jung o conhecimento do "Pleroma", um conceito transpessoal que mais tarde influenciaria o psicólogo na descoberta do "inconsciente coletivo" da humanidade:
"O Pleroma é, ao mesmo tempo, o princípio e o fim dos seres criados. Ele os penetra, como a luz do sol penetra em qualquer lugar, penetra o ar... Somos, entretanto, o próprio Pleroma porque somos parte do eterno e do infinito. Mesmo no seu ponto o mais insignificante o Pleroma não tem fim, é inteiro, desde que pequeno e grande são qualidades contidas nele. Ele é este nada o qual é tudo e é continuidade!"
A segunda entidade encontrada por Jung no mundo transpessoal foi "Philemon", que influenciou profundamente o seu trabalho. Philemon lhe aparecia como sendo uma "figura espiritual". Jung atribuiu a Philemon muito do sucesso do seu trabalho e da sua obra.
Como curiosidade: Jung foi a primeira pessoa a conhecer e divulgar a cor azul do planeta Terra.
Na sua autobiografia, ele relata que, após um ataque do coração, teve uma experiência de quase-morte (obtendo, assim, uma expansão de consciência semelhante a uma saída fora do corpo) e constatou, deslumbrado, a coloração azul da Terra, o vermelho-amarelado do deserto do Saara, ou o verde-ferrugem dos continentes. Tudo isso em 1944, 17 anos antes do primeiro homem ir ao espaço!
Referência:

sábado, 21 de março de 2009

O Tao do Jung



É um ser indeterminado em sua perfeição, anterior ao céu e à terra, impassível e imaterial. Quieto e sem forma, não dependendo de nada, é imutável, tudo abrangendo, inesgotável! Pode ser considerado a mãe de todas as coisas. Não lhe conheço o nome, mas designo-o pela palavra Tao.
(Lao Tsé)
Lao Tsé compara o Tao a água para definir sua natureza: "A bênção da água consiste em fazer bem a todos e, apesar disso, procura, conformada, sempre o lugar mais baixo, que todas as pessoas evitam. Portanto, ela tem em si algo do Tao." A idéia do "declive" não poderia ser melhor expressa.
Alguém desprovido de cobiça vê sua essênciaAlguém cheio de cobiça vê sua exterioridade
(Lao Tsé)
Segundo as concepções da religião taoísta, o Tao se divide num par de opostos fundamental, Yang e Yin. Yang é calor, luz, masculinidade. Yin é frio, escuridão, feminilidade. Yang também é céu, Yin é terra. Da força de Yang nasce Shen, a parte celestial da alma humana; e da força de Yin nasce Kwei, a parte terrena. Na qualidade de microcosmo, o ser humano é um reconciliador dos opostos. Céu, ser humano e terra são os três elementos principais do mundo, o San-tsai.
Esta imagem é uma concepção bem antiga. Encontramos algo semelhante também em outros lugares como, por exemplo, no mito africano-ocidental de Obatala e Odudua, o casal mais antigo (céu e terra), que, juntos, estavam deitados numa calebaça até que um filho, o ser humano, nasceu no meio deles. O ser humano, como microcosmo que une em si os opostos do mundo, corresponde ao símbolo irracional que une opostos psicológicos. Esta imagem primitiva do ser humano está presente também em Schiller, ao denominar o símbolo "forma viva".
A divisão da alma humana traduz uma grande verdade psicológica. Esta concepção chinesa se apresenta de novo na conhecida passagem de Fausto:
Duas almas, ah, moram em meu peito
Uma da outra quer se separar;
Uma, com forte paixão amorosa,
Ao mundo se aferra com força total;
Outra se levanta vigorosa do pó
Para as planícies dos grandes ancestrais.
A existência de duas tendências mutuamente antagônicas, ambas tentando forçar o homem a atitudes extremas e envolvê-lo no mundo - tanto no lado material quanto no espiritual - e, assim, dividi-lo em si mesmo, exige a existência de um contrapeso que é exatamente a grandeza irracional do Tao. Por isso o fiel se esforça ansiosamente por viver de acordo com o Tao, a fim de não sucumbir à tensão dos opostos. Sendo Tao uma grandeza irracional, não pode ser produzido intencionalmente, o que Lao Tsé sublinha sempre de novo. A esta circunstância deve seu significado específico um outro conceito, tipicamente chinês, o Wu-wei, que quer dizer "não fazer", mas no sentido de "não agir", e não de "não fazer nada". O racional "querer fazer", que constitui a grandeza e o mal de nossa época, não leva ao Tao.
O objetivo da ética taoísta é resolver a tensão dos opostos, nascida do fundo do universo, pelo retorno ao Tao. Neste contexto temos que lembrar também do "sábio do Omi", Nakae Toju, o importante filósofo japonês do século XVII. Baseando-se na doutrina da escola Chu-Hi, proveniente da China, apresentou dois princípios: Ri e Ki. Ri é a alma do mundo, Ki é a matéria do mundo. Mas Ri e Ki são um e o mesmo, já que são atributos de Deus e, portanto, só existem nele e por ele. Deus é a sua união. Também a alma engloba Ri e Ki. De Deus fala Toju assim: "Deus como essência do mundo engloba o universo mas também está bem próximo de nós e, inclusive, em nosso próprio corpo". Deus é, para ele, um eu comum, enquanto o eu individual é "céu" em nós, algo supra-sensível, divino, chamado Ryochi. Ryochi é "Deus em nós" e mora em cada indivíduo. É o verdadeiro eu. Toju distingue um verdadeiro e um falso eu. O falso eu é uma personalidade adquirida, nascida de concepções errôneas. Poderíamos denominá-lo "persona", ou seja, aquela idéia geral de nosso ser que formamos a partir da experiência de nossa influência sobre o mundo e da influência deste sobre nós. A persona designa isto: como alguém parece a si mesmo e ao mundo, mas não significa o que alguém é, para usar as palavras de Schopenhauer. 0 que alguém é, é a sua individualidade, segundo Toju, seu eu "verdadeiro", o Ryochi.
Ryochi também designa o "estar só", o "conhecer só", certamente porque é um estado relacionado com a essência do si-mesmo (Self), além de todo julgamento pessoal, condicionado pela experiência exterior. Toju entende Ryochi como "sumo bem", como "delícia" (No hinduísmo, Brahma = Ananda, que é igual a delícia, êxtase). Ryochi é a luz que perpassa o mundo, paralelo que Tetsujiro Inouye estabelece com Brahma. Ryochi é amor humano, imortal, onisciente, bom. O mal vem do querer (Schopenhauer). Ryochi é a função auto-reguladora, o intermediário e unificador dos pares de opostos, Ri e Ki. É, segundo a concepção hindu, o "velho sábio que mora em teu coração", ou, como diz o pai chinês da filosofia japonesa:
Em cada coração habita um sejin (sábio). Apenas não acreditamos com força suficiente, por isso o Todo permaneceu sepultado
(Wang Yang-Ming)

Carl Jung; Tipos psicológicos - Ed. Vozes

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