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sábado, 19 de setembro de 2009

A mente apaga registros duplicados

Autor: Airton Luiz Mendonça (Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia... Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente..
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... em outras palavras...... V-I-V-A. !!! Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é ??
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O fim do problema mente-cérebro?


Foi a partir da década de 90, considerada a década do cérebro, que essas questões ganharam impulso. As indagações e reflexões envolvendo o cérebro humano emergiram simultaneamente em várias disciplinas (Neurociência, Inteligência Artificial, Filosofia da Mente, Ciência Cognitiva) e recolocaram com força o problema mente-cérebro.
A psicologia do século XX passou então, a disputar espaço com esses outros movimentos científicos. Entre todas as disciplinas que buscavam solução para o milenar problema da causação mental, a neurociência tenha sido talvez a mais aclamada no meio científico. Através das técnicas de neuroimagem que nos permitiram observar a atividade do cérebro humano in vivo, ela nos apresentou uma outra base para questionar a mente humana. Mais do que dividir espaço, a neurociência se propôs a substituir a psicologia.
A neurociência nos diz que muita coisa que hoje nós tratamos como sendo da ordem da psicologia poderá acabar num futuro próximo. O neurocientista americano, Michael Gazzaniga, por exemplo, afirma que a psicologia acabou e que ela vai ser “comida” pelas neurociências. As teorias psicológicas inundadas de idéias e de conceitos psicológicos (tais como apego, ressentimento e inveja) desaparecerão e serão substituídas por teorias neurocientíficas à medida que formos encontrando as bases neurais para esses distúrbios.

Psicologia em crise?

Para João de Fernandes Teixeira, essa é uma questão não só polêmica, mas assustadora. Será então que toda a psicologia poderá um dia ser reduzida à neurociência? Poderá uma pílula exterminar qualquer patologia psicológica? Qual será o papel do psicólogo nas próximas décadas?
É preciso ter cautela, adverte Teixeira. A neurociência já deu grandes saltos, mas tropeçou em muitos obstáculos. A maior dificuldade é explicar eventos intencionais como crenças, desejos e emoções. E afirmar que tudo vai ser reduzido ao cerebral é uma grande aposta.
Quanto ao futuro da psicologia, o professor acredita que é apressado supor que a neurociência irá substituí-la. “A neurociência ainda esbarra na tarefa de identificar os correlatos neurais da experiência consciente, e na minha percepção não há essa incompatibilidade aparente entre psicologia e neurociência. Uma coisa não é incompatível com outra. Eu acredito é na interface entre as duas disciplinas.”
Apesar de grandes ataques que a psicologia tem sofrido nas ultimas décadas, Teixeira afirma que ela sobreviverá se estabelecer relações interdisciplinares. “A especificidade na psicologia estranhamente será ganha caso pertença há um contexto maior, quando nós tivermos um projeto científico maior onde o psicólogo conviva com o neurocientista. É através das interfaces com as outras disciplinas da mente que a psicologia vai tirar sua sobrevivência”, complementa Teixeira.
Texto de Rafaela Sandrini
Edição de Luiz Paulo Juttel

Original em:

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Mente e cérebro - uma questão, a priori, filosófica


A questão mente-cérebro se apresenta necessariamente como sendo filosófica, porque de modo geral problemas conceituais sempre permearam esse âmbito do saber.
A filosofia sempre buscou meios lingüísticos de adequar o interno humano com o mundo real de maneira verdadeira.
Toda a história da humanidade foi marcada por discursos que ora reforçavam um dualismo (estados físicos diferentes de estados mentais), ora um materialismo (estados mentais como variações de estados físicos).
Como salienta o professor e mestre em filosofia Rafael de Oliveira Vaz, “a mente é um problema filosófico porque a sede do pensamento seja cérebro, espírito ou propriedades supervenientes, é a pedra fundamental da visão de natureza humana e de suas conseqüentes propriedades, conceitos necessários para qualquer ontologia que inclua o homem (e suas peculiaridades) dentre os entes que dela façam parte.”
E o surgimento da Filosofia da Mente- aliada aos avanços da ciência e à sofisticação de argumentos filosóficos - trouxe mais subsídios e possibilitou o refinamento de argumentos e contestações referentes à questão que sempre instigou o homem: desvendar a caixa preta!
Postado por Rafaela Sandrini no original:

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