Mostrando postagens com marcador células-tronco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador células-tronco. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um novo olhar

Cientistas comprovam eficácia do transplante de células-tronco no olho 77% das pessoas com visão prejudicada por queimaduras se recuperaram.
Tratamento usou células de olhos dos próprios pacientes.

Do G1, em São Paulo

Montagem mostra olhos de três pacientes antes e depois do tratamento com células-tronco.

(Foto: NEJM/Divulgação)

Pesquisadores da Universidade de Modena, na Itália, comprovaram a eficácia do implante de células-tronco para tratar cegueira causada por queimaduras nos olhos.

Eles usaram a técnica em 112 pessoas que tinham o problema e conseguiram recuperar totalmente a visão de 82 (76,6,%) deles, enquanto em 14 (13,1%) a visão foi parcialmente restabelecida.

A técnica, já utilizada há mais de uma década, consiste em cultivar células-tronco do próprio paciente e colocá-las entre a córnea e a esclera (parte opaca do olho) em uma região chamada limbo. Como a maior parte dos pacientes tinha ferimentos em apenas um olho, as células puderam ser retiradas do outro.

O limbo é a fonte natural de células-tronco para a recuperação diária da córnea, mas elas costumam desaparecer em casos de queimadura, impedindo a regeneração do olho e causando cegueira parcial ou total.

Após o enxerto das células, a maior parte dos pacientes da Itália teve esperar entre 12 e 24 meses e passar por cirurgias na córnea para recuperá-la. A pesquisa, realizada com pacientes que passaram pelo procedimento entre 1998 e 2007, foi publicada no periódico científico "The New England Journal of Medicine".
---------------------------------------------------------------
Original em: http://bit.ly/aVZJoD Acesso em 24.06.2010

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Células-tronco



Novo método produz mais células-tronco com tecidos adultos

18 de outubro de 2009 • 21h24 • atualizado em 19 de outubro de 2009 às 00h48

Pesquisadores americanos anunciaram a descoberta de um método para aumentar a produção de células-tronco a partir de tecidos adultos. A técnica é mais um passo no caminho de conseguir a produção de um grande número de células-tronco sem a utilização de embriões humanos.

O uso de embriões para o cultivo de células-tronco é polêmico porque muitos ativistas alegam que é antiético destruir embriões em nome da ciência. Em um artigo publicado na última edição da revista especializada Nature Methods, a equipe de pesquisadores americanos relata como conseguiu, com o uso de químicos, produzir células-tronco a partir de tecidos adultos de maneira 200 vezes mais eficiente e duas vezes mais rápida que nos métodos anteriores.

As células-tronco são capazes de se desenvolver em qualquer outra célula do organismo e, por isso, são consideradas promissoras para futuros tratamentos de doenças degenerativas ou de acidentes com danos permanentes.

Vírus

A possibilidade da criação de células-tronco a partir de tecidos adultos foi descoberta pela primeira vez em 2007 por pesquisadores japoneses e americanos. Eles haviam usado vírus para inserir quatro genes nas células que as levavam a ligar e a desligar outros genes para revertê-las ao estado de células-tronco. Mas o processo levava semanas, e a taxa de sucesso era de apenas uma em 10 mil células.

A nova pesquisa avança sobre a de 2007 ao adicionar alguns elementos químicos para melhorar o processo. O coordenador do estudo, Sheng Ding, disse que os pesquisadores conseguiram manipular um processo "fundamental" nas células.

Original em:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4049279-EI238,00-Novo+metodo+produz+mais+celulastronco+com+tecidos+adultos.html

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Células-tronco para restabelecer a visão

Transplante é usado na cura da degeneração macular
por Alison Snyder

EYE OF SCIENCE PHOTO RESEARCHERS, INC
Milhões de células fotorreceptoras que residem na retina humana captam luz e a transmitem sinais para o cérebro. Quando essas células coletoras de luz morrem, há perda de visão. Na esperança de reverter a cegueira, pesquisadores passaram a investigar as células-tronco, e experimentos recentes mostraram que elas poderiam substituir fotorreceptores perdidos na forma mais comum de cegueira, a degeneração macular. O problema afeta 10% dos americanos com mais de 65 anos. Ele danifica primeiramente a mucosa protetora chamada epitélio do pigmento da retina (EPR), que transporta nutrientes para as células fotorreceptoras e é vital para sua sobrevivência. Um transplante de tecido EPR novo pode salvar esses fotorreceptores moribundos.
A abordagem, porém, não costuma ser viável por causa da grande quantidade de tecido necessária para tratar milhões de pessoas que mostram os sinais de início da doença. Cientistas da empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology, em Worcester, Massachusetts, conseguiram gerar uma fonte abundante de células EPR. Em 2004, criaram uma forma de persuadir células-tronco embrionárias a se transformar em tecido EPR transplantável. Num experimento seguinte, injetaram as células transformadas nos olhos de ratos com um defeito genético localizado no tecido EPR, que levava à destruição de suas células fotorreceptoras. Os pesquisadores relataram no periódico Cloning and Stem Cells de setembro de 2006 que várias semanas após o transplante, tempo suficiente para os efeitos da doença surgirem, os ratos que haviam recebido o tratamento ainda eram capazes de acompanhar listras num cilindro em rotação duas vezes melhor que os não tratados. Sua visão, entretanto, ainda estava bem abaixo do normal.

Em última análise, para tratar casos avançados de degeneração macular ou outros problemas nas células fotorreceptoras, será preciso reparar as próprias células afetadas. Recentemente, pesquisadores da University College de Londres e de outras instituições anunciaram que extraíram células de retinas de ratos em diferentes estágios de desenvolvimento e as transplantaram com sucesso em ratos cegos. Eles descobriram que células fotorreceptoras imaturas de ratos recém-nascidos saudáveis, e não células embrionárias ou de ratos adultos, têm a capacidade de migrar para a região correta da retina e continuar a se desenvolver como células fotorreceptoras maduras. As pupilas que receberam essas células também se tornaram muito mais sensíveis à luz que aquelas que não receberam o transplante. Tais descobertas sugerem qual é o melhor estágio do desenvolvimento realizar esse transplante – por exemplo, células fotorreceptoras precisam ser relativamente mais maduras que células-tronco, de acordo com Thomas Reh, da Universidade de Washington, que estuda o desenvolvimento da retina. O equivalente humano das células de ratos, no entanto, precisa ser isolado de retinas fetais, o que levanta o problema de encontrar uma fonte para as imaturas. Células-tronco da córnea ou adultas podem ser alternativas para a geração de fotorreceptoras imaturas.
Em seu laboratório, Reh transforma células-tronco embrionárias em células-tronco da retina, mas apenas 6% delas se tornam fotorreceptoras. Esse rendimento, apesar de baixo, não é desencorajador, de acordo com Evan Snyder, pesquisador de células-tronco do Instituto Burnham de Pesquisa Médica em La Jolla, na Califórnia. Ao estudarem o que impele esses 6% a se tornar células fotorreceptoras, os pesquisadores podem descobrir como gerar um número maior de células transplantáveis. Eles também podem criar uma forma de selecionar as células certas de uma população mista: Anand Swaroop, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, trabalha numa forma de identificar e selecionar células receptoras concentrando-se nas proteínas presentes na sua superfície. Depois de gerar uma fonte e superar as preocupações de segurança associadas com o transplante de células-tronco, os pesquisadores ainda encaram seu maior desafio: mostrar que os fotorreceptores transplantados se comunicam com outros neurônios que irão com o tempo se ligar ao nervo óptico. Cada fotorreceptor precisa fazer centenas de ligações críticas. “Ter o tipo de célula certa não significa ter encontrado a maneira certa de conectar o circuito”, diz Snyder. Os fotorreceptores imaturos transplantados de retinas de ratos mostram atividade, mas Swaroop adverte que testes comportamentais precisam determinar que as células fotorreceptoras estão sendo reparadas. Uma ligação parcial pode gerar a atividade vista nas pupilas dos ratos, mas a melhora real da visão depende da capacidade dos animais de reagir a cores e outros sinais visuais. Afinal, é preciso ver para crer.

Alison Snyder é jornalista.
Original em:

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Decisão do Supremo já chega caduca


Ele se limita a autorizar o uso dos raros embriões que satisfaçam uma de duas condições -ser inviável ou estar congelado há mais de três anos. Isso já atrapalha a pesquisa, diante das leis de países mais avançados. Marcelo Leite escreve para a “Folha de SP”:
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da já ultra-restritiva Lei de Biossegurança, no que toca à pesquisa com embriões, chega com atraso. Parece que está no DNA do debate público nacional: começa tarde, demora mais do que deveria -basta acompanhar os intermináveis votos no STF- e, quando, termina, está superado pelos fatos.
A própria Lei nº 11.105/ 2005 demorou. Vinha modificar a anterior (8.974/ 1995), que caducou rápido por proibir qualquer pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, ao vedar "produção, armazenamento ou manipulação de embriões destinados a servir como material biológico disponível".
Algo de similar ocorre com o artigo 5º da Lei de Biossegurança, agora referendado pelo STF. Ele se limita a autorizar o uso dos raros embriões que satisfaçam uma de duas condições -ser inviável ou estar congelado há mais de três anos. Isso já atrapalha a pesquisa, diante das leis de países mais avançados.
O Reino Unido já aprovou até embriões híbridos, produto da fusão de óvulos de vaca com células humanas. Só para pesquisa, claro, e para evitar desperdício de óvulos humanos. Há mais, porém, contra a expectativa de vida da lei.
O ministro Carlos Alberto Direito, cujo pedido de vista garantiu mais atraso, mencionou a possibilidade de obter células-tronco de um embrião, que permaneceria íntegro. A ministra Ellen Gracie Northfleet ressalvou, corretamente, que um único estudo -de Robert Lanza, controverso e não replicado- obteve isso.
Existe ainda a criação de células-tronco com o potencial de embrionárias, mas a partir de tecido adulto. Pesquisa com as próprias células-tronco adultas, além disso, prescindem da destruição de embriões e avançam em aplicações terapêuticas.
Em resumo: conseguiu-se enfim autorizar o que dez anos atrás parecia promissor, mas em raras situações, hoje, e com perspectivas cada vez mais estreitas. Mesmo quem discorda de dar carta branca aos cientistas pode diagnosticar aí uma incapacidade crônica de decidir o que fazer em sincronia com a própria época.
(Folha de SP, 30/5)

Retirado do endereço:

sexta-feira, 30 de maio de 2008

STF aprova pesquisa com células-tronco no Brasil


STF aprova pesquisas com células-tronco no Brasil
Seis dos 11 ministros do STF aprovaram o projeto sem restrições


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, proclamou oficialmente o resultado do julgamento que liberou, sem restrições, a continuidade das pesquisas com células-tronco embrionárias no Brasil. O anúncio ocorreu no início da noite desta quinta-feira
Por 6 votos a 5, os ministros da corte julgaram improcedente ação direta de inconstitucionalidade contra o Artigo 5º da Lei de Biossegurança. A decisão mantém a esperança de cura, alimentada por pacientes com doenças degenerativas ou portadores de deficiência, que pode surgir a partir do resultado dos estudos.
A tese favorável à liberação das pesquisas, defendida pelo relator da ação, ministro Ayres Britto, foi acompanhada também pelos ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia e Ellen Gracie. Prevaleceu o entendimento do relator de que "um embrião congelado, que jamais será gerado, não pode gozar dos direitos de proteção da vida e da dignidade da pessoa humana".
A Lei de Biossegurança foi aprovada em 2005 e o seu artigo 5º permite que embriões congelados há mais de três anos sejam usados para pesquisas.
O ministro Celso de Mello disse que a decisão "representa a aurora de um novo tempo, a celebração solidária da vida e da liberdade", que garante a esperança de uma vida com dignidade aos portadores deficiência.
Entre os votos vencidos, os do ministro Eros Grau e do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, recomendaram reparos técnicos à legislação. Ricardo Lewandowski e Menezes Direito se manifestaram por restrições às pesquisas, que, segundo especialistas, na prática as inviabilizaria.
Após idas e vindas, o voto do ministro Cezar Peluso ficou como parcialmente procedente.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Vitória da razão


Editorial da ‘Folha de SP’, sobre a aprovação da Lei de Biossegurança

O Brasil dá mais um passo para constituir-se na República moderna, aberta, pluralista e laica que deve ser
Editorial publicado nesta sexta-feira:
Representa um avanço para o país a liberação de pesquisas médicas com células-tronco. Por 366 votos a favor, 59 contra e 3 abstenções, a Câmara dos Deputados decidiu que embriões humanos que constituam sobra de tratamentos para fertilidade poderão ser empregados em estudos científicos.
O dispositivo, parte da nova Lei de Biossegurança, significa uma derrota histórica do lobby religioso, que se mobilizou para tentar impedir a aprovação.
Células-tronco embrionárias despontam como a grande esperança da medicina do século 21. Ao contrário de células adultas, elas conservam a capacidade de converter-se em qualquer tipo de tecido, de nervos a ossos.
Especula-se que sejam a chave para o tratamento de várias doenças degenerativas como mal de Parkinson, diabetes e até alguns tipos de câncer. Mais do que isso, imagina-se que com as células-tronco será possível reparar órgãos danificados e até criar ‘peças’ sobressalentes para transplantes.
É claro que tudo isso ainda são hipóteses, que poderão ou não se concretizar. Mesmo que o façam, é importante frisar que ainda estamos a muitos anos de tratamentos não-experimentais efetivos.
É fundamental, contudo, dar início o quanto antes às pesquisas. Sem elas, as visões promissoras relativas às células-tronco jamais se materializarão. O Brasil não poderia ficar para trás nesse tipo de investigação, que tende a se tornar cada vez mais importante em Universidades de ponta da Europa e da Ásia.
Os religiosos se opõem a esse tipo de pesquisa porque ela implica (pelo menos por ora) a destruição dos embriões. Para instituições como a Igreja Católica, a vida é sagrada desde a concepção.
Trata-se de uma visão de mundo absolutamente respeitável, mas que se baseia num dogma não-partilhado por outras crenças ou pelo conjunto da sociedade. Não seria razoável que toda a população se visse privada dos potenciais benefícios das células-tronco apenas para não violentar a consciência de alguns.
No mais, a nova lei apenas autorizou a pesquisa com embriões excedentes de tratamentos de fertilidade, que acabariam sendo destruídos de qualquer maneira ou mantidos congelados ‘in aeternum’.
A rigor, o dispositivo aprovado pelo Congresso ainda é um tanto conservador, ao proibir a chamada clonagem terapêutica, isto é, a criação de embriões geneticamente idênticos ao paciente para servir-lhe de banco de células.
A utilização dessa técnica, que poderá revelar-se importante no futuro, eliminaria por completo o problema da rejeição, que ainda impõe dificuldades em alguns tipos de transplante.
Apesar desse detalhe, o saldo da novela que foi a aprovação da Lei de Biossegurança é positivo.
O Congresso mostrou um sábio pragmatismo ao liberar o cultivo de organismos transgênicos após avaliação técnica de segurança e ao permitir a pesquisa com embriões humanos já fadados à destruição.
Com isso, o Brasil dá mais um passo para constituir-se na República moderna, aberta, pluralista e laica que deve ser.
(Folha de SP, 4/3)


Presente e futuro das células-tronco


Especialistas esclarecem 12 questões sobre o que já se sabe e o que ainda é experimental nesta área.

Cristina Amorim escreve para ‘O Estado de SP’:

Fontes: Lygia da Veiga Pereira, geneticista do Instituto de Biologia da Universidade de SP (USP); Patricia Helena Lucas Pranke, professora da UFRGS e da PUC/RS e presidente do Instituto de Pesquisa com Célula-tronco; e Rosalia Mendez-Otero, pesquisadora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ.
A aprovação da nova Lei da Biossegurança no Congresso jogou os holofotes sobre um tema pouco conhecido da maioria das pessoas, ainda que elas sejam grandes beneficiadas das pesquisas com células-tronco.

O apoio dado por personalidades internacionais, como os atores americanos Michael J. Fox, que sofre do mal de Parkinson, e Christopher Reeve, que morreu no ano passado vítima de complicações decorrentes de uma paralisia do pescoço para baixo, ajudam a colocar o tema em evidência.

As células-tronco são atualmente uma das principais vedetes da pesquisa científica no mundo, com a promessa de entregar terapias para doenças hoje incuráveis. Porém, entre a realidade e a Confira algumas respostas dadas por especialistas a dúvidas usuais sobre o assunto:

O que são células-tronco?

São células pouco diferenciadas, com grande capacidade de transformação celular. São encontradas em embriões, cordão umbilical e tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o fígado, por exemplo.

Se as células-tronco podem ser retiradas de tecidos adultos, por que os cientistas querem trabalhar com as embrionárias?

Porque somente essas são pluripotentes ou totipontentes, ou seja, têm a capacidade virtual de produzir todos os 216 tecidos do corpo. As células retiradas de um tecido adulto podem produzir apenas um tipo: por exemplo, as chamadas hemotopoiéticas, obtidas na medula óssea, formam todas as células que formam o sangue, como linfócitos e glóbulos vermelhos.

Pesquisas recentes sugerem que células-tronco adultas talvez apresentem uma capacidade similar às embrionárias, quando trabalhadas sob certas condições, mas os resultados são ainda incipientes.

O que a lei aprovada na Câmara permite e coíbe?

A lei permitirá o uso de células-tronco de embriões congelados nas clínicas de fertilização assistida que são excedentes, pois não serão colocados em útero, ou enviáveis, que não teriam a capacidade de se desenvolver em um feto. Os embriões precisam estar congelados há mais de três anos e só podem ser usados após o consentimento dos pais mediante doação.
Não serão permitidos o comércio dos embriões, nem sua produção e manipulação genética. Estão vetadas as clonagens terapêutica, para aplicação na pesquisa, e reprodutiva, que visa a produção de pessoas.
Destruir um embrião equivale a matar uma pessoa?

A chance de um blastocisto se transformar em bebê normal é de 30% - os outros 70% se perdem naturalmente. Quando ele é criado por técnicas de reprodução assistida, a possibilidade cai para menos de 1%.
Não há nenhuma definição científica formal para quando começa a vida. Alguns cientistas defendem o mesmo critério para a morte, quando a atividade cerebral cessa, para definir a partir de quando um embrião deve ser visto como mais do que um punhado de células. Um blastocisto não apresenta qualquer atividade cerebral, motivo pelo qual os países que permitem as pesquisas com células-tronco embrionárias estabeleceram um limite de idade de até 14 dias, pois até essa etapa não há resquício de sistema nervoso no embrião.

Por outro lado, a percepção de quando começa a vida varia de acordo com a que a pessoa possui. Para alguns, ela se inicia no momento da fecundação; para outros, quando o embrião é implantado no útero ou quando o feto pode ter uma vida independente da mãe.

Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisa?

Microscópico. Assim que o óvulo é fertilizado pelo espermatozóide, ele começa a se dividir. Em cinco dias, cerca de cem células estão formadas e o embrião é chamado de blastocisto. Ele é formado por uma camada fina de células - que formarão a placenta - e um aglomerado de células-tronco em seu interior - que formarão a pessoa.

Deste bolo de células, é retirado o chamado ‘botão embrionário’, o que destrói o embrião. Ele é cultivado em laboratório para se manter de forma não-diferenciada, ou seja, não formar nenhum tipo de tecido, como um neurônio ou uma célula de epiderme, formando linhagens que rendem material para diversos anos de trabalho no laboratório.

Quantos embriões congelados existem estocados no país? Como e a partir de quando eles poderão ser utilizados para pesquisas?

Estima-se que existam cerca de 30 mil embriões congelados nas clínicas de fertilização assistida no Brasil. Até a Lei da Biossegurança aprovada pela Câmara anteontem, o material não poderia ser descartado.

É errada a idéia de que cada pesquisa exigirá um ou mais embriões. Os pesquisadores usam linhagens de células-tronco embrionárias, que podem se manter indefinidamente se tratadas de forma correta. Na verdade, ninguém sabe quanto tempo uma linhagem pode durar. A primeira, de células-tronco embrionárias de camundongo, foi criada em 1989 e ainda existem pesquisadores que a utilizam. A primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas foi criada é de 1998 e também gera material para pesquisa até hoje.
Pesquisadores podem adquirir as células-tronco diretamente nas clínicas de fertilização assistida?

Sim, mas não antes sem autorização de uma comissão especial. Qualquer projeto científico que envolve a manipulação de material humano precisa da autorização de um concelho de ética do instituto onde o cientista trabalha. Após dar esse passo, ele poderá contatar as clínicas. Nenhum embrião poderá ser usado sem a permissão dos pais biológicos.

O prazo de três anos foi estabelecido no texto da lei para que os casais tenham tempo para decidir se querem ou não implantar o embrião no útero.

Quais doenças que, já se sabe, podem ser curadas ou mitigadas pelo uso de células-tronco?

Hoje, nenhuma, seja com as embrionárias, seja com as adultas. Todas as pesquisas realizadas até o presente momento estão em fase inicial e, apesar de alguns resultados preliminares serem promissores, não há nenhum tratamento aprovado para utilização nos hospitais.

Dito isso, há algumas áreas que os cientistas têm mais esperança de aplicação das células, como o mal de Parkinson, diabetes, lesões na medula, alguns tipos de câncer e doenças no coração. Em modelos animais, elas restituíram a medula óssea, aliviaram sintomas de Parkinson, recuperaram pelo menos parcialmente a visão de ratos e o movimento das patas.
As pesquisas mais avançadas são feitas com a variação adulta, cuja utilização é menos polêmica. Com as células-tronco embrionárias, há alguns problemas de segurança que ainda dependem de solução. O fato de elas terem a capacidade de se transformar em qualquer tecido tem dois lados. As possibilidades terapêuticas são extensas, mas os cientistas têm alguns problemas em produzir justamente o tecido desejado. Se elas não são direcionadas antes da aplicação no corpo, formam um tumor, como foi observado em camundongos. Outro problema é a compatibilidade, já que são células estranhas ao corpo.

Em que estágio está o Brasil na pesquisa com células-tronco?
O Brasil possui alguns estudos bastante adiantados com a variação adulta. Um exemplo é um projeto multicêntrico para tratar insuficiência cardíaca, que recebe investimento do governo federal e pode chegar ao Sistema Único de Saúde nos próximos anos. Há outras linhas de pesquisa em diferentes estágios especialmente em SP, RJ, Salvador e Porto Alegre.

Nações como a Grã-Bretanha e os EUA investem em linhas do tipo há mais tempo (leia texto na página A18). Contudo, os institutos de ciência brasileiros têm demonstrado capacidade técnica para produzir bons resultados.

Qual é a diferença entre o uso terapêutico de células-tronco e a clonagem?

As células-tronco retiradas de um embrião produzido naturalmente ou por fertilização assistida podem apresentar incompatibilidade com o paciente, pois podem ser interpretadas como um organismo invasor e ser atacado pelo sistema imunológico.

Quando um embrião é fruto da clonagem, utiliza-se o código genético do próprio paciente para produzir um blastocisto com suas características (veja quadro acima). Dessa forma, não haveria rejeição às células-tronco.
Essa é a chamada clonagem terapêutica, que é permitida em alguns países, como a Coréia do Sul e a Inglaterra. Se um embrião clonado é implantado em um útero, é a clonagem reprodutiva.

Alguém já clonou embriões humanos?

Há apenas um caso documentado e aceito pela comunidade científica internacional. No ano passado, cientistas sul-coreanos utilizaram 242 óvulos humanos para gerar 20 embriões e usados para a extração de células-tronco. Eles conseguiram produzir apenas uma linhagem .

(O Estado de SP, 4/3)

Matéria retirada do site:

Matéria inspirada do blog: http://valeriagborborema.blogspot.com/

Seguidores

Visualizações nos últimos 30 dias

Visitas (clicks) desde o início do blog (31/3/2007) e; usuários Online:

Visitas (diárias) por locais do planeta, desde 13/5/2007:

Estatísticas