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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Do mundo virtual ao espiritual


Frei Betto , 06-Jun-2008


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse 'tenho aula de meditação'!
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso, as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super-executivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação! Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto'? 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite'! Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega Aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções - é um problema: a cada semana que passa temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los aonde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque para fora ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: *'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês oassediavam, ele respondia:
''Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz''.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A verdadeira capacidade espiritual está no coração e não no intelecto


por El Morya Luz da Consciência - nucleo.elmorya@terra.com.br
O sol não discrimina sobre quem brilhar, ele apenas brilha. A árvore não escolhe a quem dar sombra, ela apenas dá sombra. Do mesmo modo, não deveríamos desistir de nossas próprias qualidades devido a alguém que veio na nossa frente. Um bom rio é aquele que flui constantementeaté fundir-se no oceano. Se o rio pára de fluir ele começa a acumular lixo e então outros começarão a jogar lixo nele também. Não importa como seja o outro, eu tenho que dar felicidade. Dadi Janki
Seria maravilhoso que todos entendessem RELIGIÃO apenas como um dos caminhos, que nos levarão à plenitude, ao êxtase, ao prazer e felicidade, mas, isto não acontece. Existem inúmeras religiões ou filosofias de vida. Algumas até afirmam que são “a única a conduzir ao céu”, e como diz Antonio Machado(Caminhos de Luz): CAMINHANTE, NÃO HÁ CAMINHO,O CAMINHO É FEITO AO ANDAR. AO ANDAR SE FAZ O CAMINHO E AO OLHAR PARA TRÁS, SE VÊ A SENDA QUE NUNCA SE VAI VOLTAR A TRILHAR. CAMINHANTE NÃO HÁ CAMINHO, SOMENTE RASTROS NO MAR".
Nenhum caminho é melhor do que o outro, todos os caminhos levam a Deus! Dizem que todas as estradas nos levam para o Céu e todas as religiões conduzem ao mesmo lugar. Mas na verdade, todas as religiões não nos levam para o Céu, da mesma forma que nem todas as estradas nos levam a Roma. Vivemos muito tempo numa sociedade voltada para o materialismo, que acreditava que obter sucesso e acumular bens materiais eram sinônimos de realização. Com a evolução e a chegada de uma Nova Era, essa mesma sociedade além de bens materiais, hoje, acumula também conhecimentos que julgam levá-los a um estado espiritual tão elevado, que acreditam, com absoluta certeza, saber o que é melhor para o outro.
Existe hoje um excessivo número de Técnicas, Terapias e caminhos que prometem a cura e a evolução do espírito, através do resgate do poder pessoal, auto-estima e consciência. Mas esquecem de ensinar às pessoas que, ao adquirir esses conhecimentos, não devem confundi-los com Arrogância, Orgulho e Vaidade. O homem é dotado de um potencial de energia vital que lhe proporciona força para viver e a partir do momento que ele direciona esse seu potencial físico, mental e intelectual para a conquista de valores exigidos pela sociedade e aceitos por seu ego, não terá energia suficiente para dedicar-se a conhecer a si mesmo e seus valores internos e passará a vida profundamente distanciado de sua essência espiritual, mas, tão sábio e poderoso que passa a cuidar da vida dos outros.
Recebemos uma paciente na Terapia Energética para Ampliação da Consciência (TEAC)queixando-se da vida difícil que levava, trabalhando e estudando muito. Vivia num emaranhado de cursos que lhe prometiam acessar as dimensões superiores de luz e despertar seu poder pessoal. Em menos de um ano formou-se em Numerologia, Reiki, Terapia de vidas passadas, etc; criou uma confiança tão grande naquilo que conhecia, que "não precisava de tratamento, mas estava ali por causa do marido", que “apenas” era umbandista e mesmo assim havia sido convidado durante uma palestra a trabalhar em um local e com pessoas, que ela imaginava ser, com toda sua bagagem, a mais indicada para tal. Que decepção! Como, ele, com sua simples filosofia de vida, tão abaixo de sua competência espiritual devido a tantos curso e informações estava no lugar que por direito deveria ser dela?
Não adiantava convencê-la do contrário, era uma questão fechada. Então, precisamos a cada semana associar o tratamento a leituras que indicávamos para que ela compreendesse a realidade. Travamos uma verdadeira batalha para que ela saísse de seu egocentrismo e compreendesse que religião ou filosofia de vida, não se aprende em salas de aula, e nem muito menos está ligada ao intelecto.
Religião significa: religar-se ao criador! E Ele está dentro de cada um de nós, independente da crença ou do conhecimento que temos. O Criador, ou o Grande Espírito e Inteligência Universal, só exige de nós amor por si mesmo, pelo próximo, verdade, justiça e ajuda ao que necessitam. Dogmas, filosofias e religiões foram criados pelo homem. Então, lhe perguntamos: qual religião ou filosofia ela achava ser a mais certa, a que a levaria ao céu?Claro, a resposta foi;“a minha”. Mas, ouviu das Terapeutas: Nenhuma!
Como isso pode ser verdade se ele não tem a metade do conhecimento que possuo? Começamos a mostrar a ela que toda sua bagagem na verdade a deixou afastada e desconectada de seu ser emocional e de seu espírito, pois, não havia amor e humildade, e que todos o Seres Ascencionados que estiveram aqui no Planeta não estavam ligados a nenhuma religião, somente visavam a prática do bem e do amor ao próximo.
A Nova Era só precisa que todos estejam conectados às Oitavas Superiores para encontrar o caminho que melhor lhes sirva e não tentar, forçar ou converter as pessoas, nem substimá-las em sua capacidade espiritual. Buda já dizia: que tudo o que acontece no mundo não passa de um reflexo do que acontece no interior de cada ser humano. Se não há paz no interior do homem, se não há prazer em viver, isso refletirá em tudo o que existe no mundo lá de fora. Nós somos a imagem e semelhança do Criador e já está na hora de vivenciarmos isso e não mais sentir o Cristo fora, mas sim dentro de nós. Ela chegou ao final do tratamento uma pessoa mais humana, humilde, com a compreensão da verdadeira sabedoria, a do coração.
Jamie Sams diz em seu livro Dançando o Sonho: "Ser apenas Luz não deixa espaço para confrontar, curar e acolher o lado sombrio.EU SOU também abrange todas as experiências da alma acerca de integridade ou a falta dela, pois o ponto de vista divino é neutro e não tendencioso.
Nosso impulso natural como seres humanos é criar uma conexão sadia com outros. E a isso chamamos AMOR. Existimos para ser uma fonte de amor, pois quando alcançamos uma conexão espiritual verdadeira, o conhecimento necessário está disponível igualmente para todos.

VERA GODOY

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