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quarta-feira, 14 de julho de 2010

A sabedoria que vem da mata

Lancei uma nova palestra chamada SustentHabilidade esta semana, num evento muito agradável onde cerca de 600 pessoas ouviram algumas provocações a respeito de um tema que tem sido abordado à exaustão nos últimos tempos: a sustentabilidade. A nada sutil inclusão de um "h" no título dava uma pista do conteúdo da palestra: eu não queria falar de sustentabilidade em si. Tem gente demais - e gente boa - falando a respeito e meu conhecimento sobre o assunto é apenas superficial. Por isso num momento da palestra eu disse que poderia estar falando de "inovhabilidade", "flexihabilidade" ou "qualidhabilidade". Minha intenção era falar sobre nossa capacidade (ou habilidade) de colocar em prática o que os belos discursos pregam.

E pelo retorno dos que assistiram, acho que consegui atingir meu objetivo.

Um momento que julgo ser de especial importância na palestra é o encerramento. Várias vezes bati na tecla de que temos muito a aprender com a capacidade da natureza em manter o equilíbrio entre os infinitos elementos animais, vegetais e minerais que a compõem. Equilíbrio. E quem mais sabe do equilíbrio da natureza do que os índios?

Pois saí procurando e de cara encontrei uma famosa "carta do cacique Seattle", dos EUA, que no século 19 teria escrito um manifesto lindíssimo sobre a relação do homem com a natureza. Mas bastou uma pequena investigação para descobrir que a tal carta é falsa. Foi escrita por um roteirista de cinema e depois distribuída como sendo de autoria do velho cacique.

Continuei a procura e acabei encontrando uma pérola aqui mesmo no Brasil. Mais especificamente num blog do Pará, o pelasruasdebelem . São as palavras de Kapjêre Jõpaipaire, um índio parkatêjê paraense. Conversando com a professora Marineusa Gazzetta, da UNICAMP, ele pronunciou algumas palavras que a impressionaram. Ela pediu permissão para anotá-las e divulgá-las. Leia com atenção e repare como a sabedoria está nas coisas mais simples:

"No verão esquenta e a água sobe; o corpo está quente e a água sobe; de noite esfria e volta de novo a água no corpo da gente. O calor da água está em tudo: em nós, na madeira, nas plantas e sobe e vai juntando. Forma nuvem. E quando está no dia da chuva, cai pra nós bebermos, para os animais, para as plantas...

A madeira (o mato) é nosso pai, dá a produção pro filho comer e defende a gente. A terra diz: 'Eu sou a mãe de vocês; agora vocês têm que me gostar e me usar para viver.' A terra é nossa mãe - cria a gente. A terra quer que a gente produza para comer. A terra - não sabemos de demarcação - não tem limite, é aberta. Índio anda 60 quilômetros num dia. Mato diz pro filho: 'Olha, filho, eu vou me produzir pra você comer, mas você tem que me olhar e não deixar me prejudicar.'

O céu é nosso irmão mais velho. Ele manda na chuva e manda a chuva pra nós, pra beber, molhar as plantas, criar peixes, tomar banho, lavar...

A mata é um lençol para nós, por isso índio morava na mata. É saúde.

O sol é forte, traz doença e o vento carrega a doença pro mundo (não é só para o índio); a mata atrapalha o vento e não deixa passar a doença.

Agora não tem mais mata. Por isso está aparecendo muita doença."

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Luciano Pires
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Entrevista com a Dra. Maya Angelou



Marguerite Ann Johnson nasceu em St. Louis, Missouri, no dia 4 de abril de 1928.
Passou a infância na Califórnia, Arkansas, e St. Louis, e viveu com a avó paterna, Annie Henderson, na maior parte de sua infância.
Quando tinha 8 anos, foi estuprada pelo namorado da mãe em St. Louis; isto levou a anos de mudez para Maya que finalmente superou com a ajuda de uma vizinha atenciosa, e um grande amor pela literatura.
Aos 16, Maya se tornou a primeira motorista negra de ônibus em São Francisco; em anos posteriores, tornou-se a primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood.
Nos anos 60s tornou-se amiga de Martin Luther King Jr. e Malcolm X; serviu no SCLC com Dr. King, e trabalhou durante anos para o movimento de direitos civis. Também nos anos 60, trabalhou e viajou pela África, como jornalista e professora, ajudando vários movimentos de independência africanos. Em 1970, publicou o primeiro livro, I Know Why the Caged Bird Sings, com grande sucesso, e foi nomeado para o Pulitzer Prize em poesia no ano seguinte.
Angelou teve uma carreira longa e distinta, é poeta, escritora, ativista de direitos civis, e historiadora, entre outras coisas. Também é atriz, dançarina, e cantora, atuou na peça de Jean Genet, "The Blacks", e o aclamado seriado, "Roots". Angelou provavelmente é conhecida melhor pelos trabalhos autobiográficos, que incluem I Know Why the Caged Bird Sings e All God's Children Need Travelling Shoes.
Em 1993, Angelou leu um de seus poemas chamado "On the Pulse of Morning", na posse de Bill Clinton como presidente; este foi um dos pontos altos de sua carreira, e novamente a trouxe para as vistas do público. Atualmente, é professora de história americana na Wake Forest University, Carolina do Norte, ainda fazendo suas excursões e dando palestras em vários lugares.
Em abril deste ano, Dra. Maya Angelou foi entrevistada por Oprah Winfrey na passagem de seu aniversário, mais de 70 anos. Oprah perguntou como ela sente diante da velhice que chega.
Resposta: 'animada!'.
Comentando as mudanças no corpo, disse que há muitas, a cada dia. Como os seios, que estão competindo um com o outro para ver qual chega primeiro à cintura. A platéia riu de chorar.
Uma das grandes vozes do nosso tempo, Maya Angelou é uma mulher simples, direta e cheia de sabedoria.
Alguns exemplos:
# Aprendi que aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.
# Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pessoa observando-se como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagem perdida e luzes de árvore de Natal emboladas.
# Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando se forem.
# Aprendi que 'ganhar a vida' [making a living] não é o mesmo que 'ter uma vida' [making a life].
# Aprendi que a vida às vezes nos oferece uma segunda oportunidade.
# Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora; tem que saber abrir mão de algumas coisas.
# Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração, em geral vem a ser a decisão correta.
# Aprendi que mesmo quando tenho dores, não tenho que ser um fardo para os que me cercam.
# Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém. As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.
# Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
# Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você faz com que se sintam.
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